Tuesday, July 03, 2007

O Gol

Estádio cheio. Não há espaço para mais nenhum só torcedor. Estão apertados na galera. Nas numeradas, nem pipoqueiro e nem sorveteiro conseguem passar. Nas cativas, os de sempre. Bandeiras agitadas dão cor ao espetáculo.
Nervosismo. Rádios de pilhas narram o que não se pode ver ali na sua frente. É tenso.
E futebol sempre será assim. A ansiedade pelo resultado final. A certeza da vitória, por mais incerta que seja. E o pavor da derrota.
A paixão pela cor da camisa nunca chegará a ser amor. É muito intenso. Futebol é paixão. Sangue. Suor. E lágrimas.
Lágrimas pelo gol perdido ou pelo gol marcado. Não há como escapar.
E todos esperam pelo gol. O clímax. O orgasmo. O ápice.
Jogo zero a zero, compare-se com uma sessão masturbatória sem fim. É chato, sacal e solitário. E no final, pare ter sido aquilo que ainda não foi. Há vazio.
Com o gol é tudo diferente.
O abraço alucinado no sujeito do lado que você nunca viu mais gordo! Ou então a suruba homossexual na comemoração do gol, na almôndega humana festiva dos jogadores. Ou então nos beijos distribuídos a torto e a direita. Ou na lágrima solitária do mais machão dos torcedores.
Gol é assim. É o alivio. É relaxar. É ouvir pelo radiozinho, o grito mais longo de um orgasmo. E pela tevê tem replay.
Gol é a alegria do atacante e o pesadelo do arqueiro. Gol é o silêncio mortal do goleado e a alegria ensurdecedora e louca do goleador. É o que todos querem.
Quem nunca viu aquele maravilhoso gol. A bola tocada com maestria. Com o toque mágico. A levantada da bola. O “lençol”, o “chapéu”. A bola que sobe encobrindo o zagueiro e deixando o arqueiro desprovido de proteção. Pronto pra se fuzilado, com o chute sem pulo.
É antológico.
Antes que a bola toque o solo, o chute certeiro depois do chapéu desmoralizante dado no zagueiro e sacrifica o goleiro, em seu canto solitário.
É uma pintura. Coisa de cinema. Agora com os efeitos da indústria cinematográfica, pode-se ver até com os efeitos “matrix”.
Jorge Ben já cantou, verdadeiro gol de placa.
Esse gol poderia ser o gol do Pelé em ’58, quando ele ainda só tinha 17 anos, e menino, brincava de jogar bola.
Mas não foi.
Foi o gol do atacante mexicano Castillo, contra o Brasil. E foi um verdadeiro gol de placa.

Notas: Brasil perdeu do México na Copa América,1x0. Gol de Castillo
Música: Fio Maravilha, Jorge Ben
Por Fernando Flitz Katayama, Toronto, On Canada 1 July 2007

Wednesday, June 27, 2007

Vai meu Irmão

É 64. O canhões estão na rua. Tanques circulam como taxis. Homens de capacete e farda tomam os principais locais do país. No Rio, patrulhas caçam. Em São Paulo, já estão nos calabouços. Estudantes correm sem direção. O Congresso e o Senado estão fechados. Entre “twist and shout”, do reis do ye-ye-ye, ouve-se tiros de fuzil. Esta instaurado o período ditatorial mais longo da história nacional.
Durante esse vinte e poucos anos, muita coisa aconteceu. Uma das grandes coisas, foi perder a chance de transformar o que era a esperança e o sonho, ou então a “bola da vez” chamada Brasil, para ser a “bola do jogo”. Sair do jargão “país do futuro” e fazê-lo presente. Os militares jogaram a melhor chance que tivemos. Nesse período de perseguições, torturas e mortes, tiveram também fugas. Quem pode correu, quem não pode... Formaram-se os grupos dos exilados políticos espalhados pelo mundo. Por todo canto encontrava-se um brasileiro, por ai, despatriado. Expulsos de seu país para poder viver.
Mas passaram-se já vinte anos da abertura política. 40 do início da Ditadura. O país vive ainda em um caos. No Rio, estão quase implorando para os tanques voltarem às ruas. Em São Paulo, há muitos em calabouços, não mais do DoiCod, mas do PCC. O Congresso e o Senado estão abertos mas vivem vazios, e mesmo quando cheios, não servem para nada, só aumentam as crises e escândalos. Os estudantes já não correm e nem tem porquê, já que não tem inimigo declarado e comum, e muitos inimigos são amigos do ponto. Estudantes não sabem para onde ir, já que caminho e perspectiva não se tem. Não temos mais os Garotos de Liverpool. Tivemos as bundas de Carla Perez, e algo pior virá. Faz vinte anos que a mais porca democracia esta instaurada, talvez menos mal.
Mas tem também os exilados. Exilados como eu, por opção. É um fenômeno latino-americano-brasileiro. Quem pode, sai. E não pensem vocês que são pessoas com a corda no pescoço não. Vejam que entram nessa lista até os boleiros milionários, como Ronaldo e Ronaldinho. Tem um êxodo agora para a NBA. Os astros se mandam antes. Tem também aquele grupo da média e alta gerência que pedem transferencia. E tem os como eu.
4 milhões partem todo ano para a romaria de viver sobe outra bandeira1. O caminho inverso dos colonizadores de 500 anos atrás, ou dos italianos, alemães, japoneses, turcos, árabes que foram ao Brasil em busca de alguma coisa muito parecida com esses 4 milhões.
Cada um tem o seu motivo, a sua justificativa, a sua história. Mas o objetivo é sempre muito parecido: tentar o que parece ser impossível na terra natal. É claro que isso mostra que existe alguma coisa não muito certa, mesmo porque, esse número são de pessoas que saíram oficialmente. E nem entramos no mérito dos que querem, mas não podem ou não vão.
Outro dia disse a um famoso jornalista: “... Talvez seja melhor morrer como herói, aquele que morre pelo que acredita, do que viver sem esperança alguma... Faço parte desse contingente, que saiu do país, talvez expulso ou em exílio espontâneo, na busca de um sonho. E eu prefiro morrer tentando, ao viver conformado”
E ele me respondeu: “... Lamento ter que te dizer, que acho que fez a coisa certa...”

Notas”1 - Folha de São Paulo, Editoriais, Clóvis Rossi, 26 Junho 2007
Música: Samba de Orly - Chico Buarque
Por Fernando Flitz Katayama, Toronto, On Canada 27 jun 2007

Friday, June 08, 2007

Eu não gosto de Cachaça

Certa vez, há muito tempo atrás, no auge da minha adolescência nem tão rebelde assim, fui acampar. Eu e meus comparsas tínhamos esse hábito de nos metermos em lugares longínquos e ermos. Longínquos e ermos para nós, afinal tudo era feito no melhor estilo, pé-ônibus. Quanto mais longe, ermo, sem estrutura, melhor.
Numa dessas excursões da rapaziada classe A da cidade, nos deparamos em um camping. Resolvemos ficar. Fizemos amigos naquele verão, e amigas, que passaram a ser mais importante que os amigos novos, uma vez que a testosterona estava no pico. Enfim, tempos de diversão em meio a natureza. Tínhamos também as fogueiras e rodas de violão, cantando as músicas do Legião e Paralamas, os novos rebeldes desse tempo. Em uma dessas rodas, apareceu um garrafa de cachaça. Não era da boa certamente, mas era cachaça. Foi o pior fogo que tomei na minha vida. Vi o mundo de uma perspectiva imiaginável aos olhos sóbrios de hoje. Chamei Jesus de Genésio. O dia seguinte, foi pior que a noite anterior. A ressaca secara minha boca e minha cabeça parecia um festival de marteladas. Inesquecível, tanto que conto há agora, depois de uns quase 20 anos. Desde então, não gosto de cachaça.
Mas parece que esse meu anti-gosto não é compartilhado com o Lula. Talvez agora ele só tenha mudado o rótulo da garrafa. Lula vem enfatizando o desenvolvimento do bio-combustíveis, o que, de um ponto de vista é louvável. Afinal incentiva a pesquisa e desenvolvimento, coisa meio lenta no país. A política do bio-combustíveis de Lula é reconhecida em todo o mundo.
Lobistas do óleo divulgaram recentemente uma pesquisa da ONU, mostrando que o bio-combustível já afeta o mercado antes mesmo de se tornar uma realidade, menos virtual. Nesse relatório, afirma-se a alta nos preços dos alimentos.
É de extrema importância o desenvolvimento de novas tecnologias para os combustíveis uma vez que o petróleo esta com seus dias contados. Precisa-se desenvolver combustíveis que não só impulsione os veículos e a indústria, mas que também não piore o aquecimento global, e ainda por cima gere empregos.
Esse é meu medo com o álcool de Lula. Não só o que ele bebe, mas o projeto Pró-álcool. Todo mundo vê a curto prazo, uma coisa boa. E eu vejo a longo, uma coisa ruim. Álcool precisa de cana. Yes! Nós temos cana. Para o plantio da cana-de açúcar, é preciso terra, muita terra e de novo, Yes! Nós temos terra. Além de que a tecnologia do etanol como combustível é nossa. Então porque não?
Porque o grande problema do Brasil é e sempre foi, e parece que sempre será, a péssima distribuição da renda. Foi assim nos tempos da Coroa. Do café. Do primeiro ciclo da cana-de-açúcar. Da borracha. Dos grandes latifúndios. E hoje dos poucos aglomerados de ricos.
O Pró-álcool traz de volta o risco do latifúndio. Terras e mais terras cheias de cana, produzindo milhões de litros de álcool outros milhões de litros de vinhoto, alguns empregos para bóias-frias, e pouquíssima distribuição de renda.
O comunista Lula, a favor da reforma agraria, da distribuição de terra, padrinho do MST, a favor de tomar a fazenda do FHC, sumiu! Esqueceu-se das teorias comunistas, que talvez tenha aprendido, ou só tenha ouvido falar no disse-que-me-disse. Parece não ver que o Brasil esta parado no tempo. Ficou na lembrança para a lembrança o slogan, “país do futuro”, para voltar a ser o grande latifúndio do mundo. Tudo porque falta dar fermento a classe média que hoje é inexistente, faze-la crescer e educa-la. É a única chance do Brasil começar a se movimentar.
Essa história do etanol me deixa preocupado. O relatório da ONU parece fazer sentido uma vez que, não comemos cana, a não ser rapadura e açúcar, mas bebemos, como cachaça ou garapa com pastel na feira.
Eu não bebo e não gosto de cachaça. Mas o Lula continua tomando a dele.

