Thursday, May 25, 2006

Pintura Feia

New York – Acompanho tudo de longe pela Internet. Leio alguns jornais eletrônicos e outras vezes em algum outro meio. Não só as manchetes me preocupam, mas as pequenas notas de roda pé.
Enquanto o país é tomado pelos bandidos e pior de todos os gêneros, o Brasil fica a deriva. O Brasil vive ainda o ar de Beirute, mas nunca deixou de estar em uma guerra civil não declarada. E que digam isso os moradores do Rio, onde o Cristo Redentor esta de braços para cima para mostrar que esta desarmando, ou é uma blitz da polícia, mas ele não tem certeza, que são realmente policiais. De qualquer forma, assiste a tudo com colete à prova de balas.
Mas o grande caos mesmo são os parlamentares, o judiciário que causam o mal maior. Políticos que se vendem e políticos que compram em um mercado negro de milhões de dólares. E o Judiciário é uma maquina velha e emperrada.
Lula, notícia fresca, cresceu nas pesquisas eleitorais, e não sei se sinto medo ou total descrença no povo. Como pode ele ter aprovação popular com toda essa lambança que esta acontecendo?
Mas isso tudo ai esta nas manchetes dos jornais.
Mas será que alguém leu que o Masp teve a luz cortada por falta de pagamento? Que a Eletropaulo quer obras como garantia? O museu que fica na em uma das mais belas obras arquitetônicas de São Paulo começa a agonizar.
Vão começar agora a jogatina de responsabilidades do governo municipal para o estadual e do estadual para o federal, que logicamente cairá sobre a sociedade. E de certo ponto de vista, é verdade. A responsabilidade é da sociedade, de não cuidar do seu patrimônio intelectual e cultural e pior ainda de ter votado e colocado onde estão os governos que a acusa de negligência.
Cultura e educação são muito importantes para começar a mudar o cenário do Cristo. Mas o governo federal prefere gastar 5 bilhões em bolsa-assistência do que pagar a conta o museu.
Mas enquanto tudo isso acontece, o Brasil todo esta mesmo preocupado é com a escalação do Escrete Canarinho. E que venha a Copa, pelo menos alivia a dor do moribundo.


[música do texto: Peng! 33 – Stereolab – Peng! 33 ]

Por Fernando Katayama New York, NY, 25 May 06

Thursday, May 18, 2006

Show da Malandragem

Meu vizinho peida alto. Parece um tiro de metralhadora ou uma granada de mão explodindo. Em dois minutos os bombeiros já chegaram e junto com eles, uma frota de carros da polícia, inclusive uma “task force” da SWAT. Os caras aqui são neuróticos e estão paranóicos com essas coisas de ataques terroristas que qualquer peido é bomba. Mas é evidente que os organismos públicos funcionam, afinal o caminhão dos bombeiros chegou em dois minutos.
Não sei quanto tempo leva no Brasil. Nunca tive um vizinho que peidasse tão alto. Contudo eu sei que tem uma organização que funciona muito bem.
É o PCC.
Os ataques que o PCC executou em São Paulo durante essa última semana, mostrou a organização, já não mais na fase embrionária, mas em estágio avançado. Ataques terroristas simultâneos, primeiramente as forças de segurança e depois aos transportes e por fim, a sociedade civil.
O PCC mostrou-se forte. Uma facção com interesses ilícitos, que hoje, mostrou poder controlar o país. Os ataques só deram um tempo, porque o governo fez um acordo. É um grupo terrorista como ETA, IRA ou Al Quaeda, a grande diferença é que seus líderes estão presos. Irônico. Na prisão estão protegidos de serem mortos por adversários do crime. E nós pagamos a conta.
Porém, os ataques surgiram de forma aparentemente inusitada, sem motivo algum. Imaginemos que sim, foi assim. Então mostrou o governo, tanto estadual como federal, totalmente despreparado, sem o Serviço de Inteligência que funcione, sem polícia que funcione. Mostrou que os bandidos são muito mais eficientes e organizados que a máquina estatal.
Outra coisa que é evidente é o poder da mídia em disseminar a paranóia e aumentar o caos. Lógico que o poder da mídia mal feita previamente calculado pelo cérebro malandro.
Contudo não deixo de pensar que nada disso foi assim, ao acaso. Bandido não gosta muito de alvoroço, porque prejudica os negócios. Bandido não gosta de polícia no pé. Prejudica os negócios. Bandido gosta da sombra e da escuridão, nada de holofotes e exposição. Prejudica os negócios. Porque então cargas d’água fizeram esses ataques?
Pra mim, tem jogada política. As eleições se aproximam e com o medo da população, o tal clichê de campanha “mais segurança”, torna-se mais poderoso agora. Quem mostrar que controla a violência urbana, terá mais pontos. Na última eleição, a população engoliu o grande engodo do Fome Zero, e agora cospe no prato que comeu, e ainda passa fome.
Por um outro lado, volto a repetir, porque já disse em um texto antigo, que país com o caos instaurado é prato feito para golpe militar. [ver Homens-folha, 16 de maio de 2006]
Agora vai começar a ladainha de “mais segurança para a população” e blá, blá, blá. Vesgos, não conseguem ver direito sem óculos. É preciso colocar óculos na sociedade, para parar de exigir “mais segurança” e começar a exigir mais educação, mais seriedade e menos corrupção. Corrupção não só do governo, mas das pequeninas corrupções que acontecem no dia-a-dia de cada um.
Se não, não sobra muito o quê fazer. Para aqueles que acreditam que rezem, e rezem mais ainda para não acabar a vida ouvindo Ezekiel 25.17.


[música do texto: 01 - Pumpkin and Honey Bunny, Misirlou – Dick Tale e His Del-Tones; 02 - Ezekiel 25.17 – Samuel L. Jackson / Pulp Fiction, 1994]

[PCC – Primeiro Comando da Capital, facção Criminosa, executou ataques terroristas no Estado de São Paulo durante a semana de 7 a 17 maio de 2006, e que ate agora, resultou em mais de 100 mortes, entre policiais, criminosos e civis]

[Ezequiel 25.17, é um trecho do filme de Quintin Tarantino, Pulp Fiction, 1994, que Vincet Veja (John Travolta) e seu comparsa Jules Winnfield (Samuel L. Jackson) matam outro criminoso, mas antes disso, Jules recita Ezequiel 25.17]

Por Fernando Katayama, New York, NY, May 18 2006

Tuesday, May 09, 2006

Manha de Garoto

Índia - Ghandi fez greve de fone, lutou contra a colônia britânica. Fez um legado. Hoje é um mártir.
Tibet - Dalai Lama passa dias sem comer para purificar o espírito.
Brasil – Faz jogada publicitária. Já tinha feito antes ao se juntar com a Igreja Universal. Fez Nepotismo e colocou até a mulher no seu lugar.
Garotinho faz birra. Não quer passar a limpo as acusações a ele feita, no devido lugar, na Justiça. Por pior que seja, ela ainda existe no Brasil.
Não, ele que chamar a atenção da mídia em uma jogada para a campanha eleitoral que pretende fazer. Faz greve de fome. Uma idiotice.
Talvez queira se fazer de coitado. Talvez, queria mesmo é emagrecer e viu uma grande oportunidade de aparecer.
Enquanto o Brasil passa por uma crise nunca vista antes, fica fazendo manha e bico, gritando “eu também quero” e “ele tem, mas eu não tenho, eu quero!”. Coisa de criança.
Quer mesmo é entrar para a Máfia do Planalto, mamar nas tetas do povo e viver a boa vida de fazer nada e ganhar muito, dizendo que esta fazendo política.
Imagine só o Garotinho presidente e fazendo greve de fome para resolver uma questão política, coisa mais ridícula.
Enquanto o Governo e o PT se sujam mais ainda tentando se limpar da merda que fizeram e Garotinho faz birra digna de um garotinho mimado, os brasileiros assistem a tudo isso, boquiabertos sem saber muito bem o que fazer, mais uma vez. Uns dizem para resolver nas urnas, só se for queimando-as.
Pior, de tão mal conduzido, o Brasil esta ficando na mão de paises vizinhos como a Bolívia e o índio louco Evo Morales, mesmo com as grandes reversas naturais que temos.
E para ajudar a greve de fome do Garotinho, ainda pode faltar gás.

[música do texto: Old Devil Moon, Jamie Cullun – Twentysomething, 2004]

Por Fernando Katayama New York, NY, 09 may 2006

Tuesday, May 02, 2006

Corteo

Andavam todos cabisbaixos. Em fila dupla, um atrás do outro. Passos curtos marcados pelo som surdo do tambor. Alias o único som que se podia ouvir. A cada toque, um passo. Lentos caminhavam.

Parecia sombrio.

De repente uma luz brilhante apareceu. Intensa de doer os olhos, focava em um sujeito nem alto nem magro, ligeiramente acima do peso, barrigudo. Vestido cartola e um fraque vermelho. Começou a falar alto, “Senhoras e senhores...”.

E em um estalo, músicos começaram a tocar. A fila se desfez.

Era uma alegria geral tomando conta de todos por lá. Balões coloridos voavam. Dançavam todos. Alegres faziam palhaçadas. Água em um, balde de confete em outro.

A pequena mulher voava amarrada em gigantes balões. Via tudo por cima. O gigante homem brincava com um tão pequeno que cabia em uma garrafa.

Meninas-anjo voavam de um braço a outro em homens-trapezistas.

Malabaristas impressionavam com a habilidade no manuseio dos seus malabaris. A mulher-aranha agarrada na corda bamba, delicadamente despejava purpurina nos que estavam embaixo dela. Piruetas mortais faziam alguns amarados em pedaços de sedas.

Mais uma vez, aparece o homem de fraque vermelho. Assustado pergunta “não deveria ser um cortejo?”.

Alegres, todos respondem em coro: “sim! Mas esse é o palhaço”, e continuam a festa.

Quando eu morrer, se for para morrer, quero morrer como o palhaço. Dando risada da vida e com muita festa.

