Wednesday, March 08, 2006

Crash

Foi uma surpresa ou nem tanto. Todos esperavam que o filme tailandês de cowboy gay ganhasse mais estatuetinhas. Não foi bem isso que ocorreu. Hollywood esse ano, dizem os críticos, foi mais humano. Abordou temas voltados às necessidades humanas, as carências, aos temas da sociedade contemporânea, aos medos. Eu não sei dizer, não vi todos. Pouco importa também. Nem vi o porre da tal cerimônia.

Dessa vez, não teve mega-blockbuster. Spielberg, mais uma vez gastou o tempo falando de judeus. Acho que deveria voltar a falar de E.T. King Kong, o macacão milionário, e deixe claro, sem racismo*1, estou falando do gorila, não arrebatou muito. Foi “Crash – No limite”, de Paul Haggis, levou o título de melhor filme.

É um filme no mínimo incômodo. Edição e trilha sonora boa. Personagens fortes, mas o que é o melhor é o argumento.

Ao falar das mazelas da sociedade, seja ela em L.A. ou em S.P., é preciso ter um argumento no mínimo bom. Atacar o cotidiano não é das coisas mais simples.

Como mostrar para a sociedade a sua própria frieza? A indiferença entre morte e vida?

Negros, chineses, nativos, cada um por si. Violência dominante. Dinheiro e sensação de superioridade até que a arma mostra a fragilidade da grana. A raiva por raiva. Sonho por sonho. E maioria excluída.

Talvez por isso o titulo do filme – Crash. Não mostra segredos. Não faz suspense. É duro e transparente. Deixa os acidentes da vida entrelaçar as coincidências vitais.

Como romper isso tudo? A reconstrução através da total destruição? A ruptura com os padrões estabelecidos?

Até quando?

Crash: To break violently or noisily; smash.

[*1 Nessa semana um jogador de futebol, aqui no Brasil, foi acusado de racismo por xingar de “macaco” um colega de profissão]


Por Fernando Katayama 08 mar. 06

Wednesday, March 01, 2006

Verdade, mentira e morte

É acabou o carnaval. Mais um ano se passou, de batuques, peito e bundas de fora, gostosas e as nem tão gostosas assim. Camarote dos famosos e tudo mais. Filas nas estradas, sujeiras nas praias e multidão que volta para o cotidiano monótono.

Nesse carnaval eu não fiz nada. Nunca faço nada diferente do que sempre faço. Acho o carnaval chato. Resolvi então gastar um tempo com um dos meus passa tempo prediletos. Fui ao cinema.

Fui ver o último do Woody Allen, “Macth Point”. Entrei na sala escura achando que era uma comédia romântica, recheada de ironias e humor sutil, afinal é um filme de Woody Allen. Sentei na poltrona com o saco de pipoca e rodava o filme. Gostei muito desse filme ai.

Vi também o filme dos cowboys gays, de Ang Lee, “Brokback Montain”. E esse filme que esta dando o que falar, afinal ver um homem comendo outro, só em filme pornô de veado, no circuito, nunca. O filme é bom, gostei também.

O que será que tem em comum entre um filme e outro?

Um se passa no pasto, meio do mato, interior americano, anos 70, dois homens. Outro centro urbano, Londres, aristocracia britânica, inicio século 21, um homem, duas mulheres, uma delas gostosa. Há princípio nada.

Mas vejamos assim.

O filme de Ang Lee mostra o relacionamento amoroso reprimido de dois homens. Quebra o arquétipo Jungiano do Herói que estamos acostumados a ver, como em “terra de Malboro”, até com assobiuzinho, terra de homens fortes e cavalo e só. Nesse caso, ovelhas.

Como imaginar o herói dando o rabo? A sociedade conservadora choca-se ao ver. A sociedade ultra-liberal choca em ver-se por lá. A vida: dois homens reprimem-se e vivem a vida infelizes até morrer, todo herói morre.

Woody Allen aborda de uma outra maneira a repressão aos sentimentos e a verdade. Inverte o papel da mulher, na sociedade ocidental, onde o homem passa a viver as custas dos benefícios financeiros da mulher. Covarde, como quase todos os homens, vive a infelicidade com medo da verdade. Perde-se nas curvas da Scarllet Johansson, a paixão castrada. Ele não gosta do que faz, não gosta da mulher e aceita a vida e os benefícios que a posição trás. É infeliz. A mulher cornuda, finge não saber, mas para sustentar o sonho, manter a imagem, finge felicidade. A amante, podre, sem muita chance, vive a vida apaixonada, renegando a origem, imaginando sempre conseguir o homem de fato, engana-se sempre. Vivem na repressão aos sentimentos, vivem nas mentiras da vida.

O que há de comum então entre eles?

Entre a verdade e a mentira a melhor solução é a morte.

Mas será?

Por Fernando Katayama 1 mar. 06

Tuesday, February 21, 2006

Carnaval, um porre

Acabou! Acabou a fervura para ver o Rollings Stones. Acabou a fila para ver U2. Mas não acabou a euforia. Ainda resta o Carnaval. Carnaval uma das festas mais tradicionais do país. Coisa de louco.

Eu nunca gostei. Acho que sou chato. Existe e não há o que fazer.

Me resta:

Agüentar a Globeleza pulando na tv com as tetas de fora, sacudindo para um lado e para outro, como se fosse a coisa mais linda do mundo.

Agüentar o batuque infernal de quem não sabe tocar. E ainda o cara dizer: “olha a paradinha”. Sem contar o samba-enredo, e o grande puxador Jamelão.

Agüentar a molecada dizendo que “é bom para pegar mulher”, afinal o cara é um incompetente e só pega mulher uma vez no ano, no Carnaval. No resto do ano, cinco resolvem por um.

Agüentar alemão vermelho na praia, falando “zamba”, “carnival”, “molër pilada” e “caipiriina”.

Agüentar que todo mundo é de todo mundo e ninguém é de ninguém e é hora de tirar o atraso.

Agüentar os locos de pó, lança e lo-lo. Hoje de êxtase e doce. Bêbado vomitando no pé e para piorar, mulher bêbada, que fala cuspindo com os peitos esfregando na nossa cara, com cara de quem quer dar, mas é só tipo e fedendo bebida de segunda. Se homem bêbado é uma merda, mulher bêbada é merda potencializada.

Agüentar todo mundo dizendo: “vamos pulá, alegria, é Carnaval”, te obrigando a pular como idiota, fingir felicidade e dizer que comeu todas, afinal é Carnaval. E na verdade, você estava afim mesmo de ouvir música clássica e ler um livro.

Isso sem contar que as mulheres reclamam que são tratadas como um “léio*” de carne, mas no carnaval, não passam de um belo par de tetas e bundas.

E se quiser fugir para a praia, melhor ficar em casa.

Uns dizem que vale o feriado, mas cacete, então para que a putaria toda?

E se é pela putaria, bebedeira e pegação, qual é a diferença do final de semana passado?

[* leio: pedaço / O Brasil só funciona depois do carnaval]
[ você esta ouvindo a música "Gortoz A Ran, J'attends", sobre um novo mundo:
"...Will come back the blue wind To breathe my wounded heart

I will be pulled away by its blow Far away by its stream to another land

I will be pulled away by its breath Far away by its stream, wherever it wants

Wherever it wants, far away from this world Between the sea and the stars" ]

Por Fernando Katayama 22 fev. 06

Wednesday, February 15, 2006

Bolsas das Putas

É noite. Com na pouca luz do poste, encosta um carro. Nem luxuoso, nem velhaco. Com sua saia minúscula, curva-se na janela, insinuando-se ao motorista. Sente-se única, a melhor, a mais linda, a mais sexy. Mal vestida com sua micro-saia, seios a mostra, é um filé na noite. Pouco importa se chove, se faz calor ou frio. Lá esta ela com a sua surrada roupinha. Suja da rua, dos dias sem banho, negocia. Entra no carro. Volta em alguns minutos. Cinqüentão, programa completo e vintinho só boquete. Pelo tempo que demorou, não da para saber qual foi. Com a boca suja e corpo melado, volta para sua esquina à espera de mais um. Rotina de uma puta no baixo meretrício. Gira bolsa, gira.

E é assim que o governo trata nosso surrado povo. Como putas sem saída, em desespero. Paga R$ 63.00 pelo programa. Usa do desespero. O Brasil não é um carrão, mas também não é uma velharia cubana. Vivemos nas sombras do desenvolvimento e passamos muito tempo sem banho.

O governo Lula, emplacou na eleição passada com o discurso voltado pelo social e pelo Fome-Zero. Vai usá-lo de novo.

O atual governo continuou com projetos do FHC, cheio de bolsas. Unificou umas para centralizar as ações. Criou-se o bolas-daquilo, bolsa-fulano, bolsa-da-blosa, isso para a porção miserável e para a não miserável, já eram malas ou cuecas, com recheios bem diferentes.

O governo gastou uma cifra exorbitante que gira em torno de 5 bilhões de reais, distribuído para os miseráveis desse país. Coisa que vai de 15 a 95, mas na média, 63 reais. Um boquete.

É o tipo de ação ineficiente e ineficaz. Não resolve nada. Não ajuda. Só gasta. Sai pelos fundos do Cofre da Nação e talvez justifique em desvios de verbas. Certamente não resolve nada. Não adianta usar tapa sexo no carnaval, dá para ver tudo. A perversão é explícita.

Logicamente o governo não esta nem ai para isso. O apelo esta feito e é isso que interessa. Não é à toa que Lula, pelas últimas pesquisas, esta liderando entre as classes D e E, já corrompidas pela miséria.

Enquanto não tivermos políticas para desenvolver o país, sem paternalismos duvidosos, sem políticos que lutam para seus próprios benefícios e a Nação não tomar consciência que é preciso gerar riqueza e distribuí-la, continuaremos rodando a bolsa nas esquinas da vida.

Por Fernando Katayama 15 fev. 06

Sunday, February 05, 2006

Boi de Piranha

Passei alguns dias afastado da minha máquina. Em uma dessas chuvas de verão, dessas que cai água e tudo mais que se possa imaginar, deu um certo probleminha aqui e perdi, o que os “micreiros*” chamam de “executáveis”. Uma queda repentina de energia, deve ter sido um galho ou um poste que veio ao chão levando também a minha energia, provocou essa perda. Lamentavelmente ou talvez por sorte, fiquei seu meu computador, assim não pude escrever por esses dias. Se eu pensar bem foi ótimo, esqueci por um momento das coisas do Brasil. Agora, por conta própria, já consertei e cá estou eu de novo.


Como não poderia deixar de ser volto ao cenário político. Nesse tempo todo que fiquei fora, e nem foi tanto assim, uns 15 dias, notei que um certo nome vem aparecendo muito nas capas dos principais jornais e noticiários do país. O não menos língua-plesa, Palocci, ou Palófi, como queiram. Intrigou-me.


Porque o único homem que saiu dessa crise-pizza [porque é grande, meia show-pizza, meia séria-mascarada. E já tem pizzaiolo ai, inventando o pizza-terço. Cena: domingo à noite, o cidadão e sua família, na tradicional pizza dominical [e pode ser delivery]; “oh me vê ai uma grande, terço show, terço mascarada e terço eleitoral”], esta aparecendo tanto?


