Thursday, August 17, 2006

Deu no New York Times

Estava aqui no meu computador, lendo artigos de jornais. Li da derrota São-paulina na Libertadores da América. Deu Internacional de Porto Alegre. O colorado do Sul, bateu o São Paulo, com um empate, 2 x 2. Pelo que li, foi um jogão. De futebol ainda, noticia não muito nova, mas li só hoje, pela indicação de um amigo. Saiu no Jornal da Tarde, 14/08, e o Juca Kifouri publicou no Blog dele. Novidade? Nenhuma. Fala sobre o Ronaldo “Bola”, que fumava e tomava litros de refrigerante, comentava das conquistas fora de campo e dos milhões que tem no banco, tudo isso lógico na concentração da Seleção. Li também sobre a política brasileira. Sobre a guerra no Iraque, Israel e Palestinos. Passei pelo PCC e pela Policia Federal. Nada de excepcional ou motivador para um novo artigo político ou que o valha. Já estava indo escrever sobre as agonias adolescentes, como me sugeriu um amigo, lógico, adolescente.
Mas por volta da 1 da manhã, chegou um e-mail para mim. Uma amiga minha, a Sol, estava me enviando um texto que havia recebido.
Logo pelo assunto do e-mail, estranhei. Mas como vinha dela, resolvi checar, já que meu antivírus não deu nenhum sinal de scripts maliciosos.
“Acho que você vai gostar”, escreveu para mim. E seguia o e-mail anterior, que ela havia recebido e o texto anexado:
“Crônica publicada no New York Times em 17/07/2006...
Olha que maravilha...
Como nossa política é vista no exterior...
Obrigado”
E continuava com o nome da pessoa que repassou para o irmão dela, que por fim repassou a ela. Ou foi mais ou menos assim...
Não sei. Mas já deu para pegar a essência da coisa.
Não devemos mesmo acreditar nas coisas da internet.
Imaginem vocês, o título do texto era: “Marcola e Lula no telefone”. Soou-me algo parecido com o que tinha escrito. Ingênuo, pensei: “acho que os pensamentos humanos são comuns, e se repetem por ai”.
Pura ingenuidade.
Comecei a ler... E, porra, o texto é meu. O texto publicado no meu blog, dia 17/7. New York Times my ass!
Arnaldo Jabor já havia escrito sobre textos que não são dele, que são colocados como se fossem. A Internet replica com muita facilidade. Control C, control V.
Fico muito contente que meus artigos, meus textos, minhas idéias estão rodando por ai. Eu já esperava por isso, um dia, receber um texto meu mesmo, com algum comentário, mas nunca imaginei que me colocassem no New York Times.

[música do texto: W/Brasil, Chama o Síndico – Jorge Ben Jor – 1992 ]
[Se for repassar, coloca meu nome nos créditos! AGRADEÇO!]
Por Fernando Katayama, New York, NY, 17 ago. 06

Wednesday, July 26, 2006

Nenhum é Melhor que Um

Lá no Oriente Médio, explodem bombas. Umas perto, outras longe. Faz tempo que estão em guerra. Talvez, desde os primórdios, misturando a cultura expansionista, que vocês se lembram com a história da Invasão Moura, as Cruzadas e o Império Turco Otomano, com política e religião. É um barril de pólvora, com pavio de político-religioso. Impossível separar a política da religião. É uma guerra declarada com motivações obscuras como toda e qualquer guerra. Isso é lá. Talvez, nos afete cá.
Aqui, saiu no New York Times, que o governo americano esta já de olho no governo chavista. O petróleo venezuelano é importante para o mercado americano e Chávez, amigo de Lula, compadre de Morales, já ameaçou cortar o suprimento, caso os EUA, pressionem para sua queda. Já disse aqui que Chavez esta querendo montar o próprio barril de pólvora. Isso é lá. Talvez, nos afete cá.
E no Brasil outra guerra acontece. É o vale tudo das eleições que se aproximam. Li agora mesmo que Lula, esta com chances de vitória no primeiro turno, com 44% das intenções de voto. Seguido por Alcknim, e depois pela Senhora Bombinha do Agreste.
A Senadora do PSOL, Heloisa “Bombinha” Helena, é a égua-alazão, que corre por fora. Mas veio se preparando para isso, desde que foi expulsa do Partido Barbabo. Não é a toa que está em toda CPI, usando as câmeras para promover suas idéias. De fiel amiga, para principal inimigo. Heloisa representa a classe dos esquerdas-descontentes com a esquerda-situação. O Lula e o PT são o “efeito Orloff”*1 da Senadora Bombinha e do PSOL. Lula e o PT foram tudo aquilo que Heloisa e PSOL estão sendo hoje. O apelo moralizador, da honestidade, da luta dos que vieram de baixo, do sertão, da pobreza. Alto vínculo popular. Luta por ideais. Soa-me muito parecido com os tempos de Lula-lá*2.
Alckmin é o opositor mais forte de Lula. Ex-governador de São Paulo. Cara de meio-morto. Careca, médico, culto. Meio sem sal. A onda de ataques terroristas colocou-o em situação delicada. Parece ter perdido o controle do Estado. Esta levando uma surra do Barbudinho.
E o Barbudinho, está levando essa, assim como FHC levou em 98. As proporções eram praticamente as mesmas. Lula esta em posição confortável segundo as pesquisas mais recentes, mas lógico tem que se cuidar.
Mas o que me preocupa mesmo é se ele vencer. Será a assinatura da sociedade, para as barbáries que aconteceram em seu governo. Mensalinho, Mensalão, Sanguessugas, Zé Dirceu e seu plano maquiavélico, PT só como argumento. Impunidade. Maracutaia. Tudo isso passará a prevalecer mais ainda, na sociedade brasileira já estraçalhada e corrompida.
Contudo, uma pergunta fica no ar: Se não for um desses três, quem será, se todos parecem ser essencialmente todos iguais?


[música do texto: Polícia – Titãs – Cabeça Dinossauro – 1986]
[Vídeo: Melo Do Pocoto ]

[*1 – Orloff é uma vodka, que tinha um comercial que dizia: “eu sou você amanhã", criou o efeito Orloff.
*2 – LuLa-lá foi durante as campanhas de 90, 94, 98, slogan do Lula]

Por Fernando Katayama, New York, NY July 26 06

Monday, July 17, 2006

Marcola e Lula no Telefone

O telejornal noticia a semana de guerra. Começam com notícias não tão frescas vindas do Iraque e do Afeganistão. Umas bombas lá outras cá. Nada de novo. Começa a falar do tal Hezbollah, da pequena guerra particular de Israel contra palestinos e os loucos do Hezbollah. Ninguém entende direito porque é que esse povo vive se matando. São bombas para um lado, corpos para outro. E assim vai o oriente médio, matando uns aos outros, não importa como. Pode ser bombardeiro, metralhadora, tanque, homens-bomba. Tanto faz, desde que, mate.
Coisa que parecia ser estúpida para um brasileiro.
Homem-bomba? Metralhadora? Matar? O quê?
Brasileiro é samba, cerveja, mulher pelada, e até antes da Copa, futebol. Alguma coisa mudou.
Toca o telefone.
- Bom dia! Palácio do Planalto, Shirley falando.
[A breve história de Shirley: Shirley sempre esteve com o Presidente, antes até, dos tempos do Sindicato, dizem uns, que até mesmo quando ele tinha dez dedos. Sempre fez o trabalho de secretariado, inclusive na formação do Partido, quando achava o Zé, um gato. É apadrinhada do Presidente, mas nos bastidores, dizem as fofocas, que foram caso quando estagiava no sindicato, pré-partido, mas a D. Maria, a galega, abafou, afinal ela não é Hiraly Clinton e o Presidente não fuma charuto cubano, bebe 51, porque para pegar a Shirley, só bêbado. Shirley como quase todos do PT, doa, 70% do seu salário declarado para o partido, mas fica com 100% do salário do caixa dois e de alguns outros fundos não declarados. Agora atende os telefonemas para o Homem.]
Uma voz grossa e rouca responde: “Deixa de onda mulher, quero falar com o Presidente!”
- Quem é você para falar assim com a secretária direta do presidente?
- Larga de ser besta, e passa o Homem.
Suspiro. – Qual o seu nome? Tem hora marcada?
- Porra! Sou o Marcola, e não tenho porra nenhuma de hora marcada!
Silêncio. Entra o som de O Guarani.
Muda a cena: Shirley entra na sala do Presidente, bufando.
- Lula...
- Já não ti disssse para não me interromper quando vejo tv?!
- Mas um tal de Marcola, um sujeito sem classe alguma, insiste em falar com você, e eu não tenho a menor idéia de quem seja esse fulaninho!
O Presidente engole seco, com um sinal com a cabeça e diz que atende.
O Guarani é interrompido.
- Alô, senhor...
- Porra... Já não era sem tempo, não agüentava mais ouvir essa musiquinha... Porra! Melhora essa merda ai e coloca um MC ou Racionais! - Que foi mulher? Falou com o Homem?
O telefone muda o tom...
- Alô! É o Presssidente Lula.
- E aí seo Presidente... Beleza maluco?! Aqui é o cumpadi Marcola. Tá gostando do salceiro que armamo em Sampa!?
- Marcola... Não era pra tanto!
- Oh, daqui do xilindró, comando bem pra caralho a zona toda. Tamo fritando os poliça, botando o terror nesse povo bunda mole. E quer saber mais, tamo estourando de vendê pó!
- Mas Marcola...
- Viu só, malandragem, aprendemos com os caras das Farcs, com os Bin Laden, com os caras do Hezbollah... É Presidente, aqui é tudo das Nações Unidas! [gargalhadas] Chaves é o nosso companheiro! Ele e aquele índio boliviano... Já que vamô tá mandando em tudo!
- Mas Marcola...
- E os poliça, presidente!? Heim? A gente manda mesmo! Falei, num falei? Da última vez, vieram com aquela conversinha de “dar um tempo”... Ah... Até parece coisa se casalzinho fresco... Vai ser corno lá na casa do caralho, dar um tempo... Tá louco né?!
- Mas Marcola, a sociedade tá pressionando...
- Ah! Cê ainda não viu nada... Tô já conversando com os caras do Rio. Tamo para armar uma... O MST já tá com a gente.
- Mas Marcola não foi bem isso que... [interrompido]
- Mas nada seo Presidente! Já temo uma porção de deputados com a gente também. Tamo para receber uma nova carga de AK-47 e tem até uns misseiszinhos...
- Marcola, a pressão já é para colocar o Exército na rua...
- Ahhhh cala boca! Cê acha que esse seu exercitozinho vale alguma coisa? Mora tudo nas favela, e as favela é nossa! Noís tem homem-bomba a dá com pau. Temo armamento pesado. Mas muito mais que isso, temos é grana! E o governo [gargalhadas], depois que você pilhou, tá quebrado! Sem arma, sem gente que preste...
- Não foi bem assim não... O FHC também pilhou, o Maluf, o Médici...
- [morrendo de rir] Além do mais, os artista da Globo é tudo freguês nosso. Viu o Fernando Vannucci na internet*1? Tava bêbado nada, tava é chapado com coisa nossa!
- Mas Marcola, não foi bem isso [interrompido de novo]
- Porra heim Presidente... Trabalho bom o nosso. Tocando o terror no Estado mais importante do Brasil... Show, heim? Você vai ver a hora que começarmos a soltar os foguetinhos. Os caipiras de São Paulo, vão pensar que é festa junina atrasada ou que o Corintia ganhou algum jogo. E na verdade vai ser noís, mando foguetinho para detonar tudo!! O povo de tão ignorante, vai pensar que tem churrasquinho grego de grátis na Praça da Sé, tanto vai ser o cheiro de churrasco de gente pairando no ar! Vamo é tocar o terror!
- Nossa Marcola...
- E enquanto isso, você ganha pontos nas paradas... Porra!! Não é o nosso acordo!? Eu boto o terror e você vence as eleições!
- Era né Marcola! Mas acho que o poder tá subindo na sua cabeça e você tá querendo coisa demais, já ta querendo roubar a cena...
- Ah! Cala boca Nove-dedo! Cê tá por fora! Quer saber? Você que se foda! Vou eu lançar a minha campanha oficialmente para Presidente. Não vou ficar como você, naquele lenga-lenga de viado. Já sou bandido e todo mundo sabe! Não fico com onda e nhê-nhê-nhê! Mando matar e pronto. Não sou como você que fica cozinhando até que o cara morra sufocado. Você fez isso com o Zé, com o Palocci...
- O quê? [indignado]
- É isso mesmo! Cozinhou os caras... E eu já decidi, vou me lançar! Já tem até campanha voluntária rolando na Internet. “Marcola para presidente”. Eu fiz a polícia trabalhar, os crimes caíram... O povo vai votar em mim! Bandido por bandido, eu faço o meu trabalho muito melhor que você! Você que se dane!
E bate o telefone na cara do Lula.