Música: Sera - Legião Urbana - para meus amigos que cantávamos juntos envolta das fogueiras.
Por Fernando Flitz Katayama, Toronto, On Canada 8 June 2007

Saturday, June 02, 2007

Diferenca das Bananas

Moro fora. Sai do Brasil em meu exílio espontâneo. Resolvi deixar as terras brasileiras como Cabral e ir ao desconhecido. Diferentemente de Cabral, que chegou coberto de roupa em um calor invernal, eu cheguei de calças curtas e chinelos de dedo em uma tempestade de neve.
Não é a minha primeira vez fora do Brasil. Dele, já sai muitas vezes, mas nenhuma teve o mesmo objetivo desta vez. Aqui, não é o mundo perfeito. Aliás é muito imperfeito como qualquer lugar. Mas o que é que difere tanto do Brasil que deixei lá atrás?
Não falo dos amigos e família que ficaram, porque esses são realmente insubstituíveis, seres singulares em suas qualidades e defeitos. Não falo também da rica cultura culinária que temos, e eu particularmente, gosto muito. Não há comparação com as nossas bananas e as bananas daqui; yes! Nós temos bananas! Não ouso tocar no assunto das mulheres, as mais belas delícias do planeta estão lá. Ainda mais se tiver na praia. Aquele biquininho, aquela marquinha de sol a praia em si, é o que há!
São coisas que nem o mais louco ou bobo contesta. E não dá nem pra sola do sapato comprar isso com o resto to mundo.
Posso falar de outras coisas do Brasil. Como o famoso “swing” brasileiro, e pelo amor de Deus, não confundam esse “swing” que estou falando com aquele outro “swing”1. Do jeitinho de fazer as coisas e para dar jeito nas coisas. Posso falar também de muitas outras coisas que são particularmente peculiares ao país. Posso descascar o abacaxi Brasil e dizer tudo o que todo mundo já sabe. Cairiam as cascas de corrupção, de malandragem, falta de educação e certamente de falta de vergonha na cara. Cairiam também cascas podres dos três poderes. Entupiriam o esgoto com de dejetos parlamentares. E assim eu iria, me repetindo em cada letra.
Então não o farei.
Contarei, à vocês, coisas que talvez já sabiam ou que talvez não.
Aqui, as taxas que pago são altíssimas. Está lá estampada no recibo, e as vezes, a maioria delas doí ao ver. Pago também, já descontado na fonte, um outro tanto. E doí mais ainda. Mas quando doí, ligo 911. E acreditem os caras chegam em 5 minutos. Ou vou ao hospital e lá sou atendido. Espero, é verdade, mas sou dignamente atendido.
Tem sempre um cara de uniforme azul por perto. Ele é chato, não deixa beber e dirigir, dá multas e faz a lei funcionar. Mas ele não faz muito não, não tem crime.
Toda criança vai a escola. Não sei se são as melhores do mundo, mas certamente eles aprendem alguma coisa. Mas todos vão. E papai e mamãe que é preocupado com a educação dos filhos não precisa pagar a mais para tê-la.
Pequenas coisas do cotidiano também são diferentes. Coisas que parecem estúpidas, insignificantes, ridículas mas fazem a diferença na sociedade como um todo. Os carros param para os pedestres. Os pedestres, na maioria das vezes esperam o sinal abrir para atravessar na faixa. Não ultrapassam na faixa dupla. Não jogam papel no chão, tem lixo, e separado para a reciclagem. Esperam a vez na fila. Param no sinal vermelho, mesmo a noite, quando não tem ninguém, afinal não tem malandro pra assustar.
Parece pouco né? Aqui cada um faz a sua parte e não reclama da parte do outro. Tudo parece funcionar bem. Essa é a grande diferença. Cada um faz a sua parte . Para que funcione é preciso que cada um faça a sua e não empurre a responsabilidade para o outro. E no Brasil sempre a responsabilidade é do outro e nunca nossa.

Notas* : 1 Swing também é conhecido como troca de casais no submundo do sexo.
Música: Get It Together - Seal
Por Fernando Flitz Katayama, Toronto, On Canada 2 June 2007

Monday, April 30, 2007

A Média Inexistente

Nunca fui lá muito bom com números. Matemática era um encalço nos tempos de colégio. Essa tal de matemática sempre me deu dor de cabeça. E piorava a cada dia. Fazia minha vida no colégio um inferno. Mesmo que em algumas vezes, eu tenha tido criativas soluções para aquelas equações estrambólicas. Logaritmos, números primos, terceiro grau, frações e inteiros. Sinceramente, não faziam muito sentido. As duras penas aprendi.
Apesar de detestar essa tal de matemática, aprendi e tem sido útil. Como já disse anteriormente, muitas vezes para mim, dois mais dois não são quarto mas dá um bom sessenta e nove. Na matemática aprendi sobre a média. Ponderada. Absoluta. A média. A média soma-se tudo e divide por dois, tem a média absoluta. Ou soma-se tudo e divide-se pelo número de itens, tem a média ponderada. Foi nesse tempo de colégio que eu aprendi também o que era a classe média, nas aulas de geografia. Era o que ficava entre a Classe A e a Classe C. E engraçado, não tinha nada da matemática que eu estava aprendendo.
Mas venho dizendo, faz um tempo já, que a classe média do Brasil esta sumindo, e um estudo da Unicamp prova o que estou falando, mas quero saber quais os parâmetros para a criação desse tal índice, sendo que eu não concordo. O Brasil é um país de duas classes apenas. Os ricos e os podres. Você esta em uma dessas duas, mas podre você não é. Certamente sua resposta a minha afirmação será me dizer: eu não sou rico.
É ai que começam as classificações para os sub-tipos de classificação econômica. AA+, AA, AA-, A+, A, A-, BB+, BB, BB-, B+,... C, C-, CC-, D-, DD-..., e note, à partir da C não tem sinal de +. Começa C e decresce. Mas isso tudo é balela. Podemos ter A, B e C, e só. As derivações são conseqüência do fracionamento do mercado, criado pelos gurus do marketing, para poder trabalhar melhor o comportamento do consumidor. E todo mundo engoliu. Mas o que vemos na realidade não é assim. É A, B e C.
“A” são os ricos, todos os ricos, “C” são os podres, todos os podres. E “B” seria a soma de A e C dividido por dois. Mas não é bem assim que acontece. B não é a media ponderada ou absoluta entre a riqueza e a pobreza.
Acontece que a chamada classe média sumiu! Simplesmente não existe mais. Se você paga escola para filhos, ou estudou em escolas particulares, vai ao shopping fazer compras, vai ao cinema, churrasco com amigos, um jantarzinho a luz de velas com a patroa, viagem à praia nos feriados e talvez para fora do país, você é rico. Se não, é podre. Mas você me diz que é classe média pelo seu faturamento mensal, mas no final do mês, acaba no zero ou devendo. Você não é classe média, é pobre, mas pensa que é classe média, afinal quer viver como rico, mas paga as contas como pobre. E lógico, tem os muito mais pobres que ricos.
O resultado disso é a tensão social que vive o Brasil. O atrito gerado pelo BMW que passa na porta da favela ou do morro, que os miseráveis assistem aos desfiles de luxo da Zona Sul. A malandragem que desfila pelos Jardins, em suas motocas envenenadas, em busca de uma vítima em traje de gala. O proveito da bandidagem no desespero paterno diante de seus 5 filhos e da esperteza juvenil. O terror tocado pelos grupos criminosos, recheados de seres desprovidos de perspectiva. Do carro blindado no semáforo assistindo ao show de malabares, das ramelentas pulgas das sociedade marginal ou ver da janela do seu luxuoso apartamento, o maravilhoso-miserável cômodo 3x3, para cinco, feito de placas, madeira e um pedaço do outdoor estampado a cara do último deputado da cidade.
A tensão social ainda consegue ser sustentada pela sociedade como um todo, podres e ricos, mas a guerra não declarada já é oficial. E a solução dessa equação crônica, parece não existir. Mas a solução é simples: vontade política, não só dos péssimos governantes e políticos, mas de toda sociedade, na qual eu e você estamos inclusos.

Música: Rio 40 Graus - Fernanda Abreu & Chico Science
Por Fernando Flitz Katayama, Toronto, On Canada 30 April 2007

Sunday, April 22, 2007

Brasília e o Fiat 147

Tem uma fotografia lá na casa de minha mãe, guardada no álbum, a mais de sete chaves. Pouquíssimas pessoas já viram essa pequena foto. Foto do tempo da máquina fotográfica manual e processo químico de revelação. É lá dos anos 70. A foto é de um formato não muito usual nos tempos de hoje, como 13X15 cm. Coisas de setenta. É uma foto minha. Sou eu lá no pequeno pedaço de papel, colorido por reações químicas. Sorrindo, com meu cabelão ondulado, e acreditem eu usava cabelo comprido e era ondulado, estava eu lá dirigindo a Brasília Amarela de minha mãe. Na verdade eu estava mesmo é brincado de dirigir, tinha, se muito, uns 3 anos de idade. Mas também tenho outras lembranças dos carros de minha infância. Um deles, foi um Fiat 147, vermelho, que meu pai comprou e até hoje eu não sei o porquê. Esse carro foi responsável por engolir meu carrinho de ferro. Nunca mais revi o carrinho. Foi com esse carro, que não passava dos 80km/h, o que para a época era bem razoável, minha mãe e meu pai, inventaram de ir ao interior de Minas, Furnas. Com o espírito aventureiro fomos nós para lá. Levou um tempo mas chegamos, e melhor voltamos.
Meu pai resolveu vender depois dessa viagem. E hoje em dia nem a Brasília e nem o 147 são fabricados.
Brasília, foi o nome dado ao carro, para celebrar Brasília. A Capital do país no meio do nada. Brasília faz hoje 47 anos. Não se sei para orgulho ou desespero. A cidade construída com os projetos de Oscar e Lúcio. Encheu o sertão de Candangos e Porcos. Os Candangos povoam as cidades satélites e os Porcos deveriam ficar mais por lá, mas só vão as terças, quartas e quintas, até o meio-dia.
O que deveria ser o um exemplo para o país e para o mundo, de que devemos arriscar, enfrentar as dificuldades e construir algo bom, esta mais para um exemplo à não ser seguido. Brasília, talvez nunca tenha tido a vocação de motivar pessoas a fazer algo construtivo. Talvez, seja mesmo a filha de proveta de JK, cercada de conchavos e troca mesquinhas, encalacrada em seu DNA. Talvez seja o marco de concreto da corrupção secular brasileira.
Agora com o governo Lula, a máquina parece ser mais corrupta. Talvez seja mesmo. Mas não elimina a podridão desde os tempos da terraplanagem, quando lá nem existia. Lula só piorou. Em seu sonho da conquista do Planalto e a tomada do Brasil, ele só não contava com o seu egocentrismo, mas talvez já imaginava nos benéficos próprios.
Brasília era para ser a cabeça no coração do Brasil. Era para ter o respaldo de estar centrado, no meio do Planalto Central. Geograficamente equidistante. Longe dos grandes centros e longe das pressões sociais. Livre para poder governar em favor da sociedade. O centro político no centro do Brasil. É nobre o propósito.
Mas política se faz com políticos. E os políticos brasileiros não governam para o Brasil. Fazem em prol de alguns grupos seletos. E são eles que dirigem Brasília.
E eles pilotam Brasília com a mesma seriedade e precisão quando eu dirigia brincando a Brasília de minha mãe parada na rua. E conduzem o Brasil a velocidade máxima de crescimento, como o espetacular Fiat 147 vermelho de papai. Mas eles ainda têm uma grande diferença com os dois carros: eles não foram descontinuados da linha de produção e substituídos por modelos melhores.

Música: Pelados em Santos - Mamonas Assassinas - Mamonas Assassinas - 1995
Por Fernando Flitz Katayama, Toronto, On Canada April 22 2007

