Thursday, July 07, 2011

Village People

O Brasil é um país esquisito. Isso já dizia um dos melhores professores de geografia que tive, Rui Campos. Fumava como uma chaminé com pernas. Tinha marcas de nicotina entre dos dedos indicador e médio, mas sem dúvida alguma, um excelente professor. Naquela época, final da ditadura, começinho da nova-democracia nacional, Rui falava, “é... Brasil.... país estranho esse nosso: a maior banana tem o nome de Naninca. A arroba do boi magro é mais cara que a arroba do boi gordo...” - tinha mais umas quatro ou cinco, mas eu já me esqueci. A banana Nanica todo mundo entende, é o humor sarcástico nacional, já o preço do boi, vale uma explicaçãozinha rápida, para por à par, das condições daquele momento. Com o fim da ditadura, a democracia querendo das as caras, promessas de reforma agrária pairavam no ar. Diziam que as vastas pastagens nos grandes latifúndios, sem uso, iriam ser tomadas e fariam parte da grande reforma agrária. Os latifundiários amarelaram-se e correram atrás para usar a terra. Comparam um monte de boi magro, para engordar. Com a lei da oferta e procura, vocês já sabem no que deu né?! - A tal grande reforma agrária nunca aconteceu.
Enfim, Rui Campos, está novamente certo: o Brasil realmente é um país diferente. Não só pelas incontáveis belezas naturais, e ai minha gente, pode incluir ai, o país das mais belas bundas do mundo, nada mais natural do que ver uma brasileira com uma bela bunda. Mas pelo modo de tratar certos assuntos.
O Brasil com a sua nova-democracia, ainda obriga o cidadão a votar. Nada mais democrático que isso. Também tem as cotas-universidades, aquelas em que, a cor da pele, sobrepõe o intelecto. Afinal, entende-se que se o fulano é preto é pobre. Se é pobre estudou em escola pública. Se estudou em escola pública é um fudido na vida. Agora lançaram o kit-gay nas escolas.
Sobre o primeiro tópico, volto outro dia, mas sou contra o voto obrigatório no pleno direito ao exercício da democracia. Quanto ao segundo item, foda-se a cor do fulano, arrumem a escola pública. Intelecto não esta conectado à cor da pele. Vou comentar o kit-gay.
Nunca vi tamanho absurdo. Um kit que contem vídeos e cartilhas, de qualidade duvidosa, para mostrar o mundo GLS, e outras letras que já nem sei mais. E não, não tenho nada contra gays, lésbicas e congêneres. Contudo não acredito que essa é a melhor maneira de se tratar o assunto em escolas. Acredito que o tema tenha que ser abordado, mas de outro angulo. Se eu seguir no trilho da cartilha, teríamos que ter: kit gordo, para você entender como é que é a vida do gordo. Kit preto, assim você se envolverá melhor com o preto sentado na carteira ao lado. Kit mulatinho, aquele que não é preto nem branco. Kit japa, e não é para você concorrer a um novo Toyota e nem com matar o japonês na época do vestibular. Kit cadeirinha, você aprenderá na escola, cadeirante também é gente. Kit ateu, e você entenderá que tem gente que não crê em Deus, e não vai pro inferno. Kit neohippe, e você entenderá que tem gente que ainda acha que vive em 1960, mesmo tendo nascido trinta anos depois. Kit direta, kit esqueda... E por ai vai.
A escola deveria mostrar o caminho para tratar das diferenças com igualdade. Todos nós somo diferentes por essência. Em uma real democracia, entender e conviver com as diferenças é parte inerente ao processo. Na escola deveria ensinar a ser tolerante com o outro. A entender que por sermos todos diferentes, somos iguais em nossas diferenças. E isso inclui até mesmo, aceitar a opinião do deputado Jair Bolsonaro, que tem todo o direito de expor suas idéias e opiniões, mesmo sendo adversa a opinião pública e até mesmo à sua. E por sermos todos iguais, temos então todos os mesmo direitos e deveres.
Um abraço ao Rui.


Charge: Angeli e a Parada Gay

Música: YMCA, Village People
Por Fernando Flitz Katayama, Toronto, On Canada 7 July 2011
Aqui a música desse artigo

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Wednesday, June 29, 2011

Filme Novo

É faz tempo que não apareço por aqui. Coisas da vida! Foi numa dessas coisas das vida, fazer a limpeza no HD, que encontrei em minha videoteca virtual, alguns filmes. Uns nem muito bons, outros excelentes. Filmes que marcam geração ou que foram marco de época. Tenho filme de ’40, ’50, ’60, providos de toda parte do mundo. Tem filme Europeu, como Fahrenheit 415, 1966, de François Truffout. O outro Fahrenheit, desta vez o filme-documentário do canadense Micheal Moore, Fahrenheit 9/11, 2004. Quem sabe ver Sete Samurais, 1954 ou Ran, 1985 de Akira Kurosawa. Tem também aquele filme sueco, A garota da tatuagem de dragão, 2009 de Niels Arden Oplev. Tem o Central do Brasil, 1998 do Walter Salles. E por ai vai, com mais uma porção de filmes. Lógico que tem aqueles filmes que a gente vê só por ver, como aqueles em que o mocinho nunca morre, salva a mocinha e o vilão, bem, o vilão nunca vamos saber se morreu ou não. Mas se morreu, re-nasce de forma espetacular na seqüência que tá por vir.
Na minha videoteca tem também 5 filmes nacionais que me chamam a atenção. Do começo da década de ’80, final da ditadura, tá lá Pixote, a lei do mais fraco, (1982). Hector Babenco fez um filmaço. Cheio de palavrões, colocados da maneira mais chula possível e calças boca-de-sino. O elenco, estelar. Marília Pêra, Jardel Filho, Tony Tornado e muitos outros, e o personagem central, Fernando Ramos da Silva, e nada poderia ser mais nacional do que “da Silva”, da Fórmula 1, da Presidência ou da favela mais próxima a você. Hector Babenco foi um dos primeiros diretores a usar os moleques da favela, para interpretar os moleques da favela. Fernando Ramos, foi um pioneiro no assunto. Pixote mostra a dura realidade de um moleque de rua.
O mesmo fez Fernando Meirelles em Cidade de Deus (2002) exatamente vinte anos depois. Usou os moleques da favela para interpretar os moleques da favela. Cidade de Deus é um marco no cinema nacional. Veio na onda do Novo Cinema Brasileiro, e não confundam com o a turma do Cinema Novo. Trouxe a linguagem publicitária e a tecnologia para fazer um excelente filme, que mostra a dura realidade das favelas nacionais. Ganhou o mundo e projetou o cinema nacional no exterior.
Na cola dele, em 2002, José Padilha, usa a linha de documentário, e mostra o por de trás de uma das mais absurdas e estapafúrdias ações da polícia carioca e da vida passada de Sandro do Nascimento - irônico nome. Nessa película, vamos ver a vida do moleque de rua, que cresce, vira marginal e morre alucinado, sufocado pela polícia.
Pouco tempo depois, em 2007, Padilha solta o Tropa de Elite. Agora ele mostra o ohdoborogodoh da Polícia Militar carioca. Conta a estória do Capitão Nascimento, Roberto não Sandro. Tropa de Elite é violento, cru, duro. Cheio de contradições e de alfinetadas para todos os lados. Coloca em xeque a polícia que é corrupta e maldosa. Deixa o herói em uma sinuca de bico e mostra que o único papel bem definido da sociedade é a do bandido. Porque bandido é bandido, e pronto.
Em 2010, Zé Padilha lança o Tropa 2. A continuação um tanto diferente. O capitão agora é coronel. Nesse episódio, a ação não é tão pronunciada, e a bandidagem só aumenta. Antes era o capitão, agora quem esta na sinuca de bico é a sociedade. Bandido tá no morro, nas urnas e nas viaturas. Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.
As luzes acenderam, os filmes acabaram e algumas pipocas estão no chão da sala, você me pergunta: e ai?! - com aquela famosa cara de “ué”.
Ai, é que durante esses 30 anos, do Pixote (que nunca viu outros filmes, já que morreu assassinado aos 19, em 1987) ao coronel Nascimento, nada mudou a não ser a tecnologia, a linguagem e as bilheteiras dos filmes. A figura da violência e corrupção nacional continua a mesma.
Pixote continua a ser um filme contemporâneo com seus 30 anos de idade.