[música do texto: Brasil – Cazuza – Ideologia - 1988]
[*1 Para ver Fernando Vannucci doidão:
http://www.youtube.com/watch?v=TfTvOGmu__4&mode=related&search= ]
Por Fernando Katayama NY, NY 17 Jul 06

Tuesday, July 04, 2006

Brasil Contra Brasil

Na sexta-feira passada escrevi sobre o craque francês Henry. Disse que Henry estava certo em seu comentário sobre o analfabetismo brasileiro. Mal sabia eu, que o francês mataria o jogo em uma só bola. Quem mandou no jogo foi o Spok, imediato do capitão Kirk. Zenedine Zidane, foi o nome do jogo. Com a inteligência Vulcânica, em um toque, fez o Brasil desmontar *1. Magro, correu o campo todo e deu o passe, em uma cobrança de falta. Zidane havia declarado que essa seria sua última Copa. O craque correu com se o jogo contra o Brasil fosse seu último. Não foi.
O Brasil, no entanto, jogava o futebol que vinha apresentando até àquela hora. Depois do gol piorou. O selecionado canarinho voltou pro ovo, amarelado *2, diante do galo azul francês. O time já jogará sem a mínima vontade nos outros jogos, e não foi diferente nesse. Esse selecionado foi um time apático. Cheios de si, estrelismos, achavam que eram imbatíveis e que resolveriam qualquer jogo quando bem entendessem. Muita estrela em um céu que só cabe 11.
Obviamente que o treinador Pé-de-uva, tem sua parcela de culpa. Mexidas erradas, insistência em manter o Fofão, e tudo mais, não tiram do Parreira a culpa. É do gerente a tarefa de motivar a peãozada.
Agora vão aparecer explicações das mais estapafúrdias para justificar. Vão meter a boca no Roberto Carlos, que na verdade não jogou nada na Copa toda e não marcou Henry. Vão dizer que o Parreira é burro e outros blá blá blás. De nada adianta.
Quando escrevi que o Brasil tava mal, recebi criticas dizendo que eu não sabia nada de futebol. E eu não sei mesmo, mas não é preciso saber muito de nada, para ver que alguma coisa não esta boa.
Seria muita ingenuidade minha não pensar que tem gente que ganha muito com tudo isso. Nos bastidores rolam cifrões. Mas não farei aqui, teorias conspiratórias.
Mas no fundo eu gostei da derrota. Já escrevi aqui mesmo, que a conquista do campeonato não seria bom para o país. Com as eleições se aproximando, a vitória traria ao povo uma sensação de ser vitorioso, conquistador, forte, rico. A Nação toda se espelharia nos vitoriosos milionários jogadores. O falso sentimento de vitória.
E governo se parece com time, pesado, gastador, cheio de pré-conceitos “imexivéis”, por mais idiota que seja. Sempre tem alguém ganhando milhões com isso. O técnico não é planta é peixe, mas não faz as mexidas certas e fica sempre com a mesma cara de merda. Como a Seleção o Governo vive rodeado de mordomias, tem um monte de riquezas e é considerado pelo mundo todo como um grande potencial, mas na hora “h”, perde o jogo. Assim como a Seleção finge que joga o governo finge que governa.
Contudo dá para aprender com a derrota. A melhor de todas é: não tem jogo ganho, muito menos fácil. Aprendemos que se não corrermos atrás, jogarmos como todo jogo fosse o último, fazer as mudanças necessárias, por mais difícil que seja não dá para ganhar jogo nenhum.


[música do texto: Violão Vadio – Yamandu Costa play Baden Powell]

[*1 – Spok tem além da inteligência extraterreste, tem a habilidade de fazer desmaiar so com um toque
*2 – amarelar é um termo da gíria brasileira, acovardar-se]

Por Fernando Katayama New York, NY, 4 jul. 06

Friday, June 30, 2006

O Craque Francês Henry

Enquanto escrevo esse texto, jogam Itália e Ucrânia. Pouco antes jogaram Argentina e Alemanha, e vimos os argentinos chorarem em campo, com a derrota nos pênaltis para a o goleiro Lehmann. O goleirão pegou dois pênaltis, e despachou para casa os Los Hermanos.
Nós estamos aguardando o jogo do Brasil e França. Lógico que a imprensa especula a revanche da final de ’98. Sensacionalismo e bafafá fazem parte do show biz. Deverá ser um jogo difícil, já que o Brasil é um time sem a mínima vontade de jogar e a França ta mal das pernas. Espero que não seja afinal, gosto de um futebol bem jogado, mas acho que vai ser duro de ver.
O Selecionado vem demonstrando, com os seus quatro jogos, que estamos cansados de jogar bola. Não tem vontade. Contra Gana, faltou vontade. O time marcou um e se deu por satisfeito, fez mais dois, mas foi porque Gana não foi um time forte. Talvez os milhares de dólares já ganhos tirem o apetite de gol, porque não tem mais lucro nenhum. Queria um futebol mais alegre do Brasil.
Contra a França vamos ver. Deve ser um jogo burocrático. Contra a mesmice, a imprensa notificou anteontem uma entrevista do ídolo francês Henry. Henry disse que o Brasil tem muitos craques e qualidade futebolística excepcional porque o povo é analfabeto. Certamente o foco da notícia não era nem um pouco social, e sim, provocação. Henry esta certo.
O futebol é a esperança do podre. O Brasil é um país analfabeto, sem escola, sem educação. Como disse Henry, brasileiro já nasce com a bola no pé.
No final do ano, quando começam os vestibulares para as universidades, ninguém fala das inúmeras peneiras que acontecem nos clubes pelo Brasil a fora. Ninguém faz a proporção.
Medicina na USP ou na Unicamp. Publicidade. Direito. São os cursos com as proporções mais altas de candidato/vaga. E para chegar ai, para disputar as vagas, são necessários no mínimo 11 anos de estudo. E que seja em escola boa e um bom cursinho. Mas isso é para uma pequena parcela da população. Geralmente são estudantes de escolas particulares, já que as escolas estatais não têm como preparar ninguém, mas lógico existem as exceções, puramente esforços individuais.
E as peneiras? Qual é a relação candidato/vaga? A realidade é dura, mas a proporção é alta. Deslumbrados com a vida nababesca dos poucos craques, que realmente conseguem fazer milhões, pais miseráveis incentivam os filhos a irem jogar bola ao ir a escola. Levam desde pequenos os garotos às peneiras dos times. Vêem-se garotos de 5, 6 anos já em testes.
O problema não é fazer craques desde pequenos, porque craques se lapidam desde pequenos. O problema é que querer ser craque não é uma opção. É a falta dela.
Henry esta certo.

