Friday, April 06, 2007
O Rabino, a Gravata e o Nó Cego
Anormal mesmo é o que eu ando vendo nos jornais brasileiros. Abismado com as coisas da América do Sul e com as direções que o governo Luluista vem tomando.
Começou com o parimento de ministérios, para agradar os gregos, os troianos, os astecas, os maias, o PCC, o PMDB, PSD, PFL... Dando mais que puta desesperada, Lula gerou mais e mais ministérios, aumentando o já altíssimo custo da máquina estatal enferrujada. Ai, veio o Bush. Lula nada conseguiu do macaco gago. Depois Lula foi. Achou bacana andar no carrinho de golf e nada conseguiu do macaco gago, que ludibriou o inocente Presidente brazuca.
Pior não foi isso. Lendo notícias, vi que o Planalto esta andando em cascas de ovos para ir discutir com Chavéz sobre os bio-combustíveis. Lógico que isso é pressão gringa, que já sabe que esse recurso negro, já tem os dias contatos.
Chavéz, verborragico, falou pelos cotovelos sobre a fome e os problemas do uso de cana para fazer combustíveis. Segue a filosofia de Castro, como a cartilha da galinha Corococó lá do jardim da infância. O anti-americanismo chaveztiano soa-me idiota em um mundo globalizado. E Lula não sabe se cai para o lado do Chavéz, a quem se refere como aliado ou se cai fora e dá loco o lombo para os Greengos. Chavéz justifica que trará fome ao mundo o programa de uso de combustíveis alternativos, uma vez que as áreas destinadas ao plantio serão tomadas pelo feroz capitalismo.
Lógico que Chavéz não esta olhando para a fome do mundo, porque o problema da fome não é terra, nem recurso, é político. Chavéz como todo bom ditador, assim como Fidel, olha para o próprio umbigo. Esta puxando sardinha pra o seu lado. Venezuela é um grande produtor de petróleo e uma fonte alternativa, minaria não só a sua economia mas o grande poder de barganha com os americanos.
É claro que um programa de incentivo ao plantio da cana-de-açúcar tem que ser muito bem feito com regras e restrições, principalmente em um país-lambança como o Brasil, enraizado no extrativismo colonial. O capitalismo desvairado poderá levar a monocultura aos extremos dela.
Lula parece um nó cego. Vai defender o pró-álcool e nada desatará. Deve ser porque assim dará pra fazer mais cachaça. Vai dizer que colocará mais homens no campo e que gerará mais empregos. Pode ser verdade, contudo um campo maquinado e bem equipado é mais produtivo que com um bando de bóias-frias, e como bom capitalista, prefiro máquinas produtivas à um bando de bóias-frias.
É preciso ter mais cuidado ainda, o falarmos da distribuição da renda, através de mais homens trabalhando no campo. Com o plantio da cana, o risco dos Barões voltarem a cena e grande, e a renda ficaria mais concentrada, uma vez que é preciso terra. Muita terra. Lembre-se que: a tal reforma agrária já faz 20 anos e até agora mesmo velha, ela nem sabe engatinhar. Para piorar, nasceram serem malignos como o Maluco do MST com idéias pra lá de perigosas a humanidade.
Seria melhor o Brasil investir em pesquisas e desenvolver novos recursos. Aliás falta ao Brasil posicionamento estratégico. Como quando perguntamos a um garoto o que ele quer ser quando crescer, e ele diz: bombeiro. Se perguntar ao Brasil, ele, com 500 anos ainda não sabe a resposta. Enfim, Lula e Chavéz são dois nós cegos.
Pior ainda é a crise dos aeroportos, controladores de vôos, porque até para sair do país a coisa ficou difícil. Lula, na maciota, anuncia o fim da crise sem ter uma solução. Só no Brasil para alguém anunciar o fim de uma crise, sem ter uma solução. E como sempre, ele brinca que governa.
Mas o melhor exemplo mesmo é o Rabino Surtado. Já o achava louco e hipócrita, com aquele sotaque arrastado e idéias de devaneios. Mas o surto de luxo do Rabino, o ladrão de gravatas Louis Vuitton e Armani comprovou tudo.
No Brasil roubar é legal. O rabino só se desculpou e nem se quer pagou fiança.
E de fato, o Brasil enlouquece qualquer um.
Música: 1.100.00 - Ana Carolina - Dois Quartos - 2006
Por Fernando Flitz Katayama, Toronto, On Canada April 5 2007
Saturday, March 24, 2007
Pescoço Torcido
Sarney não começou seu texto invocando homens e mulheres do Brasil, nem me lembro como ele começou para ser sincero, mas o conteúdo era um tanto interessante, e não falava de marimbondos. Disse lá que o grande vilão do desgraçado e ridículo desenvolvimento nacional, até mesmo comparado-se ao próprio umbigo, é da Constituição de 88. Disse lá, que de pescoços torcidos, os políticos escreveram a constituição olhando para o passado. Citou nomes americanos para demonstrar a solidez da constituição americana feita por 55 pessoas e comparou com a celebre nota de Ulisses Guimarães, que dizia que a nossa foi feita por 10 mil. A gringa tem 200 anos e é solida, já a nossa tem 20 e tá toda remendada. E ainda reforçou a seu ponto com dados e números de fontes fidedignas. E eu concordo com ele. Eles não só olhavam para o passado, olhavam só para o passado deles, dane-se a Nação.
Seo Zé Sarney só esqueceu de incluir-se a corja. Tentou esgueirar-se da culpa. Não cola. Sarney, vice de Neves, esta no cenário político brasileiro há muito. Fez parte do Arena em plena ditadura. Não é atoa, que na eleição indireta de 85 estava lá como vice. Culpou os senadores e deputados constituintes pelo corporativismo instalado no país hoje, um dos responsáveis por esse crescimento gabirú, mas não chamou para si a responsabilidade como Presidente. Coisa que esta em voga hoje, ou talvez nunca tenha saído de moda na passarela política nacional. Não ter responsabilidade, não assumi-la ou não saber é característica.
Não vou ficar aqui falando mal do Sarney, nem do Neves, que foi morrer antes de sua posse, apesar que cotado como o “salvador”, estava na política há mais tempo que seu vice na época, e era íntimo do Arena, pai do PMDB e irmão da UDN. Muito menos vou falar do Collor e do topete do Itamar. Nem pensar em falar do FHC, SBP•1 ou BHC•1. Nem do Lula. Figueiredo, Médice, JK, GV ou o grande Cabral, não o ministro, mas o Álvares. Estaria fazendo o que eles todos fizeram: olhando pra trás.
Os pescoços torcidos ainda estão impregnados no Palácio do Planalto. Talvez por estarem sempre olhando pra trás e apoiados em verdades ultrapassadas e nem tão verdades assim ou até em grandes engodos, os passos do desenvolvimento andem tão lentos e amedrontados, com muitos tropeços e pouca visão de futuro.
Notq *1: SBP e BHC são inseticidas, e não tem nada haver com política, a não ser se voce usar para eliminar esse tipo de inseto.
Música: Attitude - Guns and Roses - Spaghetti Incident - 1993
Por Fernando Flitz Katayama, Toronto, On Canada March 24 2007
Saturday, March 10, 2007
Homens e Ratos
Achei interessante e li. Falava sobre a cognição camundonginiana. O tal estudo, do tal cientista, investigava se o rato teriam como fazer a melhor escolha. Isso não tem nada de condicionamento, antes que vocês já saiam falando pelos cotovelos, dizendo: “mas claro, eles foram condicionados!”
Enfim, ele estudou os ratos e descobriu que são capazes de escolher o que é melhor. Incrível. Mostram que tem conhecimento. O camundongo sabe que se fizer isso ou aquilo, vai ser melhor ou pior para ele. Humanos cientistas, achavam que só os primatas tinham essa cognição. Agora os ratos também tem. Esse mundo da ciência é surpreendente...
Como disse que não sabia se era ou não coincidência e vocês devem logicamente se perguntando sobre o que é. É que no mesmo jornal, eu vi as barbáries que aconteceram em São Paulo, na manifestação anti-Bush.
Aquela multidão toda na Paulista com faixas, megafones, bandeiras... Protestando contra o cara. Uma multidão de impressionar, dizem que eram mais de 10 mil. O Bush nem viu, e muito nemos, ligou.
O Presidente Americano tava mais interessado em sair logo do solo subdesenvolvido com acordos favoráveis à América, mas antes queria dar uma espiadinha, na tal morena-bunda-de-fora sambando. Foi para o Brasil discutir o uso do biodisel e dos combustíveis alternativos, já que eles aqui, estão se preparando para o colapso que vai acontecer em breve. Lula achou que ele tava falando de álcool e tomou unas doses de cachaça antes do encontro. Tentou levar o Bush para o boteco ao lado, para dar um trago, no verdadeiro estilo brazuca, barrigão no balcão e copinho de vidro sujo, mas o cara que experimenta tudo antes do ban-ban-ban americano, fez uma cara tão feia no trago que deu, que o Presidente desencanou, e pediu uma Perrier, que a comitiva trouxe. Lula no entanto, em um ato de amizade diplomática, serviu do seu alambique particular, localizado em seu gabinete, um shot da sua melhor cachaça. Partir daí, só beberam água. Um Perrier, outro Ardente.
O Bush saiu sem arredar o pé nas políticas que já estavam vijentes sobre os combustíveis alternativos, inclusive o biodisel, e ainda consgiu impor mais umas coisas e o Lula saiu trançando as pernas.
Logo em seguida, o disléxio ameircano decolou.
Enquanto tudo isso acontecia, o bicho pegava na Paulista. Cenas que me remeteram diretamente ao Oriente Médio. Bombas de gás, pedras voando, cacetada para um lado, porrada no outro e neguinho com a cabeça rachada. Se olhar de relance para as fotos, nunca pensará que foram feitas na Paulista, mas sim, em Gaza.
Acredito que o movimento democrático deva existir. Mas não acredito em arruaça. Manifestar-se contra um político, governo, lei é uma coisa... Vandalismo é outra.
Me impressiona, que as mesmas pessoas metidas no quebra-quebra, criticam os palestinos e muçulmanos que guerreiam dessa forma a séculos, e talvez até, com muito mais legitimidade de assim o fazer. Para mim, soa como um bando de cabeças ocas, condicionados a não pensar e não relfetir sobre seus atos. Pergunto se essa manifestação teve algum resultado positivo, se demostrou a insatisfação da sociedade e se pressionou as lideranças ou se perdeu todo o sentido e se tornou um ato tão banal como uma briga na arquibancada do jogo do Pirapora e Matoense.
Mas de volta a vida de comundongo, se eles tem cognição de escolher o que é melhor porque certos homens não?
[música: Bicho Escrotos, Titãs - Cabeça Dinossauro - 1986]
Por Fernando Katayama, Toronto On Ca 10 March 2007
Thursday, January 25, 2007
Bill, Hillary e Billary
Foi nesse sábado que a Senadora Democrata Hillary Clinton oficializou sua corrida à Casa Branca. Como disse, nenhuma surpresa. Mas é um fato marcante na história americana. Hillary foi primeira-dama, e é a primeira primeira-dama a se candidatar ao maior cargo político dos Estados Unidos.