Friday, April 06, 2007

O Rabino, a Gravata e o Nó Cego

Neva. É primavera. Dizem que é normal. Para mim parece anormal, sendo que é primavera. Deveriam ser flores e não flocos. Mas é primavera e as flores logo virão. Tudo ficará verde e florido, chegará o calor e tudo parecerá normal.
Anormal mesmo é o que eu ando vendo nos jornais brasileiros. Abismado com as coisas da América do Sul e com as direções que o governo Luluista vem tomando.
Começou com o parimento de ministérios, para agradar os gregos, os troianos, os astecas, os maias, o PCC, o PMDB, PSD, PFL... Dando mais que puta desesperada, Lula gerou mais e mais ministérios, aumentando o já altíssimo custo da máquina estatal enferrujada. Ai, veio o Bush. Lula nada conseguiu do macaco gago. Depois Lula foi. Achou bacana andar no carrinho de golf e nada conseguiu do macaco gago, que ludibriou o inocente Presidente brazuca.
Pior não foi isso. Lendo notícias, vi que o Planalto esta andando em cascas de ovos para ir discutir com Chavéz sobre os bio-combustíveis. Lógico que isso é pressão gringa, que já sabe que esse recurso negro, já tem os dias contatos.
Chavéz, verborragico, falou pelos cotovelos sobre a fome e os problemas do uso de cana para fazer combustíveis. Segue a filosofia de Castro, como a cartilha da galinha Corococó lá do jardim da infância. O anti-americanismo chaveztiano soa-me idiota em um mundo globalizado. E Lula não sabe se cai para o lado do Chavéz, a quem se refere como aliado ou se cai fora e dá loco o lombo para os Greengos. Chavéz justifica que trará fome ao mundo o programa de uso de combustíveis alternativos, uma vez que as áreas destinadas ao plantio serão tomadas pelo feroz capitalismo.
Lógico que Chavéz não esta olhando para a fome do mundo, porque o problema da fome não é terra, nem recurso, é político. Chavéz como todo bom ditador, assim como Fidel, olha para o próprio umbigo. Esta puxando sardinha pra o seu lado. Venezuela é um grande produtor de petróleo e uma fonte alternativa, minaria não só a sua economia mas o grande poder de barganha com os americanos.
É claro que um programa de incentivo ao plantio da cana-de-açúcar tem que ser muito bem feito com regras e restrições, principalmente em um país-lambança como o Brasil, enraizado no extrativismo colonial. O capitalismo desvairado poderá levar a monocultura aos extremos dela.
Lula parece um nó cego. Vai defender o pró-álcool e nada desatará. Deve ser porque assim dará pra fazer mais cachaça. Vai dizer que colocará mais homens no campo e que gerará mais empregos. Pode ser verdade, contudo um campo maquinado e bem equipado é mais produtivo que com um bando de bóias-frias, e como bom capitalista, prefiro máquinas produtivas à um bando de bóias-frias.
É preciso ter mais cuidado ainda, o falarmos da distribuição da renda, através de mais homens trabalhando no campo. Com o plantio da cana, o risco dos Barões voltarem a cena e grande, e a renda ficaria mais concentrada, uma vez que é preciso terra. Muita terra. Lembre-se que: a tal reforma agrária já faz 20 anos e até agora mesmo velha, ela nem sabe engatinhar. Para piorar, nasceram serem malignos como o Maluco do MST com idéias pra lá de perigosas a humanidade.
Seria melhor o Brasil investir em pesquisas e desenvolver novos recursos. Aliás falta ao Brasil posicionamento estratégico. Como quando perguntamos a um garoto o que ele quer ser quando crescer, e ele diz: bombeiro. Se perguntar ao Brasil, ele, com 500 anos ainda não sabe a resposta. Enfim, Lula e Chavéz são dois nós cegos.
Pior ainda é a crise dos aeroportos, controladores de vôos, porque até para sair do país a coisa ficou difícil. Lula, na maciota, anuncia o fim da crise sem ter uma solução. Só no Brasil para alguém anunciar o fim de uma crise, sem ter uma solução. E como sempre, ele brinca que governa.
Mas o melhor exemplo mesmo é o Rabino Surtado. Já o achava louco e hipócrita, com aquele sotaque arrastado e idéias de devaneios. Mas o surto de luxo do Rabino, o ladrão de gravatas Louis Vuitton e Armani comprovou tudo.
No Brasil roubar é legal. O rabino só se desculpou e nem se quer pagou fiança.
E de fato, o Brasil enlouquece qualquer um.


Música: 1.100.00 - Ana Carolina - Dois Quartos - 2006
Por Fernando Flitz Katayama, Toronto, On Canada April 5 2007

Saturday, March 24, 2007

Pescoço Torcido

Li outro dia um texto do Sarney. Sarney para mim, em um certo período da minha vida era somente um bigode na televisão. Falava com o sotaque do norte e começava sempre com brasileiros e brasileiras. Sarney presidente-vice-presidente da transição da ditadura-democracia e da galopante hiper-inflação. Ele tem uma coluna num jornal de grande circulação nacional. Escreve as quintas. Foi numa dessas quintas que li, não me recordo qual. Não tenho o costume de ler a coluna dele ou qualquer outro político. É por pura birra, descontentamento e desilusão. Não gosto muito de dar IBOPE para eles, mas às vezes, me rendo, caio à tentação e cometo o crime. Já fiz isso com FHC, Delfin, Mailson, Bresser...
Sarney não começou seu texto invocando homens e mulheres do Brasil, nem me lembro como ele começou para ser sincero, mas o conteúdo era um tanto interessante, e não falava de marimbondos. Disse lá que o grande vilão do desgraçado e ridículo desenvolvimento nacional, até mesmo comparado-se ao próprio umbigo, é da Constituição de 88. Disse lá, que de pescoços torcidos, os políticos escreveram a constituição olhando para o passado. Citou nomes americanos para demonstrar a solidez da constituição americana feita por 55 pessoas e comparou com a celebre nota de Ulisses Guimarães, que dizia que a nossa foi feita por 10 mil. A gringa tem 200 anos e é solida, já a nossa tem 20 e tá toda remendada. E ainda reforçou a seu ponto com dados e números de fontes fidedignas. E eu concordo com ele. Eles não só olhavam para o passado, olhavam só para o passado deles, dane-se a Nação.
Seo Zé Sarney só esqueceu de incluir-se a corja. Tentou esgueirar-se da culpa. Não cola. Sarney, vice de Neves, esta no cenário político brasileiro há muito. Fez parte do Arena em plena ditadura. Não é atoa, que na eleição indireta de 85 estava lá como vice. Culpou os senadores e deputados constituintes pelo corporativismo instalado no país hoje, um dos responsáveis por esse crescimento gabirú, mas não chamou para si a responsabilidade como Presidente. Coisa que esta em voga hoje, ou talvez nunca tenha saído de moda na passarela política nacional. Não ter responsabilidade, não assumi-la ou não saber é característica.
Não vou ficar aqui falando mal do Sarney, nem do Neves, que foi morrer antes de sua posse, apesar que cotado como o “salvador”, estava na política há mais tempo que seu vice na época, e era íntimo do Arena, pai do PMDB e irmão da UDN. Muito menos vou falar do Collor e do topete do Itamar. Nem pensar em falar do FHC, SBP•1 ou BHC•1. Nem do Lula. Figueiredo, Médice, JK, GV ou o grande Cabral, não o ministro, mas o Álvares. Estaria fazendo o que eles todos fizeram: olhando pra trás.
Os pescoços torcidos ainda estão impregnados no Palácio do Planalto. Talvez por estarem sempre olhando pra trás e apoiados em verdades ultrapassadas e nem tão verdades assim ou até em grandes engodos, os passos do desenvolvimento andem tão lentos e amedrontados, com muitos tropeços e pouca visão de futuro.

Notq *1: SBP e BHC são inseticidas, e não tem nada haver com política, a não ser se voce usar para eliminar esse tipo de inseto.
Música: Attitude - Guns and Roses - Spaghetti Incident - 1993
Por Fernando Flitz Katayama, Toronto, On Canada March 24 2007

Saturday, March 10, 2007

Homens e Ratos

Não sei de foi conhecidência ou foi de fato proposital que o editor de um grande jornal brasileiro lançou uma matéria científica que falava de ratos. Camundongos de laborátorio. Miséras cobias da curiosidade humana. Os tubos de ensaio vivos. Uns ratos.
Achei interessante e li. Falava sobre a cognição camundonginiana. O tal estudo, do tal cientista, investigava se o rato teriam como fazer a melhor escolha. Isso não tem nada de condicionamento, antes que vocês já saiam falando pelos cotovelos, dizendo: “mas claro, eles foram condicionados!”
Enfim, ele estudou os ratos e descobriu que são capazes de escolher o que é melhor. Incrível. Mostram que tem conhecimento. O camundongo sabe que se fizer isso ou aquilo, vai ser melhor ou pior para ele. Humanos cientistas, achavam que só os primatas tinham essa cognição. Agora os ratos também tem. Esse mundo da ciência é surpreendente...
Como disse que não sabia se era ou não coincidência e vocês devem logicamente se perguntando sobre o que é. É que no mesmo jornal, eu vi as barbáries que aconteceram em São Paulo, na manifestação anti-Bush.
Aquela multidão toda na Paulista com faixas, megafones, bandeiras... Protestando contra o cara. Uma multidão de impressionar, dizem que eram mais de 10 mil. O Bush nem viu, e muito nemos, ligou.
O Presidente Americano tava mais interessado em sair logo do solo subdesenvolvido com acordos favoráveis à América, mas antes queria dar uma espiadinha, na tal morena-bunda-de-fora sambando. Foi para o Brasil discutir o uso do biodisel e dos combustíveis alternativos, já que eles aqui, estão se preparando para o colapso que vai acontecer em breve. Lula achou que ele tava falando de álcool e tomou unas doses de cachaça antes do encontro. Tentou levar o Bush para o boteco ao lado, para dar um trago, no verdadeiro estilo brazuca, barrigão no balcão e copinho de vidro sujo, mas o cara que experimenta tudo antes do ban-ban-ban americano, fez uma cara tão feia no trago que deu, que o Presidente desencanou, e pediu uma Perrier, que a comitiva trouxe. Lula no entanto, em um ato de amizade diplomática, serviu do seu alambique particular, localizado em seu gabinete, um shot da sua melhor cachaça. Partir daí, só beberam água. Um Perrier, outro Ardente.
O Bush saiu sem arredar o pé nas políticas que já estavam vijentes sobre os combustíveis alternativos, inclusive o biodisel, e ainda consgiu impor mais umas coisas e o Lula saiu trançando as pernas.
Logo em seguida, o disléxio ameircano decolou.
Enquanto tudo isso acontecia, o bicho pegava na Paulista. Cenas que me remeteram diretamente ao Oriente Médio. Bombas de gás, pedras voando, cacetada para um lado, porrada no outro e neguinho com a cabeça rachada. Se olhar de relance para as fotos, nunca pensará que foram feitas na Paulista, mas sim, em Gaza.
Acredito que o movimento democrático deva existir. Mas não acredito em arruaça. Manifestar-se contra um político, governo, lei é uma coisa... Vandalismo é outra.
Me impressiona, que as mesmas pessoas metidas no quebra-quebra, criticam os palestinos e muçulmanos que guerreiam dessa forma a séculos, e talvez até, com muito mais legitimidade de assim o fazer. Para mim, soa como um bando de cabeças ocas, condicionados a não pensar e não relfetir sobre seus atos. Pergunto se essa manifestação teve algum resultado positivo, se demostrou a insatisfação da sociedade e se pressionou as lideranças ou se perdeu todo o sentido e se tornou um ato tão banal como uma briga na arquibancada do jogo do Pirapora e Matoense.
Mas de volta a vida de comundongo, se eles tem cognição de escolher o que é melhor porque certos homens não?

[música: Bicho Escrotos, Titãs - Cabeça Dinossauro - 1986]

Por Fernando Katayama, Toronto On Ca 10 March 2007


Thursday, January 25, 2007

Bill, Hillary e Billary

Era sábado. Parecia que o inverno iria dar as caras e esfriaria. Enfim nevaria e pareceria um inverno normal. Mas não foi o que aconteceu. Continuou esse inverno esquisito. Janeiro quente e sem neve. Nesse estranho dia de inverno aconteceria o que muitos já esperavam. Não é uma surpresa, mas é um fato marcante.
Foi nesse sábado que a Senadora Democrata Hillary Clinton oficializou sua corrida à Casa Branca. Como disse, nenhuma surpresa. Mas é um fato marcante na história americana. Hillary foi primeira-dama, e é a primeira primeira-dama a se candidatar ao maior cargo político dos Estados Unidos.
Foi providencial o lançamento de sua candidatura. Terça-feira, uns dias depois, o presidente Bush, faria seu discurso para o endossamento do Congresso, que é majoritariamente Democrata.
Os críticos políticos dizem que uma das grandes coisas que ela tem, é ter Bill Clinton a seu lado. Penso que foi diferente. A grande coisa que Bill Clinton teve, foi ter Hillary a seu lado. Foi ela quem segurou a onda, quando pediram o impeachement, no caso da Mônica Chupeteira. Hillary não só segurou a barra do maridão, como lavou o vestido guardado por um ano, sujo de porra.
Hillary é hoje uma das mulheres mais fortes dos EUA. Tem a seu lado, a maioria do Congresso. E tem como maior aliado, o presidente Bush, que de tão incompetente, continua fazendo as asneiras costumeiras, destruindo a popularidade Republicana. Em seu discurso no Congresso na última terça-feira, reforçou sua falida investida no Iraque e ainda ameaçou o Irã, indo contra o Congresso, contra os próprios republicanos e sem dúvida alguma, contra a opinião pública.
A corrida para a Casa Branca ’08 parece ter já nome certo. Se não houver mutretagem, como nas eleições passadas, os críticos acreditam na vitória de Hillary.
E me parece uma boa escolha. Hillary terá o trabalho de refazer tudo que Bill havia feito e o débil do Bush desfez, e mudou a geopolítica mundial. Coisa nada fácil, ainda mais com o barril de TNT que é o Oriente Médio e o fanatismo religioso-político que rege a região.
Se de fato o fizer, Hillary entrará para o Hall dos Presidentes, não só como político mas também como a primeira mulher na Casa Branca e a ex-primeira-dama presidente. E Bill será o primeiro ex-presidente com a mulher presidente.
Resta à nós esperar, agüentar o Bush e ver se Hillary leva essa.