[música do texto: It’s About Time – James Cullum –Twentysomething - 2004]
[Henry é atacante no selecionado francês/2006. Peneira é o nome que se da para o vestibular da bola]

Por Fernando Katayama New York, NY, June 30 2006

Wednesday, June 14, 2006

Olha o Passo do Elefantinho

Tem uma multidão festiva. Uns pintados. Outros de camisa. Outros sem. Com peruca ou carecas. Cara pintada ou cara torcida. Ta todo mundo la.
Uma porção de camisa amarela. Outra porção de camisa “bandeira de chegada da fórmula 1”.
Unhas são comidas nos quatro cantos do planeta. Uns no estádio. Outros pela tv e alguns, é alguns, ainda pelo radio.
Nem começou o jogo ainda. Já tem nego com dor de barriga e nervoso. Tem uma galera já fazendo churrasco, em plena terça-feira e é meio do dia. Dia de jogo é feriado.
É impossível não falar de futebol, mesmo estando longe da febre amarela e verde que toma o país. Aqui, em New York, vejo o jogo pela tv. Nada de Rede Globo, vejo por uma rede mexicana. Aqui, nem todo mundo sabe o que é futebol, alguns confundem com o jogo deles, o futebol jogado com as mãos, e vai lá saber por que é que é Foot, mas os que sabem, ahhh sabem de Ronaldinho e Brraazill. Depois do jogo, alguns gritavam em minha direção, ou melhor, a cor amarela e verde, “Go Brazilll!!!”, sem ter a mínima idéia do sufoco que foi o primeiro jogo da Copa.
Todas as explicações são cabíveis e até entendemos, mas não nos conformamos. Como espectadores, ou melhor, como torcedores, queríamos mesmo é o show. Show de bola do Ronaldinho e sua trupe. Queríamos não só o Drible-Elástico, mas o placar também elástico.
Vimos mesmo é a Croácia bem armada, segura de si e muitas vezes, mais perigosa que o Brasil.
A vitória suada com o golaço do moleque Kaka foi o que restou de espetacular no jogo, que em suma, foi nada de mais. Alguns vão dizer que Ronaldinho não jogou bem, ele tava muito marcado.
Mas o time, como um time, parecia meio nas nuvens. Roberto Carlos, com toda sua experiência, quase entregou o ouro, em uma cagada de elefente.
Mas o pior de tudo foi o elefante amarelo plantado em campo. Ronaldo pensa que o nome joga. Que nome ganha jogo. Precisa tomar um tapa na careca, e ouvir o Pânico gritar “pedala gorducho!”. Morto desde a hora que entrou em campo, fez de tudo para sumir. E sumiu. Enquanto o time todo suava, ele tava sequinho. Não fez nada, ou melhor, fez, atrapalhou.
A entrada do Moleque Travesso, Robinho, mudou a característica do jogo. Deu velocidade ao paquiderme selecionado brazuca, deu mais movimentação, o que faltou para o Escrete Canarinho vencer a bem armada Croácia, que até o gol tava vencendo de zero a zero, afinal empate era vitória.
O Brasil já pagou caro na França porque Ronaldo “tinha que jogar a final”, mesmo que com as calças borradas. Na mesma copa, Romário foi cortado, ainda no Brasil, por não estar em condições físicas.
Ronaldo, gordo, mole, lento, pesado, com duas Brastemps 550l nas costas, não pode continuar no time, não tem condições físicas e já alega “febre”. Deve ser de medo.
Mesmo que a FBF mande, Ricardo Teixeira mande, Galvão Bueno mande, ate mesmo que a Nike mande, Ronaldo tem que ficar de fora. Antes que nos mandem de volta para casa mais cedo.

[música do texto: É uma Partida de Futebol – Skank – Samba Pacone 1996]
[primeiro jogo do Brasil na Copa/2006: Brasil 01 X 00 Croacia]
Por Fernando Katayama New York, NY June 13 2006

Sunday, June 04, 2006

A Taça Do Mundo É Nossa

Estamos a uma semana do início da Copa do Mundo, e dizem que a Taça do Mundo é nossa, afinal com brasileiro não há quem possa, já cantava o sambinha de outras Eras. Eras de craques como Belline, Garrincha, Pelé. Hoje é Ronaldinho, sem dúvida alguma um craque moleque.
Mas sou obrigado a usar o mais velho jargão do futebol e dizer: “futebol é uma caixinha de surpresa”. Lembro bem da Copa de 82, nossa vibrava em casa a cada gol. Aquele espetacular de Éder, que Falcão somente abriu as pernas e a bola passou e ele chutou de fora da área. Não me lembro contra quem, mas foi um golaço. Mas o melhor time da Copa perdeu contra a Itália. No Jornal Nacional, Fernando Vanucci, chorava ao dar a noticia. Lembro também de 86, quando o meu glorioso Guarani, hoje na Segundona devido sua péssima administração, perdeu para o São Paulo com o gol miraculoso de Careca, já na prorrogação. O Bugrão, era disparado o melhor time, tinha mais pontos, jamais seria alcançado pelos outros, mas perdeu a final.
É futebol é uma caixinha de surpresa. Não basta fazer o que o “professor mandou”, “treinar duro, durante a semana, corrigindo os erros do jogo anterior”, para “trazer uma alegria para esse povo tão sofrido”. Tem mais coisa que isso.
Em uma semana, haverá mais bandeiras nacionais nas ruas que em qualquer outra situação. De quatro em quarto anos, o brasileiro fica patriótico. Pinta a cara, o corpo, se veste, usa a bandeira com as cores verde e amarelo. Dura exatamente 4 semanas.
Para Lula, vai ser muito mais importante se o Brasil ganhar do que o héxacampeonato. Sim para ele é muito mais do que para nós amantes da bola.
Para ele é a chance de reforçar a vantagem sobre os outros. Se o Escrete Canarinho vencer a Copa, obviamente Lula convidará o selecionado para ir ao Planalto. Condecorá-lo com medalha, fotos e poses. Não foi diferente com nenhum outro presidente e outras Copas.
O uso da imagem vencedora da Seleção a poucos meses das Eleições é uma peça fundamental para a campanha de marketing.
A vibração positiva e a euforia do campeonato vencido encobrirão as mazelas do povo, e ainda bem, que um jogo de futebol faz isso, até faz machões palmeirenses e corinthianos se beijarem com a vitória.
Mas também as manchetes dos jornais enfocarão o futebol e não a podridão que corre solta. Esquecerão do Mensalão, do Mensalinho, da Dança da Gordinha, da lavagem de dinheiro, do envio de dólares, do PCC...
A partir dessa semana, de sexta-feira, o Brasil ficará em suspensão. Dia de jogo é feriado com churrasco, cerveja e pagode.
De qualquer forma, como qualquer outro que gosta de futebol bem jogado e alegre, eu grito da arquibancada: “VAI RONALDINHO, VAI, FAZ O QUE PROFESSOR FALOU E TRAZ UMA ALEGRIA PARA ESSE POVO TÃO SOFRIDO!”
[música do texto: É Uma Partida de Futebol – Skank – O Samba Paconé, 1996]
[A Copa do Mundo de 2006 será na Alemanha. Começa no dia 9 de Junho, uma sexta. O Brasil é cotado como time imbatível, com a chave da primeira fase moleza.]
Por Fernando Katayama, New York, NY 4 June 2006

Thursday, May 25, 2006

Pintura Feia

New York – Acompanho tudo de longe pela Internet. Leio alguns jornais eletrônicos e outras vezes em algum outro meio. Não só as manchetes me preocupam, mas as pequenas notas de roda pé.
Enquanto o país é tomado pelos bandidos e pior de todos os gêneros, o Brasil fica a deriva. O Brasil vive ainda o ar de Beirute, mas nunca deixou de estar em uma guerra civil não declarada. E que digam isso os moradores do Rio, onde o Cristo Redentor esta de braços para cima para mostrar que esta desarmando, ou é uma blitz da polícia, mas ele não tem certeza, que são realmente policiais. De qualquer forma, assiste a tudo com colete à prova de balas.
Mas o grande caos mesmo são os parlamentares, o judiciário que causam o mal maior. Políticos que se vendem e políticos que compram em um mercado negro de milhões de dólares. E o Judiciário é uma maquina velha e emperrada.
Lula, notícia fresca, cresceu nas pesquisas eleitorais, e não sei se sinto medo ou total descrença no povo. Como pode ele ter aprovação popular com toda essa lambança que esta acontecendo?
Mas isso tudo ai esta nas manchetes dos jornais.
Mas será que alguém leu que o Masp teve a luz cortada por falta de pagamento? Que a Eletropaulo quer obras como garantia? O museu que fica na em uma das mais belas obras arquitetônicas de São Paulo começa a agonizar.
Vão começar agora a jogatina de responsabilidades do governo municipal para o estadual e do estadual para o federal, que logicamente cairá sobre a sociedade. E de certo ponto de vista, é verdade. A responsabilidade é da sociedade, de não cuidar do seu patrimônio intelectual e cultural e pior ainda de ter votado e colocado onde estão os governos que a acusa de negligência.
Cultura e educação são muito importantes para começar a mudar o cenário do Cristo. Mas o governo federal prefere gastar 5 bilhões em bolsa-assistência do que pagar a conta o museu.
Mas enquanto tudo isso acontece, o Brasil todo esta mesmo preocupado é com a escalação do Escrete Canarinho. E que venha a Copa, pelo menos alivia a dor do moribundo.


[música do texto: Peng! 33 – Stereolab – Peng! 33 ]