Música: Polícia - Titãs 1986
Por Fernando Flitz Katayama, Toronto, On Canada 29 de Junho 2011
Aqui a música desse artigo

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Tuesday, October 05, 2010

Palhaçada

Nessa tarde chuvosa e fria tomo meu café. Não sei bem por onde começar e nem certo do que vou escrever, mas certamente será política. Não há como fugir desse tópico. Eleições presidenciais sempre dá pano pra manga, ainda mais no Brasil.
Há muito tempo que eu perdi a expectativa de que os políticos estavam lá para fazer a vida do cidadão melhor. Mas parece agora que a coisa tá indo para um caminho mais tenebroso ainda. Vale tudo para ser eleito. Vale puxar cabelo, morder, chute no saco e dedos nos olhos do eleitor. O importante é vencer! Lulistas continuam ferrenhos no Projeto Tomo o Brasil de Cabo a Rabo e não querem arredar o pé. Tucanos querem voltar a ter as asas da Nação. Malufistas roubam mas fazem. E por ai vai. E não importa como, importa é estar lá. Apresentar projetos polêmicos e trazer a discussão para o que é importante para a sociedade, nem pensar. Se é vespeiro, melhor não cutucar. Deixa como tá e vamos rolando, até que… Até que um dia, alguma coisa acontece no vespeiro. Mas quando isso acontecer, esse abacaxi estará na mão de outro. Importante é continuar o continuinismo, e nada mudar.
Essas eleições provam que o modelo eleitoral nacional é falido. Não na contagem dos votos, porque esse ai funciona bem, mas o modelo em si, de forma geral. Obrigatoriedade do voto, que no meu ver, é uma aberração da democracia nacional. Esse infindável numero de legendas! E tem tanto deputado que é impossível saber quem é quem.
Por falar em deputados, a aberração nacional é capa de jornal no mundo todo. Tenho dito que política no Brasil não é levada a sério, por ninguém. Nem pelo povo, nem pelos políticos. Parece que para ser político no Brasil basta ser famoso, e que política é uma brincadeira de roda. Mulher-pêra, Romário e Tiririca. A Bunda. O Jogadô. E o Palhaço. Para deputado estadual.
Mas pera aí, o que faz um deputado? - eu não sei, mas meus assessores sabem! Que projetos o deputado tem? - olha de cabeça assim, eu não sei, mas meus assessores sabem! Quanto custa para manter o seu gabinete e seus assessores? - humm, isso eu não sei, mas os meus assessores sabem!
Pior de tudo, é que isso não é uma invenção minha. Foram algumas entrevistas que li com alguns candidatos a deputado. É de dar medo. Tiririca, o abestado, teve o apoio de 1.3 milhões de votos! É um mundo de gente! Dizem que é protesto! Pra mim é ignorância. Se fosse protesto, não teríamos re-eleito, Roseana Sarney na Capitania Hereditária do Maranhão ou mais oito governadores no primeiro turno.
Agora querem caçar o Tiririca. O cara teve 1.3 milhão de votos. Não dá pra caçar o cara. Dizer que ele é analfabeto? Sinto muito, mas não é o suficiente. O Lula também é pouco letrado e é Presidente. Mas caçar o Tiririca porque ele mal sabe falar o português, mal sabe escrever e quem sabe ler pode ser perigoso, uma vez que, a democracia não pode ser baseada no conhecimento formal que fulano ou beltrano teve. Deveríamos ser tratados com igualdade independentemente da cor, credo, sexo e título acadêmico.
O Tiririca é o exemplo de um país sem educação. A sua eleição é um marco na ignorância nacional. E a prova que o sistema político brasileiro vive o revés de valores.
Esse palhaço me faz chorar.

Música: Não Me Pergunte, De Tarde Vendo o Mar - Bebel Gilberto
Por Fernando Katayama, Toronto, On Canada 5th October 2010
Aqui a música desse artigo

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Friday, September 10, 2010

Show, de Horror

Aqui ao meu lado, como não poderia deixar de ser, a caneca de café. Sempre acompanhado dela, escrevo. Impossível sem ela. E hoje, sexta-feira, começo de Outono é um motivo a mais para mante-la bem perto. O frio já da as caras, e parece que o Inverno vai ser daqueles. Mesmo com sol brilhando e o céu azul, já dá pra prever como é que vai ser esse ano! Dizem que é coisa da El Niña.
Mas parece que as coisas vão esquentar nesse Outono, e não é coisa do El Niño, é coisa de, acreditem, eleições. A corrida para prefeito esta começando a aquecer. Assim como em qualquer lugar é um show, de horror. Para mim parece que político é igual em qualquer lugar do mundo. O que muda é a cor da gravata. Uns usam preto outros vermelho. Alguns não usam, mas dá mesma.
Aqui temos um Rob. E no Brasil, o Rob foi vetado. O daqui é Rob Ford, o de lá é Rob Jefferson. Conhecidos pelos escândalos, cara de pau e discursos. A diferença entre eles é que um tem nome de presidente e o outro tem nome de carro. Rob Ford é um fanfarrão. Rob Jefferson é barítono, ou pelo menos tenta.
Mas o que me chama mesmo a atenção, do ponto de vista eleitoral, é como as coisas acontecem, nos dois extremos. Aqui, nós nos preparamos para o inverno, comprando parkas e casacos para agüentar o friozão. Lá, ao sul, é a época de procurar biquininho, sungas e protetor solar. Aqui o show é diferente de como é feito no Brasil. Não sei se é melhor ou pior, já que os protagonistas, são por excelência, políticos, mas difere-se em ternos de seriedade. Aqui parece ser mais sério, e ser político é carreira.
Tenho a impressão, depois de anos morando fora do Brasil, que ser político é uma coisa diferente para o brasileiro. Parece ser a salvação do indivíduo as custas do coletivo. O circo armado para ser eleito, e assim conseguir, verbas, desvios, vantagens e sei lá mais o que.
Tem palhaço que quer ser deputado, prostituta que quer ser senadora, cantores, duplas sertanejas, atores e atrizes, ex-15 minutos de fama, atletas e ex-atletas, ex-famosos, celebridades, socialites, e mais uns infinitos nomes e seres que querem dar a bocadinha. Parece que para ser político no Brasil não é preciso saber de política, negociações e seriedade para comandar o país, é só ser famoso ou colocar um nome estapafúrdio na legenda.
Não que o sistema democrático não possa aceitar todos que desejam ser políticos, mas é preciso mais seriedade. Ao entrar para a Casa, a responsabilidade de dirigir a nação tem que ser levada a sério. Não deveria ser um circo ou prostíbulo. Não é palco para canções chorosas de corno manso nem muito menos um campo de futebol.
Penso como que o brasileiro, eu e você, podemos fazer nossa escolha, perante ao imenso número de candidatos sem a mínima noção e preparo. Além de sermos obrigados a votar, temos que ponderar em votar entre um ou outro, na puta ou no filho dela. E no final, vai ser a mesma coisa.