Foi providencial o lançamento de sua candidatura. Terça-feira, uns dias depois, o presidente Bush, faria seu discurso para o endossamento do Congresso, que é majoritariamente Democrata.
Os críticos políticos dizem que uma das grandes coisas que ela tem, é ter Bill Clinton a seu lado. Penso que foi diferente. A grande coisa que Bill Clinton teve, foi ter Hillary a seu lado. Foi ela quem segurou a onda, quando pediram o impeachement, no caso da Mônica Chupeteira. Hillary não só segurou a barra do maridão, como lavou o vestido guardado por um ano, sujo de porra.
Hillary é hoje uma das mulheres mais fortes dos EUA. Tem a seu lado, a maioria do Congresso. E tem como maior aliado, o presidente Bush, que de tão incompetente, continua fazendo as asneiras costumeiras, destruindo a popularidade Republicana. Em seu discurso no Congresso na última terça-feira, reforçou sua falida investida no Iraque e ainda ameaçou o Irã, indo contra o Congresso, contra os próprios republicanos e sem dúvida alguma, contra a opinião pública.
A corrida para a Casa Branca ’08 parece ter já nome certo. Se não houver mutretagem, como nas eleições passadas, os críticos acreditam na vitória de Hillary.
E me parece uma boa escolha. Hillary terá o trabalho de refazer tudo que Bill havia feito e o débil do Bush desfez, e mudou a geopolítica mundial. Coisa nada fácil, ainda mais com o barril de TNT que é o Oriente Médio e o fanatismo religioso-político que rege a região.
Se de fato o fizer, Hillary entrará para o Hall dos Presidentes, não só como político mas também como a primeira mulher na Casa Branca e a ex-primeira-dama presidente. E Bill será o primeiro ex-presidente com a mulher presidente.
Resta à nós esperar, agüentar o Bush e ver se Hillary leva essa.
[música do texto: Homem Primata – Titãs
Por Fernando Katayama New York, NY, 25 jan 07
Wednesday, January 17, 2007
Sonho que Não Tem
Falta ao Brasil muita coisa, temas que já discutimos bastante por aqui. Temas como educação, saúde, segurança. Mas falta-lhe algo mais profundo e muito mais abstrato. Falta-lhe sonho. Falta a busca de uma utopia.
Não é permitido sonhar. Tem que se viver a vida, no dia-a-dia da sobrevivência, sem poder sonhar com o amanhã. Não existem mais os sonhadores loucos, que buscam alguma coisa que talvez nem exista.
Querer buscar uma utopia é coisa a ser totalmente desencorajada, é preciso pagar as contas. Utopia, por principio, nunca é alcançada, mas o esforço de alcançá-la é essencial. É esse esforço que trás as inovações, os sonhos, as novas realidades, sem isso é a pura estagnação.
Não é permitido sonhar. É preciso fazer o prato de comida. O leite das crianças. A roupa. Encarar a morte como vontade de Deus, mesmo que tenha sido na porta do hospital. É preciso tijolo ao invés de madeira, para vedar o barraco, tijolo é a prova de bala. Não dá tempo para sonhar.
Ao moleque de ranho escorrendo pelo nariz e barrigudo que empina a pipa, resta viver a infância curta, sem sonho. Ele já sabe do seu futuro, se é que esse existirá.
Não há a busca da utopia. Parece que todos estão cansados. O desânimo é geral assim como a descrença. A falta de sonhadores, idealizadores e líderes estagnou o país em sua miséria. Parado, o Brasil se vê ser engolido pela terra.
Esquece-se que o sonho é fundamental à busca. Como me disse meu pai, certa vez: é preciso sonhar para poder ter.
[música do texto: Dreamer - Supertramp]
Por Fernando Katayama New York, NY 17 jan 06
Sunday, January 07, 2007
A Menina-moça não é mais virgem
A Democracia Brasileira esta amedrontada, encolhida em um canto da sala. Jogada à deus dará, vê sem entender nada desse pandemônio que passa o país.
Para ela, seu país é gigante pela própria natureza, belo, forte e impávido colosso, o que contraria com tudo que vem assistindo ate agora.
Sua vida é marcada por dor. Sua concepção foi assim. Palanques, que reuniam amigos, com a mesma vontade. Depois se tornaram inimigos vorazes de posicionamentos e vontades opostas, e hoje continuam inimigos-amigos com posicionamentos e vontades nem tão divergentes.
Em parto estava rodeada por parlamentares, que aos berros, diziam “sim” ou “não”, depois de longos discursos chatos e evasivos. Seu nascimento foi marcado pela morte do Presidente. E isso foi há doze anos. Antes disso, era viva a prima-má, Ditadura.
Hoje, o país vive o total desgoverno de suas entranhas. Talvez, seja a colheita da plantação da prima-má, talvez, resultado da descontinuidade do processo iniciado com o Vice*1, depois, pela fase Collorida*2, seguida muito de perto pela Topetuda sem Calcinha*3, pelo Tucanato e agora pelo Lulupetismo. Todos que só olharam e olham para o próprio umbigo. Parlamentares que não respeitam Mãe Constituição e adoram se divertir com as filhas da Geane.
Senadores e Deputados são tão responsáveis pela desordem quanto os presidentes de todos esses poucos anos, pois nada fizeram e fazem para fortalecer a frágil Democracia que estava crescendo. Lula veio agravar a situação, com sua falta de política para o crescimento econômico e o deslumbramento do seu sonho egoísta. E para piorar, agora parece que quer ficar deitado em berço esplêndido.
Esse é um momento delicado para a Democracia. O caos esta crescendo de forma alucinante. Lula promete crescimentos imaginários, sonhadores e irreais, para tentar amenizar a desgraça em que se encontra. Solta noticias de aumento do miserável salário mínimo e o incremento do pilar eleitoreiro, o bolsa-familia.
A sua reeleição mostrou a total impunidade dos crimes em todas as esferas da sociedade, retificada pelo ignorante povo. E as fraquezas do velho e caquético sistema judiciário deram abertura para o desbunde das facções criminosas que hoje, comandam o país. Mostraram seu poder em São Paulo e agora, detonam o Rio de Janeiro, esperando o Carnaval, mas já armando o maior salseiro.
Não é uma guerra civil propriamente dita, já que não é uma disputa com intenções políticas claramente declaradas, mas vive-se com tiros por todos os lados. Não é uma revolução sanguinária, mas morrem muitos em vão. Não é uma guerra santa, ficaria difícil definir o Diabo nesse caso. São ações terroristas contra a sociedade civil. Analistas não assumem, e dizem que ataques terroristas são sempre com fundos políticos, religiosos ou ideológicos, mas é difícil não pensar que existe fundo político.
E esse momento coloca a Democracia em xeque.
Colocar ou não o Exercito na rua? Votaria a assombrar a alma penada da prima-má? Ratifica que o Governo em sua totalidade é incompetente? Que a polícia não da conta do recado? Que o poder marginal é realmente muito mais poderoso?
E ainda existe a grande chance do Exercito não dar conta também. Mal preparado, mal equipado, mal formado, sem logística, pesado como o Ronaldo na Copa (lento por demais) e sem dinheiro. Conseguirá conter a esperteza, a leveza e o poder da marginalidade, que tem como fonte de renda drogas e armas (ou seja, muito dinheiro)?
Se o Brasil não conseguir em curto prazo modificar radicalmente o modo-operantis do Estado, fazer o país crescer de forma significativa, gerar divisas e ainda por cima, conseguir melhorar a distribuição de renda (de forma concreta) e refazer o poder judiciário e acabar com a corrupção de maneira eficaz, a podre menina-moça da nossa Democracia, corre um serio risco de morrer.
[música do texto: Rabisca Robson – Farofa Carioca]
[Notas: *1 –José Sarney e a Hyperinflação / *2 – Collor, eleito direito / *3-Itamar na capa com a gostosa sem calcinha no baile de carnaval]
Por Fernando Katayama New York, NY 07 jan 07
Saturday, December 30, 2006
O Velho Ano Novo
Pronto! É fim de ano. Começam agora as famosas mensagens para que o ano que nasce seja melhor, que tudo de certo e outros blá blá blás. Também é hora das retrospectivas, e ver tudo aquilo que você já viu e não esta nem um pouco interessado. E com elas vêem junto as previsões, tem sempre um pai de santo, um oxalá qualquer que vai adivinhar o futuro.
Eu não faço idéia de quem foi que definiu que o ano começa no dia primeiro de janeiro. Não sei se foi por fé religiosa ou coisa que o valha. Não sei também se foi pelo solstício ou outra coisa cósmica. Certo mesmo é que não tenho a mínima idéia. E já faz tempo, tem 2000 anos, aliás, indo para dois mil e sete.
Mas a sociedade acatou como verdade e todos nós seguimos. Até o mais anarquista de todos os anarquistas já foi para a praia de branco pular as sete ondinhas. É para dar sorte no novo ano.
As retrospectivas começam exatamente no dia primeiro do ano, que não sei se do ano passado ou do corrente, mas começam falando de quem venceu a última São Silvestre. Eu não me lembro mais, e você?
Depois certamente vão falar dos escândalos, das falcatruas, dos Sanguessugas, dos Dossiês. Eleição. Do Lula. Do Papa. E do Bush. Do Saddan. Do Tarso Genro. Enfim das figuras políticas do mundo, por mais idiotas que sejam.
Do Lula vão maneirar, não vão mostrar que é um nó cego e que o povo é tão nó cego quanto ele, afinal o reelegeram. Depois de tantos escândalos, corrupção comprovada, e tudo mais que o cerca, ainda continua na presidência. Por uma chupeta o Clinton quase caiu. Imagine se ele tivesse fodido com a gordinha da Mônica? Lula fudeu com um montão de gente e tá lá no Planalto ainda.
Por falar em coisas americanas... O Bush, que nada mais é do que um macaco com dislexia, vai entrar na minha retrospectiva, como o idiota do ano. Mandou construir um muro separando o México dos E.U.A, para tentar evitar a entrada clandestina. Parece que não aprendeu nada com a história e não viu o Muro de Berlin nem a Muralha da China. Pior que isso, só fez merda na Campanha do Iraque. Assim como fico admirado com o Lula no Planalto, mesmo fudendo tanto, admira-me mais ainda com o Bush na Casa Branca, já que ele fodeu com o mundo tudo. E o Clinton, foi só um boquetinho.
Se minha retrospectiva fosse Oscar, Saddan levaria duas estutas. De preso, com prisão espetacular e de morto. Morreu hoje, enforcado. Como foi esse ano, não entra na retrospectiva do ano que vem passado. Foi o que deu para falar dele!
Dos mortos, o James Brown foi nessa semana também, mas de ataque cardíaco. A lista fúnebre é grande, como em todos os anos.
Mas a retrospectiva não pára por ai não, vai às novelas e passa pelos famosos. Na última novela o mocinho casou com a mocinha e o bandido morreu. Um famoso casou e separou, enquanto outro casou de novo. Não poderia de deixar de falar da foda da Cicarelli. Não que ela é foda, no sentido de super, extraordinária, não! No sentido de sexo mesmo. Afinal, foi a famosa que fodeu na praia e se fudeu no Youtube.