Por Fernando Katayama New York, NY, 25 May 06

Thursday, May 18, 2006

Show da Malandragem

Meu vizinho peida alto. Parece um tiro de metralhadora ou uma granada de mão explodindo. Em dois minutos os bombeiros já chegaram e junto com eles, uma frota de carros da polícia, inclusive uma “task force” da SWAT. Os caras aqui são neuróticos e estão paranóicos com essas coisas de ataques terroristas que qualquer peido é bomba. Mas é evidente que os organismos públicos funcionam, afinal o caminhão dos bombeiros chegou em dois minutos.
Não sei quanto tempo leva no Brasil. Nunca tive um vizinho que peidasse tão alto. Contudo eu sei que tem uma organização que funciona muito bem.
É o PCC.
Os ataques que o PCC executou em São Paulo durante essa última semana, mostrou a organização, já não mais na fase embrionária, mas em estágio avançado. Ataques terroristas simultâneos, primeiramente as forças de segurança e depois aos transportes e por fim, a sociedade civil.
O PCC mostrou-se forte. Uma facção com interesses ilícitos, que hoje, mostrou poder controlar o país. Os ataques só deram um tempo, porque o governo fez um acordo. É um grupo terrorista como ETA, IRA ou Al Quaeda, a grande diferença é que seus líderes estão presos. Irônico. Na prisão estão protegidos de serem mortos por adversários do crime. E nós pagamos a conta.
Porém, os ataques surgiram de forma aparentemente inusitada, sem motivo algum. Imaginemos que sim, foi assim. Então mostrou o governo, tanto estadual como federal, totalmente despreparado, sem o Serviço de Inteligência que funcione, sem polícia que funcione. Mostrou que os bandidos são muito mais eficientes e organizados que a máquina estatal.
Outra coisa que é evidente é o poder da mídia em disseminar a paranóia e aumentar o caos. Lógico que o poder da mídia mal feita previamente calculado pelo cérebro malandro.
Contudo não deixo de pensar que nada disso foi assim, ao acaso. Bandido não gosta muito de alvoroço, porque prejudica os negócios. Bandido não gosta de polícia no pé. Prejudica os negócios. Bandido gosta da sombra e da escuridão, nada de holofotes e exposição. Prejudica os negócios. Porque então cargas d’água fizeram esses ataques?
Pra mim, tem jogada política. As eleições se aproximam e com o medo da população, o tal clichê de campanha “mais segurança”, torna-se mais poderoso agora. Quem mostrar que controla a violência urbana, terá mais pontos. Na última eleição, a população engoliu o grande engodo do Fome Zero, e agora cospe no prato que comeu, e ainda passa fome.
Por um outro lado, volto a repetir, porque já disse em um texto antigo, que país com o caos instaurado é prato feito para golpe militar. [ver Homens-folha, 16 de maio de 2006]
Agora vai começar a ladainha de “mais segurança para a população” e blá, blá, blá. Vesgos, não conseguem ver direito sem óculos. É preciso colocar óculos na sociedade, para parar de exigir “mais segurança” e começar a exigir mais educação, mais seriedade e menos corrupção. Corrupção não só do governo, mas das pequeninas corrupções que acontecem no dia-a-dia de cada um.
Se não, não sobra muito o quê fazer. Para aqueles que acreditam que rezem, e rezem mais ainda para não acabar a vida ouvindo Ezekiel 25.17.


[música do texto: 01 - Pumpkin and Honey Bunny, Misirlou – Dick Tale e His Del-Tones; 02 - Ezekiel 25.17 – Samuel L. Jackson / Pulp Fiction, 1994]

[PCC – Primeiro Comando da Capital, facção Criminosa, executou ataques terroristas no Estado de São Paulo durante a semana de 7 a 17 maio de 2006, e que ate agora, resultou em mais de 100 mortes, entre policiais, criminosos e civis]

[Ezequiel 25.17, é um trecho do filme de Quintin Tarantino, Pulp Fiction, 1994, que Vincet Veja (John Travolta) e seu comparsa Jules Winnfield (Samuel L. Jackson) matam outro criminoso, mas antes disso, Jules recita Ezequiel 25.17]

Por Fernando Katayama, New York, NY, May 18 2006

Tuesday, May 09, 2006

Manha de Garoto

Índia - Ghandi fez greve de fone, lutou contra a colônia britânica. Fez um legado. Hoje é um mártir.
Tibet - Dalai Lama passa dias sem comer para purificar o espírito.
Brasil – Faz jogada publicitária. Já tinha feito antes ao se juntar com a Igreja Universal. Fez Nepotismo e colocou até a mulher no seu lugar.
Garotinho faz birra. Não quer passar a limpo as acusações a ele feita, no devido lugar, na Justiça. Por pior que seja, ela ainda existe no Brasil.
Não, ele que chamar a atenção da mídia em uma jogada para a campanha eleitoral que pretende fazer. Faz greve de fome. Uma idiotice.
Talvez queira se fazer de coitado. Talvez, queria mesmo é emagrecer e viu uma grande oportunidade de aparecer.
Enquanto o Brasil passa por uma crise nunca vista antes, fica fazendo manha e bico, gritando “eu também quero” e “ele tem, mas eu não tenho, eu quero!”. Coisa de criança.
Quer mesmo é entrar para a Máfia do Planalto, mamar nas tetas do povo e viver a boa vida de fazer nada e ganhar muito, dizendo que esta fazendo política.
Imagine só o Garotinho presidente e fazendo greve de fome para resolver uma questão política, coisa mais ridícula.
Enquanto o Governo e o PT se sujam mais ainda tentando se limpar da merda que fizeram e Garotinho faz birra digna de um garotinho mimado, os brasileiros assistem a tudo isso, boquiabertos sem saber muito bem o que fazer, mais uma vez. Uns dizem para resolver nas urnas, só se for queimando-as.
Pior, de tão mal conduzido, o Brasil esta ficando na mão de paises vizinhos como a Bolívia e o índio louco Evo Morales, mesmo com as grandes reversas naturais que temos.
E para ajudar a greve de fome do Garotinho, ainda pode faltar gás.

[música do texto: Old Devil Moon, Jamie Cullun – Twentysomething, 2004]

Por Fernando Katayama New York, NY, 09 may 2006

Tuesday, May 02, 2006

Corteo

Andavam todos cabisbaixos. Em fila dupla, um atrás do outro. Passos curtos marcados pelo som surdo do tambor. Alias o único som que se podia ouvir. A cada toque, um passo. Lentos caminhavam.

Parecia sombrio.

De repente uma luz brilhante apareceu. Intensa de doer os olhos, focava em um sujeito nem alto nem magro, ligeiramente acima do peso, barrigudo. Vestido cartola e um fraque vermelho. Começou a falar alto, “Senhoras e senhores...”.

E em um estalo, músicos começaram a tocar. A fila se desfez.

Era uma alegria geral tomando conta de todos por lá. Balões coloridos voavam. Dançavam todos. Alegres faziam palhaçadas. Água em um, balde de confete em outro.

A pequena mulher voava amarrada em gigantes balões. Via tudo por cima. O gigante homem brincava com um tão pequeno que cabia em uma garrafa.

Meninas-anjo voavam de um braço a outro em homens-trapezistas.

Malabaristas impressionavam com a habilidade no manuseio dos seus malabaris. A mulher-aranha agarrada na corda bamba, delicadamente despejava purpurina nos que estavam embaixo dela. Piruetas mortais faziam alguns amarados em pedaços de sedas.

Mais uma vez, aparece o homem de fraque vermelho. Assustado pergunta “não deveria ser um cortejo?”.

Alegres, todos respondem em coro: “sim! Mas esse é o palhaço”, e continuam a festa.

Quando eu morrer, se for para morrer, quero morrer como o palhaço. Dando risada da vida e com muita festa.

[música do texto: Alegría, Cirque du Soleil]
[Corteo é o nome do espetáculo apresentado pelo Cirque du Soleil em 2006]
Por Fernando Katayama, New York, NY, 3 May 2006

Sunday, April 23, 2006

The Weather Man

Chove, faz frio. Noutro dia, sol e calor. Às vezes, indica tempestade. Tempo encoberto. Pressão alta, pressão baixa, provocando instabilidade passageira.
É parece o homem do tempo, e esse filme eu vi outro dia: “The Weather Man”, com Nicholas Cage e Michael Caine.
Comprei meio sem pretensão, no pay-per-view. E só apertar alguns botõezinhos e pronto, o filme aparece na tevê. Tava lá no Menu. Nicholas Cage... Michael Caine... É parecia ter bons ingredientes. Não sabia do que se tratava.
O filme sobre o cara da previsão do tempo. Filho de um famoso escritor. Menos prezado por todos. Alvo de agressões na rua. Dono de um sorriso chato. O “homem do tempo”. Odiado. Perdido. Enfadado.
Mas o que tem esse filme para eu comentá-lo aqui? Nada de mais. Simplesmente gostei.
Gostei da evidente simbologia com o arco e a flecha. A flecha, o arco e o alvo. Aprendizado. Concentração. Objetivo.
Mas o que mais me chamou a atenção foi sobre o respeito que temos que ter, antes de tudo, com nós mesmos. Sim, antes de brigarmos com o mundo pedindo respeito pelos mais “fracos”, devemos brigar pelo nosso próprio respeito, e então, passarmos a sermos respeitados, se não for e se for, passar a ser mais respeitado.
Outra coisa importante é a busca pelo seu lugar. Todos nós pertencemos há algum lugar, resta-nos encontrar. Devemos procurar por ele.
Enfrentar as incertezas e abandonar algumas verdades que nos mesmos criamos, achando que é assim que é para ser. Aceitar o que se é e encontrar o lugar para isso.
Como Michael Caine diss, “às vezes é preciso escrever besteira, para a vida, tornar-se mais interessante e descompromissada”.

[música do texto: Bonita, Morelenbaun e Ryugi Sakamoto - Casa]
[“The Waether Man”, 2005, Gore Verbinski, EUA]
Por Fernando Katayama, 23 april 2006, New York, NY

Thursday, April 13, 2006

Enquanto isso, o Brasil vai pro espaço

Acabou a aventura espacial do Capitão Marcos “Kirk” Pontes. Lá de cima fez experimentos com feijões. Viu a Terra azul. Sorriu.
É um grande passo para a aviação nacional e para o Programa Espacial Brasileiro. Coisa de suma importância. Foram gastos na jornada, dez milhões de dólares. Mísera quantia para os bolsos brasileiros.
Enquanto o astronauta brazuca, tinha seus dias de Apollo 11, falando em russo, sem tecla SAP, o Brasil, continuou no seu curso. Não mudou a rota, não saiu da trajetória e continuou na mesma atmosfera.
Todos nós sabíamos que os únicos discos voadores que veríamos, seriam das pizzas das CPIs. Todo aquele show, Bob Jeff, dando aula de retórica em cadeia nacional; motorista, que se fingia de morto, mas escutava tudo e resolveu abrir o bico; Zé Dirceu, saindo; Agora vem essa do caseiro com conta aberta e o Palocci [como eu já tinha dito, ver artigo “Boi de Piranha], jogado as piranhas, para não queimar o filme [?]. De nada adiantou.
O Brasil continuou sua trajetória. Diferente do capitão Kirk, em Jornada nas Estrelas, o celebre seriado, imortalizado pelo Spok e suas orelhas pontudas e inteligência Vulcânica, o Brasil vai indo para um lugar já muito conhecido.
Lula com suas orelhas pontudas, e não é de inteligência, governa o país como um marciano, lunático, sei lá, porque parece não ver as realidades nacionais. Preocupa-se com a reeleição e só.
Investiu dez milhões de dólares no projeto espacial, enquanto aqui, tudo esta indo pro espaço. Falta educação, respeito, berço. Sobra marginalidade, desemprego, falta de oportunidade. E dez milhões foram pro espaço.
Não sou contra pesquisa. Muito pelo contrário, apoio. Mas o governo tem que ver as prioridades nacionais e atacá-las com severidade, afinal, não temos dinheiro saindo pelo ladrão da caixa d’água, temos dinheiro saindo pelo ladrão da máquina política brasileira.
Li dizer outro dia, em uma revista de porte nacional, que o Brasil esta querendo entrar na Era dos Submarinos Nucleares, para defender nosso país de futuras improváveis invasões.
Para mim, na verdade, esta mesmo é se preparando para onde está indo: para o brejo.