Música: Maybe Tomorrow - Stereophonics
Por Fernando Katayama, Toronto, On Canada September 10 2010Aqui a música desse artigo

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Friday, February 12, 2010

A Diferença do B e do S

Pensava outro dia, em dias melhores, em um mundo melhor. Dias com mais sol, menos chuva. Mais calor, menos frio. Ou mais chuva e menos sol. Mais frio e menos calor. Seria na praia, só se não tivesse areia. Ou montanha sem pernilongo. Mais trabalho, menos emprego. Seria melhor mesmo trabalhar por diversão. Talvez mais dinheiro ou dinheiro algum.
Talvez um mundo sem cigarro, mas os fumantes pensam que não. Os caras do AA queriam um mundo sem álcool, mas sem álcool, nem o AA iria existir. Queria mesmo é um belo steak, suculento, talvez picanha ou NY striploin, mas a galera verde acha que comer bicho não é certo, e viraram herbívoros. Tem os que andam de bicicleta, por opção, e uns pela falta dela.
Alguns querem a democracia nos moldes ocidentais capitalista, outros a democracia socialista, e tem uns que querem mesmo é a ditadura extremista. Talvez um mundo sem guerras e desgraças. Mas tem sempre um que gosta...
Talvez com o ser humano menos egoísta e mesquinho. Um mundo mais livre de preceitos. Com mais tolerância, inclusive com os intolerantes. Ou seria melhor um mundo sem leis, auto-regulado pela própria existência do ser?
Não sei ao certo o que seria um mundo melhor. Meu melhor é certamente diferente do seu melhor. Eu gosto de mulheres loiras, morenas e ruivas, e você não. Eu calço 42 bico largo, minha calça é 34X30 e paletó não me cabe. Esse é meu tipo estranho. Pra você, é diferente. Eu adoro carne, talvez você seja herbívoro. O seu mundo seria melhor sem as pastagens. Mas eu posso ser budista ou ateu, você pode ser muçulmano xiita ou católico fervente. Talvez extrema direta ou centro esquerda?! Nesse mundo vasto e diverso é difícil estabelecer o senso comum de melhor, ou quase impossível. Melhor pra um, pior pro outro. A única coisa que os gregos e troianos concordavam que seria a melhor coisa, seria comer a Helena. Deu guerra!
Mesmo que digamos que melhor seria sempre fazer o seu melhor, talvez isso não baste para fazer o mundo melhor. Mas pelo menos é um bom começo.
Veja esses dois caras. Não medem esforços para fazer o mundo melhor. Impor suas crenças e verdades. Mandam matar se for o caso, fazem guerra. Tudo no imperativo para um mundo melhor. O Obama e o Osama querem o seu próprio mundo melhor, mesmo que a diferença entre eles seja só o B e o S.

Música: Come Rain or Come Shine / B.B. King and Eric Clapton / Ridding with the King, 2000
Por Fernando Flitz Katayama, Toronto, On Canada 12 Feb 2010
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Thursday, December 31, 2009

Ano Novo Passado

É como todo ano, a gente acha que o ano passou rápido demais e já é Ano Novo. E esse ano não foi diferente e já é Ano Novo. Como em todo ano, começam as retrospectivas, os melhores e piores do ano, o que foi e o que não foi fato. Tudo revisado para o ano que começa. Lógico que as previsões especulativas, surpreendentes ou óbvias dos oráculos celestes entram na parada.
É assim ano à ano. Pulamos as ondinhas, caso você esteja à beira-mar. Comemos romã, uva, lentilha. Subir um degrau com pé direito, e ai, coitados dos pernetas de direita, estarão marcados pelo resto do ano com o mal agouro. Vestir branco. Calcinha dourada ou vermelha dependendo das suas intenções. E festejamos com fogos de artifícios a morte e o nascimento de mais um ano. Fazemos um brinde com Champanhe e os menos afortunados, com Cidra Cerezer. Não importa, importa o brinde! Mas será mesmo que apesar das mandingas, juras, promessas fazemos do novo ano, um ano novo?!
Como em todo ano, olhamos pra trás pra ver o que restou ou o que foi construído. Vemos que o que fizemos ou o deixamos de fazer. O que poderíamos ter feito melhor. Ou o que nunca deveríamos ter feito. Olhamos os erros, que às vezes nos deixam rubros de vergonha, e esperamos ter aprendido com eles, e talvez ano que vem, não repita-os. E quando olhamos para os acertos, ficamos orgulhosos de ter feito certo e saber o caminho para repetir no próximo ano.
Ano Novo é assim, recheado de lembrança. Lembramos dos anos passados. Dos que passaram nesse ano. Damos risadas da comédia da vida e nos emocionamos com os fatos marcantes de cada um. Lembramos daquele último ano que passamos juntos à praia, em uma ceia improvisada. Lembramos da última vez que sentamos no buteco para comemorar a vitória do time, na última peleja daquele ano distante. Lembramos também dos queridos que se foram nesse ano, e então, lembramos quase a vida toda.
Por isso Ano Novo é antagônico. Pensamos no passado e queremos o futuro. Ano Novo talvez seja a comprovação da teoria da relatividade, já que é possível estar em três diferentes tempos ao mesmo tempo. O passado, presente e futuro estão condensados no mesmo tempo e espaço.
Resta então, à nós decidir como fazer o futuro. Tomar as decisões de final de ano, mesmo que meio de pileque, e seguir a risca o que buscamos. Trabalhar mais ou menos. Viver mais. Perder peso. Ir correr. Viajar. Passar mais tempo com a família. Deixar a família de lado. Saltar de para-quedas! Sei lá!
Mas você sabe.

Música: Any Day Now - Missy Higgins
Por Fernando Flitz Katayama, Toronto, On Canada 31st Dec 2009
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Tuesday, October 20, 2009

Do Rio, Rio ou Choro

A festa tava boa. Todo mundo pulando pelas areias de Copacabana, fazendo o maior auê! O mundo todo estava contente imaginando a gandaia que vai ser! Aquele mundarel de gente, em meio de bundas, mulheres gostosonas e biquíninhozinhos cavadíssimos. Os greengos aqui, já pensando se levam a família ou se vão com a turma do poker de quarta a noite, a opção dois parece ser mais convidativa.
O Governo estava todo pomposo, de peito inflado pela conquista. Lula e os luletes se gambando. O governador tendo orgasmos múltiplos. A oposição com uma pontinha de inveja e um misto de alegria. O pessoal engravatados do bussiness, já pensando em novas estratégias de marketing pare ver se dá para levar mais ouro. Era a festa da conquista da Copa-2014 e da Olimpíadas-2016! De dedinhos para cima, seguindo a marchinha, o Brasil ingênuo sambava a triunfal e histórica dobradinha.
Enquanto tudo é festa nas areias de Copa, no morro, a parcela marginal já age. Eles já começaram a disputa para aumentar suas redes de abastecimento e distribuição. Eles querem ouro, do branco e não aceitam segundo lugar. Para isso disputam à tiro de canhão, bazuca, morteiro, ponto-qualquer-número-maior-que-20 (calibre de metralhadora), arremesso de corpo e a mais nova modalidade, tiro no passarinho (e adeus helicopterozinho). Aliás, o moleque de derrubou o Águia, tá vivendo os dias de glórias do 100m rasos do Bolt. E não estavam nem ai pra festinha que vinha ocorrendo e acabaram com a farra em um simples final de semana. Mudaram radicalmente as notícias dos jornais que falavam antes sobre samba, suor e mulatas, para tiroteio, morte e medo.
Talvez agora, o Brasil acorde e descubra que vive em guerra. Morre mais gente ai, que no Afeganistão. As cenas na tevê, se não tivessem legenda, pesaria que alguma coisa estaria acontecendo no Iraque e não no Rio. Isso mostra o total despreparo da força policial nacional, de baixíssimos soldos, baixíssima escolaridade e baixíssimo preparo com alto grau de corrupção. Com a nossa velha e ressente história, falar de colocar o Exército ou a Guarda Nacional nas ruas é quase uma afrontamento a democracia. E a solução existe? Ou o governo vai fazer como fez com o PCC anos atrás e meter um acordão e vai tocando como dá. Até o dia que não der mais, e parece que esta ficando perto esse dia.
A situação dramática e caótica que se encontra o Rio, é só um exemplo do problema. Todo mundo sabe que o problema não é só no Rio, mas é crônico no país todo. O país é tomado pela bandidagem. Não tem como escapar. Se correr, cai no colarinho branco, políticos, conchavos. Se ficar o Comando Vermelho, Amigos dos Amigos, PCC ou um vagabundo qualquer te pega.
É Ney, se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.