Depois passará pelo esporte e vai mostrar o Inter de Porto Alegre, campeão do Mundo. Não vai ter tan-tan-tan, afinal formula 1 é do Alemão, que se aposentou e ainda chamou o Rubinho de tartaruga, mas esse, continua negando de pé junto, e diz que é rápido, mas é tão rápido, que a gente vê como se fosse filme, em câmera lenta. (em filme, tudo que é rápido é em câmera lenta, vai entender...)
Mas o que me interessa mesmo são as previsões. Ahhhh quem não quer saber do futuro?
No ano que vem acontecerão coisas incríveis como mais um caso (no mínimo) de corrupção no governo Lula, e ele não saberá de nada e não verá nada e muito menos ouvirá. O PCC fará ameaças à sociedade, assim como o Comando Vermelho. A queima de fogos no Rio será a mais longa da história, mas não dará para ver nada, de tanta fumaça. Bush enviará mais homens ao Iraque, mas não diminuirá a merda que vem fazendo. Aliás, enviará umas tropas de Marines para a Somália e Etiópia, uma vez que, a Democracia deve sempre prevalecer, mesmo que na força. A novela terá um casamento, um nascimento e uma morte. Um novo ícone pop surgirá como um raio, e desaparecerá no mesmo instante. Uma gostosa posará para a Playboy, antes que tudo caia. O Faustão continuará chato e se achando engraçado. Os Campeonatos de Futebol terão sempre as mesmas discussões nas mesas redondas na TV como nas rodas de amigos. Ano que vem, escreverei sobre o ano que passou.
O Ano Novo sempre nasce velho e o futuro parece se repetir. As mesmas histórias com nuances diferentes. Deve ser porque a Terra é redonda e da voltas. Mas uma coisa eu tenho certeza, e não mudará no ano que vem, nem muito menos no próximo: o futuro nos fazemos mesmo hoje.
Para hoje um feliz ano novo.
[música do texto: I Feel Good - James Brown]
Por Fernando Katayama New York, NY 30 dez 06
Thursday, December 21, 2006
Ipod e Tu, Podes?
Outro dia me dei conta que estamos à poucos dias do Natal. Foi quando um amigo meu, lá do Brasil, me perguntou como estava o “clima natalino” por aqui. Eu com a minha exclusiva e característica “cara de ué”, respondi: “Natal?”. Foi aí que o Jingle Bell bateu! É faltam pouquíssimos dias. Disse a ele que, como moro em New York, e que essa cidade é predominantemente Judaica, aqui não tem clima natalino. Lógico que os judeus daqui se preocupam em incrementos nas vendas, já que a maioria das grandes lojas é deles, mas eles não ligam muito para essa festa tradicionalmente Católica. Talvez o Thanksgiving seja mais importante.
Mas é Natal. Natal hoje é mais para evidenciar as grandes diferenças entre camadas sociais do que uma grande festa de aniversário. Esquecem que Natal é a festa do nascimento de Jesus, logo, é uma festa de aniversário.
Como ia dizendo, deixa explicito as grandes diferenças. Começam a falar de ajudar ao próximo, dividir com quem não tem, mas no fundo mesmo, mostra quem pode e quem não pode.
Talvez por isso, os nossos Palamentares tenham se dado o aumento de 91% do seu salário e elevado o salário mínimo em 4.5%. Tudo em uma questão de benevolência do ar natalino.
E como disse em algum parágrafo anterior, explicita as diferenças, tanto que um cara são, fez a maluquice de acorrentar-se no Planalto e uma dona pra lá de maluca, teve a lucidez (ou não) de esfaquear o ACM Neto, tudo por conta do aumentozinho para uns e aumentão para outros. Aumentozinho foi para os Parlamentares, e o aumentão para o Mínimo, que causa um tremendo impacto nas contas do governo.
Mas Natal é assim, evidencia os extremos. Em um país, como o Brasil, onde os extremos são extremados a máxima potência, a tensão social aumenta. O desejo despertado pelo consumo e a falta de oportunidade para uma grande parcela da população aumenta a tensão entre o ter e o não ter.
Enquanto uns fazem festa e se preparam para o Ano Novo, outros lavam a alma com algumas benevolências vãs. E outros, bem, esses outros assistem Tv e sonham.
E assim é o Natal. Como disse não estou no Brasil. Aqui não sinto essa tensão. A distância abissal entre pobres e ricos não é tão grande, ou melhor, a classe média que não é tão achatada e reduzida, o que diminui e muito, o atrito entre os extremos. Sem contar que aqui, com qualquer trabalho chulo, dá para comprar a última geração do Ipod.
Enquanto no Brasil uns dizem “Ipod[e]”, eu pergunto: e você Ipod[e]?
[música do texto: Crazy – Norah Jones]
[Ipod é um aparelinho para ouvir música da Apple]
Por Fernando Katayama New York, NY, 21 dec 06
Thursday, December 14, 2006
O Maneta
No começo, quando ainda garoto, acreditava no tal pluripartidarismo. Talvez por influência da escola ou por simplesmente ver o número extraordinário de legendas que existem.
Passou um tempo comecei a achar que não tínhamos tantos partidos assim. Vi a mistura de todos com tudo, e a suruba legendária. Pouco importava a sua convicção política desde que seus interesses fossem protegidos, fazer o troca-troca não era um grande problema.
Restava o PT. O PT com a cara de esquerda, barda de comunista, bandeira vermelha e o incrível hábito de falar com a língua presa parecia ser o único partido com direcionamento e ideologia.
Veio o Mensalão e provou que eu estava errado. O PT é a puta dos partidos. Vendeu-se por pouco e foi morar na Casa da Geane, onde os maiores troca-trocas da Nação aconteceram.
Nunca acreditei no Lula. Mas agora pergunto aos que acreditaram se ainda acreditam.
Lula é o homem da palavra iô-iô e que não sabe de nada. Vai ai volta em suas declarações mostrando que nunca sabe o que quer. Já admite que os 5% de crescimento por ano, promessa de campanha, era um sonho esquerdista ou simplesmente uma questão de marketing, é meramente impossível. Ou simplesmente não sabia.
Mas não só isso, admitiu não ser mais de esquerda. Justificando que com o envelhecimento e maturidade não é possível continuar na esquerda. Diga isso a Fidel e a Chávez. Tolos os que envelhecem e continuam esquerda.
Agora namora o PMDB, o Delfin Neto e logo mais beijará a mão de Fernando Henrique, chamando-o de painho.
Como dizia no começo, não existe o tal pluripartidarismo. Não existe esquerda e não existe direita. Existe o beneficio próprio.
O Brasil é maneta. E talvez por isso, a cultura do João sem Braço sempre prevalece.
Por Fernando Katayama New York, NY 14 dec 06
Monday, December 04, 2006
Cariocas e Paulistas
Não adianta gritar e dizer que não é, porque é! É assim desde antes dos tempos bíblicos, quando os homens já faziam guerra por Helena. Cleópatra e seu domínio da África Branca. Sansão e Dalila. Até nos tempos bíblicos os homens sempre estiveram aquém das mulheres, tanto que, Jesus nasceu da Virgem Maria, e tirou por completo a função masculina do mundo. Não adianta negar, somos submissos as vontades femininas. A última palavra sempre é nossa: “sim, senhora”!
Como dizia, notei um número grande de músicas dedicadas às mulheres, mas uma grande porcentagem delas dedicadas à mulher carioca. Fiquei pensando no por que.
Um dos motivos mais óbvios é que no Rio, onde há praia, o corpo esta sempre em evidência. A praia, o lugar mais democrático do mundo e mais cruel também, não perdoa nada. Esta lá tudo à mostra.
Mas a mulher carioca, que encheu já a boca e os olhos de nossos poetas esta lá na praia com os seus biquininhos, tampando quase nada, e deixando que nossa imaginação as desnude por completo. Aqueles poucos centímetros quadrados de pano, escondem o suficiente para aguçar a imaginação de qualquer celibatário.
A carioca é diurna, acorda vai correr no Calçadão à beira da praia. Cuida do corpo, que será exposto logo mais, ou à tarde, pegando onda ou batendo um fut-volei nas areias finas exibindo as pernas torneadas. Domingo de sol, na Barraca do Pepê, é o paraíso das bundas douradas. Todas ali, lado a lado, metros e metros tomados, por maravilhosas bundas arrebitadas, douradas com marquinhas de sol e a sedosa penugem que as cobrem. À céu aberto para apreciação de todos. Carioca já nasce com a bunda dura.
Mulher carioca é inspiração para o poeta, não só pelos corpos maravilhosos e criadores dos maiores pecados, muitas vezes, somente imaginários e resolvidos solitariamente, mas também pela incrível simpatia e divertimento. Um copo de chopp ou uma água de coco à beira mar, é o suficiente para um excelente começo.
Mulheres de corpos esculturais dourados do sol, praia, mar, paisagem do entardecer... Todos os ingredientes para aguçar a imaginação. Mas...
Mas e as paulistas?
As paulistas têm outro charme. Acordam e vão trabalhar. Vestem seus taiers ou suas saias. Cabelos sedosos. Perfumes. Óculos como acessório. Mulheres paulistas são mais noturnas. Escondem os segredos do corpo. Não tem o corpo dourado de sol, usam fator 50 fps no mínimo, para não estragar a pele.
Usam suas roupas sensuais que cobrem tudo, escondem tudo, mostram quase nada, mas já é o suficiente. Despertam a imaginação através da camisa de cetim branca, com os três primeiros botões desabotoados e sutien meia taça, insinuando o seio. De salto alto, ressaltam as panturrilhas e enaltecem as curvas glúteas. Isso, só de dia. Já a noite...
A noite se transformam em semi-deusas. Lindas, bem vestidas e perfumadas, desfilam como éguas de raça puro sangue. Cabelo sedoso é a verdadeira crina. Suas roupas fazem com que dispamo-las com os olhos, imaginando o que não é mais novidade. Causam congestionamentos quilométricos, todos querem ao menos, ver.
E isso tudo comprava que nos homens vivemos sempre olhando para as mulheres e que viemos ao mundo como meros servidores.
Se me perguntarem qual é que eu prefiro, terei que responder que prefiro as mulheres de Florianópolis, porque no verão são cariocas e no inverno são paulistas.
[música do texto: Ela é Carioca – Quarteto Jobim-Morelenbaum - 2000]
Por Fernando Katayama New York, NY, 03 Dec 06
Friday, December 01, 2006
Um Mais Um Igual a Dois?
Estava assistindo uma discussão em um grupo da internet. Motivados por um objetivo comum, debatiam quanto tempo era necessário para se aprender um novo idioma. Uns diziam: “curso intensivo, de 300 horas é suficiente”, outro, “um ano e meio, com muita dedicação”, um outro, “será que 100 aulas particulares de uma hora e meia são suficientes?” e mais um, “eu fiz 250 horas, é falo fluentemente”.
Fiquei pensando então, sobre a inteligência das pessoas. Serão uns mais inteligentes que outros ou será que tem uns que são mais burros que outros? Quem será que é mais inteligente?
Ninguém. Todos somos inteligentes.