[música do texto: Plut Plat Zum – Raul Seixas]
[Nota: leia também “Onanismo Presidencial”, neste blog]
Por Fernando Katayama 10 apr. 06

Sunday, April 09, 2006

Resposta a Sebastião Maria

Não sou de direita, não sou de esquerda, talvez Centro. Não sei.
Minha posição política independe de que lado é, quero a política nos modos dos Fóruns Gregos, democracia, como o próprio povo diz, para o povo. Mas essa meu posicionamento político não me impede de fazer uma leitura do mundo, mesmo sem ter lido, a Blíblia toda, todas as obras de Marx, de Lênin. Não li também a bibliografia de Clinton, Mussolini ou do FHC.
Uso do meu senso, do mundo que vivo, dos outros mundos que conheci.
Vejo na política brasileira um retrato fiel de um povo despreparado. Acéfalo. Muitas vezes mal intencionado. Os políticos que ai estão, e fazem a política que fazem é um reflexo do nosso povo. Povo sem educação, tanto a formal como a do berço, povo sem poder de crítica, sem formação. Um povo em desespero para ter um rumo. A ganância da camada política, e tanto faz a bandeira que empunha, aumenta a miséria do nosso país.
Assim, quando você se refere, a que lado político estou isso pouco importa uma vez que, a Esquerda quando vira Situação, já não é mais de esquerda, pois passa a pertencer à camada dominante e burguesa, como você pode notar no Governo Lula, e esse até brigou com a “ala radical”, por fazer o que ele tanto atacará no passado.
Minha crítica é exatamente sobre o “operário que virou presidente”. Não tenho nada contra, se esse tivesse feito um bom governo. Acho que a possibilidade de poder mudar de “status social” é uma grande coisa, e todos almejamos por isso.
Mas não tenho dó, não vejo com olhos paternalistas. Discordo com o posicionamento o qual o Lula conduziu o país, talvez, melhor dizendo, a falta de posicionamento.
A exaltação ao “menos”. “Eu sou analfabeto”, “eu não tive escola”, “eu não tive dinheiro”, e “agora cheguei a Presidência”. Simplesmente não concordo, a ode à ignorância, à pobreza, ao apelo a dó. Lula, continua dizendo que o país precisa de ajuda dos “ricos” para sair de onde está. Discordo mais uma vez. Temos que usar os nossos próprios recursos, ao invés de esperar sempre a ajuda dos outros. O assistencialismo que o Lula prega nos coloca sempre na posição de coitadinhos. Talvez mais um reflexo do povo.
E como você mesmo disse, “...como se um presidente operário, sem dedo, preparado no decorrer da vida, pela inteligência do PC, não soubesse de nada, e você o Sabidão...”, e essa é exatamente minha crítica, como um Presidente não sabe nada? Você disse que ele sabe, eu também acho que sabe. Em um país sério, ele já não teria mais a mínima governabilidade.
E se eu sou o Sabidão, agradeço o elogio.

[música do texto: Essa tal de Tequila – $enhor $ucesso - Velhas Virgens]

[resposta a meu tio Sebastião Maria, que deixou um comentário ao texto: “Engolir não é nada, ruim é na hora de sair” 06.04.06.]

Por Fernando Katayama, de New York, NY, 07 April 06

Thursday, April 06, 2006

Engolir não é nada, ruim é na hora de sair

O nojo esta instaurado no país. Imagens da gorda-porca dançando no plenário comemorando a não cassação do seu colega. Pulava de alegria, com a cara lavada, sem a cor rubra do partido, que a colocou lá. Vibração de final de Copa do Mundo. No mesmo lugar, mas em outro dia acontecia de novo a mesma cena grotesca, só mudará os personagens.

Dá nojo só de pensar nisso, ver é escatológico.

Depois do ato, a imprensa registra e cai em cima, então tentam justificativas vans. Isso ou aquilo. Tanto faz.

Sim, tanto faz. Tanto faz porque a vibração desses indivíduos é um pedacinho do lixo todo. Talvez o pedaço mais alegre, talvez o mais cômico, mas com toda certeza, lixo igual.

Faz-me pensar é o porquê que temos tantos corruptos e curruptados. Hoje li, que a OAB, agora as vésperas de eleição, quer o impeachment do Presidente Lula. Acho que a OAB, a sociedade, a imprensa, os intelectuais, eu, você, todos nós tardáramos. Agora é melhor esperar a eleição. Tirar o Presidente agora é arriscar o pouco que o país tem em credibilidade e força internacional de um país acéfalo.

Iniciar o movimento de impeachment é uma manobra política de alto risco. A oposição deve temer a re-eleição do Lula. Coisa bem provável.

Lula talvez tenha tido o sonho de sonhador, de mudar o país em um piscar de olhos. Desnumbrou-se com o Palácio do Planalto, como criança com brinquedo novo. Perdeu o controle e deixou o país a mercê de mercenários.

Agora somos obrigados a engolir, essas imagens grotescas, tal como da gorda-porca. Engolir o pouco poder das CPI’s, que pouco fizeram, e o que fizeram tem pouco efeito. Engolir os poucos cassados e pior ainda, engolir os mensalões, mensalinhos, e mais que isso, os acordões dentro da Câmera. Ouvir que o Maluf vai se candidatara novamente. Que o Garotinho é um homem forte para ser Presidente. E talvez tenhamos que engolir o Lula novamente.
Quero ver é na hora de sair.

[música do texto: Saia de Mim – Titãs – Tudo ao Mesmo Tempo Agora]
Por Fernando Katayama, New York, NY – 06 April 2006
Desculpas aos meus leiores, mas impossibilitado de postar novos textos por motivo de viagem, volto agora a escrever semanalmente.

Wednesday, March 22, 2006

Esse Falcão para mim é Pardal

Assisti o documentário do Falcão. Foi meio sem querer. Madrugada, zapeando a TV e acabei vendo. Nem sabia do que se tratava no começo. Resolvi esperar para ver.

E no final, é muito bom o documentário do rapper MV Bill e do produtor de hip-hop Celso Athayde. Até então, na minha mais pura ignorância, jamais tinha ouvido falar dos tais aí. Eles fizeram o tal documentário. É bom. Mostra para quem não sabe, a dureza que é a vida da favela do tráfico, da vida miserável do morro, da morte antecipada na juventude marginal e por aí vai. Pena que TV não tem cheiro, porque isso tudo aí fede, e ia ter gente saído da frente da TV para vomitar. É, dá nojo. Mas assim é a vida na favela.

O impacto desse documentário foi alto. Produzido pela Rede Globo, foi ao ar em horário nobre. Pegou a classe média de baciada. Não era por menos. Fantástico, domingo à noite, dia de pizza com a família e umas cenas violentas na TV, mostrando o nosso vizinho.

Mas o documentário não mostrou nada de novo. Violência. Guerra de traficante. Vida miserável. Falta de oportunidade e a oportunidade no crime. Menor abandonado. O desleixo da sociedade. O que mais? Tudo que você já está cansado de ver e ouvir. Não trouxe nada de novo. Isso nós já tínhamos visto no excelente documentário “Ônibus 174”, de José Padilha, 2002. Mesmo assim, o “Falcão” é um bom documentário.

A repercussão de alguns “experts” no assunto são as mais óbvias do mundo: falta de uma família estruturada. Falta de programas para diminuir o tráfico. E assim vai.

Mostra que estamos fazendo a pergunta errada. Ou não estamos fazendo a pergunta certa. Podemos produzir milhões de horas sobre a miséria do nosso país. Podemos falar da prostituição infantil no Recife. No tráfico de crianças em Fortaleza. Da violência urbana de São Paulo. E sempre estaremos fazendo a mesma coisa: mostrando o que já sabemos. Estaremos nos perguntando a mesma coisa em todos os temas. É o samba de uma nota só. É preciso modificar a pergunta, para encontrar, talvez, as muitas respostas.

Não vou entrar no tópico da corrupção do governo, das forças policiais, do Judiciário, se não, não tem fim. Farei só 3 perguntas para os temas do documentário “Falcão”, se não fico louco.

Tráfico: O que tem de comum entre as máquinas de escrever Olivetti e o trafico de drogas?

A Máquinas Olivetti chegou a ter 90% do mercado das máquinas de escrever, até meados dos anos 80, quando surgiu então, o PC. Acabou a demanda por máquinas de escrever. A Olivetti quase acabou, e hoje, tenta se refazer. Com o fim das máquinas de escrever acabaram também o datilógrafo e os cursos de datilografia. Mas espera um pouco, o que tem isso com o tráfico de drogas?

Simples. É um exemplo de demanda. Não tem demanda, não tem mercado. Em vez de ficar tentando acabar com o traficante, que é como tiririca de jardim, arranca um vem dois (morre um traficante, surge dois querendo tomar o lugar dele), colocando polícia e até ultimamente o Exército, o negócio é trabalhar a demanda. Deixa o traficante lá, acaba com o comprador, o traficante vai ficar com o estoque alto, o preço aí, para de ser lucrativo e diminui o tráfico. Não adianta artista fazendo propaganda na TV contra o uso da droga, se como diz a música: “vem malandro, vem plaboy, vem atriz para comprar comigo”.

Porque é que existem tantas famílias desestruturadas? De onde vem tantas crianças para trabalhar no crime e porque?