Música: Lucky; Jason Mraz, We Sing We Dance We Steal Things, 2008

Por Fernando Flitz Katayama, Toronto, On Canada 20th October 2009
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Friday, October 02, 2009

Salto com Vara

Chove um garoa fina, que me faz lembrar de São Paulo. Faz frio. Se fosse inverno já estaria nevando, mas não é. É outono, a 10 graus. Estou esperando o inverno chegar, e tá com cara que vai ser frio pra burro. Tomo meu café e leio as notícias via internet. Ouço músicas e vejo tevê. Devo ser hiperativo.
Nesse dia preguiçoso, afinal garoa e frio, nada melhor que ficar em casa, sem fazer absolutamente nada, talvez embrulhado no edredom ou sentado na poltrona de moleton, e certamente tomando meu cafezinho, li essa notícia que eu, particularmente não me lembrava! Moro fora e a mídia aqui tá dando bola para outras coisas. Eu aqui vendo a chuva cair, enquanto no Brasil parece ser Final de Copa do Mundo. As areias de Copacabana estão tomadas por pessoas, logicamente vestidas de verde e amarelo. Apreensivas, como se a bola estivesse na marca do penalti. Lembrando-me nesse instante 82, Zico e Rossi!
Dessa vez, deu Brasil. Abatendo Chicago com tiro de fuzil. Tokyo por ippon, e Madrid, bem, Madrid tomou um pouco à mais antes da ciesta, e dormiu. Brasil levou a Olimpíada 2016. Talvez um dos grandes feitos do Governo Lula, uma vez que, isso é politicagem pura. Após 120 anos, já tava na hora de colocar a Olimpíada em um país da América do Sul. E ali, não tem outro, se não Brasil.
Essa é uma grande oportunidade para o Brasil sair do atoleiro. E parece que dessa vez, vai! Primeiro temos a Copa, em 2014, depois, os Jogos. É uma imensa injeção de dinheiro. E de oportunidades. É a hora de olharmos para o futuro, desenhar o projeto para onde queremos ir. Para os governantes alinhem nosso país em direção à prosperidade. A oportunidade é única. Tem que ser o tiro certeiro. O golpe perfeito. A corrida sem erros.
Para isso precisamos de uma equipe de ponta, com vontade de vencer. O sucesso dos jogos não é só durante o mês que ele acontece, onde terá muito samba, suor e cerveja. É depois e antes. Antes para fazer acontecer, e depois para colher os frutos.
É preciso vontade política de mudança. Mas não só dos políticos, mas da população toda. É a hora de virar a mesa. Partir para o contra-ataque e vencer a partida! E isso que me preocupa. A falta de vontade com o coletivo. Talvez nossa herança extrativista continue empreguinada nos nossos DNA’s. Como nossos patricios em 1500, já tem gente pensando onde é que ele vai conseguir a boca-livre, o contrato milionário, e encher o cú de dinheiro. O PT tá inchado de glória, vendo mais uma forte plataforma. E lógico que no morro os traficantes estão tão ou mais felizes que os políticos, afinal, vejo daqui, os cifrões nos olhos deles. O Governo vai ter que acertar contratos com esses caras para que a coisa aconteça. E essa é uma realidade que terá que mudar para dizermos que somos campeões.

Música: This Fine Social Scene - Zero 7, feat. Sia
Por Fernando Flitz Katayama, Toronto, On Canada 2nd October 2009
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Tuesday, June 16, 2009

Omo, o Branco que Sua Família Merece.

Outro dia me lembrava dos comercias de Tv que via quando criança. Hoje são clássicos da história publicitárias da Tv, na época não me parecia nada demais.
Lembrei aquele do baleiro, que o molequinho girava o baleiro, e o singlezinho acompanhava, até que o baleiro parasse e ele pegava “a bala mais gostosa do planeta”. Lembrei também do moleque ruivo, o Ferrugem, hoje já tá velho e colocava no pé, o sapato “tão bonitinho”. Tinha também o Sanito. O monstro que surgia do lixo, da marca Sanito, para os sacos de lixo. Sanito virou nome de saco de lixo. E da gostosinha do sutiã, e eu nunca achei ela nem gostosinha e nem bonita, mesmo assim, o primeiro a gente nunca esquece. E assim muitos outros que agora não vou lista-los.
Tem um que me chama atenção pelo momento que o mundo vive hoje.
É o Omo. Sabão em pó. Tiveram dezenas de comerciais. Uma série e todos acabavam com “o branco que sua família merece”. Antes no começo, era só um produto, que prometia lavar mais por menos e ainda deixar a roupa branca, branquinha, branquinha. Ai, fizeram o Omo Cores, o Omo Máquina, o Omo Líquido. E todos prometem a mesma coisa: lavar por menos e deixar a roupa branquinha ou não tirar a cor, mas de certo, deixa-la limpa. E não importava, Omo estava em todos os canais, todas as horas. O Omo tava lá, com suas inúmeras séries.
Você deve estar ai me perguntando, o que é que tem o momento de hoje, com o sabão em pó (ou líquido ou seja lá a forma que for)? - afinal o Omo tá ai, lava roupa e boas! Além de que tem gente que prefira outra marca…
A conexão é simples. É o Pretinho Báscio da Casa Branca. É o Obama!
Isso mesmo: Obama.
O Presidente Obama é como Omo. Ele ta em todo que é canal de Tv, não importa a hora do dia. So zappear que você encontrará uma versão do Obama. Ora tá discursando para formandos em uma Universidade, ora tá no Egito vendo esfinge, noutro tá no Senado, ou então falando com algum outro escalão de um outro país. As vezes, até, falando com “o cara” Lula. Obama tá na Tv como o Omo. Agora ta cotado como um dos mais elegantes do mundo, e lançou moda, para político sem gravata!
Como o Omo, Obama está tentando limpar a sujeira do Bush. E não foi uma sujeirinha dessas quaisquer, que sai com água morna, sabãozinho e esfregadinha. Não! Foi muito mais que uma freada na cueca! Obama corre o mundo para falar que ele quer o mundo mais limpo, que roupas coloridas podem ficar juntas com roupas brancas. Que quer ver todo mundo limpo e sem manchas. Isso é o que ele, eu, você e todo mundo quer. Ele precisará de muito Omo, e no final, espero dizer à todos que: Obama é o branco que sua família merece.

Notas: rode o baleiro era do drops Kids; Ortopé, tão bunitinho; Sanito da Sanito; valisiere, suitãs
Música: Black Balloon, Goo Goo Dolls; Dizzy Up the Girl, 1998
Por Fernando Flitz Katayama, Toronto, On Canada 16 June 2009

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Sunday, May 17, 2009

Suite 40

As possibilidades são infinitas. A porta fecha.
Naquela tarde de sol de um Domingo, que não seria como outro qualquer, tudo poderia acontecer.
Tinha jogo de futebol. Talvez fosse a final do campeonato. Não importava . O campeão já estava definido, seria impossível para o adversário reverter a vantagem. Passava também algum filme já reprisado por uma centena de milhares de vezes. Certamente, um programa horroroso dominical estava no ar. A rádio tocava algum top 10. Nada disso é diferente de algum outro domingo de sol.
Uns lavam o carrão. Outros dormem no sofazão com a barriga de fora, depois do almoço familiar, e roncam. Teve lazanha. Alguns, mais jovem, dançam o pagode no churrasco entre amigos. No clube, as meninas de pele dourada tomam sol à beira da piscina, causando frisson, e desfilando maravilhosos pares de bundas. Uns foram a missa pela manhã, outros irão à tarde.
Alguns mais pacatos lêem seu livro, deitado na rede, sentindo a brisa fresca na sacada. Uns só escutam os pássaros e contemplam a natureza. E outros esperam o tempo passar, já com o sentimento que o Domingo vai acabar, que o Fantástico já vai começar e a rotina da Segunda-Feira vai começar logo pela manhã.
E tudo isso seria verdade, se o medo de arriscar não fosse colocado de lado. De deixar o cotidiano meticulosamente desenhado para ser repetido, repetido, repetido, repetido, repetido, e quebrar os códigos osmoticamente empregnados. Seria um Domingo qualquer.
Mas então a porta fechou-se e tudo mudou.
Não existia mais dia. Não era mais final de semana. Era apenas, lá dentro.
Os corpos, dois, movem-se como um. Sincronia. Sintonia. Acrobacia. Beijos, abraços, suor. O gosto gostoso. Conversas infinitas. As horas, já não se contam mais, não há sentido nisso. Perde-se as horas. A cabeça sobre o peito. O coração pulsa acelerado em estado de repouso. O tremor do corpo. A pele macia e perfume de mulher. O sorriso marroto. A gargalhada escrachada. O êxtase em suas mil formas. Sede que quero mais. Boca seca do grito e o beijo molhado.
A porta fechou e então todas as possibilidades infinitas se abriram. Não era um Domingo qualquer.
Basta arriscar.