O sr. Palófi, parecia ser “o cara”. Honesto. Cara de mortão. Ar de seriedade. Fala pouco. Só ele saiu de santo. Tentaram até atacá-lo, em vão.


A pergunta me persegue: “porque é que agora o cara tá na evidência?”; “Porque o Lula que chegou a Presidência sem um dedo e durante a crise sacrificou até seu braço direito, e provavelmente, o cérebro, estaria agora sacrificando mais um membro seu?”


Deve ter pensado “antes ele do que eu!”.


Ah! Mais isso é um pensamento muito simples para uma cabeça caipira-analfabeta como a do Lula. Tem coisa ai por trás.


Palófi, esta sendo sondado para ser, conforme for o andar da carruagem, o novo PTeleitoral. Falam isso, falam aquilo. E ele lá, negando. Se perguntarem se ele é filho da mãe dele mesmo, é capaz até de negar. O mesmo acontece com o Lula.


Para mim é uma ação de ataque do Lula. Lula que anda visitando os cafundós já em sua “adormecida campanha branda” e aprendeu certas coisas com os pantaneiros do Mato Grosso. Aprendeu o “Boi de Piranha”.


Vejam só. Enquanto os tucanos se pavoneiam e se despelam. Serra tenta ser o “correto” e o Alckimim tenta encarnar o JK. E o Lula que chega ao final do seu mandato, sem dedo, sem braço, sem cabeça, com escoriações, assiste tudo de longe, mas de binóculos e sem fazer muitos movimentos.


Enquanto isso, ele arremessa o Palófi para as piranhas, assim como os pantaneiros, que para atravessar um rio abarrotado de piranhas, sangram um boi, para passar com a manada. No final, os dois tucanos depenados vão ver o Lula atravessar o rio as custas do Palocci.


[micreiro é um tipo de ser pseudo-humano-chip que surgiu em meados dos anos 80, no inicio da era da informática, e se estabeleceram como uma tribo. São todos aqueles que de certe forma “conversam” com suas máquinas. Falam de bites, bytes, mega e gigabytes com tamanha trivialidade]

Por Fernando Katayama 5 fev. 06

Saturday, January 14, 2006

Retrovisor Gay

Passou a euforia das malditas compras de Natal. Passou a onda do “feliz ano novo”. Passou o coçassão de saco merecida das férias do recesso natalino-ano-novesco. Toda a maravilha dos fogos de artifícios. Do brilho à fumaça e dor no pescoço. Pronto acabou! Estamos agora na espera do carnaval. Festa tradicional brasileira que eu particularmente detesto, mas há quem goste e decore até o samba-enredo-repetitivo-chulo-ruim da escola do terceiro grupo ou os que ficam a noite toda zappiando a tv à procura de alguma gostosa peituda de bunda de fora e pode até mesmo ser um travesti ou um homem pseudo-gay vestido de mulher, que tá valendo, afinal, é carnaval.

E como eu venho dizendo nada muda. Até eu estou sendo repetitivo, caindo na minha própria armadilha, a repetição. Mas convenhamos que para escrever sobre coisas, coisas novas tem que aparecer. Alguém vai dizer que eu que to olhando só para um lado, certamente é verdade, afinal com é que eu vou olhar para todos os lados de uma vez só? Mas enfim...

Esta aberta a temporada de caça para o novo presidente da republica dos bananas. Começaram as frouxas ladainhas republicanas de uma democracia fraca. De um lado o governo petista que tenta de limpar da merda que o cobre. De outro, a oposição também cheia de merda. Os dois discutindo quem é o mais limpo, quando não há o mais limpo, e sim o sujo igual.

Agora estão com essa de dizer que o GETON, não é certo. Mas logicamente eles sabiam quando aprovaram e achavam certo, mesmo que as cadeiras da Câmara ficassem vazias ou fosse para votar projetos idotas. Isso mostrou que existem três tipos de políticos aqui no país. Tipo um: honesto-aspas. Tipo dois: Hipócrita. Tipo três: gay.

Se você pensou que o honesto-aspas é aquele que resolveu doar seu 14º salário, equivale a R$ 25.000, pelas sessões extras da câmara, errou. Honesto-aspas foi aquele que disse que não ia dar nada para ninguém, que o salário é certo e que não torrem os picuás dele. E pior que o cara tá certo. Esta na lei. Foi aprovado. E tudo mais. Se eu concordo, não vem ao caso, mas eu não concordo. Logicamente as aspas são essenciais nesse ai.

Ai me pergunta: “quem é o hipócrita?”. Simples. É aquele que disse que doará ou não pegará, o salário desse ano. Pura demagogia e engodo em ano eleitoral. O país passa por essa devassa corruptiva e é um bom slogan em época de eleição: “eu não peguei, doei a quem precisava, pobres coitadinhos”. Mas não disse que dos outros anos todos pegou. E que o investimento de 25 mil é pouco para o retorno de mais um mandato. Pura hipocrisia. Se fosse sério, aprovariam um projeto de lei que acabaria com as mordomias, ajudas e tudo mais, inclusive esse salário indecoroso.

E o gay? Bem, gay é uma coisa e tanto. A união do macho com a fêmea, em perfeita sintonia dentro de um corpo só. Gay é aquilo que é mas não é. Gay é uma coisa que parece ser mas no fundo não é. Gay é louco e desvairado. Gay não liga para nada e quando morre vira purpurina. Então quem é o político gay?

É aquele que dá para se livrar da foda. É aquele que não assume. E para finalizar, joga para os dois lados, dependendo onde é que ele tem a possibilidade de dar sem sentir dor.

Esse será o ano de eleições. A rede Globo já prepara o terreno com a série “JK”. A revista Isto É disse: “de olho nas urnas, candidatos se águam pelo retrovisor da historia e tentam encarnar JK, só falta um plano para alavancar o país”. Por isso o Brasil tropeça tanto, esquece de olhar para frente e ver para onde esta indo. O brejo esta perto.

[Honesto-aspas para quem não entendeu: “honesto”. Fonte: Revista Isto É, 11 de Janeiro de 2006, n° 1890, páginas 40 – 53]

Música: Genuíno pedaço do Cristo, André Chirstovam, Mandinga, 1989 - Nem Cristo Redentor tá salvo!!

Apartir dessa semana, uma musica acompanhará. Se vão ou não ter ligação com o texto, eu não tenho a menor idéia. Espero que gostem.

Por Fernando Katayama 15 jan. 06

Sunday, January 01, 2006

Ano Novo? Sua Decisão

Acabo de receber esse texto. Veio por e-mail. E é incrível, agora nesse exato momento é 1 hora e 12 minutos do dia 1º de Janeiro de 2006.

Alguns minutos atrás, comi um delicioso pernil preparado por mamãe e com toques meus. Estava com o computador ligado esperando um contato pelo Skype, maravilhas da Era tecno-informativa, quando recebi essa tal mensagem. Mensagem de um amigo. Não me contive em sentar à frente da minha máquina e responder a ele. Era uma mensagem de final de ano, um pouco diferente dessas tantas que entupiram meu e-mail nesses dias. Vou reproduzi-la aqui com a minha resposta.


O e-mail à mim
enviado pelo meu amigo:


INSTANTES


Se...


Pudesse viver
novamente minha vida...


Trataria de
cometer mais erros.



Não tentaria ser tão perfeito,me
relaxaria mais.


Seria mais ingênuo
do que fui, de pronto trataria pouquíssimas coisas com seriedade.


Correria mais
riscos. Faria mais viagens, contemplaria mais entardeceres, subiria mais
montanhas, nadaria mais rios.


Iria a lugares
onde nunca fui, tomaria mais sorvetes e comeria menos favas; teria mais
problemas reais e menos imaginários.


Se pudesse voltar
ao passado, trataria de ter apenas bons momentos.


Pois se não sabem,
disso é feito a vida, somente de momentos.


Se pudesse voltar
a viver, começaria a andar descalço no princípio da primavera e seguiria
assim até concluir o outono.


Daria mais voltas
em carruagens, contemplaria mais amanheceres e jogaria com mais meninos,
se tivesse outra vida pela frente.


E de Fernando
Pessoa, o desfecho:


"Valeu a pena?
Tudo vale a pena se a alma não é pequena"



[mensagem do meu
amigo]


“Quaisquer que
sejam seus planos, desejos e sonhos, reafirmo a disposição em contriburir
durante todo 2006 para suas novas conquistas. Estar ao seu lado e
participar de seus projetos é aproveitar o tempo, a vida.”



Minha resposta ao
gentil e-mail do meu amigo:


INSTANTES ANTES


Como...


Posso viver
totalmente a minha vida...


Cometerei mais
erros.


Não tentarei ser
tão perfeito. Relaxarei-me mais.


Serei mais ingênuo
do que fui e sou, de pronto tratarei pouquíssimas coisas com tamanha
seriedade.


Correrei,
certamente, mais riscos. Farei mais viagens, curtas, longas, com ou sem
planejamento.


Contemplarei mais
entardeceres e amanheceres. Subirei mais montanhas, nadarei mais rios.



Irei a lugares onde nunca fui, e
voltarei há lugares que já estive, para rever velhos amigos, tomarei mais
sorvetes e comerei menos favas, mas me esbaldarei em mel.


Terei mais
problemas reais e menos imaginários ou conjecturas vans.


Como posso voltar
ao passado, tratarei de ter apenas bons momentos. Deixarei nossa mania, de
lembrar mais dos desastres do que das alegrias, de lado.


Para recordar do
passado com o olho no futuro.


Pois se não sabem,
disso é feito a vida, entre o nascer e o morrer, somente de momentos.


Estou vivo então,
começarei a andar descalço no princípio da primavera e seguiria assim até
concluir o outono.


Porque no inverno,
vou esquiar.


Darei mais voltas
em carruagens, contemplarei mais amanheceres e jogarei com mais meninos,


Mas um dia
morrerei.


Então, se pudesse
voltar ao passado se tivesse outra vida pela frente, repetira toda ela de
novo!



De Fernando Katayama


[o inicio da minha resposta]
Até quem fim alguém me enviou algo que prestasse nesse final de ano!


Pelo menos você ouviu meus apelos e modificou alguma coisa!


Fernando Pessoa, não sei se por coincidência ou por ser homônimo, é um cara para lá de fantástico!

Não vou repetir aqui, as baboseiras de final de ano, porque ano nunca acaba, a não ser o fiscal. O nosso ano não acaba porque é um eterno crescimento. Só há duas datas em nossas vidas, que marcam realmente o inicio e o fim. É o nascimento e a morte. O resto é o meio, tão importante quando as duas outras, porem de limite atemporal, dentro do curto espaço de tempo comprimido entre nascer e morrer.

Assim sendo acredito que o importante desse meio, é a consistência sólida das histórias da vida. Penso então um pouco diferente do seu texto, uma vez que não estou morto, exemplifico assim: [volta ao início]

[Skype, é um serviço de VoIP. Ligações de baixo custo usando protocolos de Internet para voz.]

Por Fernando Katayama 1 jan. 06

Sunday, December 25, 2005

Pré-visões

Esta aberta a temporada! Durante os próximos quinze ou vinte dias vamos ficar ouvindo as balelas visionárias que tentam nos empurrar.

Inúmeros visionários vão definir o futuro. Búzios, tarôs, cartas, mão, energias cósmicas. Todos os artifícios para a dedução mágica!