Como disse um psicólogo americano, Howard Gardner, temos são múltiplas inteligências. Sim, múltiplas. Não uma, mas diversas.
Uns tem facilidade em aprender idiomas, assim como eu, que falo alguns. Hoje mesmo, um amigo mexicano me perguntou se eu havia ido a escola aprender espanhol. Disse que não. E não fui mesmo. Sou um tipo, como aqueles macacos que sorriem quando alguém sorri para ele. Aprendi espanhol assim, imitando. Outros têm dificuldade. Tenho um amigo japonês, japonês mesmo, made in Japan, que não fala plá, plé, plí, plo e plu de jeito nenhum. Ele é burro? Nem de longe.
Tenho outro amigo, que pelos padrões normais de que a sociedade moderna considera inteligência, é uma besta. Não sabe escrever direito, não sabe fazer conta direito, mas é penta-campeão mundial. Tem extrema facilidade em aprender todo que envolve o movimento do corpo, faz coisas que você até duvida, mas ele faz. Tem inteligência muscular.
Quer mais a inteligência diabólica de Osama. Osama é um gênio! Um fora de série. Elaborou um plano dos mais mirabolantes, e mudou o mundo. Já o burro do Bush, acreditou na pegadinha do Osama, e fudeu com o mundo. Um tem a inteligência diabólica e o outro... Será que tem inteligência?
Temos também a inteligência do carisma. Veja o Lula, já que estamos falando de presidentes burros. E o Zé Dirceu, com aquela inteligência de surrupiar, manipular, enganar... E o Bob Jeff, com sua inteligência de argumentação, deu show na CPI.
Mas deixa essas inteligências burras pra lá.
Sei que todos nós temos algum tipo de inteligência. Não aquela dos padrões que a sociedade nos faz pensar que é inteligência.
Lembro-me quando prestei vestibular. Tentei engenharia mecânica na Unicamp. Acho que tinha tomado alguma coisa que me fez viajar, mas enfim, fui lá fazer a prova. O ser que vos escreve, era o único aluno colégio que iria, naquele ano, prestar o vestibular da Unicamp, mesmo ainda estando de recuperação de matemática. Aliás, recuperação sempre foi uma constante na minha vida. Nunca estive muito ai com as tais notinhas no canto direito da prova. Mamãe que o diga! Como não era o “gênio” da turma, fiquei surpreso que só eu, tinha passado para a segunda fase, e os outros, que eram os gênios da turma, não. Talvez, minha redação tenha me salvado. Não passei da segunda fase. Fiquei tonto com a prova de matemática. Felizmente, fui fazer arquitetura.
E vendo aquele caboclo, de chapéu de palha, queimado de sol, com poucos dentes na boca, olha para o céu e diz: “ói, vai chover”. E em meia hora cai o mundo. Inteligência intuitiva?
E o virtuoso da música? Será que seus ouvidos escutam mais que os nossos?
Tem os que pintam e desenham. Tem os que têm inteligência de líder, de comunicar, envolver e convencer.
Certamente, todos temos algum tipo de inteligência, por mais burros que parecemos ser. Temos inteligências que somamos até umas nas outras, potencializando-nos. Talvez por isso, não adianta tentar criar o padrão para saber quanto tempo levamos para aprender tal coisa. Ou fazer o teste de QI, para descobrir se somos extraordinários, medíocres ou se nos falta inteligência.
E eu sou o melhor exemplo disso porque, para mim, muitas vezes, um mais um não são dois, é sessenta e nove.
[música do texto: Intuition – Jewel]
Por Fernando Katayama New York, NY 1 dec 06
Thursday, November 23, 2006
Ditadura da Democracia
Estava pensando cá com meus botões sobre a democracia. Descobri que sou um idiota sonhador. Um “utopista”, se é que essa palavra existe, ou acabei de inventá-la. Descobri que Democracia é um sonho abstrato. Nada mais que pura filosofia de final de noite, bêbado em botequim, sendo varrido com as cadeiras já para cima. Nada nos fóruns gregos. Democracia é um pensamento abstrato, uma filosofia de livro velho e amarelado e como disse, uma utopia.
A realidade dura e crua é que vivemos mesmo sobre o guarda-chuva das ditaduras, impostas as duras penas à nós.
E tudo começou com um sujeito que repartiu a Terra em 24 pedaços. Todos de 15 graus. Inventou o relógio, não o tempo. Vivemos a servidão ao Tic e a escravidão do Tac. Depois que inventaram os ponteiros e depois os digitais, estamos sempre amarrados nas horas. Hora para isso, para aquilo, para tudo. Comemos, dormimos, acordamos em função desse tal relógio.
Estamos também sob a Ditadura do PC. Não o Paulo César, conhecido por nós, como o cabeça do Collor que morreu pelado no motel, mas o Personal Computer. Tudo é o computador. Máquinas que fazem computadores são controladas por computadores. Nós, vivemos com os nossos PC’s, e eu mesmo, me sinto pelado sem o meu. Dependemos dessas malditas maquininhas. Para trabalhar, para divertir, para comunicar e até para escrever esse texto.
Tem uma pior. O celular.
Maldito o cara que inventou esse troço. Agora, quando alguém te liga, você é obrigado a atender a porra do telefone, se não o cara, acha mil coisas, menos que você não quer falar com ele, que você ta no banheiro, ou que ta dando uma bela de uma trepada e ele esta sendo o maior empata foda! Não... Você pára tudo, porque o celular tocou, e olha desesperado para ver quem é que esta chamando.
Mas não só isso. No mundo ocidental contemporâneo, temos ainda a ditadura da felicidade. É... Para ser feliz é preciso ter: um emprego, de preferência, não num trabalho que goste, mas um de status social com valor agregado; um carro na garagem, se for rico, um carrão, se for podre, pode ser um carrão velho. Uma casa. Uma mulher em casa, e outra fora. Filhos. E um cachorro ou um gato. Pronto, assim você é feliz. Simples assim. E nem falei do medonho “american way of life”, que é horrível!
Para nós homens contemporâneos, é pior ainda. Temos que ser amáveis e amantes. Ótimos nos dois casos. Amáveis com nossas amantes, compreensivos e sensíveis. E ainda temos que ser os melhores amantes! E para os machões latinos, têm que ter duas amantes, comer todas e ainda dar três sem tirar. É a ditadura do sexo.
E as mulheres então, estão presas sob os padrões de beleza estabelecidos por um gay, que não gosta de mulher. Acha que mulher tem que ser um fio, magrela. Sem ter carne para darmos “a pegada”. Tem que não ter nada. Mas ai, um outro que diz: tem que ter peito de tal tamanho, quadril com tantos centímetros, bunda assim, bunda assada. E as mulheres correm atrás, se não serão as feias para sempre.
Não importa como façam. Plásticas, lipos, silicones e nem que morram bulêmicas e anorexias. Tudo para agradar um bofe-gay. Porque homem mesmo, não ta nem aí para a celulite.
Fiz um review em minha coleção, já amarelada, de revistas de mulher pelada. Algumas com páginas coladas, vi uma a uma, e reparei na mudança. Naquela época, acho que era mais natural. Cada mulher tinha seu próprio peito, mesmo que esse fosse meio muxibinha, ou a bunda meio grande. Pareciam ser mais gordinhas, por mais magrinhas que fossem. Todas peladinhas, mas com suas individualidades intactas. E o computador não arrumava tudo, para nos matar de tesão ao abrir a revista. Já morríamos antes. E era o padrão da época e fora diferente em outros tempos. Hoje parecem que comparam os peitos na liquidação. Ditadura da beleza.
E eu insisto em falar em democracia.
[música do texto: Você é Linda – Caetano Veloso]
Por Fernando Katayama New York, NY, 23 nov. 06
Tuesday, November 14, 2006
Houston, We Have a Problem
Esta a maior zona. Não tem cadeira, não tem espaço. O saguão esta lotado. Tem gente ocupando três cadeiras, fazendo uma cama improvisada. A fila é enorme e não faltam os estressados, apressados e desesperados. Tem neném que chora alto e acorda o outro neném que estava dormindo. Agora são dois. Outros dois moleques não ligam para nada e apostam corrida nos carrinhos de mala. E tem mala para todo lado. Tem um louco batucando sozinho com o foninho na orelha. Todo mundo impaciente.
O alto falante anuncia o vôo das oito da manhã. É meio-dia e todo mundo já tá com fome. No balcão, não agüentam mais dar explicações vãs. Faltam justificativas.
Dizem que é tudo coisa dos controladores de vôo. Estão fazendo a operação padrão e atrasam tudo. O ministro diz que não é. Mas no chão do aeroporto, dizem que é. Eles estão fazendo isso para chamar a atenção. E certo estão. O alerta é vermelho.
Quando o Gol caiu, levantou um problema que assola o país: a falta de preparo. Chamou a atenção aos controladores de vôo tanto militares como os civis. Esses caras têm a profissão mais estressante do mundo, e sabem com o que estão lidando com muitas vidas. Podre deles, agora serão meus bodes expiatórios.
Em uma pesquisa feita outro dia, por um jornal de bastante credibilidade, apurou que somente 3% desses sujeitos falam inglês.
É de dar medo. Memorizam algumas frases prontas, e pronto! Se mudar o script, fudeu!
Na cabine, o piloto grita “mayday”, o controlador brasileiro endente “peidei”. Da risada e mais uma cagada aérea é eminente.
Porque que será?
Acontece que o Brasil é analfabeto de português, imagine em inglês. Celso Amorim, um tempo atrás, buscou a solução mais fácil para o problema que atingia a embaixada brasileira e o ministério das relações exteriores, e propôs o fim do inglês obrigatório.
No vestibular inglês é eliminatório, mas se formos às universidades, notaremos que poucos são os que sabem.
A crise dos controladores de vôo só exemplifica o desesperado, grau de ignorância que vive o Brasil. Lula orgulha-se de ser “analfabeto” (esqueceu que teve mais de trinta anos para se educar e aprender a falar, pelo menos. Eu em metade do tempo, aprendi 5 idiomas, e conto o português, já que ele não conta), de não falar o português como se deve, e deixa a nação com esse exemplo tosco, de que não é preciso educação.
Deixa evidente o colapso educacional que o país vive. Muitos me criticam porque ataco severamente os “programas sociais” do governo Lula, dizem que não ligo para os pobres, e que a pouca ajuda, dos poucos reais que as bolsas dão, ajudam os miseráveis a não morrem de fome.
Critico e continuarei criticando. Não concordo em gastar milhões de reais em ações beneficiárias-eleitoreias, ao invés de gastar em educação, na infra-estrutura humana.
Os milhões de miseráveis que existem têm que ser somados as perdas. Não há mais nada o que fazer por eles. Temos que pensar nos que estão por vir. É uma pena constatar isso, mas temos mais de uma geração morta, que sobrevive da forma que dá, zumbis-acéfalos.
Se o Governo ficar nessa de bolsa-disso, bolsa-daquilo, Fome Zero, e os investimentos continuarem indo pelos ares, o Brasil continuará na lama que esta. Crie o Fome-De-Letras, e ensine esse povo a ler, escrever e falar. Preferencialmente mais de um idioma.