Música: Human - The killers
Por Fernando Flitz Katayama, Toronto, On Canada 17 May 2009
Aqui a música desse artigo

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Sunday, May 10, 2009

Kú for rent



depois de minhas merecidas férias, volto!
nada melhor do que voltar,
contando piada.

nota: fotografia feita na College Street, Toronto. Comecinho de verão.
foto 7 maio 2009 by f Katayama
texto by f Katayama

Música: PDA - We just don't care - John Legend
Por Fernando Flitz Katayama, Toronto, On Canada 10 May 2009

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Thursday, January 22, 2009

Casa Branca Com Pontinho Preto

Começou o ano à todo vapor. Nada pára para o final de ano. Não tem dessa de recesso, e duas semanas de pernas pro ar, até que o ano vire e esperemos o Carnaval, para realmente começar, e planejar a próxima festa de fim-de-ano! Não, aqui não pára. Pode estar caindo o mundo em flocos ou fazendo frio que até a eletrecidade congela no fio, que o mundo não pára aqui!
E nesse ano eu não escrevi que acredito Papai Noel tanto que não gosto dele. Não escrevi que gosto do ano novo, com todo mundo de branco, pulando ondinhas, só pra ver as gostosas na praia de branco, ficando com a roupa molhada, sexy e transparentes. É, não escrevi. A vida corrida desocupou a minha cabeça de pensamentos de qualidade, agora há um grande vaizo, e põe vazio nisso, já que minha cabeça é enorme, como diria meu amigo do peito.
Mas como ia dizendo, esse ano começou com tudo. O mundo todo estava esperando por ontem! Dia 20 de Janeiro, data historicamente mundial, à partir de ontem. Dia que o Tubinho Preto Básico, assumiu oficialmente a poltrona da Casa. Oblackma, é o show. O mundo ligou seus televisores para acompanhar a sua posse. O mundo viu online. Yes we can, eles gritavam. Eu não vi, No I can’t, I have to work! E não vi o Tubinho preferido do mundo assumir o comando do Salão Oval. Vi depois no playback, e pensei que era um concerto de Rock, com algum rockstar desses ai! Não era, era Obama dançando no palco com sua senhora, enquanto podia-se ver, milhões de cameras e braços levantados para tirar foto do novo ídolo.
Obama quebra o tabu da Casa Branca, e é o primeiro preto ao sentar-se lá, mas também inicia a política do rock! Em coro jovens pela América gritavam o jargão eleitoral, para o novo Beatles. Umas mais frenéticas pareciam chorar. Lembrou-me imagens de ’60 quando os reis do ye ye ye, subiam no palco. Histeria e flahes.
Obama trouxe a força dos jovens para seu lado, e reforça em seus discursos, recrutando mais e mais para fazer a mudança na América. É o rebelde politico, inflando as massas para a revolução, que não vai acontecer, não nos moldes que é conhecida. É a nova política. Política Rockstar!
Depois da desastrosa Era Bushiniana, a Era Obama parece inspirar não só os jovens da classe média americana, destroçada pela economia fragilizada e pela guerra inútil, mas o mundo todo. O mundo deposita nesse homem, uma melhor admistração, causando menos tumulto para todos. E convenhamos que, para fazer pior, tem que ser muito bom em fazer coisa ruim, porque pior que Bush, não há.
É evidente que as expectativas vão além, esperando que um homem só, mude o mundo, dessa vez pra melhor, se bem que é possivel, já que um homem só fez, só que pra pior.

Música: Saving My Face - KT Tungstall
Por Fernando Flitz Katayama, Toronto, On Canada 12 Dec 2008Aqui a música desse artigo

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Friday, December 12, 2008

Pausa de Quatro Tempos

Escrevi sobre um monte de coisa. Política. Romance. Vida. Opiniões banais da vida cotidiana. Das coisas que nos cercam. Das diferentes realidades que vivemos.
É, tem um bocado de coisa ai.
Falei mal do Lula. Detonei com o Bush. Vi o Obama vencer.
Briguei com Juiz bunda mole. Já fui clonado, e inserido em jornal de renome.
Fiz piada. Fiz chorar. Contei das minhas lembranças. Falei do futuro.
Nunca reli tudo que escrevi, e acho que nunca vou fazer. Sei que têm gente que já releu um monte de vezes...
Já gerei ódio e devo ter leitoras-amantes-secretas.
Aqui já falei quase de tudo. Sem papas na língua.
Mas esta faltando um tópico. Vem me perseguindo, martelando minha cabeça. Toda vez que vou escrever sobre isso, pronto, alguma coisa acontece!
Eleição. Seqüestro. Guerra. Greve. Bolsa que quebra. Pancadaria na esquina. E eu, ai, desbundo e não escrevo.
Resolvi deixar tudo isso de lado e partir pro abraço, como diria um “jogadô” de futebol da várzea, lá de perto de casa.
Pois é, dizem por ai, que foi há 50 anos que inventaram a Bossa-nova. Falam que foi o Tio João, não o arroz, mas o Gilberto. Uns dizem que foi outro, talvez Menescal ou Jobim.
Eu não sei ao certo quem é que foi, só sei que foi. E é isso que importa.
A bossa era uma e vieram com uma outra tal, nova. Virou bossa-nova. E agora esta cinquentona, mas enxutona e nem mandou por peitão de silicone e nem botox. Do banquinho e violão, a roda de samba e a influência do Jazz.
O negão americano sambando em síncopes e a mulata sapatendo em tercinas alternadas bemolizadas na terça e quinta - a blue note.
A bossa-nova, influência até o jazz, no reverso do caminho. Imagine só você, que agora a onda é sincopar a batida do jazz, colocando o swing do samba. Música contemporânea. A bossa que influência a MPB. MPB de Elis, Chico, Gil, Caetano, Marisa, Ana Carolina... Mesmo até quem não aceite, o Roqueiro Tremendão e o rock’n’roll de Roberto Carlos tem suas pitatas de bossa.
Não dá pra separar tudo isso dessa coisa chamada música. Parece que, tudo esta separado mas esta tudo junto.
Mas música é assim. Não é uma coisa só, nem um só organismo. É um órgão universal multifacetado. Porque não importa onde é que seja, que você esteja, sempre haverá música.
Pode ser Mozart e Betoween ou modernista Villa-Lobos, arrepiando o clássico. Caveleira e Ozzy em suas cabeleiras. Lennon e Paul. Zé Mineiro e Marciano. Dire Straits e Supertramp. Chet e Miles. Parker e Coltrane. Vaughan e Krall.
Tem sempre aquela música, naquele momento. Música parece ser para o ouvido, mas não é. Música é um embolado.
Pode ser cantarolando andando por ai, com um violão em casa ou assobiando sem se dar conta. Está incorporada e sai sem exorcismo.
Todo mundo têm “a” música. A música do casalzinho apaixonado no coral. A música do ódio mortal, do fim daquilo que parecia infinito. Música da vitória do time. Da derrota. Daquele beijo. Daquela gostosa. Da infância. E da velhice.
Tem até a ausência da música, é o silêncio. Que marca também, afinal, naquele dia, naquela hora, o que faltou e marcou foi não ter aquela música.
Música tem gosto, cheiro e tato.
Música é assim, inspira, respira, transpira, chora, ri... Pouco importa quem foi que criou o jazz, o clássico, o punk-rock ou a bossa-nova. É o caso que, o começo não implica no fim.
Uns cantam. Uns tocam violão. Hermeto toca chaleira. Índio toca bumbo. Uns pandeiro. Outros caixa de fósforos. E todos nós batemos palmas.