O Pai Oxalá, Urubu-do-Bico-Curvo, grande mentor do Terreiro Olho, vestido todo de branco, parecido com baiana da lavagem do Bonfim, já que as baianas, que não são as de lá, usam roupas tão curtinhas que não tapam nem a mais singela celulite, diz: “Um grande homem irá morrer nesse ano. Um homem importante. Não posso precisar a data, mas será entre março e novembro, no máximo em outubro”.

Em um lugar não muito distante, Mãe Jurupoca, com o seu característico olhar torto, joga os búzios, com cara de espanto: “É... as coisas não parecem melhorar ainda... haverá muito briga em uma casa grande aqui no Brasil... alguns grandes se esfacelarão, enquanto outros, aguardam a carniça”.

Em uma tenda, cartas de tarô. Uma senhora gorda, de vestido vermelho, puxa as cartas. De cara, olha atravessado. “hummm, moeda quebrada... é... não haverá muito dinheiro no bolso...”
E por ai vai... Até o nosso presidente já fez as sua previsão, prevendo o cenário político do ano que vem. E o Palocci também fez a dele [preferia ele sem falar nada, mas não se conteve], disse que iremos crescer 5%. Mas ele já falou isso outro dia... Uma hora a de acertar.
Eu farei aqui então as minhas:

A economia, vai ficar nessa merda. Não vai pra frente. Via ficar esperando as eleições. As briguinhas partidárias, vaidosismos, jogo de influências, manterão tudo na mesma.

O Brasil continuará acéfalo. Sem governo. Sem políticas de crescimento. Sem estratégias definidas. Sem norte algum. Esperará o ano começar, em março, depois do carnaval. Enquanto isso, nada acontece. E quando acontecer, terá acabado o ano mais uma vez.

Passarão as eleições e serão idênticas as outras. Uma merda de um lado e outra merda do outro. Somando as duas, nesse caso, 1+1= talvez dê 1! De semelhança entre as duas: falar e nos tratar como merda.

Bem, também terá uma novela na TV, onde terá pelo menos um casamento, um assassinato, um atropelamento, um casal polêmico e logicamente, o vilão vai se fuder!

E o ano terminará com a musiquinha hit da Globo: “hoje a festa é nossa, hoje a festa é tua, e de quem quiser, quem vier...” Mas não nos deixam entrar e não dividem o bolo.

E isso tudo, a gente já viu!

Por Fernando Katayama 25 dec. 05

Tuesday, December 20, 2005

Jingle Bells

Lá vem vindo. Roupas vermelhas. Cintas pretas. Botas pretas. Gorros. Alguns adereços brancos. Invariavelmente a barba, mesmo que postiça. É um exército vermelho visto de longe. Uma legião vermelha. Vem em fúria e o barulho é ensurdecedor. Chega a dar medo. Marchando vão dominando a cidade e impondo a vida.

Não querem saber. Será assim e pronto. Impositivo. Verdadeira tirania. Invadem todos os cantos da cidade, até os mais sombrios. Entram nas nossas casas sem permissão. Fazem o que querem. Dizem que é para o bem, e praticam então, a lobotomia. Pratica muito usual nesse tipo de sistema.

Não pensem vocês que eu estou falando de um exército vermelho comunista ou algum tipo de guerrilha separatista. Não! De modo algum.

To falando mesmo do exército de papais Noel que invadem a nossa vida todo maldito ano. Na rua, no out-door, no rádio, na Tv, porra... Em todo lugar! Todos vestindo a mais chula das roupinhas de papai Noel, escorrendo suor da cabeça, com aquele gorrinho. Nada mais oportuno do que ficar de gorro no verão!

Somos bombardeados pela indústria do consumo. Celulares e eletrônicos estão no topo da lista de desejos. Todo mundo quer comprar, comprar e comprar. Querem mais ainda, ganhar, ganhar e ganhar.

Todos têm a obrigação e, até em alguns casos, tem que dar o tal presentinho de Natal, para não ser mal educado. Uma verdadeira Ditadura. Quem não ganha se sente desprezado, desamado, desvalorizado. Quem não dá se sente culpado, sem amor, egoísta. Não tem jeito. Compre uma qualquer coisa e pronto, ta resolvido.

Bom mesmo é o comercial da Vivo, que escracha: “Ganhou um peso de papel...” e se fudeu mesmo! Vai lá na “oportunidade única do ano” de reunir a família, e ganha uma meia! Puta cara de bunda!

Tudo besteira. Todo resultado da indústria. Todo mundo diz isso, não é novidade. Todo mundo fala: “ah... não tem mais sentido o Natal... tudo coisa da indústria...”, mas esse ai, já comprou a lembrancinha. “Fica chato não dar nada, né?!”... e por ai vai. Podem até pensar que eu quero presentes, que sou um revoltado com o mundo, que sou ateu, que mesmo com o meu discurso, eu ganho meus presentes e dou, podem pensar o caralho à quatro.

Pois, enganam-se. Não ganho e não dou. Aos 10 anos, disse ao meu pai que não queria nada no tal Natal e não me venha com Ovos de Páscoa. Desde então não ganho mais nada no Natal ou chocolate na Páscoa.

Disse isso ao meu pai, porque nunca me fez sentido isso ai. Acho totalmente sem graça e sem propósito.

Hoje, para piorar, somos abordados a toda hora pela “exploração da miséria Natalina”. Todo mundo quer fazer caridade. Nossa... Tudo bonzinho no mundo. Deve ser pela extrema unção. Assim, todo mundo se sente menos pesado pela sua dor do mundo, se perdoa e pronto, só tem que esperar mais um ano.

Reportagem na Tv, mostrou os “sem nada”, ficarem 5 horas em pé, com o sol a pino, para ganhar sua boneca de plástico - “ah, mas pelo menos, em um dia do ano, ele fica feliz!”. Os outros 364 passa fome, falta de amor, e fica cheio de vontade de ter. Vive no eterno vazio e cheio de desejos.

Dizer que isso é para a felicidade do outro é pura hipocrisia. Fazem essa “caridade” para aliviar a própria alma da culpa, e só. Porque se quisessem mesmo melhorar o outro, começariam olhando para si próprio, depois para a sua família, depois para as pessoas ao seu redor, depois para os colegas de trabalho e assim vai. Fariam todos os dias, a caridade, e vejam, caridade não é ficar levando brinquedo e saco de feijão, é muito mais que isso. Seriam educados. Tratariam todos com a mesma igualdade. O ano todo.

Ser bonzinho uma vez só no ano, me habilita de não fazer mais nada e continuar sendo bonzinho. Balela.

A Globo com aquela musiqueta de final de ano... Glória Maria, a preta que nunca envelhece, entra no Fantástico - O show a vida- mas só passa tragédia, diz “e o espírito natalino toma conta de tudo...”. E aparece um caminhão lotado de tralhas, e um monte de gente no desespero de pegar qualquer coisa, mesmo sem saber o que é, tanta a necessidade de afeto. Ou então mostra aquela reportagem da empregada que não tem muito que comer, mora em um barraco, tem doze filhos, dos quais um é bebe de colo, e o mais velho morreu assassinado em briga do tráfico, marido desempregado e alcoólatra, e mas sai por ai, dando presentes a desconhecidos. Oh, bacana!

O sentido do Natal é outro, mas esse se foi com o tempo. Fico pensando aqui como os não-católicos-cristão, ficam se sentindo. São obrigados a aceitar de cabeça baixa, afinal não tem muito que fazer. Seria quase uma heresia fazer alguma coisa diferente.

Natal representa, para o mundo cristão, o nascimento de Cristo. Nascimento, bom frisar. Deveria ser para coisas novas. Para nascer coisas novas. Assim como o Ano Novo. Ano Novo e Natal deveriam ser comemorados no mesmo dia. Além de um feriado a menos, teria mais sentido.

E entra ano, sai ano, sempre a mesma coisa...

Talvez por isso a choradeira no Natal, pela culpa. E no Ano Novo, todo mundo se veste de branco, para entrar limpo, como se preto fosse sujo. Calcinha de cor fúsia, para trazer sei lá o que; Cidra Cereser, afinal tem que ter “champange”; uns pulam ondinhas, outros sei lá o que; todos se abraçam e gritam “bom ano novo”... E ai choram na esperança de que o ano novo seja realmente novo .

Mas sabem que nada vai mudar.
... Porque não querem.

[tô de saco cheio, mas não sou papai Noel. Quer começar a mudar. Comece a fazer coisas diferentes, pensar diferente, agir diferente.

“se nada mudar em 10 anos, alguma coisa ta errada” - Dalai Lama”]

Por Fernando Katayama 20 dec. 05

Saturday, December 17, 2005

Onanismo Presidencial

Estava lá na TV mais uma vez o senhor Luis Inácio. Suando, com sua jaqueta bege de brasão da República. Talvez ele se sinta mais poderoso ou queira transmitir força. Nessa semana, almoçou com militares, no final disse que se segurou para não passar a limpo algumas histórias do passado. Bobagem.

Impressionante o que aconteceu em Recife que nessa semana, foi o centro de acontecimentos bizarros da política nacional. Não é de se estranhar que coisas bizarras aconteçam aqui, afinal é Brasil, mas tem cada coisa estúpida!

Lá em Recife, Hugo Chávez, presidente maluco cara-achatada venezuelano, tão anti-americano quanto Osama Bin Laden e talvez tão louco quanto, recebeu lá, a Medalha de Cidadão Honorário da Cidade do Recife, em cerimônia pomposa. Coisa mais estranha.

O que é que esse cara fez por nós ou por Recife? Porque dar esse presente a esse maluco? No mínimo uma estupidez.

Mas lá não aconteceu só isso. Lula fez mais um dos seus discursos, recheado de hipocrisia, silogismos, redundâncias e cretinices. Em tom disfarçado disse: “se eu decidir disputar a eleição, é para ser presidente de novo!”, entre outras baboseiras e seu discursinho eleitoreiro.

Lula tem que parar de ser hipócrita. Para com essa masturbação de reeleição. Ele fica nessa sessão masturbatória, sem assumir suas vontades ou ações. Fez isso o governo todo, ficou lá se masturbando e não botou para foder, o que todo mundo esperava. Tanto os que votaram nele quanto os da Oposição. Não, ele comprou um monte de dvd pornô pirateado no camelô, e foi por quarto escuro. E acabou ai.

Lula inventou o onanismo presidencial. Ou seja, falou um monte, disse que era “o homem, macho” que mandaria “tudo para dentro”, mas só ficou na mão!

Durante todo o seu governo foi moleque e não assumiu como homem suas responsabilidades de sair com a República. Como um adolescente que paquera, paquera e paquera, quando consegue a moça, não sabe o que faz e não assume o que faz. Foi traído e virou corno. Não assumiu nada. E agora não assume que quer a reeleição.

O que dá tesão no Lula, não é a presidência, mas é a disputa, é a eleição. E só. Esse é o onanismo presidencial de Lula.

Por Fernando Katayama 12 dec. 05

Thursday, December 15, 2005

Marshall Brazuca

Hong Kong – Lá na terra dos chineses, que detestam serem chamados de chineses, porque eles são de Hong Kong, e se orgulham de ter o passaporte inglês, apesar de não falar porra nenhuma de Inglês! Mas foi lá na terra dos tigres asiáticos, que aconteceu mais uma dessas conferências dos paises podres. Nós estávamos lá obviamente.