Mas enquanto o presidente achar bonito não usar o plural e se orgulhar de não ter estudo e de ser filho de “mãe nascida analfabeta”, muitos outros aviões vão cair.
Definitivamente: “Houston, we have a problem”.
[música do texto: Assaltaram a Gramática II – Gabriel o Pensador]
[Houston, we have a problem – é a famosa frase de desespero do astronauta da Apolo 11, quando notou que estava fudido de vez!]
Por Fernando Katayama New York, NY, 14 nov. 06
Wednesday, November 08, 2006
Telefonema Celestial
Meu telefone celular tocou. O reconhecedor de chamada não reconheceu o número e o tom da música mudou, essas maravilhas tecnológicas de hoje nos dispões milhões de variedades de músicas para o chamado telefônico e ainda nos mostram quem é que esta nos chamando, dando-nos a opção de não atender, com plena consciência e convicção do ato [existe a tirania do celular, mas conto em outra hora]. Mas meu telefone tem o toque característico dos telefones antigos, o famoso trim-trim. Eu sou do tempo em que telefone era só o de casa ou do serviço. Televisão já era a cores, mas o controle remoto era o irmão mais novo ou quem estivesse passando por perto do botão da tevê. Os canais eram UHF ou direto, de cabo, só o fio da antena. Telejogo era o fenômeno com os dois pauzinhos na tela, quem tinha “Atari” era prafrentex!
Mas enfim, meu telefone tocou interrompendo meu café. A música era tipo harpa celestial, com ar angélico. Coisa estranha, pois meu toque como disse é trim-trim. Atendi.
- Alô!
Fui interrompido bruscamente.
- Escuta aqui o rapaz, você precisa ver o que você anda escrevendo! Você só fica metendo a boca no Presidente.
- É... Verdade. Eu...
- Pois então, você tem que ver o outro lado da coisa! Você está muito restrito a um só ponto de vista!!! Amplia rapaz!
- Como assim?! Porque eu não concordo com os posicionamentos do governo, com as milhões de bolsas-misérias, com a falta de investimento em educação, com o destrato à infra-estrutura, sem uma política de inventivo a indústria e aos setores produtivos ou nos serviços. Porque acho o cumulo pagar o que pagamos de impostos, e ainda ter que pagar tudo de novo, como educação, saúde e segurança? Porque o governo é totalmente corrompido e assaltou o país? Porque o Lula como primeiro homem do país não sabe de nada? E a primeira-dama é papagaio de pirata e não faz nada, e nem abre a boca? Não entendo você!
- Viu só! Tá preso! A-M-P-L-I-A!
- Como?
- Bem, vou te dizer então!
- Legal! Mas antes disso, quem é você!?
- Ahhh sim! Não me apresentei! Desculpe, fui consumido pela ansiedade e me esqueci desse detalhe. Chamo-me Gabriel, represento uma classe trabalhadora...
[interrompo o cara]
- Não vai me dizer que você é da CUT, do MST, do Sindicato, primo do Vicentinho...?
- Não... Não...
- Então... Vai ou não me dizer como ampliar meu ponto de vista!?
-Ah! Sim! Simples. Como ia te dizendo, me chamo Gabriel, o anjo. Represento a classe dos trabalhadores celestes, como anjos, arcanjos, santos, orixás, duses, baguás e seres místicos. Nós estamos muitos felizes com a reeleição do Lula. Teremos muito trabalho pela frente, aliás, já estamos fazendo horas extras já há algum tempo. E talvez precisemos ampliar o nosso quadro, especialmente no Brasil. Veja você, que com a reeleição, haverá o aumento das vendas de velas, de todos os tipos. Haverá também o aumento das vendas de farinha de trigo, farinha de mandioca, farinha de milho, milho, fubá e galinha, das pretas e brancas. Até alguns enlatados com milho, ervilha e feijão sofrerão aumentos na produção, já que em alguns lugares remotos do país, só enlatados chegam. Aumentará a produção de pinga e charuto. Venda de flores. E com isso, toda a cadeia produtiva também crescerá. Haverá o incremento nos setores de embalagens e transporte. Sem contar com o crescimento surpreendente nos setores de ceras para velas e em granjas. Os 5% de crescimento proposto por Lula será batido no primeiro semestre.
- Nossa, seo Gabriel, não entendi!
- Ai meu filho... Te explico! Não importa mais qual é a sua religião ou fé. Para você especialmente, nem se é ateu. Tanto faz se é católico-romano, xintoísta, espírita, candomblé (branco ou preto), vodu haitiano... Tanto faz, fazemos parte do mesmo sindicato. É que com a reeleição do Lula, só resta agora, rezar. E muito!
E cai o sinal do telefone!
[música do texto: How to save a life – The Fray -2005 ]
[vídeo: trailer: filme: Bellini e o Demônio, um filme de Marcelo Galvão]
Por Fernando Katayama New York, NY, 8 nov. 06
Friday, November 03, 2006
Deixa o Homem Trabalhar
Lula levou com uma marca considerável. 58 milhões. Não é pouco não! Bateu o Alckmin. Foi goleada histórica, mas sem gol de placa. Já dizem por ai, que Lula não é reeleito, é repetente. Não atingiu a média no último mandato e vai ter que fazer de novo... Já entrou querendo descansar: “deixa o homem descansar”, disse na sua primeira fala. Talvez, cansado de nada fazer.
Para mim foi uma boa. O governo Lula foi uma ótima fonte de inspiração para meus textos, se Lula perdesse, correria o risco de perdê-la também. Agora estou tranqüilo, tenho mais 4 anos.
Essa eleição mostrou que o povo brasileiro não liga muito para corrupção. Deve ser porque esta atolado até o pescoço, que não nota a diferença, não vê ou simplesmente, aceita. Indecorosamente, 60% dos eleitores não ligam para isso. Escândalos e mais escândalos, mas tudo bem, isso não é problema.
Desde que o PT assumiu, em 2003, começaram as ações determinadas pela estratégia petista, que foram determinantes para a eleição deste ano. O apelo Fome Zero, que não foi nem citado nessa campanha, era o início das ações. Fico com uma dúvida: o Brasil não passa mais fome? O Fome Zero acabou com essa cólera ou o Brasil nunca teve tanta fome assim?
De qualquer modo, o Fome Zero marcaria o assistencialismo. A melhor estratégia para arrebanhar votantes. Bolsas e mais bolsas, bolsas-miséria. Desta maneira, ao longo do tempo, o PT na figura do Lula, iria dominar as classes baixas, numerosos e miseráveis. Como em todo o governo, corrompendo.
A estratégia funcionou mesmo sofrendo perdas terríveis como Dirceu.
Agora Lula disse que vai trabalhar para os pobres. Isso é lógico: deixa o pobre, pobre, para vencer em 2010 de novo! Usaria a mesma estratégia, mas com diferentes ações.
Esta com o discurso dúbio, porque sabe que se o país não crescer de forma acentuada nos próximos dois anos, vão pedir a cabeça dele. Alguns já pedem. Disse que vai fazer um crescimento de 5%, espero que consiga, mas é quase um sonho, uma vez que é o dobro da média que vem crescendo. Em business, isso é muito.
A dualidade é que só se pode crescer se “a elite” tiver como investir, se não, não há como. Podre não tem nada, não tem como investir. Não tem como investir, não tem como crescer.
Lula surrou a tal “elite” e enalteceu os “pobres”. Velho discurso da pobreza, como se pobreza fosse bom. Agora, tem que manter também o discurso desenvolvimentista para sustentar os 5%. Vai dar curto-circuito.
É preciso fazer o país crescer. Aumentar os investimentos nas indústrias, nas pesquisas, na educação. Reduzir as taxas de juros. Botar o dinheiro na rua. Limpar o terreno. Adotar um norte, focar e seguir. Exatamente como fizeram para essa eleição. Mostraram que sabem fazer, quando querem. Basta querer. E isso não é novidade alguma.
Lula tem que parar com esse discurso contra a “elite”, não vai à lugar algum. O Brasil não tem uma guerra ainda, entre pobres e ricos. Poderá ter, mas não tem ainda. Tem que tomar políticas de desenvolvimento, e rápido. Se o rico ficar mais rico, mas o pobre menos pobre, tudo bem. O que acontece é que do jeito que esta o rico fica mais rico e o pobre mais pobre. E o discurso ainti-riqueza é um erro. Todo mundo quer trabalhar, quer melhorar de vida. Para isso é preciso trabalho, que é material em falta no Brasil.
Já que não há o que fazer, espero que Lula tome medidas decentes, assim o povo para de gritar: “deixa o homem trabalhar!”. Porque no Brasil somos obrigados a não trabalhar, mesmo querendo e muito.
[música do texto: Construção – Chico Buarque]
[deixa o homem descansar e deixa o homem trabalhar – foram as frases de Lula logo que venceu a eleição]
Por Fernando Katayama New York, NY 3 nov. 06
Sunday, October 29, 2006
O Papa é Pop
Então, só Deus sabe o que preparou para o final do dia!
E falando em Deus...
A Igreja Católica finalmente cedeu ao capitalismo de uma forma explícita. Explícita porque ficou na cara, não que a Igreja já não fosse capitalista, é, e faz tempo.
Sempre com a hipocrisia da mendicância, de que a riqueza é um pecado, que bom mesmo é ser pobre. Com suas posições retrógradas, como quanto ao uso da camisinha, as pesquisas da células-tronco, e até com a Madonna, por exemplo. Sem contar com os anos de atraso da humanidade, na Idade média, onde só os clérigos tinham acesso a livros e mandavam queimar quem era contra suas posições tanto sagradas como políticos-econômicas. Guerras santas.
É a Igreja Católica, sempre foi capitalista, antes mesmo de Marx e o Capital. Terras, expansões, colônias, coroas, ouro e poder. Tudo que a Igreja quer e tem. Mas sempre pregando a pobreza e o pecado.
Começou a perder terreno para os 100% Jesus, xintoístas, muçulmanos e evangélicos principalmente. Criticaram pesadamente e insistentemente quando, Edir Macedo fez os Evangélicos serem a maldita praga. Edir Macedo mostrou ao Brasil que a religião e a fé são produtos e serviços de alto retorno e lucratividade. Produtos como pedacinhos do céu e o serviço de transporte até o céu. Hoje, a Igreja de Edir é a maior multinacional brasileira. Edir e sua legião de pastores expuseram a sociedade, o que era óbvio ululante, mas é mais fácil colocar embaixo do tapete.
Não faltaram críticas porque existe a indução ao dízimo. A doação de qualquer quantia, nem que for o seu salário todo. Mas ele não inventou isso não, só usou um apelo diferente. Os católicos fazem também a indução, só que dão outro enfoque. Não vendem o pedacinho do céu, mas pedem para o teto da igreja ou outra coisa qualquer. Lógico, sempre para tirar a culpa da sociedade sobre a miséria instaurada e a dor do pecado. Simples assim: ajudo, contribuindo com o teto da capela, garanto com uma boa ação, meu pedacinho do céu. Edir Macedo enxugou a cadeia e tirou o intermediário. Capitalismo puro.
Mas agora parece que mudou.