Música: The Gentle Rain - Jim Tomlinson & Stacey Kent - Brazillian Sketches
Por Fernando Flitz Katayama, Toronto, On Canada 12 Dec 2008Aqui a música desse artigo

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Wednesday, November 19, 2008

Obama esta para Che

Pronto! Virou moda. Confirmada a vitória triunfante do Pretinho Básico, todo mundo quer vestir! Não importa se a festa é de gala, formal, informal, casamento, velório, balada brega, balada chique, praia com ou sem sol, reunião de família, exame de próstata, orgias na Casa ou um simples passeio pelo shopping center da cidade ou parque. Não importa onde, tem sempre um de Pretinho Básico.
Agora depois da eleição confirmada. Algumas aparições na tv, jornal e lógico internet, o Obama virou mania. Virou Obamania.
Cabe a esse sujeito ai, preto escolado de Harvard salvar o mundo, deles mesmos. A vitória obamica representa a frustração americana e a vontade de permanecer unipotente. Os americanos estavam descontentes para onde o Governo Bushista estava indo. Bush, armou o circo para ser o palhaço do mundo por um bom tempo. A estratégia era manter-se por mais tempo, mas não deu. A lona caiu. Desde 9/11, teorias conspiratórias, reforçam que a fatídica investida no Iraque foi uma armação. Sem 9/11 Bush teria um único mandato. Os democratas deram o troco e derrubaram Wall Street, e criaram a Obamania.
Obama parece ser agora o cavaleiro das cruzadas. É a esperança de mudança, e mudança aqui, significa, manter-se no posto de potência global. É visto pelas massas como o anti-herói mulato. O super-héroi que vai trazer de volta a prosperidade americana. É o guerrilheiro da Casa Branca, vestido de paleto azul marinho e gravata vermelha.
Talvez represente agora o novo rebelde. O rebelde que luta para manter a estabilidade, sustentar o capitalismo e fortalece-lo. E talvez seja isso mesmo que o mundo todo quer, e não quer mais, rebeldes com barba e estrela vermelha.
E como rebelde da modernidade, Obama esta estampado em dúzias de centemas de camisetas, com sua cara. I love Obama, Obama substituiu Marilyn de Andy Wharol ou uma simples camiseta preta com um sorriso branco. Como Che, o rosto de Obama esta nas camisetas pelo mundo. Talvez em alguns bons 40 anos, os jovens, sem saber bem quem foi Obama, mas usarão a camiseta com o rosto estampado. E se perguntarem para eles quem foi Obama, responderão:
- Hummm, sei lá, era jamaicano ne?! Sei que ele foi o cara que salvou o capitalismo.

Música: Dear Mr. President - I’m Not Dead - Pink
Por Fernando Flitz Katayama, Toronto, On Canada 19 November 2008

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Wednesday, November 05, 2008

Oba! Oba! Oba(ma)

Pronto! Acabou! Acabou a disputa pela a cadeirinha mais poderosa do mundo. Finalmente, depois de meses de disputas, o pretinho básico, levou a parada contra o dinossauro branco.
Oba! Oba! O mundo agora tem Obama!
Obama, o tubinho preto, não é tão básico assim. Primeiro venceu a Dinastia Clinton, e convenhamos que não é uma batalha para ser menosprezada. Talvez tenha sido mais acirrada que a disputa com o McCain. Bater o retrógrado e mumificado McCain pareceu-me mais fácil que bater Hillary. Dizem que é covardia bater em velho, caduco e manco.
O negócio agora é o que vem por ai! Obama tem a maioria no Congresso e no Senado, o que dá a ele um poder que poucos tiveram. Entra com o apóio de uma grande parte da população. A democracia Americana mostrou-se eficiente.
Entra também em um momento complicado da tal crise econômica mundial, que me cheira muito mais uma jogada política, estrategicamente calculada, com perdas e danos, previamente acertados, como intuito de tirar os republicanos da cadeira. Afinal o que são alguns dólares no ralo, se minha caixa d’água ficar cheia já já. Que rolem umas cabeças, que não a minha e tá tudo bem.
E nele também sentam algumas responsabilidades, frutos da sua própria campanha. É a esperança de muita gente que ele mude a política mundial. Que tire as tropas da Guerra que não os pertence. Que faça a economia crescer e que tire da merda que estão atolados os EUA. E na rebarba, ajude os países em desenvolvimento como o Brasil.
Obama é a representação em carne e osso, de Martin, o marco do movimento negro. Mostra que mesmo que demore, lutar pela mudança, mesmo que pareça impossível e inviável, por muitas vezes, surte efeito, mesmo que retardado. McCain e a Klux Klux Klan, vão observar de longe, se remoendo e roendo as unhas de raiva.
A representação da mudança parece ser tão assustadora, que especulações da radio-peão, começaram já, a assassinar Obama. Talvez aconteça mesmo, afinal explodiram a cabeça do Kennedy no colo da Jackeline, e não foi porque ele comeu a Marilyn. A mudança é um assunto assustador, e depende de onde se mexe, além de medo, cheira defunto.
Obama não é Deus. Não é nem de longe Santo. Não fará milagres. Não fará chover na seca, nem conterá furacão. E para nós, míseros espectadores do mundo, nos resta esperar que ele supra as expectativas, faça um governo generoso, não só com os Americanos, mas com o resto do mundo, e não destrua o mundo, como W Bush o fez.

Notas Hoje 5 de Novembro foi a Eleição presidencial nos EUA
Música: Tomorrow, Duffy
Por Fernando Flitz Katayama, Toronto, On Canada 5 November 2009

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Wednesday, September 10, 2008

Não Voto. Justifico.

Parece que o mundo todo resolveu exercer o direito democrático ao voto. Começou com a corrida à Casa Branca. A disputa entre os Democratas Obama e Clinton. Tudo preto e branco. Um verdadeiro show, para ver, quem é que iria finalmente ao páreo. Deu Obana, yes we can! Agora o preto-elite irá concorrer com o dinossauro branco.
O cavernoso McCain, talvez nascido do mesmo embrião, sendo assim, gêmeo do macaco branco Bush, esta nessa ai, para manter as coisas como estão ou talvez piorá-las. Quer uma ou mais guerrinhas, para poder dar a desforra, aos vermelhos viets, que o prenderam durante a investida cretina no chuvoso sudoeste asiático, em meados de ‘70. Vai manter a guerrinha no oriente-médio, controlando o preço do óleo. Já pediu para o tão maluco quanto, Putin, cutucar as republiquetas do subúrbio russo, para garantir, ao menos uma faisquinha, com meio pé na Europa.
O mesmo acontece no Canadá. Começaram as campanhas para Primeiro Ministro, súdito da rainha Elizabete II. Aqui, como sempre, as coisas são menos intensas do que lá dos primos do sul. Os debates e provocações, acusações na tv e chacotas são comum em qualquer campanha política. Aqui não seria diferente. O atual Chanceler, Harper, usa a investida no Afeganistão para abocanhar alguns votos, uma vez que a população desaprova o uso de sangue canadense para a construção do país do ópio. Harper que não é bobo, promete tirar as tropas a partir de 2011. O que ele não conta, é que tudo depende de que vencer na terra de tio Sam. Aparentemente, Harper deve torcer para Obama, mas parece mesmo gostar da gang do Bush.
Uma coisa que aqui é diferente do Brasil, é que só vota cidadão. É, é preciso ser cidadão para votar e se quiser. Para canadenses, exercer o direito de voto é uma coisa muito importante. Mas nem todos querem ou se preocupam com isso.
Foi então que eu me lembrei que estão por vir eleições no Brasil também. O mundo resolveu votar. Começou o programa eleitoral gratuito (e obrigatório) nos meios de comunicação. O festival de aberrações e falta de seriedade da sociedade. O reflexo da sociedade brasileira e o despreparo democrático. Vereadores com idéias tão estapafúrdias quanto seus nomes de legenda. Prefeitos sem o mínimo preparo. A propaganda na tv parece um álbum de figurinhas das de filmes de ficção científica trash B. Só falta colocar uma lona e comprar a pipoca para chamar de circo. Se bem que, se colocar uma luz vermelha, vira puteiro.
O Brasil parece estar a deus-dará. Vale tudo para entrar no sistema do governo. Talvez a melhor maneira de levantar uma grana, ser conhecido e não fazer nada. É um problema tão crítico que não se sabe bem, onde começa, muito menos se tem fim. Do vereador banguela ao engomadinho-playboy, o importante é pisar lá.
Talvez o grande problema é a obrigatoriedade do voto. Na democracia-obrigatória nacional. Voto obrigatório. Propaganda obrigatória. Direito obrigatório. Já falei muito disso aqui.
Eleição no Brasil é como Copa do Mundo, uma vez de tempos em tempo, com festas e bandeiras na ruas, e ninguém se lembra mais da escalação do time campeão, mas também não estamos nem aí, em 4 anos tem outra. É a lambança nacional que reflete o contexto de desordem que vive o país. Veja o Rio e a guerra civil entre traficantes, policiais (bons e ruins) e a população (adicta ou não). Isso sem contar nos currais de que não se tem notícia.
Eu estou em minha cruzada Quixotesca, lutando contra o cata-vento da democracia-obrigatória. Espero que um dia, a maturidade democrática mude os viés da política nacional. Provavelmente, não estarei aqui para ver. Como sou contra a obrigação de exercer meu direito, não voto. Justifico.