Nosso representante, Celso Amorim, ministro das relações exteriores, que assim como Lula, acha que inglês não é essencial aos diplomatas brasileiros, talvez para poder usar da mais nova prática nacional, o “nãoseisismo”, com maior liberdade. Assim dá para justificar que eles não sabem, não porque não viram ou que não estavam lá, mas porque não entendiam nada! Acho até que não entendem mesmo.


Mas como de costume, fomos nós à frente do mundo falar. Besteira obviamente. Celso Amorim, empunhando a sua surrada e ultrapassada bandeira bolchevique, tenta a todo custo, fazer o levante dos pobres contra os ricos. Uma imbecilidade.


Ele e Lula ficam brigando com americanos e europeus pelos subsídios que dão aos seus produtores agrícolas. Eu pergunto o que é que nós temos com isso!? Lógico que vocês pensarão, “ô seu burro, é porque se não os nossos produtos perdem competitividade”. Eu concordo que é a tal competitividade, mas eu não sou burro.


Mesmo assim, discordo desse argumento. Olhe só.


O Brasil tem que crescer por suas próprias pernas. Tem que parar com essas coisas paternalistas e visão de que somos os coitadinhos do mundo. Quanta besteira. Pára de ficar olhando a bunda dos outros! Ver se colocam ou não barreiras comerciais. Tem que lutar pelo seu espaço e não ficar implorando a Comunidade Européia e muito menos aos americanos. Temos que crescer com as nossas pernas, volto a repetir.


Primeiro que se você acha que os países ricos têm que nos ajudar, você é automaticamente à favor da ocupação americana no Iraque. Porque? Oras, a justificativa, nem sempre verdadeira, não é: “garantir ao povo iraquiano a democracia”. Então significa que os iraquianos precisam de ajuda externa para conseguir isso. Portanto, se você acha que os países ricos tem que nos ajudar, posso seguir o mesmo raciocínio lógico e linear. Não me fale que é diferente. Não é.


E tem outra coisa: rico não ajuda, se não, não seria rico. Rico quando doa, troca por alguma coisa, você é que não sabe pelo o que é.


O que o Lula fala, sobre os subsídios, é a maior balela. Fodam-se os subsídios deles, parem de olhar para a bunda americana, e olhem para a nossa! Já falei um montão de vezes sobre o nosso superávit, sobre as commodities, PIB e as exportações. Não vou repetir.
Acredito que o Brasil não precise exportar os produtos agrícolas “in natura”. O Brasil precisa é distribuir melhor as riquezas, e garanto que, exportando soja do Sul e laranja de Araraquara é que não vai ser.


O Lulinha vê isso e fica eufórico, toma um golinho e diz: “não fssalei galega*, tá entrando dinheiro! Pega o Dvssd do Zezé e do Lussciano e vssamosss ver no nossssso dvssd chssinês, para comemorar a balanssça possitiva!”


É a balança pode ser positiva, mas a renda fica concentrada. O Brasil precisa agregar valor aos seus produtos. Precisa gerar emprego. E assim, a distribuição de renda começa.
Sem essa de brigar por subsídios dos produtos agrícolas, temos que é desenvolver políticas que incentivem a produção. Faça a ALCA! Façam o plano Marshall Tupiniquim.


Traga a Tropicana Juice para produzir aqui seus suquinhos, exportaremos suco em caixinha. Traga a Italiana Illy, que compra o nosso café a 0.50 centavos a saca, manufatura lá, exporta de volta e nós pagamos 25 reais o quilo. Exportaremos café Illy. Diga aos Cromos Alemães, que venham. Compre o nosso couro e façam aqui o sapato de 400 dólares. Exportaremos sapatos e não couro. Sadia, exporta o frango em caixinha “todo sabor”. Alô Tetra-pak, faça mais embalagens para nós, vamos envasar tudo aqui. Podemos trazer as indústrias de tecnologia, afinal já estão aqui.


Veja o impacto em toda a cadeia produtiva. Vendo mais à produzo mais à compro mais à desenvolvo mais à pago mais à vendo mais, e isso serve para toda a cadeia, afinal é uma cadeia.
Não me venha com essa de que as multinacionais vão alugar o Brasil e usar da sua mão de obra barata. Nós temos mesmo a mão de obra barata, e precisamos empregar mais, então qual é o problema? Os maiores empregadores são multinacionais. Aliás alguns gurus profetizam que em um futuro próximo, só haverá grandes multinacionais. As multinacionais logicamente lucrarão, mas parte ficará aqui, através dos impostos e mais importante, através dos empregados.


E você pode me perguntar: e os médios e pequenos?


Esses ficarão felizes da vida, porque o mercado interno poderá absorver os produtos deles, além de poder produzir para os grandes.


Um outro me pergunta: mas a tecnologia e o know-how não serão nossas!


Não, não serão mesmo! Mas hoje nos temos tecnologias que são só nossas? Sem condição de poder investir em pesquisa e desenvolvimento, o Brasil esta em um dos últimos países no ranking de patentes. É melhor ser japonês e chinês em uma hora dessa, e aprender a copiar. A China, esta passando o Brasil, e de longa vantagem.


Disseram-me que esse meu raciocínio era simplista. Não ele não é simplista, é simples! Aí, me disseram: “mas não é fácil de fazer, temos os políticos...”. Por isso “nóis” é Barrichello! E eles “é” Alemão.


*Galega é como o nosso presidente se referiu a sua esposa em um pronunciamento

Por Fernando Katayama 15 dez. 05

Sunday, December 11, 2005

350

Em meu último texto o campeonato não havia acabado. Agora já sabemos que o “corintia” foi campeão. Sabemos quem caiu e quem não caiu. Sabemos também que o Dirceu caiu, mas a novela não acabou.

Parece coisa de mundo-árabe mas não é. Ônibus é incendiado e pessoas morrem. Um ataque terrorista. No contra ataque, matam quem ateou fogo. Justiça-Bandida. Choca o país. Choca o país? Choca nada! Nem Zé, nem Mané, nem Pelé. Nada mais choca. Só a galinha e de sítio.

Temas horripilantes não chocam mais. O cotidiano perverso já nos dominou e convenceu-nos da banalidade. Seja da vida miserável de uns quanto a “belíssima” vida milionárias de outros. Nos convenceu do tráfico, da sonegação e do estupro. Já nos convenceu do mundo cão.

Antes assustados, víamos os telejornais com cenas muçulmanas-xiitas, explodindo ao vivo, carros-bombas e queimando retratos do macaco branco-disléxico-norte-americano envolto a sua bandeira. Achávamos dois loucos. Um de turbante e outro de gravata vermelha. Que loucos! Agora nos perguntamos, quem são os loucos. Loucos devem ser os sãos.

Depois do Ônibus 174, segue a continuação do filme, Ônibus 350. Será que conseguiríamos contar a história da raiz dessa barbárie? Talvez precisássemos fazer em série de tão longa.

O Ônibus 350, é o retrato do Rio. Rio que já foi capa de revista. Rio que já foi das mais belas bundas dos cartões postais do mundo. Rio que serviu de inspiração ao Mestre Jobim. Agora o Rio é a amostra visceral do cotidiano brasileiro.

Políticos que discutem coisas de muito valor, como se o cartão postal pode ou não ter bunda! A polícia mata mais que bandido e ninguém sabe onde começa um e acaba o outro. Lá não é possível separar a favela da cidade. Ou será que a cidade é a favela? Cristo esta de braços abertos achando que esta sendo assaltado.

Ônibus 350 mostrou que nos vivemos o estado do terror. Nosso terrorismo aqui é dos mais diversificados meios e tipos. Temos terroristas no Planalto Central até o Palácio do Catete. Usam todos paletós e gravatas, e se tratam por “ilustríssimo. Temos terroristas de fardas. Temos terroristas sem fardas mas com sirene em carro civil. Temos terroristas de chinelo de dedo e bermudão, que se tratam por: “fala ae, Mano!”. E temos o terrorismo branco. Terrorismo branco é como arma branca, não faz barulho, não dá para ver direito, não sabemos quem são os terroristas e nem se a uma célula formada. Mas há. Chamo de terrorismo empregatício. Ser refém do seu emprego, porque sabe que não pode sair dele, por mais mal que te faça. É constante a ameaça.

350, mostrou que a lei, dos fora-da-lei, é lei.

Por Fernando Katayama 11 dez. 05

Sunday, December 04, 2005

Futebol e Tevez

Apita o Juiz. É o final do campeonato. A massa corintiana pula enlouquecia na arquibancada. O preto e branco. Pretos e brancos, machões ou não, se abraçam, se beijam, choram com a conquista desse título.

Pouco importa. Esse Campeonato Brasileiro estará manchado para sempre pela corrupção dentro e fora de campo. Certamente espelha a real situação calamitosa que se encontra o Brasil. O futebol a paixão nacional, movimenta milhões de dólares em transações internacionais, exportando nosso melhor produto bruto, homens. Como todo entretenimento, há sempre quem lucra muito.

Contudo, esse Campeonato estará marcado para sempre. Em um ano onde a crise política arrasou o governo e pior que isso, traiu milhões de pessoas, enganados pelas promessas históricas do PT.

A indústria da corrupção tomou tal corpo que envolveu até toda a alta cúpula do governo. Isso, já estamos cansados de ver. O que marcou mesmo o futebol foi a corrupção que toma o país de cabo a rabo. Estamos envolvidos de tal forma, onde emanharado corruptivo nos embola e não sabemos como sair disso. E o futebol, não poderia ficar de fora.

Com o caso de compra e venda de resultados mostrou que nada esta imune. A paixão nacional fora estuprada por trás. E com ela, milhões de pessoas amantes da arte da bola. Na verdade só trouxe à tona, a sujeira que já corria solta.

Diante de tudo isso, vejo um argentino, que veio jogar aqui. E veja vocês, o maior seleiro exportador de jogadores craques, onde, só neste ano, sete dos dez melhores do mundo, segundo a Fifa, são daqui, importou do nosso maior rival, um craque.

Cabelo esquisito, boca mole, cicatriz, dente feio e fala enrolada. O que mais me chamou a atenção nesse cara ai, não foi o futebol mordedor, característico, a habilidade com a bola ou os gols que vez. Não, não foi isso não.

Tevez nos mostrou que podemos e devemos falar aquilo que acreditamos. Talvez por ser estrangeiro, talvez por ganhar milhões, não sei. Mas também não me importo com isso. Mostrou isso dizendo ao Lula, que fique no seu lugar. Que não venha bajular agora que o time esta no topo, porque quando chegou, Lula o menosprezou. Disse também que ele faz o que quer, e dirigente não apita. Importa a mensagem enviada.

Acredito que esse tipo de conduta, talvez áspera em demasia, seja o que falta ao Brasil. Dizer a verdade, não abaixar a cabeça por intimidação e fazer-se respeitar.

[enquanto escrevo, o campeonato ainda não acabou, faltam ainda 45 min.]

Por Fernando Katayama 4 dez. 05

Wednesday, November 30, 2005

Super Ávit, o frágil herói

Enquanto escrevo aqui, o Deputado Zé Dirceu esta sendo julgado pelo Supremo. Ainda que exista a corrente pró-Dirceu, o Zé esta realmente politicamente abalado. Mas isso tanto faz agora, porque as conseqüências sofridas por nós, são bastante fortes.