[música do texto: Alegría, Cirque du Soleil]
[Corteo é o nome do espetáculo apresentado pelo Cirque du Soleil em 2006]
Por Fernando Katayama, New York, NY, 3 May 2006

Sunday, April 23, 2006

The Weather Man

Chove, faz frio. Noutro dia, sol e calor. Às vezes, indica tempestade. Tempo encoberto. Pressão alta, pressão baixa, provocando instabilidade passageira.
É parece o homem do tempo, e esse filme eu vi outro dia: “The Weather Man”, com Nicholas Cage e Michael Caine.
Comprei meio sem pretensão, no pay-per-view. E só apertar alguns botõezinhos e pronto, o filme aparece na tevê. Tava lá no Menu. Nicholas Cage... Michael Caine... É parecia ter bons ingredientes. Não sabia do que se tratava.
O filme sobre o cara da previsão do tempo. Filho de um famoso escritor. Menos prezado por todos. Alvo de agressões na rua. Dono de um sorriso chato. O “homem do tempo”. Odiado. Perdido. Enfadado.
Mas o que tem esse filme para eu comentá-lo aqui? Nada de mais. Simplesmente gostei.
Gostei da evidente simbologia com o arco e a flecha. A flecha, o arco e o alvo. Aprendizado. Concentração. Objetivo.
Mas o que mais me chamou a atenção foi sobre o respeito que temos que ter, antes de tudo, com nós mesmos. Sim, antes de brigarmos com o mundo pedindo respeito pelos mais “fracos”, devemos brigar pelo nosso próprio respeito, e então, passarmos a sermos respeitados, se não for e se for, passar a ser mais respeitado.
Outra coisa importante é a busca pelo seu lugar. Todos nós pertencemos há algum lugar, resta-nos encontrar. Devemos procurar por ele.
Enfrentar as incertezas e abandonar algumas verdades que nos mesmos criamos, achando que é assim que é para ser. Aceitar o que se é e encontrar o lugar para isso.
Como Michael Caine diss, “às vezes é preciso escrever besteira, para a vida, tornar-se mais interessante e descompromissada”.

[música do texto: Bonita, Morelenbaun e Ryugi Sakamoto - Casa]
[“The Waether Man”, 2005, Gore Verbinski, EUA]
Por Fernando Katayama, 23 april 2006, New York, NY

Thursday, April 13, 2006

Enquanto isso, o Brasil vai pro espaço

Acabou a aventura espacial do Capitão Marcos “Kirk” Pontes. Lá de cima fez experimentos com feijões. Viu a Terra azul. Sorriu.
É um grande passo para a aviação nacional e para o Programa Espacial Brasileiro. Coisa de suma importância. Foram gastos na jornada, dez milhões de dólares. Mísera quantia para os bolsos brasileiros.
Enquanto o astronauta brazuca, tinha seus dias de Apollo 11, falando em russo, sem tecla SAP, o Brasil, continuou no seu curso. Não mudou a rota, não saiu da trajetória e continuou na mesma atmosfera.
Todos nós sabíamos que os únicos discos voadores que veríamos, seriam das pizzas das CPIs. Todo aquele show, Bob Jeff, dando aula de retórica em cadeia nacional; motorista, que se fingia de morto, mas escutava tudo e resolveu abrir o bico; Zé Dirceu, saindo; Agora vem essa do caseiro com conta aberta e o Palocci [como eu já tinha dito, ver artigo “Boi de Piranha], jogado as piranhas, para não queimar o filme [?]. De nada adiantou.
O Brasil continuou sua trajetória. Diferente do capitão Kirk, em Jornada nas Estrelas, o celebre seriado, imortalizado pelo Spok e suas orelhas pontudas e inteligência Vulcânica, o Brasil vai indo para um lugar já muito conhecido.
Lula com suas orelhas pontudas, e não é de inteligência, governa o país como um marciano, lunático, sei lá, porque parece não ver as realidades nacionais. Preocupa-se com a reeleição e só.
Investiu dez milhões de dólares no projeto espacial, enquanto aqui, tudo esta indo pro espaço. Falta educação, respeito, berço. Sobra marginalidade, desemprego, falta de oportunidade. E dez milhões foram pro espaço.
Não sou contra pesquisa. Muito pelo contrário, apoio. Mas o governo tem que ver as prioridades nacionais e atacá-las com severidade, afinal, não temos dinheiro saindo pelo ladrão da caixa d’água, temos dinheiro saindo pelo ladrão da máquina política brasileira.
Li dizer outro dia, em uma revista de porte nacional, que o Brasil esta querendo entrar na Era dos Submarinos Nucleares, para defender nosso país de futuras improváveis invasões.
Para mim, na verdade, esta mesmo é se preparando para onde está indo: para o brejo.

[música do texto: Plut Plat Zum – Raul Seixas]
[Nota: leia também “Onanismo Presidencial”, neste blog]
Por Fernando Katayama 10 apr. 06

Sunday, April 09, 2006

Resposta a Sebastião Maria

Não sou de direita, não sou de esquerda, talvez Centro. Não sei.
Minha posição política independe de que lado é, quero a política nos modos dos Fóruns Gregos, democracia, como o próprio povo diz, para o povo. Mas essa meu posicionamento político não me impede de fazer uma leitura do mundo, mesmo sem ter lido, a Blíblia toda, todas as obras de Marx, de Lênin. Não li também a bibliografia de Clinton, Mussolini ou do FHC.
Uso do meu senso, do mundo que vivo, dos outros mundos que conheci.
Vejo na política brasileira um retrato fiel de um povo despreparado. Acéfalo. Muitas vezes mal intencionado. Os políticos que ai estão, e fazem a política que fazem é um reflexo do nosso povo. Povo sem educação, tanto a formal como a do berço, povo sem poder de crítica, sem formação. Um povo em desespero para ter um rumo. A ganância da camada política, e tanto faz a bandeira que empunha, aumenta a miséria do nosso país.
Assim, quando você se refere, a que lado político estou isso pouco importa uma vez que, a Esquerda quando vira Situação, já não é mais de esquerda, pois passa a pertencer à camada dominante e burguesa, como você pode notar no Governo Lula, e esse até brigou com a “ala radical”, por fazer o que ele tanto atacará no passado.
Minha crítica é exatamente sobre o “operário que virou presidente”. Não tenho nada contra, se esse tivesse feito um bom governo. Acho que a possibilidade de poder mudar de “status social” é uma grande coisa, e todos almejamos por isso.
Mas não tenho dó, não vejo com olhos paternalistas. Discordo com o posicionamento o qual o Lula conduziu o país, talvez, melhor dizendo, a falta de posicionamento.
A exaltação ao “menos”. “Eu sou analfabeto”, “eu não tive escola”, “eu não tive dinheiro”, e “agora cheguei a Presidência”. Simplesmente não concordo, a ode à ignorância, à pobreza, ao apelo a dó. Lula, continua dizendo que o país precisa de ajuda dos “ricos” para sair de onde está. Discordo mais uma vez. Temos que usar os nossos próprios recursos, ao invés de esperar sempre a ajuda dos outros. O assistencialismo que o Lula prega nos coloca sempre na posição de coitadinhos. Talvez mais um reflexo do povo.
E como você mesmo disse, “...como se um presidente operário, sem dedo, preparado no decorrer da vida, pela inteligência do PC, não soubesse de nada, e você o Sabidão...”, e essa é exatamente minha crítica, como um Presidente não sabe nada? Você disse que ele sabe, eu também acho que sabe. Em um país sério, ele já não teria mais a mínima governabilidade.
E se eu sou o Sabidão, agradeço o elogio.

[música do texto: Essa tal de Tequila – $enhor $ucesso - Velhas Virgens]

[resposta a meu tio Sebastião Maria, que deixou um comentário ao texto: “Engolir não é nada, ruim é na hora de sair” 06.04.06.]

Por Fernando Katayama, de New York, NY, 07 April 06

Thursday, April 06, 2006

Engolir não é nada, ruim é na hora de sair

O nojo esta instaurado no país. Imagens da gorda-porca dançando no plenário comemorando a não cassação do seu colega. Pulava de alegria, com a cara lavada, sem a cor rubra do partido, que a colocou lá. Vibração de final de Copa do Mundo. No mesmo lugar, mas em outro dia acontecia de novo a mesma cena grotesca, só mudará os personagens.

Dá nojo só de pensar nisso, ver é escatológico.

Depois do ato, a imprensa registra e cai em cima, então tentam justificativas vans. Isso ou aquilo. Tanto faz.

Sim, tanto faz. Tanto faz porque a vibração desses indivíduos é um pedacinho do lixo todo. Talvez o pedaço mais alegre, talvez o mais cômico, mas com toda certeza, lixo igual.

Faz-me pensar é o porquê que temos tantos corruptos e curruptados. Hoje li, que a OAB, agora as vésperas de eleição, quer o impeachment do Presidente Lula. Acho que a OAB, a sociedade, a imprensa, os intelectuais, eu, você, todos nós tardáramos. Agora é melhor esperar a eleição. Tirar o Presidente agora é arriscar o pouco que o país tem em credibilidade e força internacional de um país acéfalo.

Iniciar o movimento de impeachment é uma manobra política de alto risco. A oposição deve temer a re-eleição do Lula. Coisa bem provável.

Lula talvez tenha tido o sonho de sonhador, de mudar o país em um piscar de olhos. Desnumbrou-se com o Palácio do Planalto, como criança com brinquedo novo. Perdeu o controle e deixou o país a mercê de mercenários.

Agora somos obrigados a engolir, essas imagens grotescas, tal como da gorda-porca. Engolir o pouco poder das CPI’s, que pouco fizeram, e o que fizeram tem pouco efeito. Engolir os poucos cassados e pior ainda, engolir os mensalões, mensalinhos, e mais que isso, os acordões dentro da Câmera. Ouvir que o Maluf vai se candidatara novamente. Que o Garotinho é um homem forte para ser Presidente. E talvez tenhamos que engolir o Lula novamente.
Quero ver é na hora de sair.

[música do texto: Saia de Mim – Titãs – Tudo ao Mesmo Tempo Agora]
Por Fernando Katayama, New York, NY – 06 April 2006
Desculpas aos meus leiores, mas impossibilitado de postar novos textos por motivo de viagem, volto agora a escrever semanalmente.

Wednesday, March 22, 2006

Esse Falcão para mim é Pardal

Assisti o documentário do Falcão. Foi meio sem querer. Madrugada, zapeando a TV e acabei vendo. Nem sabia do que se tratava no começo. Resolvi esperar para ver.