Música: 300 Picaretas - Paralamas do Sucesso
Por Fernando Flitz Katayama, Toronto, On Canada 10 September 2008

Wednesday, July 30, 2008

Rá tá tá

Luzes piscam alucinadamente. Explosões. Barulho. Cheiro de borracha queimada dos pneus ralados no chão. Tiros. Sirenes. E heróis que nunca morrem. Em suas motocas maravilhosas ou colocando o boné pra trás, resolvem crimes insolúveis e prendem os mais diversos tipos de mau caráter.
Talvez um Magnum* resolva tudo. Ou o intrépido herói salva a mocinha, sempre linda, das mãos inescrupulosas do gordo e suado com charuto na boca. Tudo com a trilha sonora empolgante. O sonho de ser herói é um barato curtido na sala escura do cinema, e acaba quando a luz acende.
Não são balas de festim. A mocinha não é linda. A motoca é surrada e o boné é velho e suado. A viatura não tem pneu. Não existe o Magnum. E o bandido?
No Brasil sem dono, ninguém sabe mais quem é quem. Dos criminosos milionários, que reclamam de serem algemados aos pés-de-chinelo, muito loucos de crack. Do juiz ao bandido de farda. Corruptores e “corruptados”. É o bang-bang à italiana.
É momento crítico onde a população parece confiar mais no bandido. As suas funções são claras: matar, roubar e infringir a lei. Os chefões do tráfico ainda ajudam a sua comunidade, desde que siga a lei-fora-da-lei, ou morre. Já a polícia, ninguém sabe ao certo o quem é o que.
O total despreparo do soldado. O baixo soldo. A falta de amparo das instituições corrobora com o quadro digno de um filme de Zé do Caixão.
A discussão sobre a segurança pública é inevitável. Morrem como se estivéssemos em Guerra, talvez no Iraque ou Afeganistão. Mas não é, é Rio e São Paulo. Pode ser pior: lá no Oriente Médio pode ser mais seguro e eles estão em Guerra.
Todos nós queremos poder ir ao caixa eletrônico, parar no semáforo vermelho e ter a vida tranqüila, sem se preocupar muito se vai voltar vivo pra casa.
Precisamos da polícia mais equipada e preparada, não há dúvidas. Precisamos pagar mais a ela também. E não podemos esquecer que o órgão é feito de homens. Matéria essencial.
Não há preparo do ser humano. Não só da polícia, mas do todo. Precisamos mesmo é melhorar o ser humano nacional. Educar. Dar a base do berço. Aí quem sabe, um dia, polícia passara a ser polícia e bandidos serão exceções, e eu poderei ir ao cinema de madrugada, ver meus heróis preferidos, e melhor, voltar pra casa, para contar a história pela manhã.

Notas: Magnum é o revolver do Dirty Harry, imortal personagem vingador de Clint Eastwood.

Música: SWAT - trilha sonora

Por Fernando Flitz Katayama, Toronto, On Canada D30 July 2008

Wednesday, July 09, 2008

Taliban, pero no mucho

Alguma coisa deve acontecer entre os paralelos 0 e 35. Pode ser o calor que cozinha o cérebro de alguns. Às vezes é em clima árido, desértico. Outras vezes em clima tropical amazônico, que de tão úmido parece ser uma sauna. Em um nunca chove e quando chove o povo não sabe se diz Aleluia ou se chora, uma vez que é torrencial e alaga tudo. No outro chove todo dia e às vezes, o dia todo, todo dia. O povo já acostumou andar molhado.
O clima amazônico é realmente diferente do clima do deserto. Mas parece que as diferenças acabam ai. Parece que nessa faixa, compreendia pouco acima e pouco abaixo do equador, a pressão dos ventos, marés, sol é maior. Deve gerar o comportamento semelhante.
Na floresta amazônica, terroristas da milícia armada colombiana, as Farc. No deserto afegão, os terroristas extremistas talibans. Um diz que luta pela igualdade e dignidade do povo. Outro por Alá e o mundo islâmico. Não medem esforços para que seus objetivos sejam atingidos. Em nome da Causa, o meio justifica o fim. A estratégia é esmagar o que for obstáculo. Seqüestram, matam, atacam, e que morra quem se meter no meio ou que estiver no meio, por acaso, se assim for o caso.
Na luta contra terror, Bush, o macaco branco americano, começou a Guerra infindável no oriente médio. Ele queria mesmo é o petróleo. Agora lutam lá, sem saber porquê. O mesmo acontece no Afeganistão, que entrincheirados nas Colinas, o talibans planejam a sua conquista do Mundo. Me pergunto se Bush, vai mandar os Marines para a Colombia. Já que terrorista é terrorista e as Farc são farinha do mesmo saco dos talibans. Diferem é que a farinha das Farc é de cocaína e do Taliban é de ópio. Mas se igualam por serem motivados pela lógica mercadológica do tráfico de drogas e pelos lucros assombrosos desse mercado.
Enquanto o mundo assiste as atrocidades da Guerra, a morte de soldados em luta contra o cata-vento, a fuga espetacular do cativeiro, a explosão na embaixada, atentados contra a existência da vida, como em um filme de Hollywood, os terroristas talibenhos e das Farc vão conquistando o mundo, usando da estratégia mais sorrateira possível, desviando o olhar para a pirotecnia bélica enquanto dominam o mundo pelas narinas – dos outros.
Música: Je t’amie a la haine - Soprano
Por Fernando Flitz Katayama, Toronto, On Canada 9 July 2008

Friday, May 30, 2008

Cá e Lá

O frio na barriga estava comigo. É sempre assim, nesse hiato entre lá e cá.
Cheguei lá. Disseram-me que estava frio. Eu suava.
Deveria ter ido de chinelo e bermuda. O casaco já fora esquecido na mala. Para mim estava quente, mas vi gente de casaco de inverno.
Estranhei o som na rua, e me senti estúpido. Era um sujeito qualquer falando português. Fiquei meio confuso, mas talvez tenham sido os perfumes que cheirei, no mercadinho do aeroporto.
Foi assim que cheguei de volta ao Brasil. Depois de alguns anos, pisei na Terrinha.
Dessa vez não foi suficiente, o tempo foi muito curto para tudo que precisava e queria fazer. Tive que optar, e optei por fazer o que dava, sendo essa a minha única opção.
Mas pensando bem, o tempo nunca será suficiente. É como quando vamos viajar para algum lugar, e sempre tem uma ou outra coisa que não deu para fazer ou ver, ou aquela preguiça de voltar a rotina, e querer ficar sentado à beira da praia com os pés no mar, dizendo estar vendo o por do sol, mas na verdade estamos vendo mesmo são as mocinhas correndo no final de tarde. Sempre digo que essa é a melhor desculpa para voltar: deixar algo por fazer.
Mesmo assim, quando cheguei, parecia que tinha estado lá, ontem. Mas não foi. Fazia tempo que não pisava lá.
Fui paparicado por mamãe. Tive que maneirar na comida, já que tudo que eu gosto, estava lá, na minha frente. Andei pelo jardim, e relembrei da minha infância em casa. Parece que quando estamos longe por tanto tempo, essas lembranças voltam mais fortes.
Vi meus sobrinhos pequeninos e sorridentes. Conversei com minha irmã. Fomos ao shopping, e ela sentiu-se a mãe mais orgulhosa do mundo, a cada elogio aos gêmeos que estavam nos meus braços. E é engraçado carregar neném no colo, a gente faz careta, baba, fala mole, e se esquece que todo mundo tá olhando para você, com cara de bobo.
Dei risada com minha tia-avó, já tão velhinha, mas com seu humor sarcástico e irônico.
Revi pessoas queridas, que entram em nossas vidas meio sem querer. Tomamos café.
Revi alguns poucos amigos do coração. O tempo foi suficiente para um forte abraço e um beijo, mas insuficiente para colocar a conversa em dia. E infelizmente não consegui ver todos.
Separei um tempinho para ir aos bares que gosto. Afinal, neles escrevi muitas das minhas histórias. É muito bom ser relembrado por todos lá.
E no meio disso tudo, também conheci gente nova. Gente bonita e de bom papo.
Mas sempre tem a hora de ir embora. É a hora que se pensa em ficar.
É a hora que dá aquele gostinho de quero mais. E é nessa hora que ponho a saudade de lado e a deixo lá. E entro no avião já esperando o próximo frio na barriga