Diziam que a economia estava “blindada” da crise política, sempre achei que não. Pena que não escrevi e deixei isso claro e registrado. Como quase todas as ciências humanas, a economia, leva um tempo para sentir. Seria impossível não sofrer com a crise. Como disse um escritor sueco de teorias sobre negócios, “o mundo gira em torno de compras e transa”. E parece que ele esta certo. Jeane é a mulher da hora e a crise finalmente atingiu o mercado.

Lula e seus pares, com a língua presa falando com o assobiozinho característico dos petistas, embasavam a economia no superávit. Como a crise atingiu o ministro Palocci [lá no partido, Palófi] foi-se então, o embasamento da teoria do “superávit”.

Lógico que todo mundo quer gastar menos do que ganha. Todo mundo, eu, você, eles. E o Lula justificava todo com isso. Quem engoliu, esta com gastrite. Eu não engoli.

Sempre disse que o superávit da balança comercial nacional, era devido às exportações de commodities, que não aumenta o tamanho do mercado interno e ainda por cima, concentra mais a renda e das taxas exorbitantes dos nossos impostos.

Percebe-se isso olhando o nosso PIB. Pibizinho. Coitado.

Simplesmente justificar tudo com uma balança comercial positiva, é só mostrar um lado da bunda! Não houve crescimento significativo das riquezas produzidas no país.

Se entender que esse balanço é feito assim: o que se arrecada menos o que se gasta. Ou seja, conta de mais e de menos, lá do primário. Pergunte-se de onde vem a arrecadação do governo? Dos impostos, certo?! O que aconteceu com a nossa carga tributária? Aumentou!

E os gastos? São pagamentos e investimentos. Aumentou o número de empregados no setor público e diminuíram os investimentos.

Com isso sobra até dinheiro para pagar a nossa dívida externa. Para quem não sabe, o patamar do superávit foi estipulado em torno de 4,25! Mas na verdade ele é de 6 e alguma coisa. Com o que sobra, dizem que pagam a dívida externa.

Mas eu me pergunto:

Em um país tão precário quanto o nosso, como pode sobrar dinheiro para aumentar o tamanho da máquina estatal e pagar os juros de nossa divida? Será que sobra grana ou falta?

Não dá pra entender porque temos escolas cada vez pior, hospitais em condições sub-humanas, polícia totalmente despreparada, infra-estrutura capenga e tudo mais, se há superávit na balança!

Acho que não falta dinheiro, falta é investir certo. E certo não é com as garotas da Jeane e nem colocar no saco, aquele da cueca!

Fernando Katayama 30 nov. 05

Saturday, November 26, 2005

C P M I

Acabo de tomar meu banho. Ia indo dormir. São duas da matina. Respondi e-mails, alias preciso agradecer minha amiga Patrícia pelo comentário ao meu ultimo texto e ao Bill, este terei que responder a altura, devido ao comentário que fez, extremamente pertinente, mas farei em outro momento.

Mas o que me motivou a vir escrever a essa hora, foi uma idéia que tive. Um simples flash fantasioso enquanto tomava banho. Outra coisa que eu adoro é banho. Não sei se é coisa de índio ou da minha parte nipônica, já que são povos que adoram banho, mas enfim, eu gosto. Não se preocupem com o sabonete no chão, isso não acontece, uso sabonete liquido.

Voltando, tive o tal lampejo. Claro que foi político, estou atado, colado a esse maldito tema.

Pensei sobre a CPMI. É CPMI. Incrível, não é!? E o que pode ser novidade nessa coisa? Nada, a não ser, o significado.

Para vocês, pode ser Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, mas eu acho que é outra coisa.

Vejamos.

Disseram que o Zé Dirceu tinha culpa no cartório, e que deveria se cassado. Ate agora nada. Zé disse que como ministro da casa civil, não sabia de nada e que como deputado menos ainda. O Presidente, já falou tanta bobagem que quando abre a boca, os seus assessores, gelam os pés. Não sabem se ele vai falar besteira ou tomar um gole do 12 anos. Nada acontece.

Dinheiro vai, dinheiro vem. Offshores. Paraísos. E mais uma vez, nada. Quem nada é peixe. E peixe morre pela boca. Mas lá tem outro tipo de peixe. E vejam bem, é uma comissão de inquérito. Mas parece muito mais um poleiro.

Além da total falta de organização, a baderna é tanta que da nos nervos ver aquela passasão de gente, para um lado para o outro. Careca de garçom. Nariz de deputado. Teta das garotas da Jeane. Um mundaréu de gente atrás, na frente do lado, que nem da para ver qual é o fulano que esta falando.

Se bem que isso pouco importa, tanto para quem esta lá sendo ouvido como para os outros. Bochichos, celulares, berros, risadas. Um clima muito sério para uma coisa tão besta. O enquistado, também não esta nem aí para a pergunta, porque a resposta ele já sabe, e não importa a pergunta.

Olha só como começa uma pergunta: “Senhor excelentíssimo presidente, senador, que preside esta casa, ilustríssimo senhor senador Ribanildo Alves da Cunha do Caralho a Quatro Terceiro Neto. Caro senhor excelentíssimo Ex-presidente desta casa, atual e futuro presidente da outra casa. Membro Presidente do PSDVYX, honrado titular da cadeira especial da tribuna da Maracanã, excelentíssimo deputado estadual José Pinto Galo Costas Quentes. Caro senador, honrado assistente titular da seção quinta, desta casa, e da quadragésima nova vara das juntas especiais do Estado, excelentíssimo doutor nobre senador Amarildo Dos Anjos Asas Curtas dos Quintos. E com o muito respeito ao ilustríssimo senhor Ministro da Fazenda, excelentíssimo deputado Pocotofi, sério e estimado membro, importantíssimo para a democracia brasileira, antes de qualquer coisa, quero com todo respeito que o senhor provem, agradecer sua presença nesta casa, mostrando a coragem única que nos ilumina. Para continuar meu exemplar raciocínio, preciso lembrar-lhes do acontecido no ano hum mil quinhentos e vinte e cinto, quando aquela data...” [horas depois] ... “preciso invocar então o artigo quinto, do parágrafo quarto, escrita no livro mil duzentos de setenta e cinco, do volume treze, da coleção quinze, da data de trinta e um de setembro de hum mil setecentos e setenta e um....”, [a mesma baderna continua] “e para concluir então, faço a minha pergunta: qual é a cor do cavalo branco de Dom Pedro I? E não só, de extrema relevância, onde é que Dom Pedro conseguiu o dinheiro para a compra do feno do animal? Quem foi que foi buscar o dinheiro no Banco Central da República*? Qual o valor cobrado pelo baixo clero? Era um valor mensal?... assim encerro minha questão”.

Tudo sem a quebra do decoro e de importância singular. Só levou três horas para isso tudo.

A resposta: “nobre colega, começarei pelo inverso do pretérito oposto. Mas a verdade é única: Não vi. Não sei. Não estava presente. Não é da minha responsabilidade. Mas garanto, se houver qualquer irregularidade, iremos apurar”.

É obvio que ninguém quer nada com nada. Só aparecer na bancada eleitoreira com mídia grátis para o Brasil todo. Então porque não brigar com o outro nobre colega de casa, sem logicamente quebrar o decoro parlamentar. Ou então gritar ou espernear, soltar as penas e deixar a pomba gira aparecer diante às câmeras? A eleições aproximam!

Agora eu pergunto, sem firulas ou decoro, será que não era mais importante discutirmos assuntos relevantes como orçamento, superávit, políticas de incentivo, educação, saúde e claro fazer perguntar objetivas, claras e esclarecedoras aos enquistados?

CPMI, para mim é: Como Perder Momentos Importantes. Porque até agora isso parece uma grande perda de tempo e poderia ter servido para começarmos a mudar nosso país.

* D. Pedro I não tem nada haver com a Proclamação da República.

Por Fernando Katayama 25 nov. 05

Thursday, November 24, 2005

Injustiça Divina

Todos sabem do meu posicionamento sobre as divindades e o mundo espiritual. Sabem também o que acho da fé. E é claríssimo o que acho das religiões, todas elas. Para aqueles que não sabem digo: sou incrédulo, de qualquer religião existente no mundo ou fora dele [se é que isso pode acontecer], para mim são somente filosofias de vida e/ou doutrinas. Tão pouco acredito em Deus, Santos, Alas, Orixás ou Divindades, sejam elas quais forem. E sobre a fé divina, acredito que é essencial para se crer em deus. Não tenho, logo não creio.

Mesmo assim, respeito todas igualmente, diferente de alguns, que não respeitam meu posicionamento. Para mim, todas são boas, não existe melhor ou pior, mas sim aquela que melhor adapta ao indivíduo que a segue e acredita. Não me importa se é católica, budista ou xiita, são iguais entre si, com todas suas diferenças. Não venha com o papo que os Evangélicos são pilantras, e pintam 100% Jesus na camiseta e que bonzinhos são os padres católicos que transam com nenininhos nos cantos escuros da capela. Talvez loucos mesmo, sejam os muçulmanos que se explodem, porque um sujeito qualquer, disse que é assim que tem que ser. Mas mesmo assim, todas têm coisas boas e ruins. Contudo não estou aqui para discutir sobre a fé, nem filosofar sobre religiões ou então pregar meu ateísmo. Mas certeza que sou mais cristão que muita beata que tem por ai. Quero outra coisa.

Vendo a tevê, CPI’s, o nosso “espertismo*¹” (que combato tanto em meus textos como nas minhas atitudes), algumas atitudes que são feitas por todos, sem consciência do ato e finalmente o nosso sistema Judiciário.

Fiquei me perguntando porque é que o brasileiro tem o hábito de achar que todo mundo vai passar a perna nele, e então, faz antes? Porque é que aqui acusamos mesmo sem ter certeza? Porque sempre desconfiamos do outro antes mesmo de desconfiar de nos mesmo? Veja o sistema judiciário, cabe ao acusado o ônus da prova e não ao acusador! Veja a indústria frenética da Justiça Trabalhista, por exemplo. O empregado entra com a acusação, mesmo que sem provas, e cabe ao empregador, provar que não fez nada. À priori todos pecadores.

Pecado. Essa é a essência. Olhei para trás para ver nossa história. Somos colonizados por dois paises predominantemente católicos. Nossa população é predominantemente católica e há tempos atrás foi, quase em sua totalidade.

Se entendermos que a Religião Católica é baseada no pecado, afinal a Igreja é instituição única para a salvação, passa ser essencial o pecado. Contudo a Igreja católica subentende e prejulga nossos atos. Fomos condenados antes mesmo do crime, mesmo porque já nascemos condenados pelo crime dos nossos pais. Somos todos então filhos do pecado. Sendo assim, olhando os Dez Mandamentos, entendo que já se imagina e crê, que o homem vai roubar. Vai matar. Vai cornear. Então já o proíbo antes mesmo que faça, afinal esta em sua índole fazer isso.

Filhos do pecado, pecam sempre.

Não podemos negar a forte influência da Igreja Católica em nosso país. E sendo assim, influencia e influenciou todas as camadas da sociedade. Entendo que o nosso poder judiciário, usa da mesma base. Se eu te acuso, prove você que não é culpado, afinal, você é um pecador. Mesmo que você não seja.