E no final, é muito bom o documentário do rapper MV Bill e do produtor de hip-hop Celso Athayde. Até então, na minha mais pura ignorância, jamais tinha ouvido falar dos tais aí. Eles fizeram o tal documentário. É bom. Mostra para quem não sabe, a dureza que é a vida da favela do tráfico, da vida miserável do morro, da morte antecipada na juventude marginal e por aí vai. Pena que TV não tem cheiro, porque isso tudo aí fede, e ia ter gente saído da frente da TV para vomitar. É, dá nojo. Mas assim é a vida na favela.

O impacto desse documentário foi alto. Produzido pela Rede Globo, foi ao ar em horário nobre. Pegou a classe média de baciada. Não era por menos. Fantástico, domingo à noite, dia de pizza com a família e umas cenas violentas na TV, mostrando o nosso vizinho.

Mas o documentário não mostrou nada de novo. Violência. Guerra de traficante. Vida miserável. Falta de oportunidade e a oportunidade no crime. Menor abandonado. O desleixo da sociedade. O que mais? Tudo que você já está cansado de ver e ouvir. Não trouxe nada de novo. Isso nós já tínhamos visto no excelente documentário “Ônibus 174”, de José Padilha, 2002. Mesmo assim, o “Falcão” é um bom documentário.

A repercussão de alguns “experts” no assunto são as mais óbvias do mundo: falta de uma família estruturada. Falta de programas para diminuir o tráfico. E assim vai.

Mostra que estamos fazendo a pergunta errada. Ou não estamos fazendo a pergunta certa. Podemos produzir milhões de horas sobre a miséria do nosso país. Podemos falar da prostituição infantil no Recife. No tráfico de crianças em Fortaleza. Da violência urbana de São Paulo. E sempre estaremos fazendo a mesma coisa: mostrando o que já sabemos. Estaremos nos perguntando a mesma coisa em todos os temas. É o samba de uma nota só. É preciso modificar a pergunta, para encontrar, talvez, as muitas respostas.

Não vou entrar no tópico da corrupção do governo, das forças policiais, do Judiciário, se não, não tem fim. Farei só 3 perguntas para os temas do documentário “Falcão”, se não fico louco.

Tráfico: O que tem de comum entre as máquinas de escrever Olivetti e o trafico de drogas?

A Máquinas Olivetti chegou a ter 90% do mercado das máquinas de escrever, até meados dos anos 80, quando surgiu então, o PC. Acabou a demanda por máquinas de escrever. A Olivetti quase acabou, e hoje, tenta se refazer. Com o fim das máquinas de escrever acabaram também o datilógrafo e os cursos de datilografia. Mas espera um pouco, o que tem isso com o tráfico de drogas?

Simples. É um exemplo de demanda. Não tem demanda, não tem mercado. Em vez de ficar tentando acabar com o traficante, que é como tiririca de jardim, arranca um vem dois (morre um traficante, surge dois querendo tomar o lugar dele), colocando polícia e até ultimamente o Exército, o negócio é trabalhar a demanda. Deixa o traficante lá, acaba com o comprador, o traficante vai ficar com o estoque alto, o preço aí, para de ser lucrativo e diminui o tráfico. Não adianta artista fazendo propaganda na TV contra o uso da droga, se como diz a música: “vem malandro, vem plaboy, vem atriz para comprar comigo”.

Porque é que existem tantas famílias desestruturadas? De onde vem tantas crianças para trabalhar no crime e porque?

O Brasil é um poço da falta de oportunidade. Um gigante mergulhado na ignorância e na falta de educação. Combustíveis para a sociedade desestruturadas. É uma questão econômica. É preciso reduzir o número de famílias assim. Só tem um jeito, não deixar que se formem.

Como os entendidos do assunto dizem, a grande causa é a família desestruturada. Dela o ciclo é vicioso e para trás. Nasce na família sem estrutura familiar, sem pai, sem mãe, sem condição, sem escola, sem oportunidade. Vira bandido e tem filhos. O pai morre, a mãe some, o filho fica sem educação, sem oportunidade, sem casa. Esse moleque aos 15 tem um filho com a filha da vizinha, 15 anos também. Mas aos 17 ele morre na boca em que vendia coca, a mãe, de 17, não trabalha. O filho cresce e aos 8 está no crime, a realidade que ele conhece. Aos 15 tem um filho, e por aí vai.

É preciso acabar com essa estrutura familiar, não deixando que ela aconteça.

Já da para entender de onde vem à garotada do crime. É o único meio que eles conhecem. Dá dinheiro e poder, apesar de ser uma carreira curta. Mas com sorte, o plano de carreira do tráfico, você pode até a chegar à chefia uma boca. Os caras são muito bem estruturados e a hierarquia produz um plano de carreira tentador. Os traficantes também usam da lei para recrutar crianças. Sabem que não da nada, porque a legislação alivia. Criança não é tratada como criminoso mesmo que o crime seja hediondo.

Fico pensando aqui, se ao invés de investir 5 bilhões de reais no bolsa-família, não seria melhor investir 5 bilhões em bolsa-laqueadura. Inverter o incentivo, ao invés de dar dinheiro pelo número de filho, dar dinheiro para o menor número de filho. Fazer um plano de incentivo de acordo com a renda familiar e incentivar a fazer a laqueadura e a esterilização e legalizar o aborto.

Fazer filho é fácil, difícil é educar, manter e criar.

É hora de mudarmos as perguntas.

[música do texto: Cocaine Dreams – 50 Cent]

Por Fernando Katayama 22 mar. 06

Thursday, March 16, 2006

Homens-folha

Homenzinhos vestidos de folhas. Enfileirados como formiguinhas. Fila indiana. Vão eles andando com cara de espanto, sem saber muito bem o quê fazer. Vão subindo. Mandaram fazer, estão fazendo. Uns apontam para um lado, outros para o outro lado e alguns nem sabem onde estão. Passeiam por dentro da Mata Atlântica. Vão subindo os homenzinhos vestidos de folhas.

De um lado os Sujos, de outro, os Homens-folhas. Trocam farpas. Um tem a cara do outro. São todos meio-irmãos. Confundem-se pela semelhança física, pelo corpo franzino, diferenciam-se só pelo uniforme. Um de Homem-folha outro de Nego-favela.

E assim foi a tomada do Exército Nacional nos morros do Rio de Janeiro. Coisa patética. A revista Veja, encontrou justificativas na lei para a ida dos milicos ao morro. Fizeram de ordem legal, não nego, mas talvez imoral. Ao meu ver, parece o primo pobre do Bush: usou uma desculpa esfarrapada para tomar uma ação militar. Dizer que foram atrás de 11 fuzis e 1 pistola tenha dó, já foi roubado do exército de revolvinho até lança-granadas, e nenhuma atitude como essa foi tomada. Chamaram um contingente de guerra. Mais soldadinhos que no Haiti. Táticas e estratégias pífias. Tem coisa ai. Esse é o nosso Exercitozinho.

Cercou-se de mandados judiciais para que a ação não tome corpo inconstitucional. Mas não justifica, porque o Exército Brasileiro tem a missão única e exclusiva de defender o país e suas fronteiras. Roubo quem cuida é a policia.

Mas entendo assim:

· O que é meu ninguém tira. Vou lá buscar a qualquer custo.

Instaura-se a lei do bang-bang. Vira a terra sem lei. Tudo posso. Se tiram-me o que é meu, busco a todo preço. Vale para o Exército, vale pra mim.

· Pode ser uma jogada política para mostrar a ONU, que temos homens-folhas e sabemos o que fazer com eles, já que o Brasil quer uma cadeira no Conselho de Segurança.

Desse jeito vai ficar mesmo é só com o banquinho.

· Ou o Exército mandou o recado: se o governo e a sociedade civil não faz, nos fazemos: Foram lá e os crimes caíram em média 70%. Nos somos a solução.

País onde a baderna é total, a corrupção assola desvairada, falta de credibilidade nos Poderes, especialmente no Poder Judiciário, e as polícias coitadas, são um misere total, dá um prato cheio para uma ditadura armada.

A ida dos milicos ao morro mostra o total despreparo do governo para assuntos de segurança nacional. É a baderna institucionalizada.

Os Garotinhos parecem ficar brincando de trocar figurinhas.

Enquanto isso, o MST, que passou de movimento popular legítimo para movimento terrorista sem pé nem cabeça, toma o estado de Pernambuco.

No congresso, o professor Luizinho nos ensina a como roubar. Não há um só homem-folha, de fuzil na mão, para ir buscar o que é nosso por direito. Caixa dois não é mais crime.

Agora que os malacos do morro devolveram as armas, o Exército deve sair. O recado dos traficantes foi: “saiam do morro, tá atrapalhando as vendas, em troca, não assaltamos mais o Batalhão”.

Só posso concluir que estamos sendo governados por bandidos. Estejam eles nos morros ou no Congresso. E particularmente eu prefiro os do morro. Pelo menos, é evidente quem são os bandidos.

Por Fernando Katayama 16 mar. 06

Wednesday, March 08, 2006

Crash

Foi uma surpresa ou nem tanto. Todos esperavam que o filme tailandês de cowboy gay ganhasse mais estatuetinhas. Não foi bem isso que ocorreu. Hollywood esse ano, dizem os críticos, foi mais humano. Abordou temas voltados às necessidades humanas, as carências, aos temas da sociedade contemporânea, aos medos. Eu não sei dizer, não vi todos. Pouco importa também. Nem vi o porre da tal cerimônia.

Dessa vez, não teve mega-blockbuster. Spielberg, mais uma vez gastou o tempo falando de judeus. Acho que deveria voltar a falar de E.T. King Kong, o macacão milionário, e deixe claro, sem racismo*1, estou falando do gorila, não arrebatou muito. Foi “Crash – No limite”, de Paul Haggis, levou o título de melhor filme.

É um filme no mínimo incômodo. Edição e trilha sonora boa. Personagens fortes, mas o que é o melhor é o argumento.

Ao falar das mazelas da sociedade, seja ela em L.A. ou em S.P., é preciso ter um argumento no mínimo bom. Atacar o cotidiano não é das coisas mais simples.

Como mostrar para a sociedade a sua própria frieza? A indiferença entre morte e vida?

Negros, chineses, nativos, cada um por si. Violência dominante. Dinheiro e sensação de superioridade até que a arma mostra a fragilidade da grana. A raiva por raiva. Sonho por sonho. E maioria excluída.