Surgiu o padre Marcelo, que é um misto de Edir Macedo com João Paulo II. Fabricado pela tv, Padre Marcelo mostrou que a Igreja tem fins lucrativos. Fez CD, inventou o Bate-coxa-santo, fala manso com cara de mortão e sempre com o sorriso bobo na cara. Saiu até em Caras fazendo casamento de celebridades. A MontBlanc, também faz anúncio em Caras, e tem retorno alto com isso. Padre Marcelo também.
Tanto que para a missa de finados, será cobrado só R$ 2.00, e você recebe ainda, melhor estilo 1406, alguns shows de música, além da benção divina, tudo para o povão. Disseram que era para controlar o número de pessoas, mas se fosse isso mesmo, distribuiriam nas paróquias uma quantidade limitada de ingressos logicamente de graça. Então porque cobrar dois contos por isso?
Porque gerará uma receita de 800 mil reais ou mais, porque se espera que nessa celebração, irão 400 mil pessoas.
Dá para arrumar muito teto de capela. Tudo beneficente.
O Papa anunciou que irá ao Brasil em 2007. Quanto custará para vê-lo, se para ver o padreco custa dois? Para ver “O Papa” deverá ser mais caro, pensando hierarquicamente.
É, o Papa é pop e o pop não poupa ninguém.
[música do texto: O Papa é pop – Engenheiros do Hawaii – O Papa é pop - 1990]
Por Fernando Katayama New York, NY, 29 oct. 2006
Tuesday, October 24, 2006
Zero Igual a Zero
Sérgio era assim. Certo dia resolveu fazer uma equação matemática gigantesca que provava que zero era igual a zero, uma tolice.
Domingo, o país terá mais uma eleição para marcar a nova república. Essa eleição marcará o Brasil não pela disputa dos candidatos, não pelos debates fervorosos, pela disputa saudável ou muito menos pela democracia. Esta marcada pela ignorância, pela imbecilidade, pelo apelo ao menos, pelo governo psicopata do Lula, pela roubalheira, pela sem-vergonhice lubrificada nas entranhas do Palácio do Planalto.
Lula com todo o seu populismo barato de porta de igreja, distribuindo migalhas aos pobres esta muito próximo ao seu segundo mandato. Para ele, será uma vitória sem precedentes, para nós, a assinatura da ignorância coletiva. Mas será pior que isso.
E não importa aqui quem seja o adversário. Pode ser Alckmin, pode ser eu, pode ser você. Não importa.
O que é importante nessa eleição é o recado que a sociedade passa, e pelas pesquisas, se confirmará no Domingo.
Se a vitória do Lula for confirmada, o Brasil assinará como réu confesso, que ser bandido é uma boa.
Mas para piorar mesmo, é a chancela da sociedade ao discurso hipócrita do Lula.
Lula vencerá com o discurso apelativo “aos pobres”, “aos sem educação” [“minha mãe nasceu analfabeta” – e ele burro!], aos bolsas-misérias e toda essa ladainha. A sociedade estará credibilizando o continuísmo da miséria, da pobreza, do analfabetismo.
Se os “pobres e analfabetos” colocaram e vão colocar mais uma vez Lula no Planalto, porque fazer o esforço para mudar o estado desses se é mais fácil e mais popular aumentá-los? Afinal pobreza é fonte de renda e de votos e um excelente apelo.
Lula levou vinte anos para fazer a equação gigantesca e quatro para provar que zero é igual a zero, e nada mudará.
[música do texto: Roda Viva – remix, Fernanda Porto e Chico Buarque]
Por Fernando Katayama New York, NY, oct 24 06
Tuesday, October 17, 2006
1992 – O Ano Ainda não Acabou
Tivemos uma festa para comemorar os dez anos de formados da turma RA 92. Foi em setembro e eu não pude ir. Recebi as fotos, reconheci rostos e outros nem idéia de quem são os donos. Notei a diferença entra as festas daquele tempo e a de hoje. Tinha muito mais latinhas de Guaraná que de cerveja.
Bateu o saudosismo. Comecei a lembrar daquele tempo. Bom tempo de faculdade. Tempo de festas loucas, churrascos de meio de tarde e encontros em botecos. Tempo também da ingenuidade, dos sonhos, da vontade de revolucionar o mundo.
Era 92 e era tudo novo naqueles prédios velhos da Escola. Para nós, “bixos” muita ansiedade e expectativas, daquilo deveria ser a realização do sonho do vestibular. Tínhamos estudado muito para passar na maldita prova seletiva. Além disso, a entrada na faculdade marcaria para sempre a mudança entre os meninos do Colégio e os homens da Faculdade. A fina linha entre uma coisa e outra.
Em 92, não tínhamos mais um inimigo em comum como nas histórias que ouvíamos de 60 e 70. Não tínhamos mais que lutar contra o regime. Qual era a divisão entre o bem e o mal, então?
Nós ainda sentíamos os resquícios da Ditadura que tomara o país por longos 20 e tantos anos, sentíamos também o pesado período da hiperinflação. Mas mesmo assim não tínhamos nada para ir contra, com a bandeira em punho, marchar para à luta.
Nada disso. Nós estudantes da Puccamp, classe média, para não dizer, alta, havíamos estudado a vida toda em escolas particulares e feito cursinho para a faculdade. Tínhamos uma vida relativamente tranqüila.
Era um tempo sem grandes ídolos. Sem grandes referências. E havia uma mescla total não só de estereótipos, mas de sonhos e convicções. Alguns ainda viviam no passado e eu os apelidei de neohipies, porque ainda pensavam estar no clipe de Woodstock. Outros eram totalmente alienados com o mundo ao redor. Alguns outros, simplesmente eram conformados. Mas não a turma de ’92, essa queria mudança.
Como não tínhamos mais um inimigo clássico, lutávamos para que nosso mundo fosse melhor. Queríamos que as aulas começassem no horário e acabassem na hora prevista. Queríamos melhores mesas para estudar. E acreditem, queríamos computadores!
Nossas idéias de vanguarda eram sempre arrebatadas por discursos desanimadores dos nossos veteranos. Não importava, continuamos a buscar o que queríamos.
O Centro Acadêmico em 92 estava fechado. Ninguém queria o queria mais. Em 93, quando um grupo resolveu tomá-lo e reabri-lo, fumavam “o fininho” e falavam de festas. Ou então, atacavam o reitor, contra o único inimigo que existia, a mensalidade da faculdade. Com o discurso retrógrado, pregando o comunismo marxista que anos antes acabara de cair com a Perestroika.
Eu era contra isso e achava a maior babaquice. Sempre fui careta e nunca fumei, nem do fraco nem do forte, e o meu posicionamento político-econômico já estava mais para liberal que comunista. Lembro de um dia que fomos tirados da aula, para discutirmos em assembléia, a mensalidade, o grande vilão. O Centro Acadêmico estava cheio, quando o presidente começou o discurso. “A mensalidade já é cara, e o aumento este mês foi abusivo, vamos fazer uma greve”, e acabou! Não durou cinco minutos. Pensei: “ótimo vamos voltar pra aula!”. E o presidente: “agora vamos falar de coisa legal, vamos falar de festa!”. Fiquei puto e gritei: “porra, você me tira da aula que custa uma fortuna, para falar de festa? Faz isso no intervalo!” – a partir desse dia, fui odiado! Passei a ser o cara que não era a favor da Causa, da universidade para todos e de graça, o babaca que vai contra a massa, contra a manipulação.
Teve a fez que resolveram fechar a rodovia próxima a faculdade... Eu já odiado pensei: “que merda! O que é que o cara lá na rodovia tem com os nossos problemas”, já era odiado suficientemente, resolvi ir embora e não abrir a boca. Era a ditadura estudantil, querendo se impor pela força e pelo não discurso, e pensavam estar fazendo “tudo para todos”, com uma superdemocracia, e hoje criticam Bush. Como disse no início, era tempo de muita ingenuidade.
Mas nós, a turma de 92, melhoramos o nosso mundo. Hoje, as aulas têm hora para começar e acabar. E acreditem, eles têm computadores.
Hoje tudo mudou. Não temos mais a ingenuidade, envelhecemos. Lutamos cada um por si, em busca da própria felicidade. Cada um cuida do próprio rabo, e de vez em quando, nos reunimos para contar e relembrar os casos do passado.
E talvez essa seja a melhor maneira de contribuir com o Mundo todo, fazendo o nosso mundo, melhor. Assim como fazíamos em 92.
[música do texto: Beatriz – Ana Carolina e Seo Jorge, para relembrar os dias de barzinhos e MPB]
[RA 92, é o número inicial de nossas matrículas, essa turma formou-se em 96, e alguns em 97, 98, 99...]
Por Fernando Katayama New York, NY, 17 out. 06
Sunday, October 01, 2006
Salagada Sacanagem
No Brasil é dia de eleição. Lula tem vantagem considerável sobre o segundo candidato, Alckmin. Mas eleição é como futebol, “caixinha de surpresas”. Estou farto de falar de política. Escrevo, escrevo e não varia o tom. Mas mudou a música.
“Dia de sol, festa de luz e um barquinho a deslizar no macio azul do mar…” – João Gilberto, o pai da bossa-nova. Na intimidade do seu apartamento, em encotros noturnos, João e seu violão, inventaram a bossa-nova. Ingenuidade da juventude não muito transviada dos anos 50. Quando é que, João, em seu apê, Rio zona sul, iria imaginar que o “barquinho” deslizando no mar, pudesse ter uma conotação fálica?
Nunca! Ele jamais imaginou isso. É mas passaram-se quase 50 anos e o mundo mudou.
Não poderia eu, deixar de escrever sobre o fenônemo da internet e o poderoso YouTube. Essas duas armas, mais perigosas que bomba atômica, aniquiladoras como vírus mutante do HIV que prolifera-se e multiplica-se com velocidade espantosa. Esse fenómeno aniquilou por completo a gostosa da Daniela Cicarelli. Até agora, pelas fofocas no ar, ela já perdeu dois contratos publicitários. Grandes marcas não querem associar-se à ela.
Todos vocês já sabem do que é que eu estou falando: do filme que um certo bisbilhoteiro fez dela, transando na praia com o atual. Para piorar a situação, ela vai à festa promovida pelo canal de tv à cabo, vestida de “pata” [a fêmea do pato]. Clara alusão a “galinha”.
Talvez agora vocês vejam “O barquinho”, entrando e saindo e deslizando, no macio azul do mar. Esse fenômeno, fez com que a mídia, explorasse a situação chamando psicanalistas e “Freuds” de plantão para analisar o comportamento do casal em uma sacanagezinha à beira mar. Pataquada. O ocorrido é que ela “esqueceu” por algum tempo que tem uma personalidade pública e uma pulbica. Só isso. Se fosse ela, uma qualquer, teria dado uma bem gostosa na praia e ninguém iria ficar sabendo.
Sem essas diversas análises do comportamento humano-animal, que gira gira e não sai do lugar.
Quem nunca fez uma sacanagenzinha em algum lugar inusitado? Quem não fez, perdeu!
Quem não tem uma fantasia por fazer? As minhas não restam muitas. E tenho algumas histórias hilárias para contar...