E as pessoas também fazem isso, já que pensam, “bem se ele vai passar a perna em mim, que eu faça antes...”.

Aqui somos culpados até que se prove a inocência.

*¹ a palavra “espertismo” foi criada por mim, não existe no dicionário e se refere à cultura brasileira de querer levar vantagem em tudo.

Por Fernando Katayama 24 nov. 05

Thursday, November 17, 2005

Um por Sete

Ando perguntando para as pessoas que conheço, o que acham do comércio informal, dos camelôs, ainda mais agora que o Presidente da República, foi pego usando um dvd pirata e dos conflitos entre comerciantes, policiais e camelôs, que acontecem sempre nas proximidades da festa natalina, inclusive um, na semana passada em São Paulo.

Minha pergunta é bem simples, mas a resposta talvez não seja.

Pergunto simplesmente assim: “você prefere um camelô vendendo ou roubando?”

A primeira resposta, quase instantânea, e logicamente inclui a sua, é: vendendo! E a maior justificativa é: melhor vendendo que roubando.

Atingiu a incrível marca de 100%.

Contrariando à todos digo: roubando.

Explico.

Obviamente o comércio informal é uma conseqüência e não a causa, mas quero mostrar um ponto de vista menos conformado e patriarcal. Para analisar isso, é preciso olhar para o grande todo e não só para a pequena parte.

Como todos sabemos o comércio informal não paga os devidos impostos, o que já apresenta um roubo, uma vez que, o comércio legal, tem que pagar impostos, assim como eu e você. Mas não é só isso! Esse tipo de comércio faz a cadeia toda por trás dele se torne ilícita, aumentando assim, os delitos, crime e violência.

Olhando para o pequeno ponto ali na rua, é difícil de se imaginar que, custa em torno de R$ 80 mil reais, afinal, a rua, que é de todos, tem um só dono e para tê-la é preciso pagar.

O dono do ponto, por sua vez, paga a proteção. Subornam a polícia e órgãos fiscalizadores, já que os camelôs não pagam os impostos, compram e vendem sem nota e seus produtos são pirateados ou contrabandeados.

Vejam, os camelôs compram de contrabandistas, sejam eles paraguaios, chineses ou coreanos e colocam o país na lista negra das indústrias, que não querem mais comércio com o Brasil, porque não há controle sobre as marcas e produtos. O Brasil perdeu R$ 180 milhões para o mercado ilegal, só nos primeiros meses do ano. Mas isso não acaba ai.

Também compram de fornecedores que vendem seus produtos subfaturados, para que possam esquentar o dinheiro em offshores, é uma prática antiga de lavar a grana.

Porque só os paises subdesenvolvidos tem o comercio informal tão acentuado? Porque o melhor lugar para escoar as mercadorias, lavar dinheiro com produtos subfaturados são paises, onde a corrupção rola solta e o mercado ilegal é uma prática corrente.

Sendo assim, o comércio informal favorece transações ilícitas e fortalece o crime organizado.
Por outro lado tem o comerciante legal. Aquele que tem um comércio e sofre a concorrência desleal do comércio informal.

Imagine que você é um comerciante. Tem sua loja, vende produtos com pequena margem de lucro e emprega dois funcionários, os quais você, paga os devidos direitos. Mas como disse a pouco, tem o camelô bem ali na sua frente, vendendo os mesmos produtos, adquiridos de formas escusas e sem pagar os impostos. É impossível concorrer com ele.

Então você não consegue vender, e manda embora um dos seus funcionários. Mas já que você vende menos, você compra menos, e então o seu fornecedor, faz a mesma coisa que você, e manda embora dois funcionários, afinal ele vendia pra você e para seu vizinho, que também mandou um funcionário embora. Mas o fornecedor também vende menos e compra menos do fornecedor dele, que este por sua vez, manda embora três funcionários.

Só ate aqui, sete pessoas perderam o emprego e os impostos recolhidos foram menores, enquanto isso, um só camelô na banca, aumentando o crime organizado e sonegando imposto.
Mas se fosse ao contrário? Não tivesse o camelô, você venderia mais e teria que contratar mais um funcionário. O ciclo se inverteria.

Será que ainda você prefere o camelô vendendo?

Por Fernando Katayama 17 nov. 05

Saturday, November 05, 2005

Excelentíssimo Doutor

Escrevi meu último texto, seguindo a sugestão de uma amiga. Queria um texto brincalhão, sem a mínima seriedade. Descompromissado. Não era para fazer pensar. Não tinha intenção de polemizar. Não queria abordar temas de maior profundidade. Não queria falar de política, muito menos de crise. Nem pensar em economia. Escrevi sobre as coisas triviais que permeiam nosso mundo. Um texto totalmente despretensioso. Escrevi então “Trivialiadades”, fugindo da minha última tendência: a crítica à nossa sociedade, ao modelo político e ao que chamo de, “espertismo”.

Tive poucos comentários a respeito, e não esperava coisa diferente. Eu jamais imaginei, que esse tipo de texto, trouxesse algum tipo de incomodo, inconformação ou protesto. Já escrevi cada coisa pesada sobre nossa sociedade, sobre o espírito humano ou coisa que o valha, e nunca tive repercussão.

Meu amigo Bill ou Willy, que publica alguns de meus textos, me enviou um e-mail, me contando o que ocorrera com o texto “Trivialidades” em seu site. Brincalhão e espantado disse:

“Hoje pela manhã publiquei suas trivialidades no site.

Após a terceira visita recebi um telefonema de um amigo, juiz, inconformado com as expressões "bunda", etc. em um site jurídico. Fui obrigado a tirar. Um recorde! O artigo ficou no ar por apenas 17 minutos!”.

Espantoso.

Respondi à ele, que infelizmente, estava sendo covarde. Que não deveria ter cedido à pressão do tal magistrado. Porém é uma decisão dele, e a respeito e muito. Mas discordo inteiramente do tal juiz.

Fiquei espantado com a atitude do Excelentíssimo Juiz, que gastou tempo, para comentar um texto tão despretensioso.

Pergunto-me qual é a diferença entre os sites jurídicos e outros. O que será que os advogados, juizes e promotores têm de tão diferente do resto da população. Semi-deuses, talvez?

Para mim, essencialmente, os humanos são iguais.

Variam em 1 gene da minhoca e somos todos parentes dos macacos.

Como os macacos, alguns são mais fortes, outros mais fracos, outros maiores, outros menores. Uns com pêlo na “bunda*” e outros de “bunda*” pelada, mas todos macacos.

E nós todos humanos e diferentes com suas peculiaridades como cor de cabelo e da pele, o idioma e origem. Uns são analfabetos e outros não. Uns fedidos e pobres outros podres de ricos. Uns honestos outros desonestos. E todos humanos.

O que será que se passa na cabeça de um Doutor Magistrado ao se sentir inconformado com a expressão “bunda*”, só porque é um site jurídico? Esquece de ver que, onde o texto é colocado, faz parte de um espaço destinado aos debates e ainda por cima, privado.

Deu-me a certeza da censura, disfarçada, camuflada, encoberta pelo “manto sagrado da justiça brasileira”.

Sugiro ao referido Juiz, que reveja suas premissas.

Acredito que já escrevi coisas que valiam mais à pena serem discutidas por um magistrado, do que se a “bunda*” esta ou não no texto, e se esse texto esta ou não em um espaço destinado a assuntos jurídicos.

Talvez a atitude desse tal juiz, espelhe a atual situação do poder judiciário brasileiro. Instituição que deveria servir para a justiça esta em total descompasso com o mundo contemporâneo, firmada em valores não mais sólidos. Parada no tempo ou talvez pior, andando para trás.

Nossa Justiça esta desacreditada. A senhora Justiça, aquela que tem a venda nos olhos e balança na mão, esta enferma.

Deve ser o castigo.

Ficar a vida toda com os olhos vendados, segurando uma balança que de um lado tem merda e do outro também, sendo estuprada dia após dias por juizes, promotores, advogados sem a menor piedade. E não ter esperança de que venham salvá-la, mas se vierem um dia, quem será que fará a justiça por ela?

O sistema judiciário nacional é uma calamidade. Um antro promíscuo de seres vesgos, cegos, surdos, mancos e débeis, porém cheios de si, sentindo-se todos poderosos, deuses onipresentes e indestrutíveis.

Será que o tal juiz telefonou ao senhor Presidente da República quando este, disse que caixa dois era usual e corriqueiro, e que todo mundo fazia? Será que este mesmo juiz disse à Prefeitura que ao institucionalizar o “camelôdromo” estava institucionalizando o mercado paralelo e contra-bando? Será que ele não ficou tão inconformado ao ver o então presidente da Câmara se pegando com uma garota na capa dos jornais mostrando as partes íntimas (eu preferiria xoxota ou calcinha, mas para não ofender...)? Será que não ficou escandalizado, ao ver a notícia do Juiz, em Fortaleza, aquele que deu um tiro à queima roupa no segurança, recebeu aposentadoria integral e só? Ou será que quando é com a classe, fechamos os olhos? E nem entrarei no mérito da desigualdade social que nos assola.

Será que não fica inconformado do sistema judiciário no país ser um dos piores do mundo? Será que como juiz e inconformado, não poderia somar à sociedade de forma concreta, ao invés de ficar censurando espaços democráticos?

Pergunto também se ele nunca viu uma bunda*? Se nunca comprou uma revista de mulher pelada? E não me venha dizer que são pelos artigos! Pergunto se ele nunca foi à praia, e viu a gostosona jogando frescobol, de biquininho, balançando os peitos e chacoalhando os “glúteos”, com a pele lisa e dourada de sol? Um puro convite à perdição carnal, de tão gostosa que seria aquela refeição! Não, ele fechou os olhos e ainda gritou “que absurdo!”. Deve ser inveja.

E vou mais longe, nunca tomou vacina!? “No braço ou no Glúteo Máximo”, teria dito o doutor. Quando jovem ou mesmo velho, nunca levou “aquele pé na ‘bunda*’”! Não... Bunda* não faz parte do vernáculo do tal doutor. É uma pena.

Sugiro mais uma vez, que o Excelentíssimo Doutor, olhe mais para a própria bunda e limpe-a, ao em vez de ficar olhando para o rabo dos outros. Mas certamente sem quebrar o decoro.
[como toda a regra tem suas exceções, existem sim, no país pessoas que lutam, mesmo que como Quixotes, para a melhoria do sistema. À esses, nossos sinceros e admirados aplausos.]


*
Dicionário Houaiss

Bunda

Datação 1836 cf. SC
Acepções
■ substantivo feminino 1 região glútea; as nádegas 2 Derivação: por extensão de sentido. Uso: informal. Conjunto das nádegas e do ânus Ex.: limpar a b. 2.1 Derivação: por extensão de sentido. Regionalismo: Brasil. Uso: tabuísmo. O ânus Ex.: aplicou-lhe um clister na b. 3 Regionalismo: Angola. Cintura, anca ou nádega
■ adjetivo de dois gêneros Regionalismo: Brasil. Uso: informal, pejorativo. 4 ordinário, de baixa qualidade; sem importância ou valor Ex.: um livro b.

Uso
a pal. está registrada no Novo Dicionário da Língua Portuguesa (1836), de Constâncio, como um angolismo, e no Grande Dicionário Português, de frei Domingos Vieira (1871), na acp. de 'nádegas de gente alcatreira', vale dizer, 'nadeguda'; em Portugal, entre os usuários atuais da língua, tal voc. não é desconhecido, mas não é empregado.