Talvez por isso o titulo do filme – Crash. Não mostra segredos. Não faz suspense. É duro e transparente. Deixa os acidentes da vida entrelaçar as coincidências vitais.

Como romper isso tudo? A reconstrução através da total destruição? A ruptura com os padrões estabelecidos?

Até quando?

Crash: To break violently or noisily; smash.

[*1 Nessa semana um jogador de futebol, aqui no Brasil, foi acusado de racismo por xingar de “macaco” um colega de profissão]


Por Fernando Katayama 08 mar. 06

Wednesday, March 01, 2006

Verdade, mentira e morte

É acabou o carnaval. Mais um ano se passou, de batuques, peito e bundas de fora, gostosas e as nem tão gostosas assim. Camarote dos famosos e tudo mais. Filas nas estradas, sujeiras nas praias e multidão que volta para o cotidiano monótono.

Nesse carnaval eu não fiz nada. Nunca faço nada diferente do que sempre faço. Acho o carnaval chato. Resolvi então gastar um tempo com um dos meus passa tempo prediletos. Fui ao cinema.

Fui ver o último do Woody Allen, “Macth Point”. Entrei na sala escura achando que era uma comédia romântica, recheada de ironias e humor sutil, afinal é um filme de Woody Allen. Sentei na poltrona com o saco de pipoca e rodava o filme. Gostei muito desse filme ai.

Vi também o filme dos cowboys gays, de Ang Lee, “Brokback Montain”. E esse filme que esta dando o que falar, afinal ver um homem comendo outro, só em filme pornô de veado, no circuito, nunca. O filme é bom, gostei também.

O que será que tem em comum entre um filme e outro?

Um se passa no pasto, meio do mato, interior americano, anos 70, dois homens. Outro centro urbano, Londres, aristocracia britânica, inicio século 21, um homem, duas mulheres, uma delas gostosa. Há princípio nada.

Mas vejamos assim.

O filme de Ang Lee mostra o relacionamento amoroso reprimido de dois homens. Quebra o arquétipo Jungiano do Herói que estamos acostumados a ver, como em “terra de Malboro”, até com assobiuzinho, terra de homens fortes e cavalo e só. Nesse caso, ovelhas.

Como imaginar o herói dando o rabo? A sociedade conservadora choca-se ao ver. A sociedade ultra-liberal choca em ver-se por lá. A vida: dois homens reprimem-se e vivem a vida infelizes até morrer, todo herói morre.

Woody Allen aborda de uma outra maneira a repressão aos sentimentos e a verdade. Inverte o papel da mulher, na sociedade ocidental, onde o homem passa a viver as custas dos benefícios financeiros da mulher. Covarde, como quase todos os homens, vive a infelicidade com medo da verdade. Perde-se nas curvas da Scarllet Johansson, a paixão castrada. Ele não gosta do que faz, não gosta da mulher e aceita a vida e os benefícios que a posição trás. É infeliz. A mulher cornuda, finge não saber, mas para sustentar o sonho, manter a imagem, finge felicidade. A amante, podre, sem muita chance, vive a vida apaixonada, renegando a origem, imaginando sempre conseguir o homem de fato, engana-se sempre. Vivem na repressão aos sentimentos, vivem nas mentiras da vida.

O que há de comum então entre eles?

Entre a verdade e a mentira a melhor solução é a morte.

Mas será?

Por Fernando Katayama 1 mar. 06

Tuesday, February 21, 2006

Carnaval, um porre

Acabou! Acabou a fervura para ver o Rollings Stones. Acabou a fila para ver U2. Mas não acabou a euforia. Ainda resta o Carnaval. Carnaval uma das festas mais tradicionais do país. Coisa de louco.

Eu nunca gostei. Acho que sou chato. Existe e não há o que fazer.

Me resta:

Agüentar a Globeleza pulando na tv com as tetas de fora, sacudindo para um lado e para outro, como se fosse a coisa mais linda do mundo.

Agüentar o batuque infernal de quem não sabe tocar. E ainda o cara dizer: “olha a paradinha”. Sem contar o samba-enredo, e o grande puxador Jamelão.

Agüentar a molecada dizendo que “é bom para pegar mulher”, afinal o cara é um incompetente e só pega mulher uma vez no ano, no Carnaval. No resto do ano, cinco resolvem por um.

Agüentar alemão vermelho na praia, falando “zamba”, “carnival”, “molër pilada” e “caipiriina”.

Agüentar que todo mundo é de todo mundo e ninguém é de ninguém e é hora de tirar o atraso.

Agüentar os locos de pó, lança e lo-lo. Hoje de êxtase e doce. Bêbado vomitando no pé e para piorar, mulher bêbada, que fala cuspindo com os peitos esfregando na nossa cara, com cara de quem quer dar, mas é só tipo e fedendo bebida de segunda. Se homem bêbado é uma merda, mulher bêbada é merda potencializada.

Agüentar todo mundo dizendo: “vamos pulá, alegria, é Carnaval”, te obrigando a pular como idiota, fingir felicidade e dizer que comeu todas, afinal é Carnaval. E na verdade, você estava afim mesmo de ouvir música clássica e ler um livro.

Isso sem contar que as mulheres reclamam que são tratadas como um “léio*” de carne, mas no carnaval, não passam de um belo par de tetas e bundas.

E se quiser fugir para a praia, melhor ficar em casa.

Uns dizem que vale o feriado, mas cacete, então para que a putaria toda?

E se é pela putaria, bebedeira e pegação, qual é a diferença do final de semana passado?

[* leio: pedaço / O Brasil só funciona depois do carnaval]
[ você esta ouvindo a música "Gortoz A Ran, J'attends", sobre um novo mundo:
"...Will come back the blue wind To breathe my wounded heart

I will be pulled away by its blow Far away by its stream to another land

I will be pulled away by its breath Far away by its stream, wherever it wants

Wherever it wants, far away from this world Between the sea and the stars" ]

Por Fernando Katayama 22 fev. 06

Wednesday, February 15, 2006

Bolsas das Putas

É noite. Com na pouca luz do poste, encosta um carro. Nem luxuoso, nem velhaco. Com sua saia minúscula, curva-se na janela, insinuando-se ao motorista. Sente-se única, a melhor, a mais linda, a mais sexy. Mal vestida com sua micro-saia, seios a mostra, é um filé na noite. Pouco importa se chove, se faz calor ou frio. Lá esta ela com a sua surrada roupinha. Suja da rua, dos dias sem banho, negocia. Entra no carro. Volta em alguns minutos. Cinqüentão, programa completo e vintinho só boquete. Pelo tempo que demorou, não da para saber qual foi. Com a boca suja e corpo melado, volta para sua esquina à espera de mais um. Rotina de uma puta no baixo meretrício. Gira bolsa, gira.

E é assim que o governo trata nosso surrado povo. Como putas sem saída, em desespero. Paga R$ 63.00 pelo programa. Usa do desespero. O Brasil não é um carrão, mas também não é uma velharia cubana. Vivemos nas sombras do desenvolvimento e passamos muito tempo sem banho.

O governo Lula, emplacou na eleição passada com o discurso voltado pelo social e pelo Fome-Zero. Vai usá-lo de novo.

O atual governo continuou com projetos do FHC, cheio de bolsas. Unificou umas para centralizar as ações. Criou-se o bolas-daquilo, bolsa-fulano, bolsa-da-blosa, isso para a porção miserável e para a não miserável, já eram malas ou cuecas, com recheios bem diferentes.

O governo gastou uma cifra exorbitante que gira em torno de 5 bilhões de reais, distribuído para os miseráveis desse país. Coisa que vai de 15 a 95, mas na média, 63 reais. Um boquete.

É o tipo de ação ineficiente e ineficaz. Não resolve nada. Não ajuda. Só gasta. Sai pelos fundos do Cofre da Nação e talvez justifique em desvios de verbas. Certamente não resolve nada. Não adianta usar tapa sexo no carnaval, dá para ver tudo. A perversão é explícita.

Logicamente o governo não esta nem ai para isso. O apelo esta feito e é isso que interessa. Não é à toa que Lula, pelas últimas pesquisas, esta liderando entre as classes D e E, já corrompidas pela miséria.

Enquanto não tivermos políticas para desenvolver o país, sem paternalismos duvidosos, sem políticos que lutam para seus próprios benefícios e a Nação não tomar consciência que é preciso gerar riqueza e distribuí-la, continuaremos rodando a bolsa nas esquinas da vida.

Por Fernando Katayama 15 fev. 06

Sunday, February 05, 2006

Boi de Piranha

Passei alguns dias afastado da minha máquina. Em uma dessas chuvas de verão, dessas que cai água e tudo mais que se possa imaginar, deu um certo probleminha aqui e perdi, o que os “micreiros*” chamam de “executáveis”. Uma queda repentina de energia, deve ter sido um galho ou um poste que veio ao chão levando também a minha energia, provocou essa perda. Lamentavelmente ou talvez por sorte, fiquei seu meu computador, assim não pude escrever por esses dias. Se eu pensar bem foi ótimo, esqueci por um momento das coisas do Brasil. Agora, por conta própria, já consertei e cá estou eu de novo.


Como não poderia deixar de ser volto ao cenário político. Nesse tempo todo que fiquei fora, e nem foi tanto assim, uns 15 dias, notei que um certo nome vem aparecendo muito nas capas dos principais jornais e noticiários do país. O não menos língua-plesa, Palocci, ou Palófi, como queiram. Intrigou-me.


Porque o único homem que saiu dessa crise-pizza [porque é grande, meia show-pizza, meia séria-mascarada. E já tem pizzaiolo ai, inventando o pizza-terço. Cena: domingo à noite, o cidadão e sua família, na tradicional pizza dominical [e pode ser delivery]; “oh me vê ai uma grande, terço show, terço mascarada e terço eleitoral”], esta aparecendo tanto?


O sr. Palófi, parecia ser “o cara”. Honesto. Cara de mortão. Ar de seriedade. Fala pouco. Só ele saiu de santo. Tentaram até atacá-lo, em vão.


A pergunta me persegue: “porque é que agora o cara tá na evidência?”; “Porque o Lula que chegou a Presidência sem um dedo e durante a crise sacrificou até seu braço direito, e provavelmente, o cérebro, estaria agora sacrificando mais um membro seu?”


Deve ter pensado “antes ele do que eu!”.


Ah! Mais isso é um pensamento muito simples para uma cabeça caipira-analfabeta como a do Lula. Tem coisa ai por trás.