Deixo claro aqui, que não estou defendendo a Daniela e o Casanova. Não vou muito com a cara dela, apesar de ser uma puta mulher gostosa. Tudo em cima. Bundinha, peitinho, e é tão gostosa que sobra: tem seis dedos no pé. Deu pro Ronaldo, quando ele ainda era Fenomêno. Casou em Chantilly. Festão. Não durou nada o casamento entre Reebok e Nike. Azedou o Chantilly. Ronaldo virou uma bola. E ela saiu como a intresseira. Casamentozinho mais feio. Enfim, ela acabou sendo pega dando uma na praia.
Imagino Ronaldo, agora com um puta ciúme. As cenas do vídeo são ridículas, nada de explícito, parece mais os filminhos eróticos dos anos 70 e a pornochanchada.
Lógico que esse bafafa todo só se deu porque a sociedade é massacrante e hipócrita e porque ela é gostosa.
Os machistas dizem que ela é mesmo uma vagabunda, sem vergonha. Uma puta, no pior sentido da palavra. É a pura inveja do Casanova. No fundo queriam mesmos é estar na pele do sujeito e comer a Daniela Cicarelli em cadeia mundial. Afinal, comer uma gostosa e não contar para os amigos é o mesmo que não comer.
Já as feministas, dizem que é uma falta de respeito com a mulher. Rebaixando-a a um pedaço de carne, salgada no mar. Na verdade, querem dizer: “filha da puta essa ai, gostosa desse jeito, fez isso só para se mostrar! Ah...! Se eu fosse ela teria extrapolado”. Ficam com o recalque.
Todos ficam nessa. Criticam. Não aprovam. Fazem o show.
Mas a verdade é que nós adoramos mesmo, é o gostinho apimentado do Pecado.
[sem música: impossibilitado por motivos técnicos. Mas certamente seria “o barquinho”de João Gilberto]
Por Fernando Katayama, Montreal, Canadá, 1º de Outubro de 2006
Friday, September 22, 2006
Deus, o Diabo e a Besta
O presidente democrata-ditador Venezuelano durante uma assembléia da ONU, chamou o presidente americano de Diabo. Diabo é como o mundo radical islâmico da Al-Qaeda e seus seguidores referem-se ao presidente americano. Eu o chamo de Idiota. Evidente que Chavez, não foi ingênuo, foi provocativo. Foi de maneira grotesca, muito corajoso de fazer essa apologia em solo americano. Chavez, provoca os Estados Unidos, sabe que tem petróleo suficiente para negociar. Em seu regime totalitário, disfarçado de democracia esquerdista, Chavez pensa que é Deus, e coloca a América-Latina em um inferno.
Bush, o presidente americano, um idiota que pensa que é Deus. Acha que pode tudo. Adota políticas erradas para resolver problemas políticos, como a invasão do Iraque, justificada pelas “armas de destruição em massa”, comprovado, meses depois, que foi um equívoco gigantesco. Agora, perde a credibilidade mundial, ao acusar o Irã de enriquecimento de urânio para fins bélicos. Pensa que é Deus, age como o Diabo e coloca o mundo no Inferno.
No Brasil, Lula senta a bunda tranquilamente na cadeira do Planalto, seguro que já esta reeleito. Tenta, como todo time favorito, evitar o “favoritismo”. Lula acha que Deus é brasileiro, e que em um momento milagroso, vai vir salvar a Nação da podridão que esta atolada ate o pescoço. É uma Besta. Escândalos e mais escândalos. Corrupção e mais corrupção. Inércia. São as marcas do governo Lulista. O PT dissolveu-se na fossa do Planalto e na incrível habilidade de Lula em desintegrar seus homens fortes, como Zé, Genoino e Palocci. Afirmou há pouco que “põe a mão no fogo por Mercadante”, sobre mais um escândalo de seu governo. Como o Diabo, vai cozinhar é o Mercadante no caldeirão. Se precisar, abaterá. Há alguns dias, disse que “era perigoso lidar com bandidos”, não sei se falava de si, dos seus ou dos outros. Talvez de todos juntos.
[música do texto: sem música]
Por Fernando Katayama, de New York, NY, 22 set. 06
Thursday, September 07, 2006
5 Anos Depois
Há cinco anos as Torres Gêmeas foram atacadas. Todos viram e virão novamente os aviões colidindo contra os dois edifícios. Desabaram. Chocou o mundo e esclareceu a nova geopolítica mundial. Na Era Moderna essa foi a segunda vez que os Estados Unidos foram atacados em seu território, a primeira foi Pearl Harbor, deu no que deu! E mais uma vez provou o tamanho da inteligência maquiavélica humana, apesar de que Maquiavel não tem nada com isso, só criticou a hipocrisia de sua época, e perguntou “se os fins justificam os meios”.
Apesar do tempo passado, o sentimento em Nova York ainda esta entalado. Em recente pesquisa do The New York Times *1, mostrou que 60% dos nova-iorquinos não querem trabalhar em altas torres porque têm medo. Talvez um pouco demais, mas é verdade. Também uma grande parcela acredita que o governo poderia ter feito mais antes dos ataques. O mundo inteiro ainda questiona se o governo sabia ou não. Para nós brasileiro, o governo saber ou não, é uma questão não muito relevante, pelo que mostra as pesquisas eleitorais desse ano, mas isso é outro assunto.
Contudo a paranóia esta estabelecida aqui. Aeroportos, prédios públicos, sem se falar de prédios do governo, todos estão lotados de cães-farejadores, NYDP, NYFD, FBI, DEA, USMC, HLS, CIA ou outra sigla quaisquer, para mostrar segurança ao povo. Acho que vai chegar o dia de termos que viajar de avião pelados ou só de cueca!
Pra mim é claro que isso é fruto da política bi polarizada do pós-guerra. Bush e sua total demência, colhe hoje o que foi plantado no auge da guerra fria. Osama bin Laden, Kadaffi, Aiatolá Khomeine, Hezzbolah, Al-Qeda foram sementinhas plantadas naquele momento. A Rússia, Ex-União Soviética, também tem seu dedinho por ai.
Hoje, saiu mais uma ordem do comando terrorista, dizendo para matar pelo menos um americano nos próximos quinze dias. A imbecilidade mais uma vez toma conta. As mentes doentes dos comandos misturam seus anseios políticos-economicos-religiosos e ameaçam pessoas as quais não tem domínio algum sobre a política tomada pelos seus governantes. Contudo, o povo islâmico seguidor da Al-Qeda ou outro grupo extremista, segue a risca, o comando estúpido. Realmente dá medo. Como saber quem é americano ou não? Só pela cara? Ou antes de matar vão pedir o passaporte?
É a total insanidade em busca do domínio sei lá de que, desperdiçando a maior riqueza, a vida.
Enquanto isso, o débil presidente americano, jura de pé junto que não tira suas tropas do Iraque, enquanto a “democracia” não estiver estabelecida e já prepara para entrar no Irã, justificando o enriquecimento de urânio para fins bélicos. Bush quer impor a democracia americana através do regime militar.
Depois de tudo isso, Maquiavel continua extremamente contemporâneo: Os fins justificam os meios?
[música do texto: Stomach Worm – Stereolab – Peng!]
[*1 – The New York Times, dia 7 set 06]
Por Fernando Katayama New York, NY, 7 set 2006
Thursday, August 17, 2006
Deu no New York Times
Mas por volta da 1 da manhã, chegou um e-mail para mim. Uma amiga minha, a Sol, estava me enviando um texto que havia recebido.
Logo pelo assunto do e-mail, estranhei. Mas como vinha dela, resolvi checar, já que meu antivírus não deu nenhum sinal de scripts maliciosos.
“Acho que você vai gostar”, escreveu para mim. E seguia o e-mail anterior, que ela havia recebido e o texto anexado:
“Crônica publicada no New York Times em 17/07/2006...
Olha que maravilha...
Como nossa política é vista no exterior...
Obrigado”
E continuava com o nome da pessoa que repassou para o irmão dela, que por fim repassou a ela. Ou foi mais ou menos assim...
Não sei. Mas já deu para pegar a essência da coisa.
Não devemos mesmo acreditar nas coisas da internet.
Imaginem vocês, o título do texto era: “Marcola e Lula no telefone”. Soou-me algo parecido com o que tinha escrito. Ingênuo, pensei: “acho que os pensamentos humanos são comuns, e se repetem por ai”.
Pura ingenuidade.
Comecei a ler... E, porra, o texto é meu. O texto publicado no meu blog, dia 17/7. New York Times my ass!
Arnaldo Jabor já havia escrito sobre textos que não são dele, que são colocados como se fossem. A Internet replica com muita facilidade. Control C, control V.
Fico muito contente que meus artigos, meus textos, minhas idéias estão rodando por ai. Eu já esperava por isso, um dia, receber um texto meu mesmo, com algum comentário, mas nunca imaginei que me colocassem no New York Times.
[música do texto: W/Brasil, Chama o Síndico – Jorge Ben Jor – 1992 ]
[Se for repassar, coloca meu nome nos créditos! AGRADEÇO!]
Por Fernando Katayama, New York, NY, 17 ago. 06
Wednesday, July 26, 2006
Nenhum é Melhor que Um
Lá no Oriente Médio, explodem bombas. Umas perto, outras longe. Faz tempo que estão em guerra. Talvez, desde os primórdios, misturando a cultura expansionista, que vocês se lembram com a história da Invasão Moura, as Cruzadas e o Império Turco Otomano, com política e religião. É um barril de pólvora, com pavio de político-religioso. Impossível separar a política da religião. É uma guerra declarada com motivações obscuras como toda e qualquer guerra. Isso é lá. Talvez, nos afete cá.
Aqui, saiu no New York Times, que o governo americano esta já de olho no governo chavista. O petróleo venezuelano é importante para o mercado americano e Chávez, amigo de Lula, compadre de Morales, já ameaçou cortar o suprimento, caso os EUA, pressionem para sua queda. Já disse aqui que Chavez esta querendo montar o próprio barril de pólvora. Isso é lá. Talvez, nos afete cá.
E no Brasil outra guerra acontece. É o vale tudo das eleições que se aproximam. Li agora mesmo que Lula, esta com chances de vitória no primeiro turno, com 44% das intenções de voto. Seguido por Alcknim, e depois pela Senhora Bombinha do Agreste.
A Senadora do PSOL, Heloisa “Bombinha” Helena, é a égua-alazão, que corre por fora. Mas veio se preparando para isso, desde que foi expulsa do Partido Barbabo. Não é a toa que está em toda CPI, usando as câmeras para promover suas idéias. De fiel amiga, para principal inimigo. Heloisa representa a classe dos esquerdas-descontentes com a esquerda-situação. O Lula e o PT são o “efeito Orloff”*1 da Senadora Bombinha e do PSOL. Lula e o PT foram tudo aquilo que Heloisa e PSOL estão sendo hoje. O apelo moralizador, da honestidade, da luta dos que vieram de baixo, do sertão, da pobreza. Alto vínculo popular. Luta por ideais. Soa-me muito parecido com os tempos de Lula-lá*2.