Por Fernando Katayama 05 nov.05

Wednesday, November 02, 2005

Trivialidades

Hoje, fui ao Clube. Trabalhei pela manhã, mas é feriado, então fui ao Clube, nadar e ver os amigos. O feriado é de Finados, mas ficar em casa, nem morto!


Encontrei lá uma grande amiga, e conversávamos sobre os meus textos. Ela me dizia que gostava muito, mas estava intrigada com uma coisa. Ela gostaria de ler textos meus com outro enfoque.


Admito que, ultimamente, estou muito político, e ela gostaria que eu escrevesse, sei lá, sobre coisas mais do nosso cotidiano. Realmente é um desafio. Ando muito envolvido na política nacional e esta difícil me livrar dela, como já comentei em outros textos. Como diria meu pai: “fui pego de calças curtas!”.


Então, e agora?!


Pensei em falar de novela. Eu detesto novela. Não assinto. Não acompanho. Mas obviamente, sei o que acontece. Alienado, nunca!


Imagine só, se seu não soubesse que essa última novelinha do Plin Plin, esta para acabar!? Logo vocês saberiam que eu, apesar de dizer à todos, que é preciso conhecer de tudo, não faço isso. Mas não é o caso. Então, eu sei sim, que esta acabando. E ainda bem! Porque é uma merda! Mas a próxima também será!


Essa última abordou a imigração ilegal, na busca do sonho dourado, deu um show de horror!


- On-line - Acabo de receber uma mensagem instantânea de uma outra amiga, me dizendo que o personagem pagou 15.000 para entrar de forma ilegal. Burra, compra um curso de 2.000 e entra de forma legal, ainda paga passagem de estudante!


Mas olha, tenho que concordar, às vezes, é a única solução mesmo! Aí eu grito: “quem sair por último apaga a luz!”.


Novela... Tá é louco!


Outro tema que pensei foi moda!


Posso falar frangas loucas dos estilistas que, falam cheios de trejeitos e voz mole. Posso falar das modelos anorexias, que de tanta falta de comida, ficam burras! O que tem de modelo que quando abre a boca é analfabeta e não sabe o que fala e só mexe e remexe os cabelos, é uma coisa impressionante. Pior que tem que ter 1.80m, 40 kg, 300 ml de silicone, no mínimo e 10 kg de make-up, isso para desfilar. Ah! Tem que saber andar com cara de bunda e nojo e dar pisada de girafa manca!


Se for para fotografar, esquece tudo, que o photoshop arruma! Cada jaburu na Playboy que até eu comeria! Se bem que, de sacanagem, se for famoso, até vale o esforço para contar para os amigos na roda de bar, “ohhh pezinho gelado...”. Mas esse mundinho é muito fútil. E para a saúde zero.


Posso falar da paixão nacional, me deu dúvida: Futebol ou Bunda!?


Deixa ver: homem gosta de futebol. Homem gosta de bunda. Mulher gosta de bunda de homem e tá sempre preocupada com a bunda dela e da amiga também! Afinal é importante que ela também tenha celulites.


É... Esta decidido, por 3 votos a 1. Falaremos de bundas. Mas falar o quê, se uma bela bunda, já fala tudo?


Talvez devesse falar do futebol. Acho que dá mais assunto que a bunda! Dá mais assunto, porque a bunda dá mais e leva mais que qualquer coisa.


Nos levamos chute na bunda. Ficamos com cara de bunda. Tem gente que dá a bunda. Tem gente que leva a bunda. A tevê, nos mostra a bunda. A música canta bunda. Mas mesmo assim o futebol da mais assunto.


Pode ser do novo quinteto fantástico, que sem maiores explicações, vai virar quarteto. Pode ser do árbitro, que todos teimam em chamar de juiz, que meteu a mão, na troca por alguns resultados. Pode ser dos mortos imbecilizados das Organizadas e de seus mortos em confrontos. Pode ser dos campeonatos organizados pelos traficantes, com a presença dos astros da bola.


Ou pode ser mesmo da pelada entre os amigos, que é melhor desculpa para se reunir, comer um bom churrasco e tomar umas geladas, poder falar da novela, da modelo gostosa, da bunda na tevê e logicamente, futebol.


Por Fernando Katayama 02 nov.05

Monday, October 24, 2005

Referido Medo

Sempre tenho um dilema, toda semana fico pensando o que escrever. Parece ser meio óbvio e parece que vou falar da crise política ou do referendo. Mas só parece. Para falar a verdade não vejo muito como fugir desses assuntos, já que estão na crista da onda nacional.

Acredito que estão intrinsecamente ligados. Não sei se como siameses, ou se emaranhados como linha em carretel mal feito. Mas estão no mesmo bolo. E o bolo é maior que bolo de noiva, com mais cobertura e recheio.

Esse referendo é a mesma coisa que 6 e meia dúzia. Uma grande balela. Só gasto de tempo e dinheiro, porque questões relevantes não foram debatidas e o resultado concreto desse bafafá, será quase nulo. A única conclusão certa e relevante que temos, é que o brasileiro tá mesmo é se borrando de medo. Nem sim, nem não. Medo 100%.

Posso usar da minha vã criatividade para fazer conjunturas terroristas, golpistas, maquiavélicas, coisa e tal.

Umas das teorias, é o golpe que o Zé queria dar no país. Uma vez que ele é a cabeça pensante do PT e do Lula, que como já disse uma vez, a diferença entre o Lula e um polvo, é um dedo.

O Zé deu o brinquedinho para o Lula, um aviãozinho novo, para que esse, ficasse fazendo turismo pelo mundo. Por que se fosse para fazer negócios, não iria para a Venezuela e Zâmbia. A China, parecia uma boa pedida, mas os acordos feitos foram bons só para os amarelinhos. Assim enquanto o Presidente voa, o Zé pilota o país. Aparelhou o governo, queria tirar as armas e pronto, estava armado o pré-golpe. Faltava só o bote. Não deu certo.

Depois, tem a teoria conspiratória bushista. É, os Estado Unidos, com o poderio econômico-bélico, estava tramando uma invasão na América Latina, portanto queria que o povo brasileiro não tivesse arma para se defender e mandou o Lulinha, paz e amor, a propor o Estatuto do Desarmamento. Isso sem contar com a Base Norte-Americana no Paraguai. E tem outra, nossa indústria bélica, monstruosa, estava atrapalhando a indústria bélica americana. É de rir.

Não sei bem qual das duas parece ser mais plausível, mas acho melhor a versão inteiramente tupiniquim, sem o sotaque arrastado “greengo”.

Mas de uma coisa, tenho plena convicção: o referendo fazia parte do Mensalão. Afinal, custou, 270 milhões de reais, isso de custo direto. O esquema do Mensalão passava diretamente nas mãos dos publicitários, logo faço essa ligação.

Mas o que aprendemos mesmo com esse referendo, foi que o governo, e o seu maior representante, não me deixam mentir, não sabe falar, muito menos perguntar. O Lula quando abre a boca, fala merda. O governo ao fazer uma pergunta ao povo, a faz tão mal formulada que dificulta a resposta. Mas pior pergunta só para tumultuar, porque a pergunta é irrelevante. Afinal, para que simplificar?

Outra coisa que podemos ver, é que nossos parlamentares são covardes. Jogaram a responsabilidade de decidir para o povo ignorante. Brincadeira! E é para isso é que elegemos deputados e senadores.

Fica claro que os caras lá do planalto central, não estão nem ai para solucionar nada, ou ao menos atacar assuntos relevantes e começar a esquentar a democracia.

Se querem atacar a violência, é preciso atacá-la lá na raiz. E todos nós sabemos qual é. A desigualdade social. Vá ao site do IBGE. Leia os relatórios deles, sente e chore. Tira o ar do pulmão e enche de desespero.

A violência do nosso país não é causa é conseqüência.

Talvez fosse mais útil para nós perguntar para o povo o que ele acha da política de distribuição dos recursos nacionais. Será o nos queremos que somente 5% vá para a saúde e outros 5 para a educação, ou se queremos que 60% seja destinado a isso? Será que nos queremos que nossos deputados, senadores, presidentes, prefeitos, vereadores, sejam beneficiados pela imunidade parlamentar? Será que queremos que os privilégios acabem? Será que nos queremos que mais educação?

Será que os aproximadamente 30 mil mortos por armas de fogo, são tão assustadores quanto aos que morrem pela falta de atendimento médico, ou pelas mães ignorantes que ao invés de ingerir o anticoncepcional, enviam na xoxota uma cartela inteira antes de dar uma, e aí parem mais um coitado, que vai ficar no semáforo exibindo sua enorme barriga de verme, escorrendo ramela pelo nariz, analfabeto e estuprado pela sociedade, mas a mãe diz que tomou o remedinho? Ou tão assustador quanto a mortalidade infantil (34%)? Ou a prostituição infantil e exploração do trabalho escravo? Ou que somente 52% dos lares nacionais têm rede de esgoto? Ou será tão assustador quando o incrível número do IBGE sobre os 22%, aproximadamente 40 milhões, que sobrevivem com menos de meio, é, meio, salário mínimo? Será que isso tudo é violento? Isso tudo mata? Isso tudo destrói?

Não, é melhor discutir sobre o que 1% da população pode ou não, comprar a espoletazinha na loja do seo Joaquim, afinal, isso é muito violento. O resto não é.

Parece que não sabemos é fazer a pergunta certa. Ou talvez, saibamos qual é a pergunta, o que falta é a coragem para fazê-la.

[www.ibge.gov.br]

Fernando Katayama 24 out. 05

Tuesday, October 18, 2005

Armem-se


Estamos entrando em uma guerra. Haverão vencedores, haverão derrotados. Morrerão milhões. Sobreviverão outros milhões. Tardamos para começá-la. Quanto mais esperamos maiores serão nossas baixas.

Esta guerra sem código de ética não diferencia crianças, homens, mulheres ou cor da pele. Se é solteiro, casado, separado ou amontoado. Se é gay ou machão. E muito menos, é Santa. Não.

Salvam-se aqueles que podem, quem não pode, nela fica. Mesmo aqueles, que com dinheiro conseguiram se safar acabam, de uma forma ou de outra, recebendo as heranças dessa guerra sem precedentes. Percebe-se em todos os níveis da nossa sociedade.

Por isso apelo aqui: armem-se.

Preparem-se para a guerra.

Aliem-se aos seus amigos, vizinhos e parentes.

Municiem-se.

Distribuam munição a quem precisa, e de graça.

Armem-se. Municiem-se. Até os dentes.

É uma guerra sem data de início e muito menos sem data de final. Mas certamente, será longa.

Municiem-se de sabedoria. Inteligência. Conhecimento. De educação, da formal ou não.

Usem do mais alto calibre para o respeito. Granadas de humanidade.

Armem-se.

Pistolas de grosso calibre, rifles de longo alcance, morteiros, fuzis, metralhadoras e sub-metralhadoras. Bazucas. Canhões e tanques.

Alistem-se e recrutem.

Quanto maior a arsenal e mais soldados, maiores serão a chance de vencer esta guerra.