Palófi, esta sendo sondado para ser, conforme for o andar da carruagem, o novo PTeleitoral. Falam isso, falam aquilo. E ele lá, negando. Se perguntarem se ele é filho da mãe dele mesmo, é capaz até de negar. O mesmo acontece com o Lula.


Para mim é uma ação de ataque do Lula. Lula que anda visitando os cafundós já em sua “adormecida campanha branda” e aprendeu certas coisas com os pantaneiros do Mato Grosso. Aprendeu o “Boi de Piranha”.


Vejam só. Enquanto os tucanos se pavoneiam e se despelam. Serra tenta ser o “correto” e o Alckimim tenta encarnar o JK. E o Lula que chega ao final do seu mandato, sem dedo, sem braço, sem cabeça, com escoriações, assiste tudo de longe, mas de binóculos e sem fazer muitos movimentos.


Enquanto isso, ele arremessa o Palófi para as piranhas, assim como os pantaneiros, que para atravessar um rio abarrotado de piranhas, sangram um boi, para passar com a manada. No final, os dois tucanos depenados vão ver o Lula atravessar o rio as custas do Palocci.


[micreiro é um tipo de ser pseudo-humano-chip que surgiu em meados dos anos 80, no inicio da era da informática, e se estabeleceram como uma tribo. São todos aqueles que de certe forma “conversam” com suas máquinas. Falam de bites, bytes, mega e gigabytes com tamanha trivialidade]

Por Fernando Katayama 5 fev. 06

Saturday, January 14, 2006

Retrovisor Gay

Passou a euforia das malditas compras de Natal. Passou a onda do “feliz ano novo”. Passou o coçassão de saco merecida das férias do recesso natalino-ano-novesco. Toda a maravilha dos fogos de artifícios. Do brilho à fumaça e dor no pescoço. Pronto acabou! Estamos agora na espera do carnaval. Festa tradicional brasileira que eu particularmente detesto, mas há quem goste e decore até o samba-enredo-repetitivo-chulo-ruim da escola do terceiro grupo ou os que ficam a noite toda zappiando a tv à procura de alguma gostosa peituda de bunda de fora e pode até mesmo ser um travesti ou um homem pseudo-gay vestido de mulher, que tá valendo, afinal, é carnaval.

E como eu venho dizendo nada muda. Até eu estou sendo repetitivo, caindo na minha própria armadilha, a repetição. Mas convenhamos que para escrever sobre coisas, coisas novas tem que aparecer. Alguém vai dizer que eu que to olhando só para um lado, certamente é verdade, afinal com é que eu vou olhar para todos os lados de uma vez só? Mas enfim...

Esta aberta a temporada de caça para o novo presidente da republica dos bananas. Começaram as frouxas ladainhas republicanas de uma democracia fraca. De um lado o governo petista que tenta de limpar da merda que o cobre. De outro, a oposição também cheia de merda. Os dois discutindo quem é o mais limpo, quando não há o mais limpo, e sim o sujo igual.

Agora estão com essa de dizer que o GETON, não é certo. Mas logicamente eles sabiam quando aprovaram e achavam certo, mesmo que as cadeiras da Câmara ficassem vazias ou fosse para votar projetos idotas. Isso mostrou que existem três tipos de políticos aqui no país. Tipo um: honesto-aspas. Tipo dois: Hipócrita. Tipo três: gay.

Se você pensou que o honesto-aspas é aquele que resolveu doar seu 14º salário, equivale a R$ 25.000, pelas sessões extras da câmara, errou. Honesto-aspas foi aquele que disse que não ia dar nada para ninguém, que o salário é certo e que não torrem os picuás dele. E pior que o cara tá certo. Esta na lei. Foi aprovado. E tudo mais. Se eu concordo, não vem ao caso, mas eu não concordo. Logicamente as aspas são essenciais nesse ai.

Ai me pergunta: “quem é o hipócrita?”. Simples. É aquele que disse que doará ou não pegará, o salário desse ano. Pura demagogia e engodo em ano eleitoral. O país passa por essa devassa corruptiva e é um bom slogan em época de eleição: “eu não peguei, doei a quem precisava, pobres coitadinhos”. Mas não disse que dos outros anos todos pegou. E que o investimento de 25 mil é pouco para o retorno de mais um mandato. Pura hipocrisia. Se fosse sério, aprovariam um projeto de lei que acabaria com as mordomias, ajudas e tudo mais, inclusive esse salário indecoroso.

E o gay? Bem, gay é uma coisa e tanto. A união do macho com a fêmea, em perfeita sintonia dentro de um corpo só. Gay é aquilo que é mas não é. Gay é uma coisa que parece ser mas no fundo não é. Gay é louco e desvairado. Gay não liga para nada e quando morre vira purpurina. Então quem é o político gay?

É aquele que dá para se livrar da foda. É aquele que não assume. E para finalizar, joga para os dois lados, dependendo onde é que ele tem a possibilidade de dar sem sentir dor.

Esse será o ano de eleições. A rede Globo já prepara o terreno com a série “JK”. A revista Isto É disse: “de olho nas urnas, candidatos se águam pelo retrovisor da historia e tentam encarnar JK, só falta um plano para alavancar o país”. Por isso o Brasil tropeça tanto, esquece de olhar para frente e ver para onde esta indo. O brejo esta perto.

[Honesto-aspas para quem não entendeu: “honesto”. Fonte: Revista Isto É, 11 de Janeiro de 2006, n° 1890, páginas 40 – 53]

Música: Genuíno pedaço do Cristo, André Chirstovam, Mandinga, 1989 - Nem Cristo Redentor tá salvo!!

Apartir dessa semana, uma musica acompanhará. Se vão ou não ter ligação com o texto, eu não tenho a menor idéia. Espero que gostem.

Por Fernando Katayama 15 jan. 06

Sunday, January 01, 2006

Ano Novo? Sua Decisão

Acabo de receber esse texto. Veio por e-mail. E é incrível, agora nesse exato momento é 1 hora e 12 minutos do dia 1º de Janeiro de 2006.

Alguns minutos atrás, comi um delicioso pernil preparado por mamãe e com toques meus. Estava com o computador ligado esperando um contato pelo Skype, maravilhas da Era tecno-informativa, quando recebi essa tal mensagem. Mensagem de um amigo. Não me contive em sentar à frente da minha máquina e responder a ele. Era uma mensagem de final de ano, um pouco diferente dessas tantas que entupiram meu e-mail nesses dias. Vou reproduzi-la aqui com a minha resposta.


O e-mail à mim
enviado pelo meu amigo:


INSTANTES


Se...


Pudesse viver
novamente minha vida...


Trataria de
cometer mais erros.



Não tentaria ser tão perfeito,me
relaxaria mais.


Seria mais ingênuo
do que fui, de pronto trataria pouquíssimas coisas com seriedade.


Correria mais
riscos. Faria mais viagens, contemplaria mais entardeceres, subiria mais
montanhas, nadaria mais rios.


Iria a lugares
onde nunca fui, tomaria mais sorvetes e comeria menos favas; teria mais
problemas reais e menos imaginários.


Se pudesse voltar
ao passado, trataria de ter apenas bons momentos.


Pois se não sabem,
disso é feito a vida, somente de momentos.


Se pudesse voltar
a viver, começaria a andar descalço no princípio da primavera e seguiria
assim até concluir o outono.


Daria mais voltas
em carruagens, contemplaria mais amanheceres e jogaria com mais meninos,
se tivesse outra vida pela frente.


E de Fernando
Pessoa, o desfecho:


"Valeu a pena?
Tudo vale a pena se a alma não é pequena"



[mensagem do meu
amigo]


“Quaisquer que
sejam seus planos, desejos e sonhos, reafirmo a disposição em contriburir
durante todo 2006 para suas novas conquistas. Estar ao seu lado e
participar de seus projetos é aproveitar o tempo, a vida.”



Minha resposta ao
gentil e-mail do meu amigo:


INSTANTES ANTES


Como...


Posso viver
totalmente a minha vida...


Cometerei mais
erros.


Não tentarei ser
tão perfeito. Relaxarei-me mais.


Serei mais ingênuo
do que fui e sou, de pronto tratarei pouquíssimas coisas com tamanha
seriedade.


Correrei,
certamente, mais riscos. Farei mais viagens, curtas, longas, com ou sem
planejamento.


Contemplarei mais
entardeceres e amanheceres. Subirei mais montanhas, nadarei mais rios.



Irei a lugares onde nunca fui, e
voltarei há lugares que já estive, para rever velhos amigos, tomarei mais
sorvetes e comerei menos favas, mas me esbaldarei em mel.


Terei mais
problemas reais e menos imaginários ou conjecturas vans.


Como posso voltar
ao passado, tratarei de ter apenas bons momentos. Deixarei nossa mania, de
lembrar mais dos desastres do que das alegrias, de lado.


Para recordar do
passado com o olho no futuro.


Pois se não sabem,
disso é feito a vida, entre o nascer e o morrer, somente de momentos.


Estou vivo então,
começarei a andar descalço no princípio da primavera e seguiria assim até
concluir o outono.


Porque no inverno,
vou esquiar.


Darei mais voltas
em carruagens, contemplarei mais amanheceres e jogarei com mais meninos,


Mas um dia
morrerei.


Então, se pudesse
voltar ao passado se tivesse outra vida pela frente, repetira toda ela de
novo!



De Fernando Katayama


[o inicio da minha resposta]
Até quem fim alguém me enviou algo que prestasse nesse final de ano!


Pelo menos você ouviu meus apelos e modificou alguma coisa!


Fernando Pessoa, não sei se por coincidência ou por ser homônimo, é um cara para lá de fantástico!

Não vou repetir aqui, as baboseiras de final de ano, porque ano nunca acaba, a não ser o fiscal. O nosso ano não acaba porque é um eterno crescimento. Só há duas datas em nossas vidas, que marcam realmente o inicio e o fim. É o nascimento e a morte. O resto é o meio, tão importante quando as duas outras, porem de limite atemporal, dentro do curto espaço de tempo comprimido entre nascer e morrer.

Assim sendo acredito que o importante desse meio, é a consistência sólida das histórias da vida. Penso então um pouco diferente do seu texto, uma vez que não estou morto, exemplifico assim: [volta ao início]

[Skype, é um serviço de VoIP. Ligações de baixo custo usando protocolos de Internet para voz.]