O Brasil é um poço da falta de oportunidade. Um gigante mergulhado na ignorância e na falta de educação. Combustíveis para a sociedade desestruturadas. É uma questão econômica. É preciso reduzir o número de famílias assim. Só tem um jeito, não deixar que se formem.

Como os entendidos do assunto dizem, a grande causa é a família desestruturada. Dela o ciclo é vicioso e para trás. Nasce na família sem estrutura familiar, sem pai, sem mãe, sem condição, sem escola, sem oportunidade. Vira bandido e tem filhos. O pai morre, a mãe some, o filho fica sem educação, sem oportunidade, sem casa. Esse moleque aos 15 tem um filho com a filha da vizinha, 15 anos também. Mas aos 17 ele morre na boca em que vendia coca, a mãe, de 17, não trabalha. O filho cresce e aos 8 está no crime, a realidade que ele conhece. Aos 15 tem um filho, e por aí vai.

É preciso acabar com essa estrutura familiar, não deixando que ela aconteça.

Já da para entender de onde vem à garotada do crime. É o único meio que eles conhecem. Dá dinheiro e poder, apesar de ser uma carreira curta. Mas com sorte, o plano de carreira do tráfico, você pode até a chegar à chefia uma boca. Os caras são muito bem estruturados e a hierarquia produz um plano de carreira tentador. Os traficantes também usam da lei para recrutar crianças. Sabem que não da nada, porque a legislação alivia. Criança não é tratada como criminoso mesmo que o crime seja hediondo.

Fico pensando aqui, se ao invés de investir 5 bilhões de reais no bolsa-família, não seria melhor investir 5 bilhões em bolsa-laqueadura. Inverter o incentivo, ao invés de dar dinheiro pelo número de filho, dar dinheiro para o menor número de filho. Fazer um plano de incentivo de acordo com a renda familiar e incentivar a fazer a laqueadura e a esterilização e legalizar o aborto.

Fazer filho é fácil, difícil é educar, manter e criar.

É hora de mudarmos as perguntas.

[música do texto: Cocaine Dreams – 50 Cent]

Por Fernando Katayama 22 mar. 06

Thursday, March 16, 2006

Homens-folha

Homenzinhos vestidos de folhas. Enfileirados como formiguinhas. Fila indiana. Vão eles andando com cara de espanto, sem saber muito bem o quê fazer. Vão subindo. Mandaram fazer, estão fazendo. Uns apontam para um lado, outros para o outro lado e alguns nem sabem onde estão. Passeiam por dentro da Mata Atlântica. Vão subindo os homenzinhos vestidos de folhas.

De um lado os Sujos, de outro, os Homens-folhas. Trocam farpas. Um tem a cara do outro. São todos meio-irmãos. Confundem-se pela semelhança física, pelo corpo franzino, diferenciam-se só pelo uniforme. Um de Homem-folha outro de Nego-favela.

E assim foi a tomada do Exército Nacional nos morros do Rio de Janeiro. Coisa patética. A revista Veja, encontrou justificativas na lei para a ida dos milicos ao morro. Fizeram de ordem legal, não nego, mas talvez imoral. Ao meu ver, parece o primo pobre do Bush: usou uma desculpa esfarrapada para tomar uma ação militar. Dizer que foram atrás de 11 fuzis e 1 pistola tenha dó, já foi roubado do exército de revolvinho até lança-granadas, e nenhuma atitude como essa foi tomada. Chamaram um contingente de guerra. Mais soldadinhos que no Haiti. Táticas e estratégias pífias. Tem coisa ai. Esse é o nosso Exercitozinho.

Cercou-se de mandados judiciais para que a ação não tome corpo inconstitucional. Mas não justifica, porque o Exército Brasileiro tem a missão única e exclusiva de defender o país e suas fronteiras. Roubo quem cuida é a policia.

Mas entendo assim:

· O que é meu ninguém tira. Vou lá buscar a qualquer custo.

Instaura-se a lei do bang-bang. Vira a terra sem lei. Tudo posso. Se tiram-me o que é meu, busco a todo preço. Vale para o Exército, vale pra mim.

· Pode ser uma jogada política para mostrar a ONU, que temos homens-folhas e sabemos o que fazer com eles, já que o Brasil quer uma cadeira no Conselho de Segurança.

Desse jeito vai ficar mesmo é só com o banquinho.

· Ou o Exército mandou o recado: se o governo e a sociedade civil não faz, nos fazemos: Foram lá e os crimes caíram em média 70%. Nos somos a solução.

País onde a baderna é total, a corrupção assola desvairada, falta de credibilidade nos Poderes, especialmente no Poder Judiciário, e as polícias coitadas, são um misere total, dá um prato cheio para uma ditadura armada.

A ida dos milicos ao morro mostra o total despreparo do governo para assuntos de segurança nacional. É a baderna institucionalizada.

Os Garotinhos parecem ficar brincando de trocar figurinhas.

Enquanto isso, o MST, que passou de movimento popular legítimo para movimento terrorista sem pé nem cabeça, toma o estado de Pernambuco.

No congresso, o professor Luizinho nos ensina a como roubar. Não há um só homem-folha, de fuzil na mão, para ir buscar o que é nosso por direito. Caixa dois não é mais crime.

Agora que os malacos do morro devolveram as armas, o Exército deve sair. O recado dos traficantes foi: “saiam do morro, tá atrapalhando as vendas, em troca, não assaltamos mais o Batalhão”.

Só posso concluir que estamos sendo governados por bandidos. Estejam eles nos morros ou no Congresso. E particularmente eu prefiro os do morro. Pelo menos, é evidente quem são os bandidos.

Por Fernando Katayama 16 mar. 06

Wednesday, March 08, 2006

Crash

Foi uma surpresa ou nem tanto. Todos esperavam que o filme tailandês de cowboy gay ganhasse mais estatuetinhas. Não foi bem isso que ocorreu. Hollywood esse ano, dizem os críticos, foi mais humano. Abordou temas voltados às necessidades humanas, as carências, aos temas da sociedade contemporânea, aos medos. Eu não sei dizer, não vi todos. Pouco importa também. Nem vi o porre da tal cerimônia.

Dessa vez, não teve mega-blockbuster. Spielberg, mais uma vez gastou o tempo falando de judeus. Acho que deveria voltar a falar de E.T. King Kong, o macacão milionário, e deixe claro, sem racismo*1, estou falando do gorila, não arrebatou muito. Foi “Crash – No limite”, de Paul Haggis, levou o título de melhor filme.

É um filme no mínimo incômodo. Edição e trilha sonora boa. Personagens fortes, mas o que é o melhor é o argumento.

Ao falar das mazelas da sociedade, seja ela em L.A. ou em S.P., é preciso ter um argumento no mínimo bom. Atacar o cotidiano não é das coisas mais simples.

Como mostrar para a sociedade a sua própria frieza? A indiferença entre morte e vida?

Negros, chineses, nativos, cada um por si. Violência dominante. Dinheiro e sensação de superioridade até que a arma mostra a fragilidade da grana. A raiva por raiva. Sonho por sonho. E maioria excluída.

Talvez por isso o titulo do filme – Crash. Não mostra segredos. Não faz suspense. É duro e transparente. Deixa os acidentes da vida entrelaçar as coincidências vitais.

Como romper isso tudo? A reconstrução através da total destruição? A ruptura com os padrões estabelecidos?

Até quando?

Crash: To break violently or noisily; smash.

[*1 Nessa semana um jogador de futebol, aqui no Brasil, foi acusado de racismo por xingar de “macaco” um colega de profissão]


Por Fernando Katayama 08 mar. 06

Wednesday, March 01, 2006

Verdade, mentira e morte

É acabou o carnaval. Mais um ano se passou, de batuques, peito e bundas de fora, gostosas e as nem tão gostosas assim. Camarote dos famosos e tudo mais. Filas nas estradas, sujeiras nas praias e multidão que volta para o cotidiano monótono.

Nesse carnaval eu não fiz nada. Nunca faço nada diferente do que sempre faço. Acho o carnaval chato. Resolvi então gastar um tempo com um dos meus passa tempo prediletos. Fui ao cinema.

Fui ver o último do Woody Allen, “Macth Point”. Entrei na sala escura achando que era uma comédia romântica, recheada de ironias e humor sutil, afinal é um filme de Woody Allen. Sentei na poltrona com o saco de pipoca e rodava o filme. Gostei muito desse filme ai.

Vi também o filme dos cowboys gays, de Ang Lee, “Brokback Montain”. E esse filme que esta dando o que falar, afinal ver um homem comendo outro, só em filme pornô de veado, no circuito, nunca. O filme é bom, gostei também.

O que será que tem em comum entre um filme e outro?

Um se passa no pasto, meio do mato, interior americano, anos 70, dois homens. Outro centro urbano, Londres, aristocracia britânica, inicio século 21, um homem, duas mulheres, uma delas gostosa. Há princípio nada.

Mas vejamos assim.

O filme de Ang Lee mostra o relacionamento amoroso reprimido de dois homens. Quebra o arquétipo Jungiano do Herói que estamos acostumados a ver, como em “terra de Malboro”, até com assobiuzinho, terra de homens fortes e cavalo e só. Nesse caso, ovelhas.

Como imaginar o herói dando o rabo? A sociedade conservadora choca-se ao ver. A sociedade ultra-liberal choca em ver-se por lá. A vida: dois homens reprimem-se e vivem a vida infelizes até morrer, todo herói morre.

Woody Allen aborda de uma outra maneira a repressão aos sentimentos e a verdade. Inverte o papel da mulher, na sociedade ocidental, onde o homem passa a viver as custas dos benefícios financeiros da mulher. Covarde, como quase todos os homens, vive a infelicidade com medo da verdade. Perde-se nas curvas da Scarllet Johansson, a paixão castrada. Ele não gosta do que faz, não gosta da mulher e aceita a vida e os benefícios que a posição trás. É infeliz. A mulher cornuda, finge não saber, mas para sustentar o sonho, manter a imagem, finge felicidade. A amante, podre, sem muita chance, vive a vida apaixonada, renegando a origem, imaginando sempre conseguir o homem de fato, engana-se sempre. Vivem na repressão aos sentimentos, vivem nas mentiras da vida.

O que há de comum então entre eles?

Entre a verdade e a mentira a melhor solução é a morte.