Alckmin é o opositor mais forte de Lula. Ex-governador de São Paulo. Cara de meio-morto. Careca, médico, culto. Meio sem sal. A onda de ataques terroristas colocou-o em situação delicada. Parece ter perdido o controle do Estado. Esta levando uma surra do Barbudinho.
E o Barbudinho, está levando essa, assim como FHC levou em 98. As proporções eram praticamente as mesmas. Lula esta em posição confortável segundo as pesquisas mais recentes, mas lógico tem que se cuidar.
Mas o que me preocupa mesmo é se ele vencer. Será a assinatura da sociedade, para as barbáries que aconteceram em seu governo. Mensalinho, Mensalão, Sanguessugas, Zé Dirceu e seu plano maquiavélico, PT só como argumento. Impunidade. Maracutaia. Tudo isso passará a prevalecer mais ainda, na sociedade brasileira já estraçalhada e corrompida.
Contudo, uma pergunta fica no ar: Se não for um desses três, quem será, se todos parecem ser essencialmente todos iguais?
[música do texto: Polícia – Titãs – Cabeça Dinossauro – 1986]
[Vídeo: Melo Do Pocoto ]
[*1 – Orloff é uma vodka, que tinha um comercial que dizia: “eu sou você amanhã", criou o efeito Orloff.
*2 – LuLa-lá foi durante as campanhas de 90, 94, 98, slogan do Lula]
Por Fernando Katayama, New York, NY July 26 06
Monday, July 17, 2006
Marcola e Lula no Telefone
Coisa que parecia ser estúpida para um brasileiro.
Homem-bomba? Metralhadora? Matar? O quê?
Brasileiro é samba, cerveja, mulher pelada, e até antes da Copa, futebol. Alguma coisa mudou.
Toca o telefone.
- Bom dia! Palácio do Planalto, Shirley falando.
[A breve história de Shirley: Shirley sempre esteve com o Presidente, antes até, dos tempos do Sindicato, dizem uns, que até mesmo quando ele tinha dez dedos. Sempre fez o trabalho de secretariado, inclusive na formação do Partido, quando achava o Zé, um gato. É apadrinhada do Presidente, mas nos bastidores, dizem as fofocas, que foram caso quando estagiava no sindicato, pré-partido, mas a D. Maria, a galega, abafou, afinal ela não é Hiraly Clinton e o Presidente não fuma charuto cubano, bebe 51, porque para pegar a Shirley, só bêbado. Shirley como quase todos do PT, doa, 70% do seu salário declarado para o partido, mas fica com 100% do salário do caixa dois e de alguns outros fundos não declarados. Agora atende os telefonemas para o Homem.]
Uma voz grossa e rouca responde: “Deixa de onda mulher, quero falar com o Presidente!”
- Quem é você para falar assim com a secretária direta do presidente?
- Larga de ser besta, e passa o Homem.
Suspiro. – Qual o seu nome? Tem hora marcada?
- Porra! Sou o Marcola, e não tenho porra nenhuma de hora marcada!
Silêncio. Entra o som de O Guarani.
Muda a cena: Shirley entra na sala do Presidente, bufando.
- Lula...
- Já não ti disssse para não me interromper quando vejo tv?!
- Mas um tal de Marcola, um sujeito sem classe alguma, insiste em falar com você, e eu não tenho a menor idéia de quem seja esse fulaninho!
O Presidente engole seco, com um sinal com a cabeça e diz que atende.
O Guarani é interrompido.
- Alô, senhor...
- Porra... Já não era sem tempo, não agüentava mais ouvir essa musiquinha... Porra! Melhora essa merda ai e coloca um MC ou Racionais! - Que foi mulher? Falou com o Homem?
O telefone muda o tom...
- Alô! É o Presssidente Lula.
- E aí seo Presidente... Beleza maluco?! Aqui é o cumpadi Marcola. Tá gostando do salceiro que armamo em Sampa!?
- Marcola... Não era pra tanto!
- Oh, daqui do xilindró, comando bem pra caralho a zona toda. Tamo fritando os poliça, botando o terror nesse povo bunda mole. E quer saber mais, tamo estourando de vendê pó!
- Mas Marcola...
- Viu só, malandragem, aprendemos com os caras das Farcs, com os Bin Laden, com os caras do Hezbollah... É Presidente, aqui é tudo das Nações Unidas! [gargalhadas] Chaves é o nosso companheiro! Ele e aquele índio boliviano... Já que vamô tá mandando em tudo!
- Mas Marcola...
- E os poliça, presidente!? Heim? A gente manda mesmo! Falei, num falei? Da última vez, vieram com aquela conversinha de “dar um tempo”... Ah... Até parece coisa se casalzinho fresco... Vai ser corno lá na casa do caralho, dar um tempo... Tá louco né?!
- Mas Marcola, a sociedade tá pressionando...
- Ah! Cê ainda não viu nada... Tô já conversando com os caras do Rio. Tamo para armar uma... O MST já tá com a gente.
- Mas Marcola não foi bem isso que... [interrompido]
- Mas nada seo Presidente! Já temo uma porção de deputados com a gente também. Tamo para receber uma nova carga de AK-47 e tem até uns misseiszinhos...
- Marcola, a pressão já é para colocar o Exército na rua...
- Ahhhh cala boca! Cê acha que esse seu exercitozinho vale alguma coisa? Mora tudo nas favela, e as favela é nossa! Noís tem homem-bomba a dá com pau. Temo armamento pesado. Mas muito mais que isso, temos é grana! E o governo [gargalhadas], depois que você pilhou, tá quebrado! Sem arma, sem gente que preste...
- Não foi bem assim não... O FHC também pilhou, o Maluf, o Médici...
- [morrendo de rir] Além do mais, os artista da Globo é tudo freguês nosso. Viu o Fernando Vannucci na internet*1? Tava bêbado nada, tava é chapado com coisa nossa!
- Mas Marcola, não foi bem isso [interrompido de novo]
- Porra heim Presidente... Trabalho bom o nosso. Tocando o terror no Estado mais importante do Brasil... Show, heim? Você vai ver a hora que começarmos a soltar os foguetinhos. Os caipiras de São Paulo, vão pensar que é festa junina atrasada ou que o Corintia ganhou algum jogo. E na verdade vai ser noís, mando foguetinho para detonar tudo!! O povo de tão ignorante, vai pensar que tem churrasquinho grego de grátis na Praça da Sé, tanto vai ser o cheiro de churrasco de gente pairando no ar! Vamo é tocar o terror!
- Nossa Marcola...
- E enquanto isso, você ganha pontos nas paradas... Porra!! Não é o nosso acordo!? Eu boto o terror e você vence as eleições!
- Era né Marcola! Mas acho que o poder tá subindo na sua cabeça e você tá querendo coisa demais, já ta querendo roubar a cena...
- Ah! Cala boca Nove-dedo! Cê tá por fora! Quer saber? Você que se foda! Vou eu lançar a minha campanha oficialmente para Presidente. Não vou ficar como você, naquele lenga-lenga de viado. Já sou bandido e todo mundo sabe! Não fico com onda e nhê-nhê-nhê! Mando matar e pronto. Não sou como você que fica cozinhando até que o cara morra sufocado. Você fez isso com o Zé, com o Palocci...
- O quê? [indignado]
- É isso mesmo! Cozinhou os caras... E eu já decidi, vou me lançar! Já tem até campanha voluntária rolando na Internet. “Marcola para presidente”. Eu fiz a polícia trabalhar, os crimes caíram... O povo vai votar em mim! Bandido por bandido, eu faço o meu trabalho muito melhor que você! Você que se dane!
E bate o telefone na cara do Lula.
[música do texto: Brasil – Cazuza – Ideologia - 1988]
[*1 Para ver Fernando Vannucci doidão:
http://www.youtube.com/watch?v=TfTvOGmu__4&mode=related&search= ]
Tuesday, July 04, 2006
Brasil Contra Brasil
Na sexta-feira passada escrevi sobre o craque francês Henry. Disse que Henry estava certo em seu comentário sobre o analfabetismo brasileiro. Mal sabia eu, que o francês mataria o jogo em uma só bola. Quem mandou no jogo foi o Spok, imediato do capitão Kirk. Zenedine Zidane, foi o nome do jogo. Com a inteligência Vulcânica, em um toque, fez o Brasil desmontar *1. Magro, correu o campo todo e deu o passe, em uma cobrança de falta. Zidane havia declarado que essa seria sua última Copa. O craque correu com se o jogo contra o Brasil fosse seu último. Não foi.
O Brasil, no entanto, jogava o futebol que vinha apresentando até àquela hora. Depois do gol piorou. O selecionado canarinho voltou pro ovo, amarelado *2, diante do galo azul francês. O time já jogará sem a mínima vontade nos outros jogos, e não foi diferente nesse. Esse selecionado foi um time apático. Cheios de si, estrelismos, achavam que eram imbatíveis e que resolveriam qualquer jogo quando bem entendessem. Muita estrela em um céu que só cabe 11.
Obviamente que o treinador Pé-de-uva, tem sua parcela de culpa. Mexidas erradas, insistência em manter o Fofão, e tudo mais, não tiram do Parreira a culpa. É do gerente a tarefa de motivar a peãozada.
Agora vão aparecer explicações das mais estapafúrdias para justificar. Vão meter a boca no Roberto Carlos, que na verdade não jogou nada na Copa toda e não marcou Henry. Vão dizer que o Parreira é burro e outros blá blá blás. De nada adianta.
Quando escrevi que o Brasil tava mal, recebi criticas dizendo que eu não sabia nada de futebol. E eu não sei mesmo, mas não é preciso saber muito de nada, para ver que alguma coisa não esta boa.
Seria muita ingenuidade minha não pensar que tem gente que ganha muito com tudo isso. Nos bastidores rolam cifrões. Mas não farei aqui, teorias conspiratórias.
Mas no fundo eu gostei da derrota. Já escrevi aqui mesmo, que a conquista do campeonato não seria bom para o país. Com as eleições se aproximando, a vitória traria ao povo uma sensação de ser vitorioso, conquistador, forte, rico. A Nação toda se espelharia nos vitoriosos milionários jogadores. O falso sentimento de vitória.
E governo se parece com time, pesado, gastador, cheio de pré-conceitos “imexivéis”, por mais idiota que seja. Sempre tem alguém ganhando milhões com isso. O técnico não é planta é peixe, mas não faz as mexidas certas e fica sempre com a mesma cara de merda. Como a Seleção o Governo vive rodeado de mordomias, tem um monte de riquezas e é considerado pelo mundo todo como um grande potencial, mas na hora “h”, perde o jogo. Assim como a Seleção finge que joga o governo finge que governa.
Contudo dá para aprender com a derrota. A melhor de todas é: não tem jogo ganho, muito menos fácil. Aprendemos que se não corrermos atrás, jogarmos como todo jogo fosse o último, fazer as mudanças necessárias, por mais difícil que seja não dá para ganhar jogo nenhum.
[música do texto: Violão Vadio – Yamandu Costa play Baden Powell]
[*1 – Spok tem além da inteligência extraterreste, tem a habilidade de fazer desmaiar so com um toque
*2 – amarelar é um termo da gíria brasileira, acovardar-se]
Por Fernando Katayama New York, NY, 4 jul. 06