Por Fernando Katayama 1 jan. 06

Sunday, December 25, 2005

Pré-visões

Esta aberta a temporada! Durante os próximos quinze ou vinte dias vamos ficar ouvindo as balelas visionárias que tentam nos empurrar.

Inúmeros visionários vão definir o futuro. Búzios, tarôs, cartas, mão, energias cósmicas. Todos os artifícios para a dedução mágica!

O Pai Oxalá, Urubu-do-Bico-Curvo, grande mentor do Terreiro Olho, vestido todo de branco, parecido com baiana da lavagem do Bonfim, já que as baianas, que não são as de lá, usam roupas tão curtinhas que não tapam nem a mais singela celulite, diz: “Um grande homem irá morrer nesse ano. Um homem importante. Não posso precisar a data, mas será entre março e novembro, no máximo em outubro”.

Em um lugar não muito distante, Mãe Jurupoca, com o seu característico olhar torto, joga os búzios, com cara de espanto: “É... as coisas não parecem melhorar ainda... haverá muito briga em uma casa grande aqui no Brasil... alguns grandes se esfacelarão, enquanto outros, aguardam a carniça”.

Em uma tenda, cartas de tarô. Uma senhora gorda, de vestido vermelho, puxa as cartas. De cara, olha atravessado. “hummm, moeda quebrada... é... não haverá muito dinheiro no bolso...”
E por ai vai... Até o nosso presidente já fez as sua previsão, prevendo o cenário político do ano que vem. E o Palocci também fez a dele [preferia ele sem falar nada, mas não se conteve], disse que iremos crescer 5%. Mas ele já falou isso outro dia... Uma hora a de acertar.
Eu farei aqui então as minhas:

A economia, vai ficar nessa merda. Não vai pra frente. Via ficar esperando as eleições. As briguinhas partidárias, vaidosismos, jogo de influências, manterão tudo na mesma.

O Brasil continuará acéfalo. Sem governo. Sem políticas de crescimento. Sem estratégias definidas. Sem norte algum. Esperará o ano começar, em março, depois do carnaval. Enquanto isso, nada acontece. E quando acontecer, terá acabado o ano mais uma vez.

Passarão as eleições e serão idênticas as outras. Uma merda de um lado e outra merda do outro. Somando as duas, nesse caso, 1+1= talvez dê 1! De semelhança entre as duas: falar e nos tratar como merda.

Bem, também terá uma novela na TV, onde terá pelo menos um casamento, um assassinato, um atropelamento, um casal polêmico e logicamente, o vilão vai se fuder!

E o ano terminará com a musiquinha hit da Globo: “hoje a festa é nossa, hoje a festa é tua, e de quem quiser, quem vier...” Mas não nos deixam entrar e não dividem o bolo.

E isso tudo, a gente já viu!

Por Fernando Katayama 25 dec. 05

Tuesday, December 20, 2005

Jingle Bells

Lá vem vindo. Roupas vermelhas. Cintas pretas. Botas pretas. Gorros. Alguns adereços brancos. Invariavelmente a barba, mesmo que postiça. É um exército vermelho visto de longe. Uma legião vermelha. Vem em fúria e o barulho é ensurdecedor. Chega a dar medo. Marchando vão dominando a cidade e impondo a vida.

Não querem saber. Será assim e pronto. Impositivo. Verdadeira tirania. Invadem todos os cantos da cidade, até os mais sombrios. Entram nas nossas casas sem permissão. Fazem o que querem. Dizem que é para o bem, e praticam então, a lobotomia. Pratica muito usual nesse tipo de sistema.

Não pensem vocês que eu estou falando de um exército vermelho comunista ou algum tipo de guerrilha separatista. Não! De modo algum.

To falando mesmo do exército de papais Noel que invadem a nossa vida todo maldito ano. Na rua, no out-door, no rádio, na Tv, porra... Em todo lugar! Todos vestindo a mais chula das roupinhas de papai Noel, escorrendo suor da cabeça, com aquele gorrinho. Nada mais oportuno do que ficar de gorro no verão!

Somos bombardeados pela indústria do consumo. Celulares e eletrônicos estão no topo da lista de desejos. Todo mundo quer comprar, comprar e comprar. Querem mais ainda, ganhar, ganhar e ganhar.

Todos têm a obrigação e, até em alguns casos, tem que dar o tal presentinho de Natal, para não ser mal educado. Uma verdadeira Ditadura. Quem não ganha se sente desprezado, desamado, desvalorizado. Quem não dá se sente culpado, sem amor, egoísta. Não tem jeito. Compre uma qualquer coisa e pronto, ta resolvido.

Bom mesmo é o comercial da Vivo, que escracha: “Ganhou um peso de papel...” e se fudeu mesmo! Vai lá na “oportunidade única do ano” de reunir a família, e ganha uma meia! Puta cara de bunda!

Tudo besteira. Todo resultado da indústria. Todo mundo diz isso, não é novidade. Todo mundo fala: “ah... não tem mais sentido o Natal... tudo coisa da indústria...”, mas esse ai, já comprou a lembrancinha. “Fica chato não dar nada, né?!”... e por ai vai. Podem até pensar que eu quero presentes, que sou um revoltado com o mundo, que sou ateu, que mesmo com o meu discurso, eu ganho meus presentes e dou, podem pensar o caralho à quatro.

Pois, enganam-se. Não ganho e não dou. Aos 10 anos, disse ao meu pai que não queria nada no tal Natal e não me venha com Ovos de Páscoa. Desde então não ganho mais nada no Natal ou chocolate na Páscoa.

Disse isso ao meu pai, porque nunca me fez sentido isso ai. Acho totalmente sem graça e sem propósito.

Hoje, para piorar, somos abordados a toda hora pela “exploração da miséria Natalina”. Todo mundo quer fazer caridade. Nossa... Tudo bonzinho no mundo. Deve ser pela extrema unção. Assim, todo mundo se sente menos pesado pela sua dor do mundo, se perdoa e pronto, só tem que esperar mais um ano.

Reportagem na Tv, mostrou os “sem nada”, ficarem 5 horas em pé, com o sol a pino, para ganhar sua boneca de plástico - “ah, mas pelo menos, em um dia do ano, ele fica feliz!”. Os outros 364 passa fome, falta de amor, e fica cheio de vontade de ter. Vive no eterno vazio e cheio de desejos.

Dizer que isso é para a felicidade do outro é pura hipocrisia. Fazem essa “caridade” para aliviar a própria alma da culpa, e só. Porque se quisessem mesmo melhorar o outro, começariam olhando para si próprio, depois para a sua família, depois para as pessoas ao seu redor, depois para os colegas de trabalho e assim vai. Fariam todos os dias, a caridade, e vejam, caridade não é ficar levando brinquedo e saco de feijão, é muito mais que isso. Seriam educados. Tratariam todos com a mesma igualdade. O ano todo.

Ser bonzinho uma vez só no ano, me habilita de não fazer mais nada e continuar sendo bonzinho. Balela.

A Globo com aquela musiqueta de final de ano... Glória Maria, a preta que nunca envelhece, entra no Fantástico - O show a vida- mas só passa tragédia, diz “e o espírito natalino toma conta de tudo...”. E aparece um caminhão lotado de tralhas, e um monte de gente no desespero de pegar qualquer coisa, mesmo sem saber o que é, tanta a necessidade de afeto. Ou então mostra aquela reportagem da empregada que não tem muito que comer, mora em um barraco, tem doze filhos, dos quais um é bebe de colo, e o mais velho morreu assassinado em briga do tráfico, marido desempregado e alcoólatra, e mas sai por ai, dando presentes a desconhecidos. Oh, bacana!

O sentido do Natal é outro, mas esse se foi com o tempo. Fico pensando aqui como os não-católicos-cristão, ficam se sentindo. São obrigados a aceitar de cabeça baixa, afinal não tem muito que fazer. Seria quase uma heresia fazer alguma coisa diferente.

Natal representa, para o mundo cristão, o nascimento de Cristo. Nascimento, bom frisar. Deveria ser para coisas novas. Para nascer coisas novas. Assim como o Ano Novo. Ano Novo e Natal deveriam ser comemorados no mesmo dia. Além de um feriado a menos, teria mais sentido.

E entra ano, sai ano, sempre a mesma coisa...

Talvez por isso a choradeira no Natal, pela culpa. E no Ano Novo, todo mundo se veste de branco, para entrar limpo, como se preto fosse sujo. Calcinha de cor fúsia, para trazer sei lá o que; Cidra Cereser, afinal tem que ter “champange”; uns pulam ondinhas, outros sei lá o que; todos se abraçam e gritam “bom ano novo”... E ai choram na esperança de que o ano novo seja realmente novo .

Mas sabem que nada vai mudar.
... Porque não querem.

[tô de saco cheio, mas não sou papai Noel. Quer começar a mudar. Comece a fazer coisas diferentes, pensar diferente, agir diferente.

“se nada mudar em 10 anos, alguma coisa ta errada” - Dalai Lama”]

Por Fernando Katayama 20 dec. 05

Saturday, December 17, 2005

Onanismo Presidencial

Estava lá na TV mais uma vez o senhor Luis Inácio. Suando, com sua jaqueta bege de brasão da República. Talvez ele se sinta mais poderoso ou queira transmitir força. Nessa semana, almoçou com militares, no final disse que se segurou para não passar a limpo algumas histórias do passado. Bobagem.

Impressionante o que aconteceu em Recife que nessa semana, foi o centro de acontecimentos bizarros da política nacional. Não é de se estranhar que coisas bizarras aconteçam aqui, afinal é Brasil, mas tem cada coisa estúpida!

Lá em Recife, Hugo Chávez, presidente maluco cara-achatada venezuelano, tão anti-americano quanto Osama Bin Laden e talvez tão louco quanto, recebeu lá, a Medalha de Cidadão Honorário da Cidade do Recife, em cerimônia pomposa. Coisa mais estranha.

O que é que esse cara fez por nós ou por Recife? Porque dar esse presente a esse maluco? No mínimo uma estupidez.

Mas lá não aconteceu só isso. Lula fez mais um dos seus discursos, recheado de hipocrisia, silogismos, redundâncias e cretinices. Em tom disfarçado disse: “se eu decidir disputar a eleição, é para ser presidente de novo!”, entre outras baboseiras e seu discursinho eleitoreiro.