[música do texto: Homem Primata – Titãs
Por Fernando Katayama New York, NY, 25 jan 07

Wednesday, January 17, 2007

Sonho que Não Tem

Aqui em um inverno atípico, não neva. O frio não esta nada amedrontador. Dizem que é influência do El Ninõ e da El Ninã. E de longe acompanho o Brasil, onde as influências do El Ninõ e da El Ninã são maiores. Não porque lá eles são mais fortes ou porque o tempo não gosta do Brasil, mas é mesmo porque o descaso potencializa a desgraça. Daqui vejo, a terra querer engolir o Brasil, comendo São Paulo em uma cratera e Minas Gerais em outra. Parecem querer fazer o Brasil sumir do mapa. Deve ser de vergonha das barbáries que por lá acontecem. Enquanto isso, o povo espera a salvação, e que venha pelas antenas de tv.
Falta ao Brasil muita coisa, temas que já discutimos bastante por aqui. Temas como educação, saúde, segurança. Mas falta-lhe algo mais profundo e muito mais abstrato. Falta-lhe sonho. Falta a busca de uma utopia.
Não é permitido sonhar. Tem que se viver a vida, no dia-a-dia da sobrevivência, sem poder sonhar com o amanhã. Não existem mais os sonhadores loucos, que buscam alguma coisa que talvez nem exista.
Querer buscar uma utopia é coisa a ser totalmente desencorajada, é preciso pagar as contas. Utopia, por principio, nunca é alcançada, mas o esforço de alcançá-la é essencial. É esse esforço que trás as inovações, os sonhos, as novas realidades, sem isso é a pura estagnação.
Não é permitido sonhar. É preciso fazer o prato de comida. O leite das crianças. A roupa. Encarar a morte como vontade de Deus, mesmo que tenha sido na porta do hospital. É preciso tijolo ao invés de madeira, para vedar o barraco, tijolo é a prova de bala. Não dá tempo para sonhar.
Ao moleque de ranho escorrendo pelo nariz e barrigudo que empina a pipa, resta viver a infância curta, sem sonho. Ele já sabe do seu futuro, se é que esse existirá.
Não há a busca da utopia. Parece que todos estão cansados. O desânimo é geral assim como a descrença. A falta de sonhadores, idealizadores e líderes estagnou o país em sua miséria. Parado, o Brasil se vê ser engolido pela terra.
Esquece-se que o sonho é fundamental à busca. Como me disse meu pai, certa vez: é preciso sonhar para poder ter.

[música do texto: Dreamer - Supertramp]
Por Fernando Katayama New York, NY 17 jan 06

Sunday, January 07, 2007

A Menina-moça não é mais virgem

Ela tem doze anos. Menina-moça. Franzinha. Magrela. Pequena. Frágil. Faminta. Sem a mínima educação. Já tão novinha e toda esfarrapada e cheia de curativos. Algumas das feridas purgam. Nasceu apanhando do pai. E acreditem, nem virgem é mais. Foi estuprada por anos à fio, mesmo quando era mais nova. Faziam fila ao coito. Ainda hoje, sofre alguns abusos. E hoje, com doze anos, esta perdida em meio a tiroteios e balas perdidas.
A Democracia Brasileira esta amedrontada, encolhida em um canto da sala. Jogada à deus dará, vê sem entender nada desse pandemônio que passa o país.
Para ela, seu país é gigante pela própria natureza, belo, forte e impávido colosso, o que contraria com tudo que vem assistindo ate agora.
Sua vida é marcada por dor. Sua concepção foi assim. Palanques, que reuniam amigos, com a mesma vontade. Depois se tornaram inimigos vorazes de posicionamentos e vontades opostas, e hoje continuam inimigos-amigos com posicionamentos e vontades nem tão divergentes.
Em parto estava rodeada por parlamentares, que aos berros, diziam “sim” ou “não”, depois de longos discursos chatos e evasivos. Seu nascimento foi marcado pela morte do Presidente. E isso foi há doze anos. Antes disso, era viva a prima-má, Ditadura.
Hoje, o país vive o total desgoverno de suas entranhas. Talvez, seja a colheita da plantação da prima-má, talvez, resultado da descontinuidade do processo iniciado com o Vice*1, depois, pela fase Collorida*2, seguida muito de perto pela Topetuda sem Calcinha*3, pelo Tucanato e agora pelo Lulupetismo. Todos que só olharam e olham para o próprio umbigo. Parlamentares que não respeitam Mãe Constituição e adoram se divertir com as filhas da Geane.
Senadores e Deputados são tão responsáveis pela desordem quanto os presidentes de todos esses poucos anos, pois nada fizeram e fazem para fortalecer a frágil Democracia que estava crescendo. Lula veio agravar a situação, com sua falta de política para o crescimento econômico e o deslumbramento do seu sonho egoísta. E para piorar, agora parece que quer ficar deitado em berço esplêndido.
Esse é um momento delicado para a Democracia. O caos esta crescendo de forma alucinante. Lula promete crescimentos imaginários, sonhadores e irreais, para tentar amenizar a desgraça em que se encontra. Solta noticias de aumento do miserável salário mínimo e o incremento do pilar eleitoreiro, o bolsa-familia.
A sua reeleição mostrou a total impunidade dos crimes em todas as esferas da sociedade, retificada pelo ignorante povo. E as fraquezas do velho e caquético sistema judiciário deram abertura para o desbunde das facções criminosas que hoje, comandam o país. Mostraram seu poder em São Paulo e agora, detonam o Rio de Janeiro, esperando o Carnaval, mas já armando o maior salseiro.
Não é uma guerra civil propriamente dita, já que não é uma disputa com intenções políticas claramente declaradas, mas vive-se com tiros por todos os lados. Não é uma revolução sanguinária, mas morrem muitos em vão. Não é uma guerra santa, ficaria difícil definir o Diabo nesse caso. São ações terroristas contra a sociedade civil. Analistas não assumem, e dizem que ataques terroristas são sempre com fundos políticos, religiosos ou ideológicos, mas é difícil não pensar que existe fundo político.
E esse momento coloca a Democracia em xeque.
Colocar ou não o Exercito na rua? Votaria a assombrar a alma penada da prima-má? Ratifica que o Governo em sua totalidade é incompetente? Que a polícia não da conta do recado? Que o poder marginal é realmente muito mais poderoso?
E ainda existe a grande chance do Exercito não dar conta também. Mal preparado, mal equipado, mal formado, sem logística, pesado como o Ronaldo na Copa (lento por demais) e sem dinheiro. Conseguirá conter a esperteza, a leveza e o poder da marginalidade, que tem como fonte de renda drogas e armas (ou seja, muito dinheiro)?
Se o Brasil não conseguir em curto prazo modificar radicalmente o modo-operantis do Estado, fazer o país crescer de forma significativa, gerar divisas e ainda por cima, conseguir melhorar a distribuição de renda (de forma concreta) e refazer o poder judiciário e acabar com a corrupção de maneira eficaz, a podre menina-moça da nossa Democracia, corre um serio risco de morrer.

[música do texto: Rabisca Robson – Farofa Carioca]
[Notas: *1 –José Sarney e a Hyperinflação / *2 – Collor, eleito direito / *3-Itamar na capa com a gostosa sem calcinha no baile de carnaval]
Por Fernando Katayama New York, NY 07 jan 07

Saturday, December 30, 2006

O Velho Ano Novo

Pronto! É fim de ano. Começam agora as famosas mensagens para que o ano que nasce seja melhor, que tudo de certo e outros blá blá blás. Também é hora das retrospectivas, e ver tudo aquilo que você já viu e não esta nem um pouco interessado. E com elas vêem junto as previsões, tem sempre um pai de santo, um oxalá qualquer que vai adivinhar o futuro.
Eu não faço idéia de quem foi que definiu que o ano começa no dia primeiro de janeiro. Não sei se foi por fé religiosa ou coisa que o valha. Não sei também se foi pelo solstício ou outra coisa cósmica. Certo mesmo é que não tenho a mínima idéia. E já faz tempo, tem 2000 anos, aliás, indo para dois mil e sete.
Mas a sociedade acatou como verdade e todos nós seguimos. Até o mais anarquista de todos os anarquistas já foi para a praia de branco pular as sete ondinhas. É para dar sorte no novo ano.
As retrospectivas começam exatamente no dia primeiro do ano, que não sei se do ano passado ou do corrente, mas começam falando de quem venceu a última São Silvestre. Eu não me lembro mais, e você?
Depois certamente vão falar dos escândalos, das falcatruas, dos Sanguessugas, dos Dossiês. Eleição. Do Lula. Do Papa. E do Bush. Do Saddan. Do Tarso Genro. Enfim das figuras políticas do mundo, por mais idiotas que sejam.
Do Lula vão maneirar, não vão mostrar que é um nó cego e que o povo é tão nó cego quanto ele, afinal o reelegeram. Depois de tantos escândalos, corrupção comprovada, e tudo mais que o cerca, ainda continua na presidência. Por uma chupeta o Clinton quase caiu. Imagine se ele tivesse fodido com a gordinha da Mônica? Lula fudeu com um montão de gente e tá lá no Planalto ainda.
Por falar em coisas americanas... O Bush, que nada mais é do que um macaco com dislexia, vai entrar na minha retrospectiva, como o idiota do ano. Mandou construir um muro separando o México dos E.U.A, para tentar evitar a entrada clandestina. Parece que não aprendeu nada com a história e não viu o Muro de Berlin nem a Muralha da China. Pior que isso, só fez merda na Campanha do Iraque. Assim como fico admirado com o Lula no Planalto, mesmo fudendo tanto, admira-me mais ainda com o Bush na Casa Branca, já que ele fodeu com o mundo tudo. E o Clinton, foi só um boquetinho.
Se minha retrospectiva fosse Oscar, Saddan levaria duas estutas. De preso, com prisão espetacular e de morto. Morreu hoje, enforcado. Como foi esse ano, não entra na retrospectiva do ano que vem passado. Foi o que deu para falar dele!
Dos mortos, o James Brown foi nessa semana também, mas de ataque cardíaco. A lista fúnebre é grande, como em todos os anos.
Mas a retrospectiva não pára por ai não, vai às novelas e passa pelos famosos. Na última novela o mocinho casou com a mocinha e o bandido morreu. Um famoso casou e separou, enquanto outro casou de novo. Não poderia de deixar de falar da foda da Cicarelli. Não que ela é foda, no sentido de super, extraordinária, não! No sentido de sexo mesmo. Afinal, foi a famosa que fodeu na praia e se fudeu no Youtube.
Depois passará pelo esporte e vai mostrar o Inter de Porto Alegre, campeão do Mundo. Não vai ter tan-tan-tan, afinal formula 1 é do Alemão, que se aposentou e ainda chamou o Rubinho de tartaruga, mas esse, continua negando de pé junto, e diz que é rápido, mas é tão rápido, que a gente vê como se fosse filme, em câmera lenta. (em filme, tudo que é rápido é em câmera lenta, vai entender...)
Mas o que me interessa mesmo são as previsões. Ahhhh quem não quer saber do futuro?
No ano que vem acontecerão coisas incríveis como mais um caso (no mínimo) de corrupção no governo Lula, e ele não saberá de nada e não verá nada e muito menos ouvirá. O PCC fará ameaças à sociedade, assim como o Comando Vermelho. A queima de fogos no Rio será a mais longa da história, mas não dará para ver nada, de tanta fumaça. Bush enviará mais homens ao Iraque, mas não diminuirá a merda que vem fazendo. Aliás, enviará umas tropas de Marines para a Somália e Etiópia, uma vez que, a Democracia deve sempre prevalecer, mesmo que na força. A novela terá um casamento, um nascimento e uma morte. Um novo ícone pop surgirá como um raio, e desaparecerá no mesmo instante. Uma gostosa posará para a Playboy, antes que tudo caia. O Faustão continuará chato e se achando engraçado. Os Campeonatos de Futebol terão sempre as mesmas discussões nas mesas redondas na TV como nas rodas de amigos. Ano que vem, escreverei sobre o ano que passou.
O Ano Novo sempre nasce velho e o futuro parece se repetir. As mesmas histórias com nuances diferentes. Deve ser porque a Terra é redonda e da voltas. Mas uma coisa eu tenho certeza, e não mudará no ano que vem, nem muito menos no próximo: o futuro nos fazemos mesmo hoje.
Para hoje um feliz ano novo.