Por Fernando Flitz Katayama, Toronto, On Canada 30 May 2008

Tuesday, May 06, 2008

Férias em Casa

Lembro da primeira vez que tomei um avião. Eu era pequeno. Sentei ao lado de meu pai. Naquela época ainda podia-se fumar na cabine e os talheres eram de metal. Não sei ao certo para onde íamos e realmente pouco importava, estava em um avião. Sentei na janelinha e vi as coisas diminuírem até que as nuvens apareceram. E foi emocionante.
Lembro também, que anos depois, iria sair do país pela primeira vez. Iria de PanAm. Norte-América me aguardava e ficaria um tempo na casa do meu grande amigo.
Era a aventura de ir sozinho para terras desconhecidas, de idioma estranho e mulheres sem bunda e de peitão. Não sabia como seria, não tinha idéia, mas sabia que seria uma aventura bacana. E foi.
Depois fiz muitas outras viagens pelo mundo. Rodei a Europa de mochila. Eu e minha irmã levantávamos o dedo, e pra onde soprava, era para lá que iríamos. Conhecemos pessoas no percurso, que nunca mais vimos. Conhecemos um monte de lugares, e logicamente um monte de fotos e histórias. Fui outras vezes ao velho continente e a América. Fui ver o primeiro raio de sol lá no Japão e vi o sol da meia-noite na Suécia.
Minhas férias eram gastas rodando o mundo fora de casa. Acabava uma viagem, pensando já, na outra. Férias são para isso. Ir conhecer coisas e expandir o conhecimento e a cabeça. Ir sempre para algum lugar diferente, voltar e ter um monte de coisa para contar.
Férias...
Agora alguma coisa mudou. E mudou muito. Estou saindo de férias, apesar de ser curtinha, de 7 dias, são férias. Não vou a um lugar desconhecido. O idioma é o meu. Os costumes eu já sei. Sei o que vou pedir para comer. As mulheres terão bunda, e algumas já mandaram por o peitão. Será tudo diferente das férias que tive.
Vou de férias de volta para casa. Parece ser estranho dizer que, suas férias serão de volta para casa. Mas isso é um fato de quem não mora mais onde nasceu.
Hoje, ir de volta pra casa é a aventura de rever a mãe, de ver quem você nunca viu antes, mas já os conhece. É a aventura de rever os amigos e saber das histórias que você não sabe. De contar as aventuras que teve. É ir de encontro ao novo-conhecido.
Mas mais que isso é ir de encontro com tudo aquilo que você deixou para trás. De balançar ao ver tudo aquilo junto. De pensar na vida e gastar uns segundos, perguntando-se se você fez ou não certo, sabendo que essa resposta não existe. Ir de volta pra casa é tão emocionante como a minha primeira viagem de avião.

Notas: Faz tempo que não volto para “casa”. Desde que sai, há 2,5 anos é a primeira vez que volto.
Música: Mudaram as Estações - Cassia Eller
Por Fernando Flitz Katayama, Toronto, On Canada 06 May 2008

Thursday, April 17, 2008

Livro em Branco

Aconteceu em meados de 70, quando eu usava o cabelo em forma de tigela. Era primavera, como hoje, só que no hemisfério do sul e certamente, estava mais quente. Não me lembro quantos anos tinha, estava na escolinha. Sentado em um carrinho de madeira, dei com a testa na quina. Sangue para todo lado, e uma cicatriz na face. Lembro que chorei. Acho que chorei mais de desespero de ver minha irmã chorando ao me ver, em todo aquele sangue, do que de dor, porque não me lembro da dor. Mas me lembro do choro. Tenho então 13 pontos na testa. Nessa época, lembro das minhas brincadeiras na rua, de subir na árvore e correr pelo quintal, com meu fox paulistinha, Bilú. E Bilú, com todo seu porte de fox paulistinha, era fiel e feroz. Uma fera de 5 quilos.
Já nos anos oitenta, década de ouro, destruí uma bicicleta caindo de fuça no chão. Estava com um amigo, e sentado na poça de sangue, pedi que fosse chamar a mãe dele, já que o hospital me esperava mais uma vez, e talvez se tornasse rotina em minha vida. Logicamente, alguns pontos, e a cicatriz na cara. Mas esse período não deixou só marcas de acidentes, foi marcado pelas bandas de rock, pela adolescência e descobertas.
Em oitenta, ouvindo os então novos, Barão Vermelho, Paralamas do Sucesso, Legião Urbana, Blitz e tantos outros do rock nacional, fazia viagens com a escola e acampamentos com meus amigos-escudeiros, em lugares remotos, onde quanto pior, melhor. Fui à praia de ônibus, em uma saga aventura. Começaram as paqueras, e descobri que meninas não eram tão chatas assim e que no fundo, gostava delas. Romancezinhos ingênuos. E o drama da adolescência.
Quando vi, duas décadas tinham se passado, e eu já tinha uma porção de histórias para contar. Mas em 90, no auge da juventude, sem tanta ingenuidade dos 80, aconteceram coisas como vestibular, festas de gente grande, inúmeros dias de ressaca, a noite anterior certamente foi uma festa, e não necessariamente festa em final de semana, porque todo dia, era dia de festa, e que festas!
Fui também conhecer o mundo. Rodei de mochila por ai. Visitei lugares e mais lugares. Tem lugar que nem sei onde é que estava, como a vez que tive que negociar com um policial de fronteira, de um país do leste europeu, meu passaporte de volta. Ou no Japão, quando vi o monstruoso e gigantesco Monte Fuji. Cada viagem daria um livro.
E logicamente com tantas viagens e festas, romances e mais romances, amores e desamores tinham que acontecer.
Lembro de Beatriz, menina-moça que me tirava do sério com suas formas. Menina nem grande, nem pequena. Média. Seios médios e bunda média. Tudo médio em harmonia. Tinha tudo ali, a ingenuidade pós-adolescência e com a sensualidade de uma mulher. Era uma coisa de enlouquecer qualquer moleque no pico da porra na cabeça.
Ana e suas coxas grossas, lábios carnudos e batom vermelho. Uma mulher. Era mais velha que eu, e não se importava. Luiza e seu beijo espetacular e o amor infinito, até que acabou. Da paixão avassaladora por Mariana, que o fogo consumiu. Do namoro tranqüilo com Carolina. Do romance secreto que tive, e sou impossibilitado de revelar o nome, mas posso dizer que ela era linda, de parar o transito. Uma delícia de mulher com seu corpo maravilhoso, peitos, bunda, cabelo, beijo espetacular e além de tudo, éramos grandes amigos.
Ou então dos diversos casos casuais, entre festas e fogos, que contam cada um, um romance passageiro, que talvez, fosse só de uma noite trancado em um quarto de hotel. Paixões de momentos e instantes.
Agora, 30 anos depois da testada que dei, continuo a colecionar pontos e cicatrizes. Continuo a viajar pelo mundo de mochila. Ouço ainda as bandas de garagem dos anos 80, elas continuam muito boas. Continuo tendo romances e mais romances.
Isso tudo porque acredito que a vida é um livro em branco, e resta a nós escrevermos as histórias. Minhas histórias são do passado e do presente e agora vou escrever histórias para o futuro.

Música: Será - Legião Urbana
Por Fernando Flitz Katayama, Toronto, On Canada 17 April 2008