Mas será?

Por Fernando Katayama 1 mar. 06

Tuesday, February 21, 2006

Carnaval, um porre

Acabou! Acabou a fervura para ver o Rollings Stones. Acabou a fila para ver U2. Mas não acabou a euforia. Ainda resta o Carnaval. Carnaval uma das festas mais tradicionais do país. Coisa de louco.

Eu nunca gostei. Acho que sou chato. Existe e não há o que fazer.

Me resta:

Agüentar a Globeleza pulando na tv com as tetas de fora, sacudindo para um lado e para outro, como se fosse a coisa mais linda do mundo.

Agüentar o batuque infernal de quem não sabe tocar. E ainda o cara dizer: “olha a paradinha”. Sem contar o samba-enredo, e o grande puxador Jamelão.

Agüentar a molecada dizendo que “é bom para pegar mulher”, afinal o cara é um incompetente e só pega mulher uma vez no ano, no Carnaval. No resto do ano, cinco resolvem por um.

Agüentar alemão vermelho na praia, falando “zamba”, “carnival”, “molër pilada” e “caipiriina”.

Agüentar que todo mundo é de todo mundo e ninguém é de ninguém e é hora de tirar o atraso.

Agüentar os locos de pó, lança e lo-lo. Hoje de êxtase e doce. Bêbado vomitando no pé e para piorar, mulher bêbada, que fala cuspindo com os peitos esfregando na nossa cara, com cara de quem quer dar, mas é só tipo e fedendo bebida de segunda. Se homem bêbado é uma merda, mulher bêbada é merda potencializada.

Agüentar todo mundo dizendo: “vamos pulá, alegria, é Carnaval”, te obrigando a pular como idiota, fingir felicidade e dizer que comeu todas, afinal é Carnaval. E na verdade, você estava afim mesmo de ouvir música clássica e ler um livro.

Isso sem contar que as mulheres reclamam que são tratadas como um “léio*” de carne, mas no carnaval, não passam de um belo par de tetas e bundas.

E se quiser fugir para a praia, melhor ficar em casa.

Uns dizem que vale o feriado, mas cacete, então para que a putaria toda?

E se é pela putaria, bebedeira e pegação, qual é a diferença do final de semana passado?

[* leio: pedaço / O Brasil só funciona depois do carnaval]
[ você esta ouvindo a música "Gortoz A Ran, J'attends", sobre um novo mundo:
"...Will come back the blue wind To breathe my wounded heart

I will be pulled away by its blow Far away by its stream to another land

I will be pulled away by its breath Far away by its stream, wherever it wants

Wherever it wants, far away from this world Between the sea and the stars" ]

Por Fernando Katayama 22 fev. 06

Wednesday, February 15, 2006

Bolsas das Putas

É noite. Com na pouca luz do poste, encosta um carro. Nem luxuoso, nem velhaco. Com sua saia minúscula, curva-se na janela, insinuando-se ao motorista. Sente-se única, a melhor, a mais linda, a mais sexy. Mal vestida com sua micro-saia, seios a mostra, é um filé na noite. Pouco importa se chove, se faz calor ou frio. Lá esta ela com a sua surrada roupinha. Suja da rua, dos dias sem banho, negocia. Entra no carro. Volta em alguns minutos. Cinqüentão, programa completo e vintinho só boquete. Pelo tempo que demorou, não da para saber qual foi. Com a boca suja e corpo melado, volta para sua esquina à espera de mais um. Rotina de uma puta no baixo meretrício. Gira bolsa, gira.

E é assim que o governo trata nosso surrado povo. Como putas sem saída, em desespero. Paga R$ 63.00 pelo programa. Usa do desespero. O Brasil não é um carrão, mas também não é uma velharia cubana. Vivemos nas sombras do desenvolvimento e passamos muito tempo sem banho.

O governo Lula, emplacou na eleição passada com o discurso voltado pelo social e pelo Fome-Zero. Vai usá-lo de novo.

O atual governo continuou com projetos do FHC, cheio de bolsas. Unificou umas para centralizar as ações. Criou-se o bolas-daquilo, bolsa-fulano, bolsa-da-blosa, isso para a porção miserável e para a não miserável, já eram malas ou cuecas, com recheios bem diferentes.

O governo gastou uma cifra exorbitante que gira em torno de 5 bilhões de reais, distribuído para os miseráveis desse país. Coisa que vai de 15 a 95, mas na média, 63 reais. Um boquete.

É o tipo de ação ineficiente e ineficaz. Não resolve nada. Não ajuda. Só gasta. Sai pelos fundos do Cofre da Nação e talvez justifique em desvios de verbas. Certamente não resolve nada. Não adianta usar tapa sexo no carnaval, dá para ver tudo. A perversão é explícita.

Logicamente o governo não esta nem ai para isso. O apelo esta feito e é isso que interessa. Não é à toa que Lula, pelas últimas pesquisas, esta liderando entre as classes D e E, já corrompidas pela miséria.

Enquanto não tivermos políticas para desenvolver o país, sem paternalismos duvidosos, sem políticos que lutam para seus próprios benefícios e a Nação não tomar consciência que é preciso gerar riqueza e distribuí-la, continuaremos rodando a bolsa nas esquinas da vida.

Por Fernando Katayama 15 fev. 06

Sunday, February 05, 2006

Boi de Piranha

Passei alguns dias afastado da minha máquina. Em uma dessas chuvas de verão, dessas que cai água e tudo mais que se possa imaginar, deu um certo probleminha aqui e perdi, o que os “micreiros*” chamam de “executáveis”. Uma queda repentina de energia, deve ter sido um galho ou um poste que veio ao chão levando também a minha energia, provocou essa perda. Lamentavelmente ou talvez por sorte, fiquei seu meu computador, assim não pude escrever por esses dias. Se eu pensar bem foi ótimo, esqueci por um momento das coisas do Brasil. Agora, por conta própria, já consertei e cá estou eu de novo.


Como não poderia deixar de ser volto ao cenário político. Nesse tempo todo que fiquei fora, e nem foi tanto assim, uns 15 dias, notei que um certo nome vem aparecendo muito nas capas dos principais jornais e noticiários do país. O não menos língua-plesa, Palocci, ou Palófi, como queiram. Intrigou-me.


Porque o único homem que saiu dessa crise-pizza [porque é grande, meia show-pizza, meia séria-mascarada. E já tem pizzaiolo ai, inventando o pizza-terço. Cena: domingo à noite, o cidadão e sua família, na tradicional pizza dominical [e pode ser delivery]; “oh me vê ai uma grande, terço show, terço mascarada e terço eleitoral”], esta aparecendo tanto?


O sr. Palófi, parecia ser “o cara”. Honesto. Cara de mortão. Ar de seriedade. Fala pouco. Só ele saiu de santo. Tentaram até atacá-lo, em vão.


A pergunta me persegue: “porque é que agora o cara tá na evidência?”; “Porque o Lula que chegou a Presidência sem um dedo e durante a crise sacrificou até seu braço direito, e provavelmente, o cérebro, estaria agora sacrificando mais um membro seu?”


Deve ter pensado “antes ele do que eu!”.


Ah! Mais isso é um pensamento muito simples para uma cabeça caipira-analfabeta como a do Lula. Tem coisa ai por trás.


Palófi, esta sendo sondado para ser, conforme for o andar da carruagem, o novo PTeleitoral. Falam isso, falam aquilo. E ele lá, negando. Se perguntarem se ele é filho da mãe dele mesmo, é capaz até de negar. O mesmo acontece com o Lula.


Para mim é uma ação de ataque do Lula. Lula que anda visitando os cafundós já em sua “adormecida campanha branda” e aprendeu certas coisas com os pantaneiros do Mato Grosso. Aprendeu o “Boi de Piranha”.


Vejam só. Enquanto os tucanos se pavoneiam e se despelam. Serra tenta ser o “correto” e o Alckimim tenta encarnar o JK. E o Lula que chega ao final do seu mandato, sem dedo, sem braço, sem cabeça, com escoriações, assiste tudo de longe, mas de binóculos e sem fazer muitos movimentos.


Enquanto isso, ele arremessa o Palófi para as piranhas, assim como os pantaneiros, que para atravessar um rio abarrotado de piranhas, sangram um boi, para passar com a manada. No final, os dois tucanos depenados vão ver o Lula atravessar o rio as custas do Palocci.


[micreiro é um tipo de ser pseudo-humano-chip que surgiu em meados dos anos 80, no inicio da era da informática, e se estabeleceram como uma tribo. São todos aqueles que de certe forma “conversam” com suas máquinas. Falam de bites, bytes, mega e gigabytes com tamanha trivialidade]

Por Fernando Katayama 5 fev. 06

Saturday, January 14, 2006

Retrovisor Gay

Passou a euforia das malditas compras de Natal. Passou a onda do “feliz ano novo”. Passou o coçassão de saco merecida das férias do recesso natalino-ano-novesco. Toda a maravilha dos fogos de artifícios. Do brilho à fumaça e dor no pescoço. Pronto acabou! Estamos agora na espera do carnaval. Festa tradicional brasileira que eu particularmente detesto, mas há quem goste e decore até o samba-enredo-repetitivo-chulo-ruim da escola do terceiro grupo ou os que ficam a noite toda zappiando a tv à procura de alguma gostosa peituda de bunda de fora e pode até mesmo ser um travesti ou um homem pseudo-gay vestido de mulher, que tá valendo, afinal, é carnaval.

E como eu venho dizendo nada muda. Até eu estou sendo repetitivo, caindo na minha própria armadilha, a repetição. Mas convenhamos que para escrever sobre coisas, coisas novas tem que aparecer. Alguém vai dizer que eu que to olhando só para um lado, certamente é verdade, afinal com é que eu vou olhar para todos os lados de uma vez só? Mas enfim...

Esta aberta a temporada de caça para o novo presidente da republica dos bananas. Começaram as frouxas ladainhas republicanas de uma democracia fraca. De um lado o governo petista que tenta de limpar da merda que o cobre. De outro, a oposição também cheia de merda. Os dois discutindo quem é o mais limpo, quando não há o mais limpo, e sim o sujo igual.