[música do texto: I Feel Good - James Brown]
Por Fernando Katayama New York, NY 30 dez 06

Thursday, December 21, 2006

Ipod e Tu, Podes?

Outro dia me dei conta que estamos à poucos dias do Natal. Foi quando um amigo meu, lá do Brasil, me perguntou como estava o “clima natalino” por aqui. Eu com a minha exclusiva e característica “cara de ué”, respondi: “Natal?”. Foi aí que o Jingle Bell bateu! É faltam pouquíssimos dias. Disse a ele que, como moro em New York, e que essa cidade é predominantemente Judaica, aqui não tem clima natalino. Lógico que os judeus daqui se preocupam em incrementos nas vendas, já que a maioria das grandes lojas é deles, mas eles não ligam muito para essa festa tradicionalmente Católica. Talvez o Thanksgiving seja mais importante.
Mas é Natal. Natal hoje é mais para evidenciar as grandes diferenças entre camadas sociais do que uma grande festa de aniversário. Esquecem que Natal é a festa do nascimento de Jesus, logo, é uma festa de aniversário.
Como ia dizendo, deixa explicito as grandes diferenças. Começam a falar de ajudar ao próximo, dividir com quem não tem, mas no fundo mesmo, mostra quem pode e quem não pode.
Talvez por isso, os nossos Palamentares tenham se dado o aumento de 91% do seu salário e elevado o salário mínimo em 4.5%. Tudo em uma questão de benevolência do ar natalino.
E como disse em algum parágrafo anterior, explicita as diferenças, tanto que um cara são, fez a maluquice de acorrentar-se no Planalto e uma dona pra lá de maluca, teve a lucidez (ou não) de esfaquear o ACM Neto, tudo por conta do aumentozinho para uns e aumentão para outros. Aumentozinho foi para os Parlamentares, e o aumentão para o Mínimo, que causa um tremendo impacto nas contas do governo.
Mas Natal é assim, evidencia os extremos. Em um país, como o Brasil, onde os extremos são extremados a máxima potência, a tensão social aumenta. O desejo despertado pelo consumo e a falta de oportunidade para uma grande parcela da população aumenta a tensão entre o ter e o não ter.
Enquanto uns fazem festa e se preparam para o Ano Novo, outros lavam a alma com algumas benevolências vãs. E outros, bem, esses outros assistem Tv e sonham.
E assim é o Natal. Como disse não estou no Brasil. Aqui não sinto essa tensão. A distância abissal entre pobres e ricos não é tão grande, ou melhor, a classe média que não é tão achatada e reduzida, o que diminui e muito, o atrito entre os extremos. Sem contar que aqui, com qualquer trabalho chulo, dá para comprar a última geração do Ipod.
Enquanto no Brasil uns dizem “Ipod[e]”, eu pergunto: e você Ipod[e]?


[música do texto: Crazy – Norah Jones]
[Ipod é um aparelinho para ouvir música da Apple]
Por Fernando Katayama New York, NY, 21 dec 06

Thursday, December 14, 2006

O Maneta

Comecei a escutar alguma coisa de política lá nos tempos de colégio. Acabávamos de sair da Ditadura, eleições indiretas e a morte de Tancredo Neves, que resultou em não ter aula naquela segunda-feira. Desde desse tempo ouço as histórias do pluripartidarismo, da esquerda e da direita. Assisti aulas de história e filosofia que falavam sobre isso. No começo parecia uma sopa de letrinhas como Arena, UDN e PC do B. Depois Ficou mais claro e vieram PMDB, PTB e PT. Tivemos a eleição direta após de anos de ditadura. E agora até a reeleição do Lula. Faz tempo que venho acompanhando a política nacional.
No começo, quando ainda garoto, acreditava no tal pluripartidarismo. Talvez por influência da escola ou por simplesmente ver o número extraordinário de legendas que existem.
Passou um tempo comecei a achar que não tínhamos tantos partidos assim. Vi a mistura de todos com tudo, e a suruba legendária. Pouco importava a sua convicção política desde que seus interesses fossem protegidos, fazer o troca-troca não era um grande problema.
Restava o PT. O PT com a cara de esquerda, barda de comunista, bandeira vermelha e o incrível hábito de falar com a língua presa parecia ser o único partido com direcionamento e ideologia.
Veio o Mensalão e provou que eu estava errado. O PT é a puta dos partidos. Vendeu-se por pouco e foi morar na Casa da Geane, onde os maiores troca-trocas da Nação aconteceram.
Nunca acreditei no Lula. Mas agora pergunto aos que acreditaram se ainda acreditam.
Lula é o homem da palavra iô-iô e que não sabe de nada. Vai ai volta em suas declarações mostrando que nunca sabe o que quer. Já admite que os 5% de crescimento por ano, promessa de campanha, era um sonho esquerdista ou simplesmente uma questão de marketing, é meramente impossível. Ou simplesmente não sabia.
Mas não só isso, admitiu não ser mais de esquerda. Justificando que com o envelhecimento e maturidade não é possível continuar na esquerda. Diga isso a Fidel e a Chávez. Tolos os que envelhecem e continuam esquerda.
Agora namora o PMDB, o Delfin Neto e logo mais beijará a mão de Fernando Henrique, chamando-o de painho.
Como dizia no começo, não existe o tal pluripartidarismo. Não existe esquerda e não existe direita. Existe o beneficio próprio.
O Brasil é maneta. E talvez por isso, a cultura do João sem Braço sempre prevalece.
[música do texto: Moro No Brasil – Farofa Carioca - 1998]
Por Fernando Katayama New York, NY 14 dec 06

Monday, December 04, 2006

Cariocas e Paulistas

Estava ouvindo músicas por aqui. Ouvia músicas brasileiras como MPB, Rock Nacional e Bossa Nova. Reparei nos inúmeros tributos às mulheres. Não poderia deixar de ser diferente, já que com tantas curvas e nuances é sempre uma boa fonte de inspiração. São as “mulheres de Atenas” em seu “vestidinho preto imperceptível”, sendo a “coisa mais linda, cheia de graça que eu já vi passar”... Chico, Skank e Tom. Poderia citar muito mais, como Maria Rita, diz que “meu peito não é de silicone”. Ou Rita Lee, cantando a verdade, afinal, “mulher é um bicho esquisito”. Sempre teve e sempre terá uma canção para alguma mulher. Luizas, Lygias, Marianas, Carolinas, Marinas, Anas, Vanessas, Lucianas, Paulas, Marias... Estarão sempre no top ten da Billboard. E nós homens, sempre ficaremos na condição de coadjuvantes, subalternos, segundo escalão e submissos às donas do mundo.
Não adianta gritar e dizer que não é, porque é! É assim desde antes dos tempos bíblicos, quando os homens já faziam guerra por Helena. Cleópatra e seu domínio da África Branca. Sansão e Dalila. Até nos tempos bíblicos os homens sempre estiveram aquém das mulheres, tanto que, Jesus nasceu da Virgem Maria, e tirou por completo a função masculina do mundo. Não adianta negar, somos submissos as vontades femininas. A última palavra sempre é nossa: “sim, senhora”!
Como dizia, notei um número grande de músicas dedicadas às mulheres, mas uma grande porcentagem delas dedicadas à mulher carioca. Fiquei pensando no por que.
Um dos motivos mais óbvios é que no Rio, onde há praia, o corpo esta sempre em evidência. A praia, o lugar mais democrático do mundo e mais cruel também, não perdoa nada. Esta lá tudo à mostra.
Mas a mulher carioca, que encheu já a boca e os olhos de nossos poetas esta lá na praia com os seus biquininhos, tampando quase nada, e deixando que nossa imaginação as desnude por completo. Aqueles poucos centímetros quadrados de pano, escondem o suficiente para aguçar a imaginação de qualquer celibatário.
A carioca é diurna, acorda vai correr no Calçadão à beira da praia. Cuida do corpo, que será exposto logo mais, ou à tarde, pegando onda ou batendo um fut-volei nas areias finas exibindo as pernas torneadas. Domingo de sol, na Barraca do Pepê, é o paraíso das bundas douradas. Todas ali, lado a lado, metros e metros tomados, por maravilhosas bundas arrebitadas, douradas com marquinhas de sol e a sedosa penugem que as cobrem. À céu aberto para apreciação de todos. Carioca já nasce com a bunda dura.
Mulher carioca é inspiração para o poeta, não só pelos corpos maravilhosos e criadores dos maiores pecados, muitas vezes, somente imaginários e resolvidos solitariamente, mas também pela incrível simpatia e divertimento. Um copo de chopp ou uma água de coco à beira mar, é o suficiente para um excelente começo.
Mulheres de corpos esculturais dourados do sol, praia, mar, paisagem do entardecer... Todos os ingredientes para aguçar a imaginação. Mas...
Mas e as paulistas?
As paulistas têm outro charme. Acordam e vão trabalhar. Vestem seus taiers ou suas saias. Cabelos sedosos. Perfumes. Óculos como acessório. Mulheres paulistas são mais noturnas. Escondem os segredos do corpo. Não tem o corpo dourado de sol, usam fator 50 fps no mínimo, para não estragar a pele.
Usam suas roupas sensuais que cobrem tudo, escondem tudo, mostram quase nada, mas já é o suficiente. Despertam a imaginação através da camisa de cetim branca, com os três primeiros botões desabotoados e sutien meia taça, insinuando o seio. De salto alto, ressaltam as panturrilhas e enaltecem as curvas glúteas. Isso, só de dia. Já a noite...
A noite se transformam em semi-deusas. Lindas, bem vestidas e perfumadas, desfilam como éguas de raça puro sangue. Cabelo sedoso é a verdadeira crina. Suas roupas fazem com que dispamo-las com os olhos, imaginando o que não é mais novidade. Causam congestionamentos quilométricos, todos querem ao menos, ver.
E isso tudo comprava que nos homens vivemos sempre olhando para as mulheres e que viemos ao mundo como meros servidores.
Se me perguntarem qual é que eu prefiro, terei que responder que prefiro as mulheres de Florianópolis, porque no verão são cariocas e no inverno são paulistas.

[música do texto: Ela é Carioca – Quarteto Jobim-Morelenbaum - 2000]
Por Fernando Katayama New York, NY, 03 Dec 06

Friday, December 01, 2006

Um Mais Um Igual a Dois?