Lutem comigo contra a hipocrisia e demagogia. Guerreiam comigo contra a falta de respeito e a educação. Contra a malandragem e a esperteza. Contra a safadeza. Contra a ignorância.

Distribuam rajadas de educação. Dêem tiros diretos de democracia. Bombardeiem com esclarecimentos e tolerância.

Talvez assim, melhoremos o nosso mundo. Mas não se iludam que nessa guerra não haverão mortos. Pois a praga já mata. Em qualquer lugar existem milhares de mortos como esses. Olhe o ônibus lotado das 6, e enlatados como sardinhas, verá a grande quantidade de mortos transportados de um lado para outro.

Esses não me preocupam tanto, quanto os vivos que não ligam para esses mortos. E alguns piores, fomentam essa carnificina. Esses me metem medo.

Mas esses já estão mortos, de nada adianta nada. Rezem aqueles que têm fé. Me preocupa os que estão por vir. Lutemos por eles então.

Municiem-se.

Armem-se

E Amem-se.

Por Fernando Katayama 18 out. 05

Saturday, October 08, 2005

Rock Escola

Em um dia desses, zappeando minha tv, defrontei-me com um vídeo clipe dos anos 80, aliás parece haver um certo movimento retrô para essa época. Talvez seja até normal, que 20 anos mais tarde, aconteça a busca do que se perdeu naquele tempo. Foi assim nos anos 80, buscando os 60.

O vídeo que vi, parecia ser de baixa qualidade, para os padrões de hoje, mas na época, era de ponta. Imagens coladas, sobreposições quase amadoras e marcado claramente pelas roupas e o corte de cabelo. Mas letra e música, de primeira linha.

Para minha geração, hoje com seus trinta e poucos anos, crescemos no meio da explosão do rock nacional. Os Paralamas do Sucesso, Titãs, Barão Vermelho, Legião Urbana, Blitz, Rita Lee. Já ouvíamos Elis, Jobim, Vinicius, João, Gal, Caetano, Gil, Milton e Chico. A lista não pára por ai, mas ficaria imensa e também não estou aqui para listar os grandes nomes da música brasileira, e isso porque, nem cheguei a citar nomes mais antigos como Pixinguinha, Dorival Caime, Ari Barroso e alguns outros instrumentistas.

Acontece que eu notei que os grandes nomes da música brasileira continuam os mesmos. A moçada hoje canta Gil, Caetano, Barão, Milton, Elis, Tom, João, Paralamas, Legião e por ai vai! E olha só, até o Rei Robertão, e o tremendão Erasmo. E tem algum problema nisso? Nenhum.

Acho bom, já que a música é da mais alta qualidade. Porém, me pergunto: porque é que não aparecem nomes de qualidade na música brasileira? Posso ir além e me estender para as artes, arquitetura, poesia e literatura. O cinema sai fora, afinal estamos crescendo, um certo Walter, mostrou que para ter recurso é preciso fazer filme com qualidade, que por conseqüência atrai investimentos. Mas fora o cinema, não há um movimento grande no cenário cultural nacional.

Já ouvi que isso aconteceu porque a Ditadura Militar sufocou o povo e então, os cabeças, usavam a música para mostrar a indignação atrvés das mensagens disfarçadas e encobertas pelas letras e poesias, então, surgiram nomes como Elis Regina, Tom Jobim e Chico Buarque, isso durante os anos 60 e 70. Já nos anos 80, as bandas de garagem, vieram com o movimento das Diretas Já, e com a abertura puderam cantar o que estava preso.

Para mim, isso é uma análise muito simplista e podre para falta novos nomes. Não é possível justificar a carência cultural pela falta de um regime totalitário, se não, Cuba teria os maiores representantes das artes e ciências uma vez que, a Ditadura de Fidel, perdura a mais de 40 anos. A China teria sido o templo, um milhão de habitantes e a Ditadura de Mao Tse Tung, sem contar o Chile de Pinochet, Portugal de Salazar, a Espanha de Franco, Itália de Mussoline e por fim, toda a Europa tomada por Hitler. Deveríamos então aplaudir em pé os ditadores, pela sua enorme colaboração com a cultura.

Mas o que seria de nações que não tem em sua história períodos totalitários? Rolling Stones e Beatles não estariam até hoje nas rádios. Elvis não teria rebolado. Janis Joplin e Jimmy Hendrix não teriam fumado, cheirado e tomado os tubos em Woodstock.

Então não cola justificar assim.

Concordo que o mundo hoje é outro. Que a velocidade do mundo é outra. Que o comércio também imprime uma força destrutiva atrás do lucro sem piedade. Mas mesmo assim, não justifica.

Cantorezinhos e grupinhos feitos para o verão, acabam no verão. Bunda de fora, peito de silicone, música de dois tons e um semi-tom e letra estúpida com um pouco de sacanagem e só. Sabemos que são produtos de pouquíssima durabilidade. Então não me preocupo.

Preocupa-me, não ver coisas sólidas surgindo.

Não é por falta do que lutar e nem de lutar contra alguma coisa, como se costuma justificar. Afinal, a vida é uma luta, sempre. Lutar para conseguir um trabalho e lutar para se manter lá. Lutar para ser honesto no meio de tanta corrupção. Lutar para construir um mundo melhor. A vida moderna é cheia de lutas diárias. Talvez, a luta contra nossos maiores medos, contra nossos anseios, contra nossas insatisfações e frustrações. Não me diga que não há luta e, portanto, não justifica a falta de cultura pela falta de “inimigo”.

Então, o que é que acontece?

Acredito que o grande buraco de nossa história esta na falta de educação. Educação no seu contexto geral.

A escola cada vez pior. O declínio já era sentido por mim, no início dos anos 90, e de lá para cá a coisa só piorou. E piorou rápido. Isso sem contar com os pais que jogam a responsabilidade da educação para a escola, que por sua vez, é horrível.

Como teremos cultura em um país inculto?

A escola preocupada em passar no vestibular como um adolescente de 17 anos, não forma seus alunos, apenas informa-os. Não há como dissertar com as novas gerações, e cabe ai, alguns dos meus.

Provavelmente é por isso, que não há valores novos no cenário cultural. Todos que estão ai, até os mais novos, já estão ficando velhos, de idade, é preciso frisar, porque, coisas de qualidade, são atemporais. O que mostra o não surgimento de novos valores. Não estou falando daquele pessoalzinho produzido para o verão. Estou falando de gente de qualidade alta. Hoje, não há como criar crítica. Como disse Jesus, meu ex-professor: “esses jovens de hoje, parecem todos cabeças de vento”.

E mais uma vez, Elis cantará certamente: “e nossos heróis são os mesmos dos nossos país”.
Fernando Katayama 08 out. 2005

Monday, October 03, 2005

Falta de Mira

Hoje assisti pela primeira vez o horário de propaganda gratuita. Ou seja, publicidade, para quem não sabe, publicidade e propaganda são coisas diferentes, assim como marketing é também diferente dessas outras duas. Mas, não estou aqui para falar disso.

Estamos a poucos dias do referendo. Esse ato democrático quer que a população decida se pode-se ou não comercializar armas de fogo e munições. Seria estranho poder vender a arma e não poder municiá-la ou então não vender o revólver, mas poder comprar a “bala”, mas enfim, vamos ter que ir lá, dizer sim ou não. E como disse, assisti ao programa hoje. Já havia escutado no rádio em algumas vinhetas.

De um lado da guerra o pessoal do Sim, do outro o pessoal do Não.

O pessoal do Sim, usa todas as suas armas: artistas famosos, caras de dó e um grande apóio da mídia. No discurso, apontam as desvantagens de se ter uma arma de fogo em casa. Hoje o sujeito do programa perguntou quem era que lucrava com isso. Dizem que é perigoso e que pode voltar-se contra você. E que é a causa da violência. E outros blá, blá, blás.

Já o pessoal do Não, usa também todas suas armas: cenas, depoimentos e um certo apóio da mídia. Apontam as desvantagens de não poder ter a tal arma de fogo em casa. Dizem que é direito nosso, e que não podemos abrir mão dele. Dizem que bandido não compra arma na loja e que não usam armas dos calibres permitidos por lei, lógico, eles são contra lei, afinal são marginais. E que nós, devemos nos proteger. Usam outros blá, blá, blás.

Concordo com os dois. Armas, de qualquer tipo, são perigosas. E bandido não compra na loja. Mas acredito que estão usando a emoção para tentar convencer o eleitor. Todas as campanhas estão voltadas para o lado emocional. E se apóiam na base errada.

Vejamos sobre o que é o referendo: “proibição do comércio legal de armas e munições”, e é nisso que eu vou me basear, para discutir aqui com vocês.

Proibir o comércio é simplesmente não permitir que se comercialize qualquer coisa, então é importante sublinhar a palavra legal. Legal, legalizado, dentro da lei. Conceito fundamental.

Porque digo isso? Oras, não estamos discutindo se a violência aumentou ou diminuiu, não estamos discutindo quais são as causas, muito menos, sobre soluções. Estamos discutindo sobre o comércio legal.

Fico me perguntando porque proibir o comércio legal de qualquer coisa. Justificar que as armas matam, não me parece uma justificativa forte para impedir o seu comércio, afinal o cigarro também mata. Carros também matam. E então deveremos proibir o comércio legal deles?

O Brasil não esta maduro o suficiente para proibir o comércio. Nossa economia esta agora querendo dar sinal de que vai crescer. E proibir de comercializar qualquer coisa legalmente não me parece ser a melhor das soluções. Tenho inúmeros exemplos de coisas que são ilegais e que geram muito, mais muito lucro mesmo, para os donos das bancas e traficantes, mas nada para nós, já que não pagam impostos.

Pergunto como é que vamos proibir, por exemplo, a pirataria de cd’s? Ou então o jogo do bicho? Quem sabe o tráfico de drogas? Ou então o de armas mesmo? E aqui no Brasil onde, tráfico de influência é crime, estouram as CPI’s, agravada pelo Escândalo do Apito, como vamos proibir o que é legal?

Para fazer a análise, não podemos usar o coração, ser passionais ou simplesmente engolir o que estão tentando nos colocar goela a baixo.

Sem essa de dizer, como o carinha lá da tv, e dizer que quem lucra é o fabricante. Lógico que é ele, afinal negócios são para ser lucrativos e gerar divisas e empregos. Também não adianta nada falar que o bandido usa arma, ele usa sim, mas não as consegue em lojas. Justificar também que é nosso direito, me parece igualmente fraco, direito temos um monte, e pouco são respeitados, inclusive, caso você não tenha se tocado, votar é um direito, mas aqui não, votar é uma obrigação.
Nós temos direito a tantas outras coisas, e não cobramos por eles.
É também fraco o argumento que possuir a arma é que vai nos dar a segurança, que é um direito nosso, que o Estado não dá. Muito pior então comparar o Brasil ao Japão, como no programa, onde alguém falou que no Japão a própria polícia não usa armas. E é verdade. Mas japonês não sabe o que é ser “esperto”, “não entende de malandragem” e por incrível que pareça, não passa na cabeça deles, roubar. Não sabem o que é tráfico de drogas. E querem saber mais? Políticos corruptos se suicidam, de vergonha e desonra. Definitivamente não cabe comparação.

Portanto ao ir lá na urninha votar, pense sobre o que é que esta proibindo e quais são as conseqüências do seu ato.

Fernando Katayama 3 out. 05