Lula tem que parar de ser hipócrita. Para com essa masturbação de reeleição. Ele fica nessa sessão masturbatória, sem assumir suas vontades ou ações. Fez isso o governo todo, ficou lá se masturbando e não botou para foder, o que todo mundo esperava. Tanto os que votaram nele quanto os da Oposição. Não, ele comprou um monte de dvd pornô pirateado no camelô, e foi por quarto escuro. E acabou ai.

Lula inventou o onanismo presidencial. Ou seja, falou um monte, disse que era “o homem, macho” que mandaria “tudo para dentro”, mas só ficou na mão!

Durante todo o seu governo foi moleque e não assumiu como homem suas responsabilidades de sair com a República. Como um adolescente que paquera, paquera e paquera, quando consegue a moça, não sabe o que faz e não assume o que faz. Foi traído e virou corno. Não assumiu nada. E agora não assume que quer a reeleição.

O que dá tesão no Lula, não é a presidência, mas é a disputa, é a eleição. E só. Esse é o onanismo presidencial de Lula.

Por Fernando Katayama 12 dec. 05

Thursday, December 15, 2005

Marshall Brazuca

Hong Kong – Lá na terra dos chineses, que detestam serem chamados de chineses, porque eles são de Hong Kong, e se orgulham de ter o passaporte inglês, apesar de não falar porra nenhuma de Inglês! Mas foi lá na terra dos tigres asiáticos, que aconteceu mais uma dessas conferências dos paises podres. Nós estávamos lá obviamente.


Nosso representante, Celso Amorim, ministro das relações exteriores, que assim como Lula, acha que inglês não é essencial aos diplomatas brasileiros, talvez para poder usar da mais nova prática nacional, o “nãoseisismo”, com maior liberdade. Assim dá para justificar que eles não sabem, não porque não viram ou que não estavam lá, mas porque não entendiam nada! Acho até que não entendem mesmo.


Mas como de costume, fomos nós à frente do mundo falar. Besteira obviamente. Celso Amorim, empunhando a sua surrada e ultrapassada bandeira bolchevique, tenta a todo custo, fazer o levante dos pobres contra os ricos. Uma imbecilidade.


Ele e Lula ficam brigando com americanos e europeus pelos subsídios que dão aos seus produtores agrícolas. Eu pergunto o que é que nós temos com isso!? Lógico que vocês pensarão, “ô seu burro, é porque se não os nossos produtos perdem competitividade”. Eu concordo que é a tal competitividade, mas eu não sou burro.


Mesmo assim, discordo desse argumento. Olhe só.


O Brasil tem que crescer por suas próprias pernas. Tem que parar com essas coisas paternalistas e visão de que somos os coitadinhos do mundo. Quanta besteira. Pára de ficar olhando a bunda dos outros! Ver se colocam ou não barreiras comerciais. Tem que lutar pelo seu espaço e não ficar implorando a Comunidade Européia e muito menos aos americanos. Temos que crescer com as nossas pernas, volto a repetir.


Primeiro que se você acha que os países ricos têm que nos ajudar, você é automaticamente à favor da ocupação americana no Iraque. Porque? Oras, a justificativa, nem sempre verdadeira, não é: “garantir ao povo iraquiano a democracia”. Então significa que os iraquianos precisam de ajuda externa para conseguir isso. Portanto, se você acha que os países ricos tem que nos ajudar, posso seguir o mesmo raciocínio lógico e linear. Não me fale que é diferente. Não é.


E tem outra coisa: rico não ajuda, se não, não seria rico. Rico quando doa, troca por alguma coisa, você é que não sabe pelo o que é.


O que o Lula fala, sobre os subsídios, é a maior balela. Fodam-se os subsídios deles, parem de olhar para a bunda americana, e olhem para a nossa! Já falei um montão de vezes sobre o nosso superávit, sobre as commodities, PIB e as exportações. Não vou repetir.
Acredito que o Brasil não precise exportar os produtos agrícolas “in natura”. O Brasil precisa é distribuir melhor as riquezas, e garanto que, exportando soja do Sul e laranja de Araraquara é que não vai ser.


O Lulinha vê isso e fica eufórico, toma um golinho e diz: “não fssalei galega*, tá entrando dinheiro! Pega o Dvssd do Zezé e do Lussciano e vssamosss ver no nossssso dvssd chssinês, para comemorar a balanssça possitiva!”


É a balança pode ser positiva, mas a renda fica concentrada. O Brasil precisa agregar valor aos seus produtos. Precisa gerar emprego. E assim, a distribuição de renda começa.
Sem essa de brigar por subsídios dos produtos agrícolas, temos que é desenvolver políticas que incentivem a produção. Faça a ALCA! Façam o plano Marshall Tupiniquim.


Traga a Tropicana Juice para produzir aqui seus suquinhos, exportaremos suco em caixinha. Traga a Italiana Illy, que compra o nosso café a 0.50 centavos a saca, manufatura lá, exporta de volta e nós pagamos 25 reais o quilo. Exportaremos café Illy. Diga aos Cromos Alemães, que venham. Compre o nosso couro e façam aqui o sapato de 400 dólares. Exportaremos sapatos e não couro. Sadia, exporta o frango em caixinha “todo sabor”. Alô Tetra-pak, faça mais embalagens para nós, vamos envasar tudo aqui. Podemos trazer as indústrias de tecnologia, afinal já estão aqui.


Veja o impacto em toda a cadeia produtiva. Vendo mais à produzo mais à compro mais à desenvolvo mais à pago mais à vendo mais, e isso serve para toda a cadeia, afinal é uma cadeia.
Não me venha com essa de que as multinacionais vão alugar o Brasil e usar da sua mão de obra barata. Nós temos mesmo a mão de obra barata, e precisamos empregar mais, então qual é o problema? Os maiores empregadores são multinacionais. Aliás alguns gurus profetizam que em um futuro próximo, só haverá grandes multinacionais. As multinacionais logicamente lucrarão, mas parte ficará aqui, através dos impostos e mais importante, através dos empregados.


E você pode me perguntar: e os médios e pequenos?


Esses ficarão felizes da vida, porque o mercado interno poderá absorver os produtos deles, além de poder produzir para os grandes.


Um outro me pergunta: mas a tecnologia e o know-how não serão nossas!


Não, não serão mesmo! Mas hoje nos temos tecnologias que são só nossas? Sem condição de poder investir em pesquisa e desenvolvimento, o Brasil esta em um dos últimos países no ranking de patentes. É melhor ser japonês e chinês em uma hora dessa, e aprender a copiar. A China, esta passando o Brasil, e de longa vantagem.


Disseram-me que esse meu raciocínio era simplista. Não ele não é simplista, é simples! Aí, me disseram: “mas não é fácil de fazer, temos os políticos...”. Por isso “nóis” é Barrichello! E eles “é” Alemão.


*Galega é como o nosso presidente se referiu a sua esposa em um pronunciamento

Por Fernando Katayama 15 dez. 05

Sunday, December 11, 2005

350

Em meu último texto o campeonato não havia acabado. Agora já sabemos que o “corintia” foi campeão. Sabemos quem caiu e quem não caiu. Sabemos também que o Dirceu caiu, mas a novela não acabou.

Parece coisa de mundo-árabe mas não é. Ônibus é incendiado e pessoas morrem. Um ataque terrorista. No contra ataque, matam quem ateou fogo. Justiça-Bandida. Choca o país. Choca o país? Choca nada! Nem Zé, nem Mané, nem Pelé. Nada mais choca. Só a galinha e de sítio.

Temas horripilantes não chocam mais. O cotidiano perverso já nos dominou e convenceu-nos da banalidade. Seja da vida miserável de uns quanto a “belíssima” vida milionárias de outros. Nos convenceu do tráfico, da sonegação e do estupro. Já nos convenceu do mundo cão.

Antes assustados, víamos os telejornais com cenas muçulmanas-xiitas, explodindo ao vivo, carros-bombas e queimando retratos do macaco branco-disléxico-norte-americano envolto a sua bandeira. Achávamos dois loucos. Um de turbante e outro de gravata vermelha. Que loucos! Agora nos perguntamos, quem são os loucos. Loucos devem ser os sãos.

Depois do Ônibus 174, segue a continuação do filme, Ônibus 350. Será que conseguiríamos contar a história da raiz dessa barbárie? Talvez precisássemos fazer em série de tão longa.

O Ônibus 350, é o retrato do Rio. Rio que já foi capa de revista. Rio que já foi das mais belas bundas dos cartões postais do mundo. Rio que serviu de inspiração ao Mestre Jobim. Agora o Rio é a amostra visceral do cotidiano brasileiro.

Políticos que discutem coisas de muito valor, como se o cartão postal pode ou não ter bunda! A polícia mata mais que bandido e ninguém sabe onde começa um e acaba o outro. Lá não é possível separar a favela da cidade. Ou será que a cidade é a favela? Cristo esta de braços abertos achando que esta sendo assaltado.

Ônibus 350 mostrou que nos vivemos o estado do terror. Nosso terrorismo aqui é dos mais diversificados meios e tipos. Temos terroristas no Planalto Central até o Palácio do Catete. Usam todos paletós e gravatas, e se tratam por “ilustríssimo. Temos terroristas de fardas. Temos terroristas sem fardas mas com sirene em carro civil. Temos terroristas de chinelo de dedo e bermudão, que se tratam por: “fala ae, Mano!”. E temos o terrorismo branco. Terrorismo branco é como arma branca, não faz barulho, não dá para ver direito, não sabemos quem são os terroristas e nem se a uma célula formada. Mas há. Chamo de terrorismo empregatício. Ser refém do seu emprego, porque sabe que não pode sair dele, por mais mal que te faça. É constante a ameaça.

350, mostrou que a lei, dos fora-da-lei, é lei.

Por Fernando Katayama 11 dez. 05

Sunday, December 04, 2005

Futebol e Tevez

Apita o Juiz. É o final do campeonato. A massa corintiana pula enlouquecia na arquibancada. O preto e branco. Pretos e brancos, machões ou não, se abraçam, se beijam, choram com a conquista desse título.

Pouco importa. Esse Campeonato Brasileiro estará manchado para sempre pela corrupção dentro e fora de campo. Certamente espelha a real situação calamitosa que se encontra o Brasil. O futebol a paixão nacional, movimenta milhões de dólares em transações internacionais, exportando nosso melhor produto bruto, homens. Como todo entretenimento, há sempre quem lucra muito.