Estava assistindo uma discussão em um grupo da internet. Motivados por um objetivo comum, debatiam quanto tempo era necessário para se aprender um novo idioma. Uns diziam: “curso intensivo, de 300 horas é suficiente”, outro, “um ano e meio, com muita dedicação”, um outro, “será que 100 aulas particulares de uma hora e meia são suficientes?” e mais um, “eu fiz 250 horas, é falo fluentemente”.
Fiquei pensando então, sobre a inteligência das pessoas. Serão uns mais inteligentes que outros ou será que tem uns que são mais burros que outros? Quem será que é mais inteligente?
Ninguém. Todos somos inteligentes.
Como disse um psicólogo americano, Howard Gardner, temos são múltiplas inteligências. Sim, múltiplas. Não uma, mas diversas.
Uns tem facilidade em aprender idiomas, assim como eu, que falo alguns. Hoje mesmo, um amigo mexicano me perguntou se eu havia ido a escola aprender espanhol. Disse que não. E não fui mesmo. Sou um tipo, como aqueles macacos que sorriem quando alguém sorri para ele. Aprendi espanhol assim, imitando. Outros têm dificuldade. Tenho um amigo japonês, japonês mesmo, made in Japan, que não fala plá, plé, plí, plo e plu de jeito nenhum. Ele é burro? Nem de longe.
Tenho outro amigo, que pelos padrões normais de que a sociedade moderna considera inteligência, é uma besta. Não sabe escrever direito, não sabe fazer conta direito, mas é penta-campeão mundial. Tem extrema facilidade em aprender todo que envolve o movimento do corpo, faz coisas que você até duvida, mas ele faz. Tem inteligência muscular.
Quer mais a inteligência diabólica de Osama. Osama é um gênio! Um fora de série. Elaborou um plano dos mais mirabolantes, e mudou o mundo. Já o burro do Bush, acreditou na pegadinha do Osama, e fudeu com o mundo. Um tem a inteligência diabólica e o outro... Será que tem inteligência?
Temos também a inteligência do carisma. Veja o Lula, já que estamos falando de presidentes burros. E o Zé Dirceu, com aquela inteligência de surrupiar, manipular, enganar... E o Bob Jeff, com sua inteligência de argumentação, deu show na CPI.
Mas deixa essas inteligências burras pra lá.
Sei que todos nós temos algum tipo de inteligência. Não aquela dos padrões que a sociedade nos faz pensar que é inteligência.
Lembro-me quando prestei vestibular. Tentei engenharia mecânica na Unicamp. Acho que tinha tomado alguma coisa que me fez viajar, mas enfim, fui lá fazer a prova. O ser que vos escreve, era o único aluno colégio que iria, naquele ano, prestar o vestibular da Unicamp, mesmo ainda estando de recuperação de matemática. Aliás, recuperação sempre foi uma constante na minha vida. Nunca estive muito ai com as tais notinhas no canto direito da prova. Mamãe que o diga! Como não era o “gênio” da turma, fiquei surpreso que só eu, tinha passado para a segunda fase, e os outros, que eram os gênios da turma, não. Talvez, minha redação tenha me salvado. Não passei da segunda fase. Fiquei tonto com a prova de matemática. Felizmente, fui fazer arquitetura.
E vendo aquele caboclo, de chapéu de palha, queimado de sol, com poucos dentes na boca, olha para o céu e diz: “ói, vai chover”. E em meia hora cai o mundo. Inteligência intuitiva?
E o virtuoso da música? Será que seus ouvidos escutam mais que os nossos?
Tem os que pintam e desenham. Tem os que têm inteligência de líder, de comunicar, envolver e convencer.
Certamente, todos temos algum tipo de inteligência, por mais burros que parecemos ser. Temos inteligências que somamos até umas nas outras, potencializando-nos. Talvez por isso, não adianta tentar criar o padrão para saber quanto tempo levamos para aprender tal coisa. Ou fazer o teste de QI, para descobrir se somos extraordinários, medíocres ou se nos falta inteligência.
E eu sou o melhor exemplo disso porque, para mim, muitas vezes, um mais um não são dois, é sessenta e nove.

[música do texto: Intuition – Jewel]

Por Fernando Katayama New York, NY 1 dec 06

Thursday, November 23, 2006

Ditadura da Democracia

Estava pensando cá com meus botões sobre a democracia. Descobri que sou um idiota sonhador. Um “utopista”, se é que essa palavra existe, ou acabei de inventá-la. Descobri que Democracia é um sonho abstrato. Nada mais que pura filosofia de final de noite, bêbado em botequim, sendo varrido com as cadeiras já para cima. Nada nos fóruns gregos. Democracia é um pensamento abstrato, uma filosofia de livro velho e amarelado e como disse, uma utopia.
A realidade dura e crua é que vivemos mesmo sobre o guarda-chuva das ditaduras, impostas as duras penas à nós.
E tudo começou com um sujeito que repartiu a Terra em 24 pedaços. Todos de 15 graus. Inventou o relógio, não o tempo. Vivemos a servidão ao Tic e a escravidão do Tac. Depois que inventaram os ponteiros e depois os digitais, estamos sempre amarrados nas horas. Hora para isso, para aquilo, para tudo. Comemos, dormimos, acordamos em função desse tal relógio.
Estamos também sob a Ditadura do PC. Não o Paulo César, conhecido por nós, como o cabeça do Collor que morreu pelado no motel, mas o Personal Computer. Tudo é o computador. Máquinas que fazem computadores são controladas por computadores. Nós, vivemos com os nossos PC’s, e eu mesmo, me sinto pelado sem o meu. Dependemos dessas malditas maquininhas. Para trabalhar, para divertir, para comunicar e até para escrever esse texto.
Tem uma pior. O celular.
Maldito o cara que inventou esse troço. Agora, quando alguém te liga, você é obrigado a atender a porra do telefone, se não o cara, acha mil coisas, menos que você não quer falar com ele, que você ta no banheiro, ou que ta dando uma bela de uma trepada e ele esta sendo o maior empata foda! Não... Você pára tudo, porque o celular tocou, e olha desesperado para ver quem é que esta chamando.
Mas não só isso. No mundo ocidental contemporâneo, temos ainda a ditadura da felicidade. É... Para ser feliz é preciso ter: um emprego, de preferência, não num trabalho que goste, mas um de status social com valor agregado; um carro na garagem, se for rico, um carrão, se for podre, pode ser um carrão velho. Uma casa. Uma mulher em casa, e outra fora. Filhos. E um cachorro ou um gato. Pronto, assim você é feliz. Simples assim. E nem falei do medonho “american way of life”, que é horrível!
Para nós homens contemporâneos, é pior ainda. Temos que ser amáveis e amantes. Ótimos nos dois casos. Amáveis com nossas amantes, compreensivos e sensíveis. E ainda temos que ser os melhores amantes! E para os machões latinos, têm que ter duas amantes, comer todas e ainda dar três sem tirar. É a ditadura do sexo.
E as mulheres então, estão presas sob os padrões de beleza estabelecidos por um gay, que não gosta de mulher. Acha que mulher tem que ser um fio, magrela. Sem ter carne para darmos “a pegada”. Tem que não ter nada. Mas ai, um outro que diz: tem que ter peito de tal tamanho, quadril com tantos centímetros, bunda assim, bunda assada. E as mulheres correm atrás, se não serão as feias para sempre.
Não importa como façam. Plásticas, lipos, silicones e nem que morram bulêmicas e anorexias. Tudo para agradar um bofe-gay. Porque homem mesmo, não ta nem aí para a celulite.
Fiz um review em minha coleção, já amarelada, de revistas de mulher pelada. Algumas com páginas coladas, vi uma a uma, e reparei na mudança. Naquela época, acho que era mais natural. Cada mulher tinha seu próprio peito, mesmo que esse fosse meio muxibinha, ou a bunda meio grande. Pareciam ser mais gordinhas, por mais magrinhas que fossem. Todas peladinhas, mas com suas individualidades intactas. E o computador não arrumava tudo, para nos matar de tesão ao abrir a revista. Já morríamos antes. E era o padrão da época e fora diferente em outros tempos. Hoje parecem que comparam os peitos na liquidação. Ditadura da beleza.
E eu insisto em falar em democracia.

[música do texto: Você é Linda – Caetano Veloso]

Por Fernando Katayama New York, NY, 23 nov. 06

Tuesday, November 14, 2006

Houston, We Have a Problem

Esta a maior zona. Não tem cadeira, não tem espaço. O saguão esta lotado. Tem gente ocupando três cadeiras, fazendo uma cama improvisada. A fila é enorme e não faltam os estressados, apressados e desesperados. Tem neném que chora alto e acorda o outro neném que estava dormindo. Agora são dois. Outros dois moleques não ligam para nada e apostam corrida nos carrinhos de mala. E tem mala para todo lado. Tem um louco batucando sozinho com o foninho na orelha. Todo mundo impaciente.
O alto falante anuncia o vôo das oito da manhã. É meio-dia e todo mundo já tá com fome. No balcão, não agüentam mais dar explicações vãs. Faltam justificativas.
Dizem que é tudo coisa dos controladores de vôo. Estão fazendo a operação padrão e atrasam tudo. O ministro diz que não é. Mas no chão do aeroporto, dizem que é. Eles estão fazendo isso para chamar a atenção. E certo estão. O alerta é vermelho.
Quando o Gol caiu, levantou um problema que assola o país: a falta de preparo. Chamou a atenção aos controladores de vôo tanto militares como os civis. Esses caras têm a profissão mais estressante do mundo, e sabem com o que estão lidando com muitas vidas. Podre deles, agora serão meus bodes expiatórios.
Em uma pesquisa feita outro dia, por um jornal de bastante credibilidade, apurou que somente 3% desses sujeitos falam inglês.
É de dar medo. Memorizam algumas frases prontas, e pronto! Se mudar o script, fudeu!
Na cabine, o piloto grita “mayday”, o controlador brasileiro endente “peidei”. Da risada e mais uma cagada aérea é eminente.
Porque que será?
Acontece que o Brasil é analfabeto de português, imagine em inglês. Celso Amorim, um tempo atrás, buscou a solução mais fácil para o problema que atingia a embaixada brasileira e o ministério das relações exteriores, e propôs o fim do inglês obrigatório.
No vestibular inglês é eliminatório, mas se formos às universidades, notaremos que poucos são os que sabem.
A crise dos controladores de vôo só exemplifica o desesperado, grau de ignorância que vive o Brasil. Lula orgulha-se de ser “analfabeto” (esqueceu que teve mais de trinta anos para se educar e aprender a falar, pelo menos. Eu em metade do tempo, aprendi 5 idiomas, e conto o português, já que ele não conta), de não falar o português como se deve, e deixa a nação com esse exemplo tosco, de que não é preciso educação.
Deixa evidente o colapso educacional que o país vive. Muitos me criticam porque ataco severamente os “programas sociais” do governo Lula, dizem que não ligo para os pobres, e que a pouca ajuda, dos poucos reais que as bolsas dão, ajudam os miseráveis a não morrem de fome.
Critico e continuarei criticando. Não concordo em gastar milhões de reais em ações beneficiárias-eleitoreias, ao invés de gastar em educação, na infra-estrutura humana.
Os milhões de miseráveis que existem têm que ser somados as perdas. Não há mais nada o que fazer por eles. Temos que pensar nos que estão por vir. É uma pena constatar isso, mas temos mais de uma geração morta, que sobrevive da forma que dá, zumbis-acéfalos.
Se o Governo ficar nessa de bolsa-disso, bolsa-daquilo, Fome Zero, e os investimentos continuarem indo pelos ares, o Brasil continuará na lama que esta. Crie o Fome-De-Letras, e ensine esse povo a ler, escrever e falar. Preferencialmente mais de um idioma.
Mas enquanto o presidente achar bonito não usar o plural e se orgulhar de não ter estudo e de ser filho de “mãe nascida analfabeta”, muitos outros aviões vão cair.
Definitivamente: “Houston, we have a problem”.