Agora estão com essa de dizer que o GETON, não é certo. Mas logicamente eles sabiam quando aprovaram e achavam certo, mesmo que as cadeiras da Câmara ficassem vazias ou fosse para votar projetos idotas. Isso mostrou que existem três tipos de políticos aqui no país. Tipo um: honesto-aspas. Tipo dois: Hipócrita. Tipo três: gay.

Se você pensou que o honesto-aspas é aquele que resolveu doar seu 14º salário, equivale a R$ 25.000, pelas sessões extras da câmara, errou. Honesto-aspas foi aquele que disse que não ia dar nada para ninguém, que o salário é certo e que não torrem os picuás dele. E pior que o cara tá certo. Esta na lei. Foi aprovado. E tudo mais. Se eu concordo, não vem ao caso, mas eu não concordo. Logicamente as aspas são essenciais nesse ai.

Ai me pergunta: “quem é o hipócrita?”. Simples. É aquele que disse que doará ou não pegará, o salário desse ano. Pura demagogia e engodo em ano eleitoral. O país passa por essa devassa corruptiva e é um bom slogan em época de eleição: “eu não peguei, doei a quem precisava, pobres coitadinhos”. Mas não disse que dos outros anos todos pegou. E que o investimento de 25 mil é pouco para o retorno de mais um mandato. Pura hipocrisia. Se fosse sério, aprovariam um projeto de lei que acabaria com as mordomias, ajudas e tudo mais, inclusive esse salário indecoroso.

E o gay? Bem, gay é uma coisa e tanto. A união do macho com a fêmea, em perfeita sintonia dentro de um corpo só. Gay é aquilo que é mas não é. Gay é uma coisa que parece ser mas no fundo não é. Gay é louco e desvairado. Gay não liga para nada e quando morre vira purpurina. Então quem é o político gay?

É aquele que dá para se livrar da foda. É aquele que não assume. E para finalizar, joga para os dois lados, dependendo onde é que ele tem a possibilidade de dar sem sentir dor.

Esse será o ano de eleições. A rede Globo já prepara o terreno com a série “JK”. A revista Isto É disse: “de olho nas urnas, candidatos se águam pelo retrovisor da historia e tentam encarnar JK, só falta um plano para alavancar o país”. Por isso o Brasil tropeça tanto, esquece de olhar para frente e ver para onde esta indo. O brejo esta perto.

[Honesto-aspas para quem não entendeu: “honesto”. Fonte: Revista Isto É, 11 de Janeiro de 2006, n° 1890, páginas 40 – 53]

Música: Genuíno pedaço do Cristo, André Chirstovam, Mandinga, 1989 - Nem Cristo Redentor tá salvo!!

Apartir dessa semana, uma musica acompanhará. Se vão ou não ter ligação com o texto, eu não tenho a menor idéia. Espero que gostem.

Por Fernando Katayama 15 jan. 06

Sunday, January 01, 2006

Ano Novo? Sua Decisão

Acabo de receber esse texto. Veio por e-mail. E é incrível, agora nesse exato momento é 1 hora e 12 minutos do dia 1º de Janeiro de 2006.

Alguns minutos atrás, comi um delicioso pernil preparado por mamãe e com toques meus. Estava com o computador ligado esperando um contato pelo Skype, maravilhas da Era tecno-informativa, quando recebi essa tal mensagem. Mensagem de um amigo. Não me contive em sentar à frente da minha máquina e responder a ele. Era uma mensagem de final de ano, um pouco diferente dessas tantas que entupiram meu e-mail nesses dias. Vou reproduzi-la aqui com a minha resposta.


O e-mail à mim
enviado pelo meu amigo:


INSTANTES


Se...


Pudesse viver
novamente minha vida...


Trataria de
cometer mais erros.



Não tentaria ser tão perfeito,me
relaxaria mais.


Seria mais ingênuo
do que fui, de pronto trataria pouquíssimas coisas com seriedade.


Correria mais
riscos. Faria mais viagens, contemplaria mais entardeceres, subiria mais
montanhas, nadaria mais rios.


Iria a lugares
onde nunca fui, tomaria mais sorvetes e comeria menos favas; teria mais
problemas reais e menos imaginários.


Se pudesse voltar
ao passado, trataria de ter apenas bons momentos.


Pois se não sabem,
disso é feito a vida, somente de momentos.


Se pudesse voltar
a viver, começaria a andar descalço no princípio da primavera e seguiria
assim até concluir o outono.


Daria mais voltas
em carruagens, contemplaria mais amanheceres e jogaria com mais meninos,
se tivesse outra vida pela frente.


E de Fernando
Pessoa, o desfecho:


"Valeu a pena?
Tudo vale a pena se a alma não é pequena"



[mensagem do meu
amigo]


“Quaisquer que
sejam seus planos, desejos e sonhos, reafirmo a disposição em contriburir
durante todo 2006 para suas novas conquistas. Estar ao seu lado e
participar de seus projetos é aproveitar o tempo, a vida.”



Minha resposta ao
gentil e-mail do meu amigo:


INSTANTES ANTES


Como...


Posso viver
totalmente a minha vida...


Cometerei mais
erros.


Não tentarei ser
tão perfeito. Relaxarei-me mais.


Serei mais ingênuo
do que fui e sou, de pronto tratarei pouquíssimas coisas com tamanha
seriedade.


Correrei,
certamente, mais riscos. Farei mais viagens, curtas, longas, com ou sem
planejamento.


Contemplarei mais
entardeceres e amanheceres. Subirei mais montanhas, nadarei mais rios.



Irei a lugares onde nunca fui, e
voltarei há lugares que já estive, para rever velhos amigos, tomarei mais
sorvetes e comerei menos favas, mas me esbaldarei em mel.


Terei mais
problemas reais e menos imaginários ou conjecturas vans.


Como posso voltar
ao passado, tratarei de ter apenas bons momentos. Deixarei nossa mania, de
lembrar mais dos desastres do que das alegrias, de lado.


Para recordar do
passado com o olho no futuro.


Pois se não sabem,
disso é feito a vida, entre o nascer e o morrer, somente de momentos.


Estou vivo então,
começarei a andar descalço no princípio da primavera e seguiria assim até
concluir o outono.


Porque no inverno,
vou esquiar.


Darei mais voltas
em carruagens, contemplarei mais amanheceres e jogarei com mais meninos,


Mas um dia
morrerei.


Então, se pudesse
voltar ao passado se tivesse outra vida pela frente, repetira toda ela de
novo!



De Fernando Katayama


[o inicio da minha resposta]
Até quem fim alguém me enviou algo que prestasse nesse final de ano!


Pelo menos você ouviu meus apelos e modificou alguma coisa!


Fernando Pessoa, não sei se por coincidência ou por ser homônimo, é um cara para lá de fantástico!

Não vou repetir aqui, as baboseiras de final de ano, porque ano nunca acaba, a não ser o fiscal. O nosso ano não acaba porque é um eterno crescimento. Só há duas datas em nossas vidas, que marcam realmente o inicio e o fim. É o nascimento e a morte. O resto é o meio, tão importante quando as duas outras, porem de limite atemporal, dentro do curto espaço de tempo comprimido entre nascer e morrer.

Assim sendo acredito que o importante desse meio, é a consistência sólida das histórias da vida. Penso então um pouco diferente do seu texto, uma vez que não estou morto, exemplifico assim: [volta ao início]

[Skype, é um serviço de VoIP. Ligações de baixo custo usando protocolos de Internet para voz.]

Por Fernando Katayama 1 jan. 06

Sunday, December 25, 2005

Pré-visões

Esta aberta a temporada! Durante os próximos quinze ou vinte dias vamos ficar ouvindo as balelas visionárias que tentam nos empurrar.

Inúmeros visionários vão definir o futuro. Búzios, tarôs, cartas, mão, energias cósmicas. Todos os artifícios para a dedução mágica!

O Pai Oxalá, Urubu-do-Bico-Curvo, grande mentor do Terreiro Olho, vestido todo de branco, parecido com baiana da lavagem do Bonfim, já que as baianas, que não são as de lá, usam roupas tão curtinhas que não tapam nem a mais singela celulite, diz: “Um grande homem irá morrer nesse ano. Um homem importante. Não posso precisar a data, mas será entre março e novembro, no máximo em outubro”.

Em um lugar não muito distante, Mãe Jurupoca, com o seu característico olhar torto, joga os búzios, com cara de espanto: “É... as coisas não parecem melhorar ainda... haverá muito briga em uma casa grande aqui no Brasil... alguns grandes se esfacelarão, enquanto outros, aguardam a carniça”.

Em uma tenda, cartas de tarô. Uma senhora gorda, de vestido vermelho, puxa as cartas. De cara, olha atravessado. “hummm, moeda quebrada... é... não haverá muito dinheiro no bolso...”
E por ai vai... Até o nosso presidente já fez as sua previsão, prevendo o cenário político do ano que vem. E o Palocci também fez a dele [preferia ele sem falar nada, mas não se conteve], disse que iremos crescer 5%. Mas ele já falou isso outro dia... Uma hora a de acertar.
Eu farei aqui então as minhas:

A economia, vai ficar nessa merda. Não vai pra frente. Via ficar esperando as eleições. As briguinhas partidárias, vaidosismos, jogo de influências, manterão tudo na mesma.

O Brasil continuará acéfalo. Sem governo. Sem políticas de crescimento. Sem estratégias definidas. Sem norte algum. Esperará o ano começar, em março, depois do carnaval. Enquanto isso, nada acontece. E quando acontecer, terá acabado o ano mais uma vez.

Passarão as eleições e serão idênticas as outras. Uma merda de um lado e outra merda do outro. Somando as duas, nesse caso, 1+1= talvez dê 1! De semelhança entre as duas: falar e nos tratar como merda.

Bem, também terá uma novela na TV, onde terá pelo menos um casamento, um assassinato, um atropelamento, um casal polêmico e logicamente, o vilão vai se fuder!

E o ano terminará com a musiquinha hit da Globo: “hoje a festa é nossa, hoje a festa é tua, e de quem quiser, quem vier...” Mas não nos deixam entrar e não dividem o bolo.

E isso tudo, a gente já viu!

Por Fernando Katayama 25 dec. 05