Contudo, esse Campeonato estará marcado para sempre. Em um ano onde a crise política arrasou o governo e pior que isso, traiu milhões de pessoas, enganados pelas promessas históricas do PT.

A indústria da corrupção tomou tal corpo que envolveu até toda a alta cúpula do governo. Isso, já estamos cansados de ver. O que marcou mesmo o futebol foi a corrupção que toma o país de cabo a rabo. Estamos envolvidos de tal forma, onde emanharado corruptivo nos embola e não sabemos como sair disso. E o futebol, não poderia ficar de fora.

Com o caso de compra e venda de resultados mostrou que nada esta imune. A paixão nacional fora estuprada por trás. E com ela, milhões de pessoas amantes da arte da bola. Na verdade só trouxe à tona, a sujeira que já corria solta.

Diante de tudo isso, vejo um argentino, que veio jogar aqui. E veja vocês, o maior seleiro exportador de jogadores craques, onde, só neste ano, sete dos dez melhores do mundo, segundo a Fifa, são daqui, importou do nosso maior rival, um craque.

Cabelo esquisito, boca mole, cicatriz, dente feio e fala enrolada. O que mais me chamou a atenção nesse cara ai, não foi o futebol mordedor, característico, a habilidade com a bola ou os gols que vez. Não, não foi isso não.

Tevez nos mostrou que podemos e devemos falar aquilo que acreditamos. Talvez por ser estrangeiro, talvez por ganhar milhões, não sei. Mas também não me importo com isso. Mostrou isso dizendo ao Lula, que fique no seu lugar. Que não venha bajular agora que o time esta no topo, porque quando chegou, Lula o menosprezou. Disse também que ele faz o que quer, e dirigente não apita. Importa a mensagem enviada.

Acredito que esse tipo de conduta, talvez áspera em demasia, seja o que falta ao Brasil. Dizer a verdade, não abaixar a cabeça por intimidação e fazer-se respeitar.

[enquanto escrevo, o campeonato ainda não acabou, faltam ainda 45 min.]

Por Fernando Katayama 4 dez. 05

Wednesday, November 30, 2005

Super Ávit, o frágil herói

Enquanto escrevo aqui, o Deputado Zé Dirceu esta sendo julgado pelo Supremo. Ainda que exista a corrente pró-Dirceu, o Zé esta realmente politicamente abalado. Mas isso tanto faz agora, porque as conseqüências sofridas por nós, são bastante fortes.

Diziam que a economia estava “blindada” da crise política, sempre achei que não. Pena que não escrevi e deixei isso claro e registrado. Como quase todas as ciências humanas, a economia, leva um tempo para sentir. Seria impossível não sofrer com a crise. Como disse um escritor sueco de teorias sobre negócios, “o mundo gira em torno de compras e transa”. E parece que ele esta certo. Jeane é a mulher da hora e a crise finalmente atingiu o mercado.

Lula e seus pares, com a língua presa falando com o assobiozinho característico dos petistas, embasavam a economia no superávit. Como a crise atingiu o ministro Palocci [lá no partido, Palófi] foi-se então, o embasamento da teoria do “superávit”.

Lógico que todo mundo quer gastar menos do que ganha. Todo mundo, eu, você, eles. E o Lula justificava todo com isso. Quem engoliu, esta com gastrite. Eu não engoli.

Sempre disse que o superávit da balança comercial nacional, era devido às exportações de commodities, que não aumenta o tamanho do mercado interno e ainda por cima, concentra mais a renda e das taxas exorbitantes dos nossos impostos.

Percebe-se isso olhando o nosso PIB. Pibizinho. Coitado.

Simplesmente justificar tudo com uma balança comercial positiva, é só mostrar um lado da bunda! Não houve crescimento significativo das riquezas produzidas no país.

Se entender que esse balanço é feito assim: o que se arrecada menos o que se gasta. Ou seja, conta de mais e de menos, lá do primário. Pergunte-se de onde vem a arrecadação do governo? Dos impostos, certo?! O que aconteceu com a nossa carga tributária? Aumentou!

E os gastos? São pagamentos e investimentos. Aumentou o número de empregados no setor público e diminuíram os investimentos.

Com isso sobra até dinheiro para pagar a nossa dívida externa. Para quem não sabe, o patamar do superávit foi estipulado em torno de 4,25! Mas na verdade ele é de 6 e alguma coisa. Com o que sobra, dizem que pagam a dívida externa.

Mas eu me pergunto:

Em um país tão precário quanto o nosso, como pode sobrar dinheiro para aumentar o tamanho da máquina estatal e pagar os juros de nossa divida? Será que sobra grana ou falta?

Não dá pra entender porque temos escolas cada vez pior, hospitais em condições sub-humanas, polícia totalmente despreparada, infra-estrutura capenga e tudo mais, se há superávit na balança!

Acho que não falta dinheiro, falta é investir certo. E certo não é com as garotas da Jeane e nem colocar no saco, aquele da cueca!

Fernando Katayama 30 nov. 05

Saturday, November 26, 2005

C P M I

Acabo de tomar meu banho. Ia indo dormir. São duas da matina. Respondi e-mails, alias preciso agradecer minha amiga Patrícia pelo comentário ao meu ultimo texto e ao Bill, este terei que responder a altura, devido ao comentário que fez, extremamente pertinente, mas farei em outro momento.

Mas o que me motivou a vir escrever a essa hora, foi uma idéia que tive. Um simples flash fantasioso enquanto tomava banho. Outra coisa que eu adoro é banho. Não sei se é coisa de índio ou da minha parte nipônica, já que são povos que adoram banho, mas enfim, eu gosto. Não se preocupem com o sabonete no chão, isso não acontece, uso sabonete liquido.

Voltando, tive o tal lampejo. Claro que foi político, estou atado, colado a esse maldito tema.

Pensei sobre a CPMI. É CPMI. Incrível, não é!? E o que pode ser novidade nessa coisa? Nada, a não ser, o significado.

Para vocês, pode ser Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, mas eu acho que é outra coisa.

Vejamos.

Disseram que o Zé Dirceu tinha culpa no cartório, e que deveria se cassado. Ate agora nada. Zé disse que como ministro da casa civil, não sabia de nada e que como deputado menos ainda. O Presidente, já falou tanta bobagem que quando abre a boca, os seus assessores, gelam os pés. Não sabem se ele vai falar besteira ou tomar um gole do 12 anos. Nada acontece.

Dinheiro vai, dinheiro vem. Offshores. Paraísos. E mais uma vez, nada. Quem nada é peixe. E peixe morre pela boca. Mas lá tem outro tipo de peixe. E vejam bem, é uma comissão de inquérito. Mas parece muito mais um poleiro.

Além da total falta de organização, a baderna é tanta que da nos nervos ver aquela passasão de gente, para um lado para o outro. Careca de garçom. Nariz de deputado. Teta das garotas da Jeane. Um mundaréu de gente atrás, na frente do lado, que nem da para ver qual é o fulano que esta falando.

Se bem que isso pouco importa, tanto para quem esta lá sendo ouvido como para os outros. Bochichos, celulares, berros, risadas. Um clima muito sério para uma coisa tão besta. O enquistado, também não esta nem aí para a pergunta, porque a resposta ele já sabe, e não importa a pergunta.

Olha só como começa uma pergunta: “Senhor excelentíssimo presidente, senador, que preside esta casa, ilustríssimo senhor senador Ribanildo Alves da Cunha do Caralho a Quatro Terceiro Neto. Caro senhor excelentíssimo Ex-presidente desta casa, atual e futuro presidente da outra casa. Membro Presidente do PSDVYX, honrado titular da cadeira especial da tribuna da Maracanã, excelentíssimo deputado estadual José Pinto Galo Costas Quentes. Caro senador, honrado assistente titular da seção quinta, desta casa, e da quadragésima nova vara das juntas especiais do Estado, excelentíssimo doutor nobre senador Amarildo Dos Anjos Asas Curtas dos Quintos. E com o muito respeito ao ilustríssimo senhor Ministro da Fazenda, excelentíssimo deputado Pocotofi, sério e estimado membro, importantíssimo para a democracia brasileira, antes de qualquer coisa, quero com todo respeito que o senhor provem, agradecer sua presença nesta casa, mostrando a coragem única que nos ilumina. Para continuar meu exemplar raciocínio, preciso lembrar-lhes do acontecido no ano hum mil quinhentos e vinte e cinto, quando aquela data...” [horas depois] ... “preciso invocar então o artigo quinto, do parágrafo quarto, escrita no livro mil duzentos de setenta e cinco, do volume treze, da coleção quinze, da data de trinta e um de setembro de hum mil setecentos e setenta e um....”, [a mesma baderna continua] “e para concluir então, faço a minha pergunta: qual é a cor do cavalo branco de Dom Pedro I? E não só, de extrema relevância, onde é que Dom Pedro conseguiu o dinheiro para a compra do feno do animal? Quem foi que foi buscar o dinheiro no Banco Central da República*? Qual o valor cobrado pelo baixo clero? Era um valor mensal?... assim encerro minha questão”.

Tudo sem a quebra do decoro e de importância singular. Só levou três horas para isso tudo.

A resposta: “nobre colega, começarei pelo inverso do pretérito oposto. Mas a verdade é única: Não vi. Não sei. Não estava presente. Não é da minha responsabilidade. Mas garanto, se houver qualquer irregularidade, iremos apurar”.

É obvio que ninguém quer nada com nada. Só aparecer na bancada eleitoreira com mídia grátis para o Brasil todo. Então porque não brigar com o outro nobre colega de casa, sem logicamente quebrar o decoro parlamentar. Ou então gritar ou espernear, soltar as penas e deixar a pomba gira aparecer diante às câmeras? A eleições aproximam!

Agora eu pergunto, sem firulas ou decoro, será que não era mais importante discutirmos assuntos relevantes como orçamento, superávit, políticas de incentivo, educação, saúde e claro fazer perguntar objetivas, claras e esclarecedoras aos enquistados?

CPMI, para mim é: Como Perder Momentos Importantes. Porque até agora isso parece uma grande perda de tempo e poderia ter servido para começarmos a mudar nosso país.

* D. Pedro I não tem nada haver com a Proclamação da República.

Por Fernando Katayama 25 nov. 05