[música do texto: Assaltaram a Gramática II – Gabriel o Pensador]
[Houston, we have a problem – é a famosa frase de desespero do astronauta da Apolo 11, quando notou que estava fudido de vez!]
Por Fernando Katayama New York, NY, 14 nov. 06

Wednesday, November 08, 2006

Telefonema Celestial

Vou contar para vocês uma história um tanto estranha, aconteceu comigo à pouco.
Meu telefone celular tocou. O reconhecedor de chamada não reconheceu o número e o tom da música mudou, essas maravilhas tecnológicas de hoje nos dispões milhões de variedades de músicas para o chamado telefônico e ainda nos mostram quem é que esta nos chamando, dando-nos a opção de não atender, com plena consciência e convicção do ato [existe a tirania do celular, mas conto em outra hora]. Mas meu telefone tem o toque característico dos telefones antigos, o famoso trim-trim. Eu sou do tempo em que telefone era só o de casa ou do serviço. Televisão já era a cores, mas o controle remoto era o irmão mais novo ou quem estivesse passando por perto do botão da tevê. Os canais eram UHF ou direto, de cabo, só o fio da antena. Telejogo era o fenômeno com os dois pauzinhos na tela, quem tinha “Atari” era prafrentex!
Mas enfim, meu telefone tocou interrompendo meu café. A música era tipo harpa celestial, com ar angélico. Coisa estranha, pois meu toque como disse é trim-trim. Atendi.
- Alô!
Fui interrompido bruscamente.
- Escuta aqui o rapaz, você precisa ver o que você anda escrevendo! Você só fica metendo a boca no Presidente.
- É... Verdade. Eu...
- Pois então, você tem que ver o outro lado da coisa! Você está muito restrito a um só ponto de vista!!! Amplia rapaz!
- Como assim?! Porque eu não concordo com os posicionamentos do governo, com as milhões de bolsas-misérias, com a falta de investimento em educação, com o destrato à infra-estrutura, sem uma política de inventivo a indústria e aos setores produtivos ou nos serviços. Porque acho o cumulo pagar o que pagamos de impostos, e ainda ter que pagar tudo de novo, como educação, saúde e segurança? Porque o governo é totalmente corrompido e assaltou o país? Porque o Lula como primeiro homem do país não sabe de nada? E a primeira-dama é papagaio de pirata e não faz nada, e nem abre a boca? Não entendo você!
- Viu só! Tá preso! A-M-P-L-I-A!
- Como?
- Bem, vou te dizer então!
- Legal! Mas antes disso, quem é você!?
- Ahhh sim! Não me apresentei! Desculpe, fui consumido pela ansiedade e me esqueci desse detalhe. Chamo-me Gabriel, represento uma classe trabalhadora...
[interrompo o cara]
- Não vai me dizer que você é da CUT, do MST, do Sindicato, primo do Vicentinho...?
- Não... Não...
- Então... Vai ou não me dizer como ampliar meu ponto de vista!?
-Ah! Sim! Simples. Como ia te dizendo, me chamo Gabriel, o anjo. Represento a classe dos trabalhadores celestes, como anjos, arcanjos, santos, orixás, duses, baguás e seres místicos. Nós estamos muitos felizes com a reeleição do Lula. Teremos muito trabalho pela frente, aliás, já estamos fazendo horas extras já há algum tempo. E talvez precisemos ampliar o nosso quadro, especialmente no Brasil. Veja você, que com a reeleição, haverá o aumento das vendas de velas, de todos os tipos. Haverá também o aumento das vendas de farinha de trigo, farinha de mandioca, farinha de milho, milho, fubá e galinha, das pretas e brancas. Até alguns enlatados com milho, ervilha e feijão sofrerão aumentos na produção, já que em alguns lugares remotos do país, só enlatados chegam. Aumentará a produção de pinga e charuto. Venda de flores. E com isso, toda a cadeia produtiva também crescerá. Haverá o incremento nos setores de embalagens e transporte. Sem contar com o crescimento surpreendente nos setores de ceras para velas e em granjas. Os 5% de crescimento proposto por Lula será batido no primeiro semestre.
- Nossa, seo Gabriel, não entendi!
- Ai meu filho... Te explico! Não importa mais qual é a sua religião ou fé. Para você especialmente, nem se é ateu. Tanto faz se é católico-romano, xintoísta, espírita, candomblé (branco ou preto), vodu haitiano... Tanto faz, fazemos parte do mesmo sindicato. É que com a reeleição do Lula, só resta agora, rezar. E muito!
E cai o sinal do telefone!

[música do texto: How to save a life – The Fray -2005 ]
[vídeo: trailer: filme: Bellini e o Demônio, um filme de Marcelo Galvão]

Por Fernando Katayama New York, NY, 8 nov. 06

Friday, November 03, 2006

Deixa o Homem Trabalhar

Não adianta mais. Nem choro, nem vela. Acabou!
Lula levou com uma marca considerável. 58 milhões. Não é pouco não! Bateu o Alckmin. Foi goleada histórica, mas sem gol de placa. Já dizem por ai, que Lula não é reeleito, é repetente. Não atingiu a média no último mandato e vai ter que fazer de novo... Já entrou querendo descansar: “deixa o homem descansar”, disse na sua primeira fala. Talvez, cansado de nada fazer.
Para mim foi uma boa. O governo Lula foi uma ótima fonte de inspiração para meus textos, se Lula perdesse, correria o risco de perdê-la também. Agora estou tranqüilo, tenho mais 4 anos.
Essa eleição mostrou que o povo brasileiro não liga muito para corrupção. Deve ser porque esta atolado até o pescoço, que não nota a diferença, não vê ou simplesmente, aceita. Indecorosamente, 60% dos eleitores não ligam para isso. Escândalos e mais escândalos, mas tudo bem, isso não é problema.
Desde que o PT assumiu, em 2003, começaram as ações determinadas pela estratégia petista, que foram determinantes para a eleição deste ano. O apelo Fome Zero, que não foi nem citado nessa campanha, era o início das ações. Fico com uma dúvida: o Brasil não passa mais fome? O Fome Zero acabou com essa cólera ou o Brasil nunca teve tanta fome assim?
De qualquer modo, o Fome Zero marcaria o assistencialismo. A melhor estratégia para arrebanhar votantes. Bolsas e mais bolsas, bolsas-miséria. Desta maneira, ao longo do tempo, o PT na figura do Lula, iria dominar as classes baixas, numerosos e miseráveis. Como em todo o governo, corrompendo.
A estratégia funcionou mesmo sofrendo perdas terríveis como Dirceu.
Agora Lula disse que vai trabalhar para os pobres. Isso é lógico: deixa o pobre, pobre, para vencer em 2010 de novo! Usaria a mesma estratégia, mas com diferentes ações.
Esta com o discurso dúbio, porque sabe que se o país não crescer de forma acentuada nos próximos dois anos, vão pedir a cabeça dele. Alguns já pedem. Disse que vai fazer um crescimento de 5%, espero que consiga, mas é quase um sonho, uma vez que é o dobro da média que vem crescendo. Em business, isso é muito.
A dualidade é que só se pode crescer se “a elite” tiver como investir, se não, não há como. Podre não tem nada, não tem como investir. Não tem como investir, não tem como crescer.
Lula surrou a tal “elite” e enalteceu os “pobres”. Velho discurso da pobreza, como se pobreza fosse bom. Agora, tem que manter também o discurso desenvolvimentista para sustentar os 5%. Vai dar curto-circuito.
É preciso fazer o país crescer. Aumentar os investimentos nas indústrias, nas pesquisas, na educação. Reduzir as taxas de juros. Botar o dinheiro na rua. Limpar o terreno. Adotar um norte, focar e seguir. Exatamente como fizeram para essa eleição. Mostraram que sabem fazer, quando querem. Basta querer. E isso não é novidade alguma.
Lula tem que parar com esse discurso contra a “elite”, não vai à lugar algum. O Brasil não tem uma guerra ainda, entre pobres e ricos. Poderá ter, mas não tem ainda. Tem que tomar políticas de desenvolvimento, e rápido. Se o rico ficar mais rico, mas o pobre menos pobre, tudo bem. O que acontece é que do jeito que esta o rico fica mais rico e o pobre mais pobre. E o discurso ainti-riqueza é um erro. Todo mundo quer trabalhar, quer melhorar de vida. Para isso é preciso trabalho, que é material em falta no Brasil.
Já que não há o que fazer, espero que Lula tome medidas decentes, assim o povo para de gritar: “deixa o homem trabalhar!”. Porque no Brasil somos obrigados a não trabalhar, mesmo querendo e muito.

[música do texto: Construção – Chico Buarque]
[deixa o homem descansar e deixa o homem trabalhar – foram as frases de Lula logo que venceu a eleição]
Por Fernando Katayama New York, NY 3 nov. 06

Sunday, October 29, 2006

O Papa é Pop

Enquanto escrevo aqui, o segundo turno das eleições para presidente no Brasil começou. Lula x Alckmin. Lula quer se reeleger para continuar fazer o que vem fazendo: merda. Alckmin quer a cadeira no Planalto, para provar que político é como bandeirinha de jogo de futebol, pode até acertar, mas sempre será o filho da puta responsável pela desgraça de um dos times. Portanto, independentemente de quem ganhe, vai ter sempre um xingando a mãe. Parece que o Lula vai levar... Alckmin não perde a esperança. Eleição, como já disse, é uma caixinha de surpresa, fica então o povo decidir, e a “voz do povo é a voz de Deus”, plagiando o Pelé.
Então, só Deus sabe o que preparou para o final do dia!
E falando em Deus...
A Igreja Católica finalmente cedeu ao capitalismo de uma forma explícita. Explícita porque ficou na cara, não que a Igreja já não fosse capitalista, é, e faz tempo.
Sempre com a hipocrisia da mendicância, de que a riqueza é um pecado, que bom mesmo é ser pobre. Com suas posições retrógradas, como quanto ao uso da camisinha, as pesquisas da células-tronco, e até com a Madonna, por exemplo. Sem contar com os anos de atraso da humanidade, na Idade média, onde só os clérigos tinham acesso a livros e mandavam queimar quem era contra suas posições tanto sagradas como políticos-econômicas. Guerras santas.
É a Igreja Católica, sempre foi capitalista, antes mesmo de Marx e o Capital. Terras, expansões, colônias, coroas, ouro e poder. Tudo que a Igreja quer e tem. Mas sempre pregando a pobreza e o pecado.
Começou a perder terreno para os 100% Jesus, xintoístas, muçulmanos e evangélicos principalmente. Criticaram pesadamente e insistentemente quando, Edir Macedo fez os Evangélicos serem a maldita praga. Edir Macedo mostrou ao Brasil que a religião e a fé são produtos e serviços de alto retorno e lucratividade. Produtos como pedacinhos do céu e o serviço de transporte até o céu. Hoje, a Igreja de Edir é a maior multinacional brasileira. Edir e sua legião de pastores expuseram a sociedade, o que era óbvio ululante, mas é mais fácil colocar embaixo do tapete.
Não faltaram críticas porque existe a indução ao dízimo. A doação de qualquer quantia, nem que for o seu salário todo. Mas ele não inventou isso não, só usou um apelo diferente. Os católicos fazem também a indução, só que dão outro enfoque. Não vendem o pedacinho do céu, mas pedem para o teto da igreja ou outra coisa qualquer. Lógico, sempre para tirar a culpa da sociedade sobre a miséria instaurada e a dor do pecado. Simples assim: ajudo, contribuindo com o teto da capela, garanto com uma boa ação, meu pedacinho do céu. Edir Macedo enxugou a cadeia e tirou o intermediário. Capitalismo puro.
Mas agora parece que mudou.
Surgiu o padre Marcelo, que é um misto de Edir Macedo com João Paulo II. Fabricado pela tv, Padre Marcelo mostrou que a Igreja tem fins lucrativos. Fez CD, inventou o Bate-coxa-santo, fala manso com cara de mortão e sempre com o sorriso bobo na cara. Saiu até em Caras fazendo casamento de celebridades. A MontBlanc, também faz anúncio em Caras, e tem retorno alto com isso. Padre Marcelo também.
Tanto que para a missa de finados, será cobrado só R$ 2.00, e você recebe ainda, melhor estilo 1406, alguns shows de música, além da benção divina, tudo para o povão. Disseram que era para controlar o número de pessoas, mas se fosse isso mesmo, distribuiriam nas paróquias uma quantidade limitada de ingressos logicamente de graça. Então porque cobrar dois contos por isso?
Porque gerará uma receita de 800 mil reais ou mais, porque se espera que nessa celebração, irão 400 mil pessoas.
Dá para arrumar muito teto de capela. Tudo beneficente.
O Papa anunciou que irá ao Brasil em 2007. Quanto custará para vê-lo, se para ver o padreco custa dois? Para ver “O Papa” deverá ser mais caro, pensando hierarquicamente.
É, o Papa é pop e o pop não poupa ninguém.

[música do texto: O Papa é pop – Engenheiros do Hawaii – O Papa é pop - 1990]

Por Fernando Katayama New York, NY, 29 oct. 2006

Tuesday, October 24, 2006

Zero Igual a Zero

Lembrei outro dia de um carinha lá dos tempos de colégio. O Sérgio. Sujeito esquisito, mas muito mais esquisito ainda quando se esta no colégio e todos são moleques descobrindo o mundo. Sérgio era um sujeito desengonçado, do tipo “nerd” abobalhado. Daqueles que ficava por último para ser escolhido para jogar bola e quando jogava, a bola sempre batia na cara e quebrava os óculos. Tinha um andar estranho. Enquanto os garotos já faziam a barba, ele mantinha o bigodinho virgem. Estranho, era do tipo que queria ser intelectual ou gênio, não sei. Talvez nenhum dos dois, e precisava mesmo era sobressair de alguma forma, afinal, as garotinhas de peitinhos e bundinhas precisam olhar para alguma coisa. Não estava todo errado em procurar o diferencial, mas para mim, naquela época, parecia exagerado.
Sérgio era assim. Certo dia resolveu fazer uma equação matemática gigantesca que provava que zero era igual a zero, uma tolice.
Domingo, o país terá mais uma eleição para marcar a nova república. Essa eleição marcará o Brasil não pela disputa dos candidatos, não pelos debates fervorosos, pela disputa saudável ou muito menos pela democracia. Esta marcada pela ignorância, pela imbecilidade, pelo apelo ao menos, pelo governo psicopata do Lula, pela roubalheira, pela sem-vergonhice lubrificada nas entranhas do Palácio do Planalto.
Lula com todo o seu populismo barato de porta de igreja, distribuindo migalhas aos pobres esta muito próximo ao seu segundo mandato. Para ele, será uma vitória sem precedentes, para nós, a assinatura da ignorância coletiva. Mas será pior que isso.
E não importa aqui quem seja o adversário. Pode ser Alckmin, pode ser eu, pode ser você. Não importa.
O que é importante nessa eleição é o recado que a sociedade passa, e pelas pesquisas, se confirmará no Domingo.
Se a vitória do Lula for confirmada, o Brasil assinará como réu confesso, que ser bandido é uma boa.
Mas para piorar mesmo, é a chancela da sociedade ao discurso hipócrita do Lula.
Lula vencerá com o discurso apelativo “aos pobres”, “aos sem educação” [“minha mãe nasceu analfabeta” – e ele burro!], aos bolsas-misérias e toda essa ladainha. A sociedade estará credibilizando o continuísmo da miséria, da pobreza, do analfabetismo.
Se os “pobres e analfabetos” colocaram e vão colocar mais uma vez Lula no Planalto, porque fazer o esforço para mudar o estado desses se é mais fácil e mais popular aumentá-los? Afinal pobreza é fonte de renda e de votos e um excelente apelo.
Lula levou vinte anos para fazer a equação gigantesca e quatro para provar que zero é igual a zero, e nada mudará.

[música do texto: Roda Viva – remix, Fernanda Porto e Chico Buarque]
Por Fernando Katayama New York, NY, oct 24 06

Tuesday, October 17, 2006

1992 – O Ano Ainda não Acabou

Tivemos uma festa para comemorar os dez anos de formados da turma RA 92. Foi em setembro e eu não pude ir. Recebi as fotos, reconheci rostos e outros nem idéia de quem são os donos. Notei a diferença entra as festas daquele tempo e a de hoje. Tinha muito mais latinhas de Guaraná que de cerveja.
Bateu o saudosismo. Comecei a lembrar daquele tempo. Bom tempo de faculdade. Tempo de festas loucas, churrascos de meio de tarde e encontros em botecos. Tempo também da ingenuidade, dos sonhos, da vontade de revolucionar o mundo.
Era 92 e era tudo novo naqueles prédios velhos da Escola. Para nós, “bixos” muita ansiedade e expectativas, daquilo deveria ser a realização do sonho do vestibular. Tínhamos estudado muito para passar na maldita prova seletiva. Além disso, a entrada na faculdade marcaria para sempre a mudança entre os meninos do Colégio e os homens da Faculdade. A fina linha entre uma coisa e outra.
Em 92, não tínhamos mais um inimigo em comum como nas histórias que ouvíamos de 60 e 70. Não tínhamos mais que lutar contra o regime. Qual era a divisão entre o bem e o mal, então?
Nós ainda sentíamos os resquícios da Ditadura que tomara o país por longos 20 e tantos anos, sentíamos também o pesado período da hiperinflação. Mas mesmo assim não tínhamos nada para ir contra, com a bandeira em punho, marchar para à luta.
Nada disso. Nós estudantes da Puccamp, classe média, para não dizer, alta, havíamos estudado a vida toda em escolas particulares e feito cursinho para a faculdade. Tínhamos uma vida relativamente tranqüila.
Era um tempo sem grandes ídolos. Sem grandes referências. E havia uma mescla total não só de estereótipos, mas de sonhos e convicções. Alguns ainda viviam no passado e eu os apelidei de neohipies, porque ainda pensavam estar no clipe de Woodstock. Outros eram totalmente alienados com o mundo ao redor. Alguns outros, simplesmente eram conformados. Mas não a turma de ’92, essa queria mudança.
Como não tínhamos mais um inimigo clássico, lutávamos para que nosso mundo fosse melhor. Queríamos que as aulas começassem no horário e acabassem na hora prevista. Queríamos melhores mesas para estudar. E acreditem, queríamos computadores!
Nossas idéias de vanguarda eram sempre arrebatadas por discursos desanimadores dos nossos veteranos. Não importava, continuamos a buscar o que queríamos.
O Centro Acadêmico em 92 estava fechado. Ninguém queria o queria mais. Em 93, quando um grupo resolveu tomá-lo e reabri-lo, fumavam “o fininho” e falavam de festas. Ou então, atacavam o reitor, contra o único inimigo que existia, a mensalidade da faculdade. Com o discurso retrógrado, pregando o comunismo marxista que anos antes acabara de cair com a Perestroika.
Eu era contra isso e achava a maior babaquice. Sempre fui careta e nunca fumei, nem do fraco nem do forte, e o meu posicionamento político-econômico já estava mais para liberal que comunista. Lembro de um dia que fomos tirados da aula, para discutirmos em assembléia, a mensalidade, o grande vilão. O Centro Acadêmico estava cheio, quando o presidente começou o discurso. “A mensalidade já é cara, e o aumento este mês foi abusivo, vamos fazer uma greve”, e acabou! Não durou cinco minutos. Pensei: “ótimo vamos voltar pra aula!”. E o presidente: “agora vamos falar de coisa legal, vamos falar de festa!”. Fiquei puto e gritei: “porra, você me tira da aula que custa uma fortuna, para falar de festa? Faz isso no intervalo!” – a partir desse dia, fui odiado! Passei a ser o cara que não era a favor da Causa, da universidade para todos e de graça, o babaca que vai contra a massa, contra a manipulação.
Teve a fez que resolveram fechar a rodovia próxima a faculdade... Eu já odiado pensei: “que merda! O que é que o cara lá na rodovia tem com os nossos problemas”, já era odiado suficientemente, resolvi ir embora e não abrir a boca. Era a ditadura estudantil, querendo se impor pela força e pelo não discurso, e pensavam estar fazendo “tudo para todos”, com uma superdemocracia, e hoje criticam Bush. Como disse no início, era tempo de muita ingenuidade.
Mas nós, a turma de 92, melhoramos o nosso mundo. Hoje, as aulas têm hora para começar e acabar. E acreditem, eles têm computadores.
Hoje tudo mudou. Não temos mais a ingenuidade, envelhecemos. Lutamos cada um por si, em busca da própria felicidade. Cada um cuida do próprio rabo, e de vez em quando, nos reunimos para contar e relembrar os casos do passado.
E talvez essa seja a melhor maneira de contribuir com o Mundo todo, fazendo o nosso mundo, melhor. Assim como fazíamos em 92.


[música do texto: Beatriz – Ana Carolina e Seo Jorge, para relembrar os dias de barzinhos e MPB]
[RA 92, é o número inicial de nossas matrículas, essa turma formou-se em 96, e alguns em 97, 98, 99...]
Por Fernando Katayama New York, NY, 17 out. 06

Sunday, October 01, 2006

Salagada Sacanagem

Madrugada. Chove. Esta frio, muito frio, perto dos 9 graus centígrados. Escrevo do Canadá. Montreal. Estou sozinho, em uma máquina velha no albergue que estou hospedado.
No Brasil é dia de eleição. Lula tem vantagem considerável sobre o segundo candidato, Alckmin. Mas eleição é como futebol, “caixinha de surpresas”. Estou farto de falar de política. Escrevo, escrevo e não varia o tom. Mas mudou a música.
“Dia de sol, festa de luz e um barquinho a deslizar no macio azul do mar…” – João Gilberto, o pai da bossa-nova. Na intimidade do seu apartamento, em encotros noturnos, João e seu violão, inventaram a bossa-nova. Ingenuidade da juventude não muito transviada dos anos 50. Quando é que, João, em seu apê, Rio zona sul, iria imaginar que o “barquinho” deslizando no mar, pudesse ter uma conotação fálica?
Nunca! Ele jamais imaginou isso. É mas passaram-se quase 50 anos e o mundo mudou.
Não poderia eu, deixar de escrever sobre o fenônemo da internet e o poderoso YouTube. Essas duas armas, mais perigosas que bomba atômica, aniquiladoras como vírus mutante do HIV que prolifera-se e multiplica-se com velocidade espantosa. Esse fenómeno aniquilou por completo a gostosa da Daniela Cicarelli. Até agora, pelas fofocas no ar, ela já perdeu dois contratos publicitários. Grandes marcas não querem associar-se à ela.
Todos vocês já sabem do que é que eu estou falando: do filme que um certo bisbilhoteiro fez dela, transando na praia com o atual. Para piorar a situação, ela vai à festa promovida pelo canal de tv à cabo, vestida de “pata” [a fêmea do pato]. Clara alusão a “galinha”.
Talvez agora vocês vejam “O barquinho”, entrando e saindo e deslizando, no macio azul do mar. Esse fenômeno, fez com que a mídia, explorasse a situação chamando psicanalistas e “Freuds” de plantão para analisar o comportamento do casal em uma sacanagezinha à beira mar. Pataquada. O ocorrido é que ela “esqueceu” por algum tempo que tem uma personalidade pública e uma pulbica. Só isso. Se fosse ela, uma qualquer, teria dado uma bem gostosa na praia e ninguém iria ficar sabendo.
Sem essas diversas análises do comportamento humano-animal, que gira gira e não sai do lugar.
Quem nunca fez uma sacanagenzinha em algum lugar inusitado? Quem não fez, perdeu!
Quem não tem uma fantasia por fazer? As minhas não restam muitas. E tenho algumas histórias hilárias para contar...
Deixo claro aqui, que não estou defendendo a Daniela e o Casanova. Não vou muito com a cara dela, apesar de ser uma puta mulher gostosa. Tudo em cima. Bundinha, peitinho, e é tão gostosa que sobra: tem seis dedos no pé. Deu pro Ronaldo, quando ele ainda era Fenomêno. Casou em Chantilly. Festão. Não durou nada o casamento entre Reebok e Nike. Azedou o Chantilly. Ronaldo virou uma bola. E ela saiu como a intresseira. Casamentozinho mais feio. Enfim, ela acabou sendo pega dando uma na praia.
Imagino Ronaldo, agora com um puta ciúme. As cenas do vídeo são ridículas, nada de explícito, parece mais os filminhos eróticos dos anos 70 e a pornochanchada.
Lógico que esse bafafa todo só se deu porque a sociedade é massacrante e hipócrita e porque ela é gostosa.
Os machistas dizem que ela é mesmo uma vagabunda, sem vergonha. Uma puta, no pior sentido da palavra. É a pura inveja do Casanova. No fundo queriam mesmos é estar na pele do sujeito e comer a Daniela Cicarelli em cadeia mundial. Afinal, comer uma gostosa e não contar para os amigos é o mesmo que não comer.
Já as feministas, dizem que é uma falta de respeito com a mulher. Rebaixando-a a um pedaço de carne, salgada no mar. Na verdade, querem dizer: “filha da puta essa ai, gostosa desse jeito, fez isso só para se mostrar! Ah...! Se eu fosse ela teria extrapolado”. Ficam com o recalque.
Todos ficam nessa. Criticam. Não aprovam. Fazem o show.
Mas a verdade é que nós adoramos mesmo, é o gostinho apimentado do Pecado.

[sem música: impossibilitado por motivos técnicos. Mas certamente seria “o barquinho”de João Gilberto]

Por Fernando Katayama, Montreal, Canadá, 1º de Outubro de 2006